Apartamento 312.

21 Capítulo 21 - Convite


"Pictures come alive, now I'm dancing through my life..."

Rachel brilhava. Chegava a ser assustadora a forma como ela se encontrava com a música, e se destacava de todos os outros dançarinos, mesmo que aquela música não fosse um solo. Talvez toda aquela impressão fosse uma neura de Fabray, que a assistia da plateia, debulhando-se entre os próprios suspiros. Mas mesmo sendo isso, um fato inegável era que ela ficava mais bonita ainda ali, soltando a voz e dando o melhor que podia nos passos. Quinn podia perceber alguns integrantes arriscando passos desconhecidos, e tentando ao máximo mostrar destaque perante os outros. A morena não precisava disso. Acompanhava os passos da coreógrafa e fazia apenas o que haviam lhe mandado. Quando a música parou e todas as luzes do salão se acenderam, ela já não sentia mais as próprias pernas.

- O ensaio de hoje foi ótimo, gente! — Lotta batia palmas, que logo foram acompanhadas por todos os alunos que ali haviam, inclusive Quinn. — Espero vocês para uma reunião na segunda, mandarei o endereço do local a todos por e-mail! — avisou — Agora, vão pro chuveiro. — virou às costas, mexendo em alguns papéis.

Rachel pegava a muda de roupas que havia em sua bolsa, quando, avistou Quinn de longe. Não pôde evitar um sorriso radiante, ela estava tão linda... E tinha chegado mais cedo, o que lhe fazia pensar que ela estava ansiosa para vê-la.

- Quinn! — gritou, indo até ela.

- Minha querida... — lhe puxou para um abraço, mas foi suavemente empurrada, a atitude lhe pegou de surpresa.

- Eu estou completamente suada! — justificou, passeando a mão pela testa, limpando o líquido que tinha ali.

Aquilo impressionou a loira, ter alguém por perto que realmente se importava em agradá-la era ótimo.

- Você chegou cedo! — Rachel continuou — Não queria que me visse assim...

- Está linda, Rach! — piscou-lhe, colocando uma mecha de seu cabelo pra trás de sua orelha, tentando enxergar seu rosto — Essa blusa encharcada te deixa mais sexy do que já é. — sorriu agradavelmente, deixando a morena totalmente encabulada.

- Não é certo iniciar o que temos com mentiras. — brincou, descontraindo — Bem, os ensaios são privados, como conseguiu entrar? — perguntou, curiosa.

- Disse que conhecia Lotta, então ela deixou com que eu entrasse. Deve ter ficado com medo de que eu vendesse drogas para os outros estudantes, então fez minha vontade. — arrancou gargalhadas da judia. — Pois bem, me desculpe por ter chego aqui assim, sem avisar... É que eu estava sozinha em casa, e queria muito ter a oportunidade de assistir a um dos ensaios do Vocal Gold... Vocês são maravilhosos! — declarou, orgulhosa.

Rachel envolveu seus braços em volta do pescoço de Quinn, com a intenção de aproximá-la, sem se importar muito com quem estava por perto.

- Tudo bem! Na verdade, fico feliz que tenha vindo ver o show de Rachel Berry. — sorriu, tentadora.

- Hey, hey, hey! — Lotta avistou as garotas — Fabray veio atrás de você, e como sei que ela não é inimiga do Vocal Gold, abri uma exceção para que entrasse para assistir nosso ensaio. — avisou.

- Por favor, pode me chamar apenas por Quinn. — disse, simpática.

- Ótimo, Quinn! — obedeceu — Rachel... Quer apresentar sua namorada pro resto da classe? — perguntou, ao notar que elas estavam mais próximas do que deveriam.

- Namorada? — murmurou, sendo tomada por uma onda fria sob seu corpo, assustando-se com a expressão que ela usou — Quinn não é minha namorada.

- Não? — perguntou, surpresa.

- S-somos colegas de apartamento, apenas... — deu um passo para o lado, afastando-se da morena.

- Está falando sério? Céus! Me desculpem! — levou às mãos a boca, constrangida.

- Tudo bem, Lotta. — a morena apressou-se em dizer, querendo evitar qualquer coisa que pudesse cortar a pequena amizade que tinham construído.

- É! Eu e Rachel somos muito apegadas uma a outra, é normal que as pessoas confundam as coisas, você foi apenas mais uma vítima! — brincou — Rach se separou recentemente do noivo, não se lembra? — sugeriu.

- Sim, deveria ter me lembrado! — apontou Lotta.

- Bem, tenho que ir tomar banho. Conversem por um tempo! — a morena sorriu graciosa, indo em direção oposta de onde estavam.

Enquanto ela caminhava, Quinn perdeu-se a olhando. Reconheceu que ela tinha um lindo bumbum, mas o conjunto todo chamava sua atenção. As pernas se movendo, a postura perfeita, o balançar dos cabelos morenos...

- Vocês pensam que me enganam... — Lotta brincou gargalhando, tirando a loira de seu transe.

- Como disse? — perguntou, sem entender qual era seu objetivo com aquela frase.

- Eu sei que estão juntas. — piscou, sorrindo marota.

- Sabe? — esticou o pescoço, curiosa — Rachel te contou alguma coisa?

- Ela não precisou, vi isso nos seus olhos quando a assistia! — apontou para o palco — Na verdade, minha intuição me ajudou um pouco com isso, se quer saber, sou muito boa em conhecer as pessoas. Teria escolhido psicologia se não gostasse tanto das artes!

- Estamos apenas nos conhecendo melhor. — confessou, finalmente.

- Há! Sabia! — bateu palmas, em alerta. — Você é uma companheira babona, sabia?

Quinn baixou a cabeça, sorrindo encabulada.

- Ela é incrível... É a garota mais mimada que já vi e em outra vida isso me irritaria! Mas não, ela têm me feito ter vontade de agradá-la de todas as formas. Conversar com ela é tão bom... Rachel têm se preocupado com meu bem estar, ninguém nunca se importou comigo assim! Tudo o que eu queria nessa cidade tão grande e cheia era ser cuidada e só descobri agora por que ela tem feito isso por mim. Estamos cada dia mais próximas, e os dias com ela têm sido maravilhosos. — suspirou.

- Está apaixonada. — disse ela, sem rodeios.

- Talvez eu esteja. — cruzou os braços, folgando-se em uma cadeira — Ainda é cedo para dizer, estamos nos acostumando com a presença da outra e estamos dando espaço para os costumes da outra. Tudo têm dado muito certo pra ser verdade!

- Isso é ótimo, precisa preservar o que construiu com ela agora. Sei que é pouco, mas é o bastante para levar a um nível maior. Conheço Rachel a apenas dois anos, mas sei que ela é uma personalidade difícil! Consequentemente, é mais difícil ainda achar uma pessoa com que ela se relacione bem, bem o suficiente para começar um relacionamento. Se você teve essa sorte, recomendo que a valorize. Berry não é uma garota qualquer! — aconselhou.

- E essa é a minha vontade! É como se eu tivesse começado a amá-la a seis anos atrás e só descobrisse agora. Preciso ser cuidadosa, quero que ela goste de mim também, assim como gostou de todos os seus pretendentes... Mas não sei como fazer isso! Passei minha juventude sendo uma quebradora de corações, confesso que sou ótima para conquistar garotas, mas sou melhor ainda para largá-las no dia seguinte, e é óbvio que não quero isso com Rachel. — sorriu amarelo.

- Tem que ser romântica! Bem, imagino que já tenha namorado garotos, que tenha vivido no mundo onde você sonha com os populares, certo? — pôs as mãos no joelho, cruzando as pernas.

- Sim, fui! — gargalhou, lembrando-se da velha Quinn Fabray, que tinha como objetivo maior manter Finn Hudson por perto. Quem dera se ela já soubesse tudo o que o resto do mundo podia lhe oferecer...

- Então! Seja o garoto dos seus sonhos adolescentes. — disse.

- Como assim? — perguntou, sem saber bem do que ela falava.

- Seja como o garoto com que você sempre sonhou! Tão romântico quanto, tão sexy quanto, tão apaixonado quanto. Você parece ser durona, mas tenho certeza de que é uma garota doce por dentro. Não tem como errar! — incentivou-a.

- Quer dizer que se eu for tudo o que sempre sonhei em uma pessoa, posso conquistá-la? — se interessou por sua metáfora.

- Não só pode, você vai. — lhe deu um soquinho no ombro.

- É minha única opção... — disse pensativa — Tenho que conquistá-la!

- É assim que se fala, garota determinada. — deu uma risada descontraída.

Avistaram a morena longe dali, caminhando até elas com um rabo de cavalo firme, legging e regata. Estava sem maquiagem nenhuma e vestia roupas simples, mas os ombros e pescoço a mostra eram o suficiente para deixar Quinn sem ar.

- Hey, não conte nada disso a ela, tudo bem? Aliás, não conte nada disso a ninguém, preferimos manter discrição por enquanto. — apressou-se a pedir, cochichando de mãos juntas.

- Pode confiar em mim, serei um túmulo. — sorriu, confidente.

- Voltei, garotas. — disse, enquanto guardava algumas coias em sua bolsa.

- Vamos pra casa? — Quinn tomou sua bolsa, imaginando que estava cansada para carregar peso.

- Sim! Estou com o corpo dolorido, quero tomar um relaxante muscular fazer meus trabalhos. — suspirou pesado.

- Tudo bem, venha! — a loira lhe puxou pela mão — Tchau Lotta, obrigada pelos minutos de conversa. — lhe beijou na bochecha.

- Tchau, querida. Te espero no próximo ensaio, Rachel, você tem se sobressaído e preciso ver mais de você. — deu um abraço.

Era visível o brilho no olhar de Berry ao ouvir aquilo, era tudo o que precisava: ser reconhecida por seu talento e esforço. A competição brutal pelo estrelato e as dificuldades da cidade pareciam desaparecer assim que escutava que sua dedicação tinha recompensa, e ela estava cada vez mais perto disso. Saiu do salão como se estivesse flutuando. Parte por estar conseguindo o que queria, parte por ter Quinn Fabray do seu lado.

- Sobre o que conversaram? — a morena quis saber, cheia de curiosidade.

- Sobre meu suposto vício em drogas, ela estava me dizendo algumas frases típicas de livros de autoajuda, eu apenas fingi que estava ouvindo. Lotta foi adorável! — mentiu.

- É ótimo que tenham se dado bem. — sorriu, orgulhosa dela e entrou no carro.

Quinn entrou junto dela, e antes de colocarem o cinto, se entreolharam. Trocaram olhares e sorrisos automaticamente, sem que percebessem. O estacionamento em que a loira tinha deixado seu carro estava vazio e escuro, ninguém passaria por ali tão cedo. Acariciou sua bochecha, passando para o queixo e lhe puxou para um beijo. Quinn beijou um dos lábios de cada vez, primeiro o superior, e após ele o inferior. Assim que Rachel abriu a boca, dando passagem para que ela entrasse, sua língua se entrelaçou a dela devagar, então agarrou sua nuca e chegou mais perto, transformando o beijo manso em apressado. Berry chupava a língua da loira sem lhe dar oportunidade para respirar, queria mostrar a ela que a desejava de verdade. Quinn se afastou vagarosamente em busca de ar, mas manteve sua testa colada com a dela, com uma forma de não se afastar totalmente.

- Senti saudades de você, esse foi o motivo pelo qual cheguei mais cedo. Queria te ver cantando! — confessou, tomando um suspiro de Rachel, que se derreteu ao ouvir aquilo.

- Pois eu cantava pensando em você. — sorriu, selando seus lábios novamente.

- Vamos pra casa, hoje a noite eu te farei cupcakes. — disse, seguindo a dica de Lotta sobre ser romântica.

- Você é uma péssima parceira, parece até que quer me ver gorda! — brincou, tocando seu nariz.

- Então eu te faço um cupcake de frutas! — solucionou o problema, sorridente.

- Não pode ser mais encantadora... — gargalhou, assistindo ela dar partida no carro.

Assim que chegaram em casa, Rachel foi diretamente cuidar de seus trabalhos de NYADA enquanto Quinn fez rapidamente os bolinhos. Assim que os deixou no forno, tomou um longo banho e foi ligar seu notebook. Assim que entrou no Skype, avistou Santana online. Considerou aquilo um milagre, pois com todas as ocupações em Kentucky, ela nunca tinha tempo para vida online. Precisava conversar com ela, vinha sentindo sua falta como nunca sentiu antes, mas tinha receio de incomodá-la. Por isso, trocavam cartas com frequência. Quinn não resistiu, fez uma chamada de webcam e logo foi atendida.

- Ei, mamãe! — atendeu a chamada com um aceno.

- E aí, peitos falsos! — a cumprimentou com um sorriso.

- Como vai em New York?

- Ótima, melhor do que nunca. — disse animada — E como está Kentucky?

- Francamente? Está péssima. — fez uma careta — Sinto falta da minha Brittany mais do que tudo, eu ando frustrada com minha carreira, não sinto que estou fazendo o que sempre sonhei...

- Bem, Kentucky não esta de acordo com seu sonho, isso é fato e todos sabem.

- Exato! Eu sinto que estou no lugar errado, que estou presa em um filme ao qual eu odeio o gênero.

- Deve procurar sua felicidade, Santana! — aconselhou.

- Não sei como isso foi acontecer... Eu sou Santana Diabla Lopez! Deveria estar em algum lugar que não sei qual é, mas estaria feliz. Deveria estar rindo, me dedicando para algo que eu quero de verdade. Brittany achou o seu caminho, está indo para New York semestre que vem enquanto eu continuarei aqui, levando minha vida com a barriga.

- É estranho ouvir isso de você. — admitiu — Sempre foi uma garota determinada, que agia pelo coração e sempre acertava. Santana, você não pode deixar isso assim.

- Não posso, mas tenho medo... Tenho medo de arriscar meu futuro e não conseguir evoluir largando a faculdade. Essa é a minha vida, preciso levar a sério, preciso ter um plano em mente.

- Não! Você só precisa da coragem que sempre teve, pois você já tem seu talento, que é o essencial.

- Acha isso mesmo? — juntou as mãos, agradecida.

- Sim, acho! — disse firme — E se pensar em largar tudo... Vou estar aqui, pra te ajudar da forma como puder.

- É ótimo ter você como amiga, seu instinto materno esta sempre tinindo. — brincou, provocativa.

- Idiota! — gargalhou junto dela.

- Pois bem, me conte sobre você, não nos falamos a um certo tempo...

- Tenho tanta coisa pra contar, você não acreditaria se soubesse!

- Já vivi tanta coisa do seu lado... Não há nada em que não acredite vindo de você.

- Acredita que estou morando com Rachel Berry? — cruzou os braços, franzindo o queixo.

- Como? É sério? — perguntou, incrédula.

- Nunca falei tão sério...

- Mas... Por que?

- As coisas complicaram pra nós duas. Eu deixei algumas dívidas se acumularem e como você já deve saber, Finn terminou com Rachel por que conseguiu uma oportunidade em Stanford. Como o apartamento dela em Forest Hills era muito caro, Kurt e Blaine nos propuseram que morássemos juntas, e agora divido meu apartamento aqui no Brooklyn com ela. A princípio, a convivência foi difícil, mas agora... — suspirou, perdendo-se em suas próprias palavras.

- Agora...?! — cruzou os braços.

- Acho melhor não contar essa parte da história hoje. Seria muito pra você.

- Seria muito pra mim? Ah Fabray, agora você vai me contar querendo ou não! — insistiu.

- Tudo bem, está preparada? — perguntou.

- Sempre estou preparada para as suas novidades.

- Bem... Rachel e eu... Nós... Digo...

- Desembucha, Quinn! — aumento o tom de voz do outro lado da linha.

- Nós estamos juntas! — cuspiu as palavras, seguidas de um suspiro de alívio.

Santana levou a mão direita á boca, não sabia como reagir. "Isso é mesmo real ou estou presa em um sonho?" — foi seu primeiro pensamento, que invadiu sua cabeça de forma que não conseguia processar a informação que havia acabado de lhe ser concedida. "Como não pensei nisso antes?" — foi seu segundo questionamento. De repente, o relacionamento repentino e enigmático lhe pareceu tão óbvio quanto o fato de que o céu é azul. Todos aqueles gritos, a grosseria e as brigas só podiam significar isso, era tudo um modo de esconder a paixão avassaladora que sentiam uma pela outra, desde sempre. Por um momento, a latina se achou a garota mais tola do mundo. Se achou tola por ter convivido diretamente com elas a tanto tempo e nunca ter reparado nisso, nunca te se esforçado para que aquele relacionamento desse certo antes que elas precisassem se separar. Tudo o que desejava era voltar no tempo para verificar se as trocas de olhares que não passaram despercebidas a ela realmente significavam alguma coisa, e pagar pra ver.

- Juntas... Juntas como? — foi a única coisa que conseguiu perguntar.

- Você sabe, não me faça falar sobre isso porque nem eu mesmo entendo... Mas tenho sentido como se eu precisasse dela, entende? E acho que ela têm sentido o mesmo, pois isso esta dando muito certo.

- Quinn... Rachel... Juntas... Dios Mío! — exclamou.

- Por favor, me ajude a fazer isso parecer natural. — corou, levando as mãos ao rosto.

- É por isso que não consigo acreditar, Fabray! Porque é natural demais, tão natural que ninguém nunca tinha percebido antes. Vocês foram as garotas mais gays de todo o Mckinley e não vimos isso.

Quinn gargalhou da teoria da morena, demorando alguns segundos para voltar.

- Pois você precisa acreditar, essa é a verdade. Faz pouquíssimo tempo que nos envolvemos, então ainda estamos nos conhecendo melhor... Mas estamos indo pelo caminho certo! As coisas tem acontecido rápido, estou orgulhosa de nossa evolução.

- Cuidado para não acontecerem rápido demais, ouviu bem?

- Estão rápidas o suficiente, Santana. — garantiu.

- Mas... Me responda uma coisa! — pediu.

- O que quer que eu responda? — pôs-se ouvidos.

- Como consegue suportá-la o dia inteiro? Ainda mais na condição de namorada? — perguntou, franzindo a sombrancelha.

- Não estamos namorando...

- Sei disso, responda logo minha pergunta! — repreendeu, grosseira.

- Acho que agora vai se surpreender... Pois bem, eu tenho gostado disso! Fico esperando para que ela me peça algo, então procuro fazer com competência só pra ter a oportunidade de ver seu sorriso de satisfação depois. Ah, aquele sorriso... — fechou os olhos, mantendo o pensamento em Rachel.

- Que nojo, Fabray! — gritou.

- Hahaha, eu te aturei pacientemente quando estava caidinha por Brittany, acho que agora é minha vez.

- Por favor, eu te aturaria a vida toda se fosse preciso! — lhe mandou um olhar de cumplicidade.

- Então me ajude, pois preciso de um conselho a respeito dela.

- Pode dizer!

- Eu quero conquistá-la, quero ganhar sua confiança, aproximá-la de mim... Mas não sei como fazer isso. Sabe que minha experiência com garotas é limitada, não?

- Conheço essa história! Você é ótima até a manhã do dia seguinte!

- Exato. E eu não quero tê-la apenas até a manhã seguinte.

- Chame-a para jantar! — disse na lata, sem esperar.

- Chamar para jantar? Mas, Santana, nós moramos juntas! Consequentemente, nossas refeições são feitas juntas, comemos a mesma comida.

- E daí? Esse é mais um motivo para terem um encontro épico, preparado por você. Surpreenda-a, assim ela pedirá por mais e você a terá por perto.

- Então quer dizer que eu devo preparar um jantar romântico?

- Sim! E não deve ser um jantar qualquer, pois isso qualquer um pode fazer.

- Mas... Você não disse que isso a impressionaria? Não estou entendendo!

- Quero dizer que você deve sim fazer o jantar, mas tem que ser diferente, tem que inovar. Imagine que Finn já fez muitos jantares pra ela, então você tem que fazer com que esse seja o melhor de sua vida.

- Céus... Rachel é exigente, será uma missão difícil.

- É o preço que se paga, Fabray!

- Pois me sinto honrada em pagar esse preço. — respondeu com um sorriso estampado em seu rosto.

- Quinn, eu lhe peço desculpas mas tenho que sair. Vou tomar um banho e ir pra academia. Aqui, somos obrigadas a manter o corpo tinindo para as competições.

- Está ok, Santana. Tenha uma boa noite! Eu te amo muito, e sinto sua falta. — disse com um aperto no coração por não ter a amiga por perto.

- Seguirá meu conselho? — perguntou, sorrindo.

- E quem recusa um conselho de Santana Lopez? — gargalhou — Obrigada por ter me ouvido, por mais louca que seja essa nova fase da minha vida.

- Não me importa quantas loucuras você fizer, Fabray, eu sempre vou estar ao seu lado! Também te amo muito, até mais. — desligou a webcam, no monitor de Quinn, a imagem passou a ficar escura.

Quinn saiu do quarto e tirou os cupcakes de blueberry do forno. Os decorou de acordo com o que conhecia sobre a arte de confeitar e deixou que o cheiro resplandecesse pela casa. Apanhou a bandeja que guardava para visitas especiais e organizou os cupcakes em cima de forma que parecia estarem em um comercial de manteiga. Levou até o quarto de Rachel Berry — que enfrentava uma maratona de estudos-, entrando e saindo em silêncio, sem sequer bater na porta.

Rachel estranhou. Chamou por ela algumas vezes e foi completamente ignorada. Ao olhar para a bandeja, viu alguns cupcakes de blueberry, junto de um pedaço de torta e um papel dobrado. Curiosa, a morena não hesitou ao abrir o papel, encontrando, na mais perfeita caligrafia que já vira antes:

"Não sei nem mais dizer

O que sinto por você...

Se é amor...

Se é amizade...

Se é paixão...

Mas suspeito fortemente

Que seja tudo isso junto!"

Aceita sair comigo? — Quinn Fabray.

Notas finais
Esse capítulo foi um pouco difícil de escrever, queria fazer bom uso das palavras, e espero ter conseguido. Me desculpem se tiver algum erro de ortografia, tentei ficar atenta a todos os detalhes. A demora se deu devido aos meus estudos, que andam me sufocando! Mas como podem ver, estamos entrando em uma fase muito boa da fanfic. Estou pensando em tomar a prática de postar poucas vezes, porém em capítulos grandes... O que acham? Opinem! Obrigada desde já.