Apenas Fique a Salvo
3 Vamos para casa
Notas iniciais
– Eu pensei que você tinha quebrado um osso. — eu disse, com os braços cruzados.
– Não sei se cheguei a quebrar. Mas o que estava doendo, não dói mais. — Bridget respondeu com arrogância.
Ainda não havia entendido como Bridget se curou tão rápido, quando Liam pediu um pouco de Néctar. Como eu não sabia o que era, levei a mochila inteira e me ajoelhei ao lado de Brandon. Liam pegou uma garrafa e colocou o que tinha dentro na boca do menino-bode.
– Isso é néctar, e aquilo é ambrósia — explicou-me Liam. — São comidas dos deuses. Ajuda na recuperação.
Então foi assim que Bridget sarou, pensei.
A cor de Brandon voltou e ele abriu os grandes olhos negros.
– Acabamos com eles? — perguntou, com dificuldade.
– Com toda a certeza. — Liam respondeu, alegremente.
Eu me levantei e comecei a juntar as coisas espalhadas pelo chão.
– Estão ouvindo isso? — perguntou Bridget, apurando os ouvidos.
– Parece sirene — afirmei. — de policia.
– Acho que é melhor irmos para a casa. — disse Liam — Depressa.
Engoli seco. Eu não tinha casa. Quer dizer, eu tinha. Mas eu não considerava como minha casa.
– Bem... — comecei — Eu não tenho casa.
– É claro que tem. — Brandou falou — Todos os meios-sangues têm.
– Viemos te buscar para levá-la até lá. — Liam disse e sorriu, gentilmente, exibindo seus dentes perfeitos.
Bridget revirou os olhos. Eu a fitei. Bridget era uma menina muito bonita. Parecia que ela irradiava beleza. Seus olhos mudavam de cor. E fiquei encarando por um longo tempo.
– Por que está me encarando? — questionou Bridget.
– Eu só... — comecei, envergonhada — Seus olhos... Eles mudam... São lindos. -
Bridget corou.
– Obrigada — disse, sem graça. — A maioria dos meus irmãos tem olhos assim.
Por um instante, eu vi humildade em Bridget. Parece que ela gosta de elogios.
– Irmãos? — perguntei com curiosidade. — Quantos você tem?
– Que eu saiba, uns oito.
Fiquei boquiaberta. Oito irmãos!
– Você deve ter bastante também.
Eu ia perguntar como ela sabia, mas fui interrompida:
– Vamos, meninas! — chamou Liam — Temos que nos apressar antes que a policia chegue e nos façam perguntas.
Corremos para alcançá-los. Chegando perto da rodoviária, inúmeras perguntas passaram pela minha mente.
– Onde fica nossa "casa"? — perguntei.
– Em Nova York. — Brandon respondeu.
– Mas estamos na Flórida! — exclamei. — É muito longe!
– Por isso vamos pegar aquele ônibus que nos leva até lá. — argumentou Brandon.
Não sei com qual dinheiro compramos as passagens, eu não tinha nada.
Estávamos embarcando quando Liam me chamou.
– Ei! Ainda não sabemos seu nome.
– Megan — eu disse. — Megan Swan.
– Meu nome é Liam — eu ia dizer que já sabia, quando ele continuou — Filho de Dioniso.
Assenti. "Espera, o deus grego do teatro, Dioniso?" pensei. Ele completou:
– Ela é Bridget, filha de Afrodite — Bridget deu uma risadinha. — E esse é Brandon, o sátiro.
– How you doing? — Brandon deu uma picadinha.
– A cantada do Joey? — Eu ri. — Bela tentativa.
– Vamos continuar? — perguntou Bridget, impaciente, sentando-se no seu lugar. E Liam sentou ao seu lado.
Na frente deles, sentei ao lado de Brandon. Passamos as primeiras 2 horas conversando sobre o acampamento e sobre a minha vida mortal. Eu era adotada. Não sabia nada sobre meus pais biológicos. E meus pais adotivos não gostam muito de mim. Quer dizer, não gostam nada de mim. E ainda tinha o Paul e o John, meus irmãos. Mas, ao contrario de mim, eles eram os filhos biológicos, e amados.
– Ele é um deus. — disse Brandon.
– Quem? — perguntei.
– Seu pai. — respondeu. É um deus grego.
Eu ainda não estava totalmente convencida desse lance de deuses, mas assenti.
– Melhor eu dormir. — disse.
– Se qualquer coisa acontecer ou um monstro atacar, eu te acordo com uma chocalhada. — Brandon falou.
– Espero não precisar ser acordada. — murmurei.
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