Apenas Amor.

1 Capítulo 1


Mutano não aguentava mais ficar trancado na enfermaria. Já tinha se passado três dias que ele tinha acordado depois de ter levado o tiro, mas Cyborg ainda não tinha dado autorização para ele sair da enfermaria. Ele passava a maior parte do dia sozinho, já que os outros tinham suas coisas para fazer, apenas na hora de comer e a noite ele tinha companhia. Ravena trazia a comida dele todas as vezes e também ficava conversando com ele depois do jantar, mas com sua meditação, as patrulhas e até mesmo a luta contra os bandidos, ela não passava muito tempo com ele. A empata estava mesmo fazendo de tudo para conseguir o perdão de Mutano, mesmo com ele falando que já a tinha perdoado. Ele apenas estava com um pé atrás por não querer se machucar novamente. Depois de tudo o que ela tinha dito sobre ele, Mutano tinha medo que ela falasse aquilo de novo. Ele não sabia se aguentaria.

Ele olhou para o relógio na parede, ainda eram quatro da tarde. Ele sabia que estava sozinho na Torre, seus amigos tinham ido para uma cerimônia que teria na cidade. O prefeito iria entrega um prêmio ou coisa do tipo.

– Quer saber? Chega disso. – ele disse tirando o soro e os fios que estavam em seu peito.

Mutano arrumou tudo, antes de sair da enfermaria. Ele foi para seu quarto, tirou os curativos e tomou um banho de verdade, já que Cyborg deixava ele tomar apenas um banho a jato. Depois ele saiu e limpou suas feridas antes de refazer o curativo e colocar uma roupa limpa. Ele saiu de seu quarto e foi para a cozinha, fez um lanche e decidiu ir comer no seu quarto.

Os outros titãs tinham acabado de voltar para a Torre. Eles estavam cansados. Passaram a tarde sorrindo e acenando. Eles não pensaram que demoraria tanto. Ravena olhou para os amigos que discutiam o que iam comer. Ela balançou a cabeça e saiu da sala, indo em direção a enfermaria. Mutano ficou para bem dizer o dia todo sozinho, deveria quer conversa um pouco. Assim que ela abriu a porta, seu coração quase parou. Mutano não estava na cama dele. Ela olhou no banheiro, antes de sair correndo para a sala. Onde aquele irresponsável poderia ter ido? Como ele pode sair da cama sem Cyborg ter autorizado?

– Mutano sumiu. – ela disse abrindo a porta. Os outros olharam para ela.

– O que? – perguntaram juntos.

– Eu fui ver como ele estava e falar que a gente já tínhamos chegado. Ver se ele queria alguma coisa. Quando cheguei a enfermaria, ele não está lá. Não tem nem sinal dele.

– Onde ele pode ter ido? – Estelar perguntou preocupada.

–Acho que devemos procurar na torre. – Robin disse. – Ele provavelmente está ou no quarto dele ou no telhado.

– Eu vejo no quarto. – Ravena disse antes de sair.

Ela correu para o quarto dele. O coração dela batia rápido no peito. Ela levou menos da metade do tempo que levaria para chegar ao quarto do amigo verde. Ravena abriu a porta e entrou. Ela não conteve o suspiro de alivio que escapou assim que ela o viu deitado em sua cama, dormindo. Foi até ele e se ajoelhou ao lado seu lado. Ela pegou seu comunicado.

– Ele está no quarto. – ela disse para os amigos. – Ele está dormindo, não precisam vim aqui.

A empara se sentou ao lado dele. Ela ainda não podia acreditar que ele a perdoou tão fácil. Mas isso não a ajudava a se sentir melhor. Ela quase não tinha tempo para ficar com ele. Esse dias tinham sido tão corrido que ela estava muito atarefada do amigo. Ela tinha decidiu que meditaria menos para que pudesse ficar um pouco com ele, já que sentia o quanto ele se sentia sozinho na enfermaria o dia todo. Ela passava algumas horas da noite com ele, mas sabia que isso não era suficiente para ele. Sabia que ele queria ficar mais tempo com ela. E com seus amigos.

– Ravena? – Mutano disse abrindo os olhos. – O que você está fazendo no meu quarto?

– Fui atrás de você na enfermaria e não te encontrei. – ela disse tirando o cabelo do rosto dele. – Vim atrás de você. Cyborg quer te dá uns puxões de orelha. E devo dizer, você merece.

– Desculpa. – ele disse se sentando. – Eu não aguentava mais ficar trancado na enfermaria. E já estou bem.

– Sem dor?

– Está apenas incomodando um pouco. – disse quando os ombros. – Vou falar com os outros.

Eles se levantaram e foram para a sala. Assim que Mutano colocou um pé na sala, foi vítima de um abraço esmaga ossos de Estelar. Ele arregalou os olhos e deu um gemido de dor.

– Estelar, ele ainda está ferido. Você está machucando ele. – Ravena disse olhando feio para a amiga.

– Desculpa, amigo. – ela disse olhando para ele.

– Tudo bem. – ele disse levando a mão para as costelas. – Antes de qualquer coisa. Estou bem. Não preciso ficar mais trancado naquela enfermaria. Sei que não posso lutar, mas posso ficar com vocês. Posso também jogar vídeo game e assisti televisão. O que me lembra, temos que colocar uma na enfermaria. Cara, é muito chato ficar o dia todo olhando para as paredes. – ele se sentou no sofá. – E já até anotei os horários dos remédios. Coloquei uma cópia em cada canto da torre, assim não vou me esquecer.

– Tudo bem, Verdinho. – Cyborg disse. – Você pode ficar com a gente, mas nada de abusar, senão te amarro na cama.

– Pode deixar comigo. – ele disse sorrindo. – Mas diz ai, como que lá com o prefeito?

– Chato. – Ravena disse. – Ele falou um monte de besteiras.

– Ele estava dando em cima da amiga Ravena. – Estelar disse olhando para eles.

Mutano riu, enquanto Ravena corada e jogava uma almofada na amiga.

Os dias passaram mais rápido do que eles pesaram ser possível. Ravena estava cada vez mais próxima de Mutano. Eles andavam juntos a maior parte do tempo, menos quando tem alguma chamada na cidade. Mutano estava feliz com isso. Ele pode conhecer Ravena mais nessa semana do que em todos esses anos juntos. Ela se abriu com ele como nunca fez com ninguém. Ravena também descobriu muitas coisas de Mutano. Ela nunca pensou que ele podia ser tão diferente quando não estava brincando e que poderia ser esperto, quando queria. Ela descobriu coisas sobre animais que nunca sonhou que pudesse existi. Eles passaram a fazer algumas coisas que eles gostavam juntos. Mutano meditou e ensinou Ravena a cozinhar. Já Ravena leu as histórias em quadrinhos dele e até jogou com ele, o que mais surpreendeu a todos.

Um trovão cortou o céu. Ravena pulou na cama. Ela estava suada. Estava tendo um pesadelos horrível. Depois de olhar envolta ela se levantou e saiu do quarto.

– Mutano? – Ravena o chamou batendo na porta do quarto dele. – Mutano?

Ela abriu a porta e entrou. Mutano dormia na cama de baixo. Ele tinha lhe dito que fazia isso por que estando ferido, se mexia muito quando dormia e tinha medo de cair da cama. Ravena se aproximou lentamente da cama dele. Mutano estava deitado de barriga para baixo, sem camisa e com o coberto cobrindo apenas o pé dele. E nunca esteve mais bonito para ela.

– Mutano? – ela chamou novamente. – Mutano, acorda. Vamos lá. Acorde.

Mais um raio cortou o céu sendo seguido por um trovão. Mutano se mexeu na cama e abriu os olhos, para fechar logo em seguida.

– Mutano. – ela disse mais alto. – Acorda. Por favor. Mutano. – ela disse ainda mais alto.

– Ravena? – ele perguntou sem abri os olhos. – E você ou estou sonhando?

– Sou eu. – ela disse tocando no braço dele para prova. – Posso dormi aqui?

– Por que? Está tudo bem? – ele perguntou se sentando.

– Sim. Apenas tive um pesadelo.

– Claro. – ele disse olhando para ela. – Quer dormi aqui? Ou na cama de cima?

– Aqui. – Mutano se surpreendeu quando Ravena o empurrou delicadamente quando ele ia se levantar e se deitou ao lado dele. – Bem melhor.

Os dois se deitaram e ficaram em silêncio por um tempo.

– Ravena? – Mutano chamou.

– Sim? – ela disse se virando para ele.

Mutano não disse nada, apenas a beijou. Ravena hesitou por um segundo antes de o beijar de volta. Ela nunca pensou que ele beijasse tão bem.

– Eu te amo. – ele disse quando eles se separaram.

– Eu te amo. – ela disse sorrindo.

– Quer ser minha namorada?

– Quero. – ela disse antes de o beija novamente.

...

Ravena andava de um lado para o outro no quarto. Ela ainda não podia acreditar que aquilo tinha acontecido com ela. Mutano nunca a perdoaria por isso. Nunca. Ela parou e se olhou no espelho. Ela não tinha mudado muito nos últimos três anos. A mudança mais significativa que ela teve estava em sua mão esquerda. A empata não pode deixar de sorrir ao olhar aquela aliança. Ela nunca pensou que um dia fosse se casar, mas desde que ela e Mutano começaram a namorar, ele deixou bem claro que queria se casar e que eles iam se casar um dia. E um ano depois do primeiro beijo, eles se casaram. Agora dois anos depois ela não podia estar mais feliz. Seu marido dava tudo o que ela precisava e mais. Ele ensinou para ela, que ela não precisa temer seus poderes. Que quando ela sentia, podia mostra um pouco, e com o passar do tempo foi aprendendo a se controlar. Tanto que agora pode dá uma risada de verdade sem explodir nada.

– Amor? – Mutano disse entrando no quarto. – O que foi?

– Nada. Por que? – ela perguntou olhando para ele.

– Você está estranha. – ele disse a abraçando pelas costas. – Aconteceu alguma coisa?

– Não. – ela disse colocando suas mãos por cima das dele. – Eu te amo.

– Eu te amo. – ele disse sorrindo, antes de cheirar o pescoço dela. – Seu cheiro está diferente.

– Diferente? – ela perguntou olhando para ele pelo espelho.

– Sim. Está mais forte. – Mutano levantou a cabeça. – Parece que se fundiu com outro e a cada dia chama mais minha atenção.

Ravena não disse nada. Ela sabia que isso iria acontecer, sabia mais cedo ou mais tarde ele notaria que seu cheiro estava diferente.

– Mutano, eu tenho algo para te falar. – ela disse se virando para ele. – Algo muito importante.

– O que foi? – ele perguntou olhando para ela sério.

– Eu sei por que meu cheiro está diferente. – ela disse desviando os olhos dos dele. – Aconteceu uma coisa uma semana atrás, eu já devia ter ti contado, mas não tinha coragem.

– O que acontece? – ele perguntou tendo medo da resposta.

– Se lembra que eu sair para ir comprar uns livros e voltei mais tarde que o normal? E que eu fiquei estranha depois disso?

– Lembro. Perguntei o que tinha acontecido e você me disse que não tinha acontecido nada. – ele disse se afastando dela. – Aquela foi a primeira vez que notei que seu cheiro estava diferente.

– Naquele dia eu...

– Ravena? O que acontece? Você me traiu?

– O que? Não. Mutano, nunca te trairia.

– Então, o que foi? Por que você está assim?

– Eu estou gravida. Você vai ser pai. – ela disse rápido. – Me desculpa, eu sei que você não queria que isso acontece agora. Sei que você queria que isso acontecesse apenas daqui alguns anos, mas...

Ravena não pode continuar, pois Mutano a beijou. Elaa não pode fazer nada mais do que devolver o beijo.

– Eu te amo. Amo, os dois. – ele disse sorrindo.

– Eu te amo.

Mutano se ajoelhou e beijou a barriga da esposa.

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