Apego
1 Primeiro Capítulo - Companheiros?
A respiração estava acelerada, pupilas dilatadas por ser abordada com tanta rapidez. A lâmina encostava-se à pele branca e delicada. Não tinha como escapar, seria abatida. Não via qualquer sentimento no assassino. O coração palpitava enquanto o suor frio escorria. O que faria para se livrar de algo que aparentava ser tão forte? Fechava os olhos, apavorada, esperando longo o fim, não tinha mais energia, que acabara em outro combate. Seria ele, diferente, deixando-a viver? Questionava. Logo sua mente lhe falava, ninguém faria isto, ainda mais sabendo do que ela era capaz.
- Me mate logo! – Gritava, mordendo os lábios com força para segurar as lágrimas.
- Abra os olhos... – Dizia o assassino, com a voz fria e calma.
Obedecia. E via o rosto repleto de cortes e olhos vermelhos, fixando-os após observar a vestimenta, descobrindo quem lhe abordara.
- Z-Zed? – Gaguejava.
- Sim, pelo visto minha reputação aumentou para uma criança como você reconhecer-me.
- Você assassinou tantos campeões.. Só serei mais uma, acabe logo com isto... – Desviava o olhar, fixando no chão.
A lâmina se afastava do pescoço, a ruiva fechava os olhos rapidamente sabendo que seria seu fim. O coração acelerava junto á respiração, porém, segundos passavam, e sabendo das habilidades do assassino, já deveria ter sido abatida. Abriu, vendo o mesmo agachado, com o braço sobre o joelho, observando-a.
- Levante, vou leva-la a um local seguro. – Estranhava, porém obedecia, acompanhando o assassino com dificuldade por causa das pernas trêmulas.
- O que houve? – Perguntava com a voz baixa.
- Sabe... Estou me cansando desta fama... Mas preciso mantê-la para minha segurança, se não seria abordado á qualquer momento. Além do mais, não quero morrer para outro campeão. Reconheço que minha aparência mostra o contrário que digo, sofri muito na minha infância. Um abate não significa nada, em minha opinião. – Cruzava os braços, respirando fundo. – Não obtinha resposta da companheira, demonstrava medo.
Chegando ao local, parava em frente à grande estrutura. A brisa balançava seus cabelos, fixava o olhar ao céu, lembrando momentos familiares, causando-lhe conforto e um leve sorriso.
- Annie! Minha filha! – A pequena corria em direção à voz, saltitante, carregando um urso de pelúcia na mão.
- Mãe! Mãe! Olha o que eu consegui! – Mostrava, causando surpresa e um belo sorriso no rosto castigado pelo tempo e batalhas.
- Que ótimo minha querida! Agora vamos para casa, está na hora de dormir. – Segurava a mão da filha, levando-a.
- Annie? Annie..? Está me ouvindo? – O assassino esperava-a na entrada.
- Desculpe, me distraí. – Coçava a cabeça e logo entrava.
Ao entrar, vendo uma silhueta familiar. Syndra, campeã que havia lutado algumas vezes, o olhar da maga não demonstrava aceitação.
- Por que a trouxe?
- Se acalme, ficará apenas esta noite. – Passava, levando a ruiva para o quarto, pequeno, porém aconchegante. Sentava na cama, convidando-a.
- Se precisar de algo, me chame, entendido? – A criança respondia balançando a cabeça com certa timidez.
- Vou conversar com a Syndra, para ela tentar se acalmar. – Levantava, fechando a porta com delicadeza, caminhando até a companheira.
Deixava a pelúcia sobre a cama e abria a porta, apenas uma brecha para ouvir a conversa.
- Que reação foi aquela?! – Tirava o capacete, fixando o olhar com frieza na maga.
- Você sabe que essa criança será um problema! Porque a trouxe?
- Estava indefesa quando iria abatê-la, decidi fazer diferente desta vez. Algum problema?
- Claro! – Aumentava o tom, mexendo os braços com raiva. – Você nunca ouviu a história dessa garota?! Sabe o poder que ela tem? É um perigo!
- Não se preocupe, ela não fará isso Syndra. – Colocava a mão no ombro, apertando de leve. – Apenas demonstre, ter aceitado ela.
- Tudo bem... – Suspirava, revirando os olhos. Saía, indo em direção ao quarto, fazendo a pequena fechar a porta com rapidez e pular na cama.
Abraçava o urso, seu único companheiro nesta situação, que lhe dava conforto, e deitava de lado, aconchegando o rosto no macio travesseiro, fechando os olhos.
- Vou sair daqui amanhã cedo, não quero ficar, tenho medo do que ela possa fazer comigo... – Pensava antes de adormecer.
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