Apartamento 312.
3 Capítulo 3 - Diálogo
Enquanto o elevador subia até o andar onde ficava o apartamento de Rachel, ela fazia uma pequena prece para que tudo desse certo. Sabia que seria difícil e não tinha mais certeza de se poderia salvar seu noivado, então, recorria à ajuda divina.
Quando abriu a porta, observou Finn assistindo TV. Toda noite eles reuniam-se na sala e escolhiam um filme legal para assistir, ela temia que essa fosse a última vez a vê-lo fazendo isso. — Finn... Podemos conversar? — sentou-se ao seu lado. — É claro! — o garoto desligou a televisão, e virou-se para a namorada, esperando o que ela diria. — Bem... Acho que eu não tive minha melhor reação quando você me contou sobre Stanford, mas quero muito resolver isso! Como uma adulta, dessa vez... Então, eu preciso que me diga! Por que escolheu Stanford? Com tantas cidades nos Estados Unidos, algumas até mais perto, por que quis fazer faculdade lá? — Rachel, eu não escolhi... Não sou como você, não tenho notas tão boas, atividades extracurriculares ou um talento devastador! Tenho que aproveitar as oportunidades que aparecerem e agarrá-las com força, eu nunca tive direito a escolha. Stanford é o melhor que eu posso conseguir. — Você deveria ter me contado antes... — lamentou. — Sei disso, e eu gostaria de ter te contado antes! Eu fui covarde... É que New York e NYADA são tão importantes pra você que eu pensei que me mataria se te dissesse que iria me mudar, então simplesmente resolvi adiar a dor. — E nossa relação, como você acha que vai ficar? — Não sei Rachel, eu não sei. Não pensei nisso... Houve um suspiro pesado, seguido de uma nuvem de lágrimas vindas da judia. — Não pensou? Você não pensou em mim, ou nós dois? — Sei que isso foi uma falha minha, mas se eu pensasse em nós dois não iria atrás do meu objetivo, Rachel, não sei se você reparou, mas até agora eu tenho feito de tudo pra realizar o seu sonho, agora é hora de correr atrás do meu! — Nunca pedi para que viesse atrás de mim. — Mas se eu não fosse, acha que ainda estaríamos juntos? Eu fiz o que pude por nós dois. — Você não fez. Você praticamente se casou comigo pra agora ir embora sem sequer me avisar. — Eu iria te avisar... — Um dia antes? Porque se eu não tivesse descoberto, você não me contaria. — aumentou o tom de voz. — Disse que queria conversar como adulta... — repreendeu-a. — Sim, me desculpe... — limpou algumas lágrimas com as costas da mão — Finn, acha que nosso relacionamento sobreviveria a distância? Ele não respondeu. O apartamento ficou em completo silêncio por quase um minuto, quando Finn finalmente o quebrou. — Não acho. — Mas... Poderíamos conversar por telefone, skype, e você me visitaria. — Rachel, você sabe que eu adoraria dizer que sim, mas seria impossível manter um relacionamento a distância nas condições que ficaremos! Você é aluna bolsista e estuda como louca, eu terei que fazer o mesmo e ainda trabalhar pra me manter! E nas férias entre os semestres eu não poderia te visitar, pois lá eu vou ter um apartamento, carro e contas para pagar sozinho, assim como você terá aqui. Você sobreviveria a isso por cinco anos? — Você sabe que não... — abaixou a cabeça. — Eu também não aguentaria! Rachel voltou a chorar. Tentou evitar as lágrimas, mas não conseguiu. — Tudo bem, você tem que fazer isso. Vá para Stanford, Finn, impressione a todos com seu talento para lecionar e espírito de liderança, — sorriu — eu sei que você vai arrasar. Finn a abraçou com força. — Eu sinto muito, querida... Não queria que acabássemos dessa forma, não queria ser covarde de não ter lhe contado antes, gostaria que as coisas fossem simples, mas elas não são... — Então é isso? Estamos terminados? — soltou-se do abraço, ainda chorando. — Estamos. A morena tirou sua aliança, que Finn havia dado à ela um dia antes de embarcarem para New York. — Fique! — pôs o anel em sua mão — Não quero que esse seja um objeto que te faça lembrar de mim, quero que o venda e use com o que quiser, você vai precisar de dinheiro em Stanford. — Obrigada. — sorriu — Rachel... — Sim? — Já que nos resolvemos... Vou embarcar amanhã. Ela ficou paralisada. Não considerava a situação resolvida, queria passar aquelas duas semanas que restavam ao lado de Finn, despedindo-se de uma relação de anos, era terrível que ele aparentasse ter superado a perda de sua namorada tão rápido. Mordeu o lábio, fechou os olhos com força e não manifestou sua opinião sobre aquilo, apenas sustentou seu ódio. — Tudo bem. Vou dormir na sala, pode ficar com o quarto, já que é sua última noite aqui. Foi uma honra ter sido sua garota por algum tempo. — respondeu seca, então foi até o quarto preparar uma roupa para tomar banho. Finn a observou ir embora, e ficou insatisfeito com a reação da morena. Sabia que o que estava fazendo era em partes errado, mas esperava ao mínimo um pouco de gratidão pelo tempo que passaram juntos. A morena tomou um dos banhos mais demorados de sua vida. Cantou, chorou, falou consigo mesma, sentou-se no chão do box e observou a água caindo sobre o seu rosto, então chorou mais um pouco. Procurava de todas as formas fugir daquele inferno relâmpago em sua vida.
O rapaz não estava com a consciência pesada, não estava triste. Sentia muito por ter que deixar Rachel e não fazer ideia do futuro daquele relacionamento, porém, ao mesmo tempo era como se ele estivesse se libertando de uma prisão. Não em relação à Rachel, e sim a sua vida. Finalmente deixaria de ser um fracassado e não viveria à sombra de alguém. Ela remexeu-se pela cama a noite inteira, era impossível descansar sabendo que perderia o amor de sua vida no dia seguinte. Andou pela casa e tomou mais xícaras de café do que poderia contar. Quando percebeu, seu relógio já havia despertado, era hora de ir para NYADA. Foi até o quarto pegar sua roupa e observou Finn dormir por alguns segundos. Pensou em acordá-lo, mas não queria ouvir sua voz pela última vez, ou olhar em seus olhos. Aquilo doíria demais. Pegou um bloquinho de papel que havia em sua escrivaninha, escreveu: "Boa sorte em Stanford! De sua eterna pequena..." Vestiu-se com uma de suas velhas saias pretas, sapato alto, blusa de frio e um sobretudo para acompanhar. O frio estava enorme, mas aquilo não era nada demais diante do que ela sentia por dentro. Deu várias voltas pelo bairro para fazer o tempo passar, tentava tirar Finn de sua cabeça, mas era difícil. Também pensou nas consequências daquela separação. O que diria à seus amigos de NYADA? E aos seus pais? E suas contas? Não tinha ideia de como lidar com seus futuros problemas. Parou em uma lanchonete perto do campus e tomou um capuccino. Logo, seguiu para a universidade. Assim que chegou, foi até ao gramado onde alguns alunos costumavam a sentar e avistou Kurt e Blaine. — Barbra! — levantou-se para abraçar Rachel, sabendo da situação em que a amiga se encontrava. — Oi, Kurt. — respondeu, seca. Então sentou-se ao lado dos dois. — Conseguiu se resolver com Finn? — Blaine perguntou, curioso. — Sim... — fitou o chão. — E então, como estão? — Ele foi embora hoje... — Como disse? — Kurt gritou, encontrando-se espantado, não querendo acreditar que seu meio-irmão havia feito aquilo. — Nós terminamos, então ele decidiu que iria mais cedo para Stanford. — Mas... Ele nem nos disse, não disse pra Carole, o que deu na cabeça desse garoto? Kurt estava indignado, sentia-se traído. Por anos havia estado apoiando Finn em todas as situações, como um verdadeiro irmão, ele não tinha o direito de fazer isso. — Sei disso, não foi uma atitude legal... Mas dizem que se você ama alguém deve deixar essa pessoa livre, não é? Essa é a escolha mais madura que eu poderia fazer. E sim, eu estou destruída por dentro, mas agora vou me concentrar apenas nos meus estudos. Serei melhor do que já sou, ultrapassarei meus próprios limites! — tentou ser positiva. — E já pensou no que vai fazer agora? — Blaine perguntou. — Vou viver. Seguir em frente. Não posso fazer nada além disso. — Eu sinto tanto por você, querida... — Hummel abraçou a amiga com força, esfregando as mãos em suas costas e beijando-lhe a testa. O dia passou-se mais devagar do que Berry queria, as aulas pareciam mais difíceis e ela não tirava a cabeça de Finn. Pensava o tempo todo sobre onde ele estaria e se sentiria falta dela. Chegou a pensar na possibilidade dele aparecer surpreendentemente no campus com um lindo buquê de flores, dizendo que não conseguiu ir embora pois ainda a amava, mas no fundo sabia que ele não iria aparecer... Após às aulas, foi para a casa de Blaine e Kurt, e ficou lá até a noite. Voltar seria uma tarefa difícil, sentir aquela casa sem a presença de Finn lhe destruiria por dentro. Usou algumas roupas que tinha lá pra tomar banho, assistiu Funny Girl, e logo foi obrigada a voltar. Assim que chegou na casa, sentiu-se atormentada pelo silêncio. Não havia mais um perfume masculino no ar, a cama desarrumada ou o controle jogado. Não havia Finn.
Fale com o autor