Notas iniciais
Eu juro que tô tentando! Tenho uma ideia muito específica pra essa história, outras histórias em andamento, muita coisa acontecendo, meu eu juro que essa daqui tá andando também. Inclusive, está andando para um lugar com o qual eu tenho muito carinho e quero muito mostrar pra vocês. Christie merece isso. Boa leitura!

— Você trancou o curso? — Diz a voz assustada no telefone. É Lisa, colega da faculdade que me ligou preocupada após algumas semanas sem me ver nas aulas. — é por questão financeira? O que aconteceu?

— Ah, é complicado...

— Quer conversar sobre? Você pode vir aqui em casa.

— Eu não acho que vai rolar.

— Por que não?

— É que eu voltei para a casa da minha mãe.

— Ah. — Silêncio. Um suspiro. — Que merda. É por questão financeira? Você pode ficar aqui em casa.

— Não eu... — Solto uma risada fraca com a proposta. — Acredite, eu tentei essa estratégia. Além do mais, é uma questão financeira também, mas não só. Lisa... Eu me baguncei toda, sabe?

— Como assim?

Sento-me na beirada na cama com o corpo levemente curvado para a frente. O silêncio no telefone aguarda uma resposta que parece relutar a sair. Meus olhos queimam com as lágrimas contidas.

— Eu tô no fundo do poço, Lisa.

A voz sai embargada contra a minha vontade, denunciando as lágrimas que escapam pelos meus olhos.

— Oh, Chris, me conta oq aconteceu?

— Ah, é que... — Escuto a chave girando na porta, é minha mãe chegando. — Ai, eu não vou poder falar agora.

— Ok, tudo bem, se quiser me liga outra hora. Mas, Chris?

— Fala.

— Procura ajuda profissional também.

— Oi?

— Vai me dizer que você tava fazendo Psicologia e nunca considerou procurar uma psicóloga?

— Eu não achei que seria necessário...

— Sempre é necessário.

— Eu tenho que desligar.

— Ok. Me manda mensagem depois, tá? Tô aqui contigo.

— Obrigada. — Respondo e desligo, sem aguardar resposta.

— Quem era? — Levanto o olhar e vejo minha mãe abrindo a porta do meu quarto.

— Uma amiga da faculdade.

— Hm. — Ela pressiona os lábios, formando uma linha fina de reprovação. — Sei. Comeu alguma coisa?

— Tomei café da manhã.

— São 15h, você não almoçou?

— Acordei tarde, estava sem fome.

— Está com fome agora?

— Depois eu pego algo na cozinha.

— A Chris está aí? — Escuto uma voz grave masculina atrás de minha mãe. — Chris!

Vejo meu irmão invadir meu quarto e me derrubar de volta na cama com um abraço apertado. Por um segundo me esqueço de todo os conflitos em minha cabeça e abraço Andrew com força. Ele cresceu desde a última vez que o vi, já é um rapaz adulto. Seu cheiro está diferente, isso é perfume? Em que momento Andrew começou a usar perfume?

— Há quando tempo você voltou pra casa? — Ele pergunta, ainda sem me soltar do abraço de urso.

— Algumas semanas! Você não recebeu minhas mensagens?!

— Meu celular ficou aqui! Eu estava na casa do pai!

— Me conta! Pera, ai... — Resmungo ao me soltar do abraço para que eu possa sentar e encará-lo. — Como estão as coisas? Você já vai se formar no ensino médio?

— Sim! Mas por que você voltou? Te expulsaram? O que você fez?

Solto uma risada e sinto meu coração respirar um pouco. Eu não fazia ideia do quanto sentia falta da voz animada de meu irmão. Olho para a entrada do quarto e percebo que minha mãe não está mais lá, então delicadamente fecho a porta. Andrew e eu ficamos um bom tempo sentados conversando sobre o que aconteceu durante o tempo em que passamos longe um do outro.

— Chriiiis! — Meu irmão resmunga, balançando meu ombro e fazendo meu apelido exageradamente longo. — Você deveria ter me mandado uma mensagem!

— Não tinha nada que você poderia fazer!

— Podia! Eu podia falar pra ti parar de fazer merda!

— Quem diria, antes era eu que cuidava de ti, agora você cuidando de mim...

— Que viagem, eu que sempre fiquei falando pra ti parar de fazer merda! Vamos na padaria?

— Eu tô cansada demais, Andrew...

— Você vai deixar seu irmãozinho ir na padaria sozinho? — Ele pergunta enquanto faz beicinho, arrancando de mim uma risada.

— Você tem dezoito anos, não oito.

Com isso levo um empurrão de meu irmão ao mesmo tempo em que ele se levanta rindo. Alguns minutos após ele sair do quarto, suspiro e passo os dedos pelos fios dos meus cabelos oleosos e enosados. Estou me sentindo nojenta. Levanto-me, pego minhas coisas me me jogo debaixo de um chuveiro quente. Com a ponta dos dedos, massageio meu couro cabeludo cheio de shampoo como se eu pudesse lavar a dor de cabeça que me incomoda há dias. Esfrego toda a minha pele com sabonete quase como se tentasse descascá-la e revelar uma nova camada de pele por baixo. Às vezes eu gostaria que fosse possível. Estou cheia de pequenas feridas, pequenas como as de catapora, que discretamente cobrem meu corpo, algumas começando a cicatrizar, outras feridas recentes. Eu não me percebo criando esses machucados, mas meus dedos constantemente correm minha pele à procura de pequenas imperfeições para que possam tentar arrancá-la com as unhas, criando uma horrenda ferida. Permito-me chorar um pouco, com as mãos em cima da boca para não soltar nenhum soluço.

Saio do banho cheirando a sabonete de amêndoas e encontro um pacote de pão de queijo em cima de minha cama. Sorrio por saber que é coisa de Andrew. Puxo meu celular e envio uma mensagem à Lisa pedindo que ela me envie indicações de psicólogas em minha cidade.

Notas finais
Eu sei que os últimos capítulos estão sendo curtinhos, mas juro que logo compenso! Me diz, o que achou?