Apartamento 347
2 Capítulo 2
Acordo com a voz da minha tia. Tudo foi um sonho? Ou eu estava desmaiada no chão do meu quarto?
- Lila? Lila, acorde! São 10:30, precisamos ir na cidade daqui a pouco.
Tudo foi um sonho então? Mas foi tudo tão real...Me levantei, mas parecia que era a segunda vez que acordava.Desci as escadas do prédio e entrei no carro com a minha tia.
- Alguém morreu aqui?
- Lila! Que tipo de pergunta é essa? Claro que não. O que aconteceu para você perguntar isso?
- Eu tive um sonho...
- Todos sonhamos querida, mas precisa separá-los da realidade.
- Mas pareceu tão real...
- Essa é uma das habilidades dos sonhos.
Dei de ombros e fiquei olhando pela janela. As pessoas do bairro me olhavam de forma estranha. Pareciam estar amedrontadas... Será que minha tia havia feito algo? Tinha que descobrir o que tinha por trás disso tudo...
Minhas aulas começariam na próxima semana, tinha apenas 3 dias para me preparar para essa nova vida...
Depois do almoço, acabei indo dar uma volta pelo prédio. Dei sorte que a minha tia estava descansando no sofá.Esse prédio era engraçado, haviam poucas pessoas nele, mas ele era constituído de 14 andares.Fui subindo de andar em andar até chegar no topo. Havia um pequeno quarto na cobertura do prédio. Parecia com um cubo e havia apenas uma única porta e uma única janela, mas estava muito suja para poder enxergar através dela. Tentei limpar, mas percebi que não era sujeira, era tinta mesmo. Resolvi bater na porta. Bati mais de 10 vezes, mas ninguém respondeu. Tinha um pequeno vitral na porta e forma de círculo, por onde eu tentei enxergar. Parecia ter algo ali dentro, um vulto ou talvez um objeto.
Desci todas as escadas e fui falar com a recepcionista sobre o tal quarto :
- Moça, teria a chave daquele quartinho lá da cobertura?
- Mas que quarto?
- Tem algo que parece um quarto lá na cobertura do prédio.
- Impossível minha jovem, não tem nada lá em cima fora algumas antenas.
- Mas eu vi! Acredite em mim!
- Eu acredito. Ela disse com sarcasmo.
Fiquei enfurecida, só eu que conseguia enxergar as coisas nesse lugar? Voltei para o meu quarto e resolvi procurar algo sobre o prédio. Foi em vão...Parecia que não tinha nada constado sobre o prédio, mas talvez na biblioteca da cidade houvesse algo. Não iria mais sair hoje, mas minha tia iria ao super mercado. Talvez fosse a minha chance de tentar arrastar a cômoda e descobrir de vez o que tinha ali.
!6:00 horas.Minha tia saiu do banho, se despediu e disse que voltava antes das 18:00 horas. Por mim ela poderia demorar o quanto quisesse, quanto mais tempo melhor.
Dei tchau para ela da varanda. Voltei correndo para o meu quarto, me abaixei para tentar puxar a cômoda e o arranhão ainda estava no chão. Não acreditei! Passei a mão pelo arranhão e acabei me cortando com uma das farpas. Mas do mesmo jeito eu puxei a cômoda. Para a minha surpresa o boneco que havia caído ontem não estava mais ali, mas tinha um bilhete e uma chave. Empurrei a cômoda novamente e abri o bilhete :
- "Se está lendo isso agora, é porque o meu plano funcionou e também porque você desobedeceu uma ordem. Se quiser se livrar do que vem acontecido com você, descubra da onde é essa chave e encontre outra instrução".
Me arrepiei ao ler, parece que essa pessoa sabia de tudo que estava acontecendo comigo. Corri para a cobertura do prédio, mas o quarto não estava mais lá!! Como um quarto some do nada?! Eu devo estar louca. Ou ele nunca existiu, ou agora não está mais ali. Ouvi o meu nome, e saí correndo.
Era a minha tia, ela estava na frente da porta...Ia levar uma bronca, mas tudo bem :
- Tia, me desculpe...Quis dar uma volta para conhecer o prédio.
- Tudo bem Lila, mas você precisa me avisar antes.
- Mas eu não saí do prédio, eu..
- Se você saiu do apartamento, como posso saber que não saiu do prédio também? Peça permissão antes de sair SEMPRE!
- Tudo bem...Amanhã posso ir até a biblioteca?
- Pode, quer que eu te leve?
- Não precisa, eu vou sozinha e aproveito para conhecer o bairro.
- Está bem então.
Fui para o meu quarto procurar um mapa da cidade na internet, queria achar uma loja de antiguidades ou um chaveiro, além da biblioteca. Imprimi o mapa e guardei na minha bolsa. Não tinha certeza se eu poderia confiar na minha tia, estava tudo muito estranho...Coloquei a chave em um cordão, e guardei dentro da meia que estava usando. Seria o único jeito de manter a chave segura e em um lugar que eu iria sentir se alguém tentasse pegá-la.
Estava difícil de dormir, não parava de mudar de lugar na cama...Estava ansiosa para descobrir o que a chave iria abrir.
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