Apartamento 312.
17 Capítulo 17 - Consequências da inconsequência
Rachel não teve tempo sequer de gritar. Os dois carros se chocaram um contra o outro, fazendo com que o by Text-Enhance\">carro da morena rodasse pela pista e capotasse. O outro carro foi direcionado apra longe, sendo empurrado com menos força do que o dela.
O cinto de segurança foi sua grande salvação, e o fato dela ter saído ilesa foi um milagre, como se algo de força maior a protegesse para não sair da estrada. Berry estava em choque, suas mãos se mantiveram juntas ao volante e a expressão não mudou. Em alguns segundos, ela não conseguiu nem mesmo respirar, e quando sua respiração voltou estava ofegante. Seus olhos se mergulhavam em lágrimas pelo fato de estar de cabeça para baixo e ela pensou em seus pais. Pensou em tudo o que viveu até ali, nos slushies, nos solos que havia ganhado no Glee Club, em tudo o que Mr Schue lhe ensinou e em seus amigos. Pensou em Kurt, Mercedes, nas brigas que teve com Santana por causa de sua constante mania de ofender as pessoas a sua volta e na maneira como Puck apertava sua cintura quando eles davam uns amassos. Mas pensou especialmente em seus pais. A forma como eles penteavam seu cabelo todas as noites quando era pequena, os dias em que seus colegas da escola perguntavam como era ter dois homens como pais e ela respondia orgulhosa que não havia diferença alguma, pois eles a faziam feliz...
Suas mãos soltaram do volante e foram até seu rosto, ela o tocava procurando por algum sinal de hematoma, e sentiu-se aliviada sabendo que não tinha nada ali.
– Merda! Merda! Merda! — gritou, vendo onde havia se metido.
Permaneceu alguns minutos ali, que pareciam ser os mais longos de sua vida. Não conseguia se mover, presa pelo cinto e seu corpo inteiro doía, talvez pela tensão que passava ali. A dor em sua cabeça tinha grande destaque, ela estava de cabeça para baixo a alguns minutos e já se sentia zonza por isso.
– Ei, garota. — ouviu uma voz distante, sem poder virar a cabeça, tentou se remexer para que vissem que ela estava ali, e estava viva.
– Me ajuda! — sussurrou, amedrontada. — Solte meu cinto...
Ele a segurou pelos ombros, procurou pelo botão que puxava o cinto de segurança para o lugar e assim que se soltou, segurou sua cintura com muito cuidado e a levou para o chão. Assim que se deitou ali, um rio de lágrimas inundou seu rosto, estava aliviada, agradecida á vida pelo que lhe aconteceu ali.
– Meu Deus, eu quase te matei! Me desculpa, me desculpa... — repetia freneticamente, acompanhando seu choro desesperado.
– Então... Foi você? — piscou algumas vezes para vê-lo melhor.
– Prometo pagar por todo o estrago e arcar com todas as consequências! Pode dar queixa se quiser! — ajoelhou-se em frente a morena.
– Não... Espera, você esta bem?
– Sim, não houve nada comigo, meu carro foi o menos atingido... E como se sente?
– Assustada. Mas fisicamente, acho que estou bem! — sentou sobre o chão, lembrando-se aos poucos de onde estava antes de tudo acontecer.
– Escute, vou te dar todo o suporte para que você e seu carro fique bem. — lhe ajudou a levantar.
– Eu estou bem, o cinto de segurança me manteve assim! Só vou exigir que concerte meu carro, não quero mais que isso... Mas me diga, como é seu nome? — perguntou.
– Peter. Peter Green!
– O meu é Rachel Berry. Ligou pra alguém?
– Eu não sabia como você estava, então liguei pra emergência e logo eles estão aí. Mas acho que agora preciso mesmo é ligar pra um guindaste.
Assim que os bombeiros chegaram, trataram de fazer uma consulta em sua ambulância com ambos, expeculando seus corpos para se certificarem de que não havia sequelas do acidente. Feito isso, levaram seus carros embora. Eles passaram um tempo ali, contando pequenas coisas sobre suas vidas. Berry descobriu que o garoto estava noivo de uma estudante de NYADA e sentiu-se surpresa por isso. Ele era formado em economia e já trabalhava, o casal estava apenas esperando para que ela se formasse, então se casariam. Ela pensou em lhe contar sobre a situação em que vivia, mas estava tão confuso para si mesma, que ainda não era hora para confessar isso a outra pessoa.
Enquanto isso, em um apartamento do Brooklyn, as coisas não iam tão bem...
– Já são duas horas da manhã... Cade essa garota? — Kurt andava sem parar pela sala, indo de ponta a ponta.
Quinn estava encolhida no canto da sala, abraçando seus joelhos e pedindo a Deus para que lhe perdoasse por ter sido rude, também pedia para que trouxesse Rachel sã e salva.
– Ela não atende, deixei várias mensagens na caixa postal! — Blaine guardou o celular no bolso, desistindo.
– Quinn, pelo amor de Deus, nos conte o que ela te disse no quarto. — Hummel se ajoelhou a sua frente e segurou suas mãos esperando por algo.
– Não posso contar, por favor, entenda! — pediu, aumentando o tom de voz.
Ele soltou sua mão, impulsionando o próprio corpo pra trás e voltando a andar nervosamente pela sala. Fabray se sentiu culpada, mas a ideia de ter quebrado o coração da morena seria demais para Kurt suportar, ele a cortaria em pedacinhos se soubesse.
A cada minuto, o desespero se tornava um pouco maior, uma Rachel inconsequente nunca opatria por fazer coisas sadias, e era disso que tinham medo. Rachel Berry era uma bomba e podia explodir a qualquer instante.
Do vácuo, ouviram um estralo vindo da porta. Automaticamente, tornaram os olhos para lá e viram uma Rachel descabelada, carregando sua bolsa e com o vestido depredado, ela andou pela sala sem olhar para os lados.
– Rachel! Deus, o que houve com você? — Blaine agarrou-a pelos ombros, querendo explicações.
– Foi um acidente. Meu carro capotou. — disse, a caminho de seu quarto.
Fabray saltou de onde estava, delirando com a ideia de que suas palavras tinham causado um efeito tão grande na morena a ponto de fazê-la capotar com seu carro.
– Como? — Kurt gritou — Meu Deus, como você esta?
– Estou andando, sem cicatrizes, certo? — perguntou, enquanto levantava seus braços mostrando estar sem machucados.
– Rachel, eu fiquei tão preocupada... — Quinn foi até ela e tentou lhe dar um abraço, mas foi empurrada.
– Você não se preocupa com ninguém além de si mesma, guarde suas lágrimas de crocodilo. — disse, áspera — E garotos, eu realmente agradeço por todo o cuidado que tiveram, mas... Eu realmente preciso dormir, tive o pior momento da minha vida toda a pouco! — suspirou, recebendo um olhar de compreensão vindo de seu melhor amigo — Amanhã eu tenho uma aula indispensável em NYADA, prometo que conto tudo a vocês, com detalhes!
– Tudo bem, imagino que esteja cansada. Vá se deitar! — Kurt lhe abraçou apertado, aliviado por encontrá-la viva.
– Boa noite pra vocês! — ela sorriu torto, caminhando até seu quarto e trancando a porta.
– Nós nunca iremos nos dar bem... — Quinn se sentou no sofá, abaixando a cabeça e apoiando-a em suas mãos.
– Ei, ei, ei, não diga isso! — o moreno se sentou ao seu lado. — A estrelinha é uma pessoa difícil, talvez a mais difícil que vamos conhecer, mas você deve ter paciência.
– Talvez, se você contasse o motivo pelo qual vocês se desentenderam... — Kurt insistiu.
– Kurt, é algo muito maior do que você imagina, eu simplesmente não posso te dizer. Respeite meu silêncio. — pediu.
– Se é o que você prefere, tudo bem! Tenho que dormir, amanhã temos aula, certo, querido? — Kurt cutucou o namorado.
– Sim... Boa noite, Q! Amanhã eu te ligo pra contar o que Rachel nos disse.
– Durmam bem, garotos! — disse, sorridente.
Assim que os garotos saíram, a loira deitou-se sobre o sofá e pôs-se a pensar. As coisas estavam cada vez mais difíceis, ela não aguentava mais fingir que aquilo era banal, porque não era. Era novo e intenso, mais intenso do que deveria ser. Por mais que ela tentasse, o sentimento não a abandonava e Rachel não saía de sua cabeça. Aquelas borboletas involuntárias de seu estômago precisavam ir embora, e ela precisava escolher entre desistir e conviver com aquilo ou se entregar, e esperar que Rachel ainda a quisesse.
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