Apartamento 312.
8 Capítulo 8 - Problemas no paraíso
- Bom dia, Berry! — disse a loira, enquanto degustava seu café e assistia televisão.
Rachel coçou o olho, procurando pela tal garota que viu na noite anterior, mas não a achou.
- Bom dia, Fabray. — sorriu — Teve uma boa noite ontem? — servia seu prato com torradas, geléia e creme de amendoim, e se sentou ao lado da colega.
- Ótima. — cantarolou maliciosamente — E você?
- Não foi tão boa... Mas tudo bem! O que fez ontem? — perguntou, curiosa.
- Saí pra dançar com alguns amigos... — respondeu sem dar muita atenção a ela, a televisão lhe tomava toda a concentração.
- Encontrou alguém em especial? — aproximou-se dela.
- Hey, não te interessa! Vá pentear esse cabelo, ele esta horrível. — disse com rispidez.
- É sério, Fabray? Não da mesmo pra ter amizade com você...
- Não preciso da sua amizade. — abriu um sorriso irônico.
- Se fosse menos fechada as pessoas iriam te querer por perto. — piscou-lhe, voltando para o seu quarto.
Quinn se sentiu ofendida. Ela era carente e isso não era uma incógnita. Rachel acabara de cutucar sua ferida.
O Vocal Gold estava no topo da pirâmide de popularidade em NYADA. O grupo sempre frequentava competições e voltava com troféis, defendendo a honra da instituição. Cada um tinha seu talento à parte, e o conjunto todo formava a perfeição. Quem lhes via de longe, tinha certeza de que teriam um futuro na Broadway.
Rachel havia construído sua popularidade aos poucos e para uma novata, tinha mais reconhecimento do que precisava. Ela se esforçava muito e com isso se destacava entre os outros, mas não era nenhuma rainha do baile. O Vocal Gold era a oportunidade para sua carga estar completa. A cada bimestre o grupo abria audições para novos integrantes e ela pretendia aproveitar isso para se juntar a eles.
Para sua audição, preparou a música "Marry the night" de Lady Gaga. Uma escolha arriscada, mas que compreendia toda sua extensão vocal. Adaptou a canção, tornando-a mais romântica e suave. A música e sua voz eram a combinação perfeita, o que impressionou aos jurados.
- Você foi maravilhosa, Rachel! — Lotta Anderson, líder do clube e aluna dedicada batia palmas freneticamente, de encontro com o entusiasmo da morena. — Vamos ali fora, conversar?
Se juntaram em um dos corredores dali, onde poucas pessoas passavam e ninguém tinha acesso ao que conversavam.
- Então... O que gostaria de falar? — perguntou, escondendo seu entusiasmo diante do elogio da garota.
- Desde que entrou para nossa instituição, chamava minha atenção por sua potência vocal... — sentou-se, levando Rachel a se sentar ao seu lado — Chega a ser assustador onde consegue chegar com essa voz, Berry! E conseguimos captar sua ambição e dedicação em seus olhos... Confesso que você tem o que queremos.
- Sério? E o que pretendem fazer? — radiou-se, animada.
-Você têm grandes chances de ser parte do Vocal Gold, mas somos um grupo muito exigente com nossos integrantes, espero que entenda... Por esse motivo, terei que marcar algumas reuniões com você antes que entre no grupo! Tudo bem?
- Sim. Quando começamos?
- Assim que quiser... Se precisar consultar sua agenda, sem problemas.
- Pode ir até o meu apartamento amanhã! Saímos de NYADA mais cedo, tudo bem pra você?
- Claro, ficaria ótimo pra mim... — sorriu, receptiva.
Ao passar do dia, Rachel e Quinn sequer se falaram novamente. A morena tinha medo dela não ser gentil e por isso permanecia-se calada. Enquanto a loira ainda estava ofendida e pensativa sobre o que ela havia ouvido de sua colega. A ideia de que espantava as pessoas lhe parecia assustadora, e os fatos iam de encontro com a teoria de Rachel.
De manhã, foram para suas respectivas faculdades e a judia mal conseguia segurar-se. Estava ansiosa para receber Lotta em sua casa e começar uma nova vida no Vocal Gold, onde sua carreira alavancaria. Com a popularidade, as apresentações nos melhores palcos e as aulas extras que teria sobre canto e dança, só teria a adicionar em sua bagagem curricular. Precisava conquistar a confiança de sua possível futura tutora, e iria fazer o que pudesse pra isso.
Passada algumas de suas aulas, Berry matou as outras que teria para levá-la até sua casa.
- Seja bem vinda ao meu apartamento! — abriu a porta e puxou-a para dentro, parando em frente a sala logo que entrou.
Avistou Quinn, junto de um garoto e mais uma amiga. Ela vestia-se apenas com uma blusa e calcinha, enquanto ele estava sem camisa. O pior de todo o conjunto, é que o local estava cheio de fumaça... De maconha, e também haviam algumas garrafas por lá. Quem fumava era a garota desconhecida por Rachel, e os três riam juntos, aparentando estar bêbados.
A judia não conseguia acreditar. Novamente Quinn lhe surpreendia, estragando-lhe uma chance que não teria de novo.
- Fabray... O que é isso na minha sala de estar? — gritou inconsequentemente, assustando Lotta e lhe fazendo recuar alguns passos.
- Hey, acalme-se, docinho! — seu amigo se manifestou, rindo para ela — Sente conosco, e chame sua amiga engomadinha também...
Rachel jogou sua bolsa no chão, irada com a situação.
- Quem é você e o que esta fazendo no meu apartamento? — cruzou os braços.
- Ele é um terráqueo, Rach, mas veio em paz! — Quinn gargalhava sem parar.
- Rachel... É aqui que você mora? — Lotta perguntou, tampando o próprio nariz para não ser atingida como fumante passiva.
- A nariguda infelizmente mora com minha amiga... — a outra garota se levantou, tragando perto de Lotta e fazendo-a se sentir mal com isso — Quer trocar de lugar com ela? Você deve ser mais legal!
- Sai do meu apartamento agora, sua vadia! — Berry gritou, empurrando-a pra fora e batendo a porta.
- A anãzinha esta nervosa! — brincou Quinn — Beba um pouco, você vai relaxar.
- Quinn, juro que vou matar você. — lacrimejou, pensando no que estava perdendo pela baderna da loira.
- Ei, Brad! — cutucou o amigo — Sabe porque Berry esta nervosa? Seu namoradinho a deixou, ela não faz sexo a um certo tempo...
- Rachel... Acho melhor resolvermos isso em outra oportunidade. Obrigada por me receber em sua casa... Passar bem! — Lotta saiu, sem dar tempo para que Rachel he respondesse.
- Espere... — pediu, sem ser ouvida, logo virando-se para o casal sentado no tapete da sala — Você! — apontou para o garoto — Vá embora.
- Mas a festa ta só começando, gata. — deu uma piscadela.
- E se continuar eu chamo a polícia. Acho que não seria uma boa ideia pra você, já que esta usando drogas ilícitas em meu apartamento sem que eu lhe dê autonomia, não é?
- "Tô vazando", Quinn! — levantou-se, pegando sua camiseta e levando uma garrafa de vodka consigo. Logo saiu.
- A nariguda tinha que acabar com a minha festa... — Quinn deitou sobre o tapete, fitando o teto.
- Tome um banho e limpe essa bagunça, precisamos conversar. — disse, seca.
O banho que a loira tomou lhe ajudou a trazer de volta sua consciência, também bebeu um gole de café amargo para reverter qualquer náusea ou enxaqueca que pudesse ter. Deitou-se no sofá, esperando que Rachel fosse até lá.
- Já esta sóbria? — voltou à sala.
- Sim... Imagino que queira conversar comigo! — se levantou para ficar mais próxima dela.
- Não quero conversar com você... Porque agora, olhando no seu rosto eu só consigo ter nojo. — franziu a sombrancelha, aparentando estar realmente brava.
Quinn recuou, se sentindo mal pelas coisas que ela dizia.
- Mas precisa falar comigo, Rachel...
- Preciso! Preciso relatar sobre o quanto você é egoísta e patética, Fabray. Tem ideia do que acabou de fazer? — aumentou o tom de voz.
- Não... Fiz alguma coisa?
- A mulher que estava comigo... Sabe quem ela era? Lotta Anderson, diretora do grupo Vocal Gold, de NYADA. Eles são a elite dos corais de todos os Estados Unidos e a vinda dela aqui era a minha oportunidade de ingressar no clube... Você arruinou tudo!
- Meu Deus... Me desculpe, Rach, eu não sabia...
- Não me chame de Rach! — gritou e lhe agrediu com um tapa, descontrolada.
Fabray não imaginava a força que Rachel tinha, foi impulsionada para trás com seu tapa. Deu um suspiro de dor, segurando a mancha vermelha que havia ficado no lugar da pele clara.
- Me perdoa... — insistiu, falando baixo.
- Não, eu nunca vou conseguir te perdoar por ter sido uma pedra na minha carreira. — acabou se entregando as lágrimas, que ajudaram a desfazer o nó de sua garganta — Mas tudo bem... Vou solucionar isso.
- Solucionar? O que você vai fazer?
- Procurar um novo apartamento. Com você não da mais pra morar! — limpou as lágrimas, voltando para o seu quarto.
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