Apartamento 312.
22 Capítulo 22 - O vestido perfeito
Notas iniciais
Berry admirou aquele cartão por alguns segundos. A caligrafia redonda e delicada, a cor da tinta firme e presente, o papel cor-de-rosa perfumado com o perfume de Quinn, escolhido com cuidado especialmente para agradar a ela. Estava maravilhada. Sem palavras, apenas maravilhada.
Desceu da cama e foi até a cozinha, segurando aquele papel como um verdadeiro desafio, pois suas mãos tremiam. Avistou Quinn comendo um cupcake, com rastros de glacê no queixo e no nariz. Ela achou engraçado, então chegou mais perto, parando do outro lado do balcão de onde ela estava sentada.
– Por que não veio me pedir? — colocou o bilhete sob a mesa.
– Eu... Tive vergonha. — confessou, soltando o bolinho e abaixando a cabeça.
– Vergonha? — gargalhou — Ei, levante a cabeça! — elevou seu queixo com os dedos, levando seus olhos a ficarem á altura dos dela. — Não tenha vergonha de mim, somos amigas há seis anos! — brincou.
– No conhecemos há seis anos, somos amigas a menos tempo...
– E eu não sei como consegui resistir a esses lábios por seis malditos anos! — dedilhou sua boca, deixando um beijo ali.
– Não sei como não enlouqueci por te ouvir cantar todas as semanas e não poder tê-la em meus braços. — deu sequência ao que ela dizia.
– Pensei que tinha um convite a me fazer... — colou sua testa a dela.
– Sim. E ele foi feito no papel. — tentou fugir de sua proposta, apontando para o papel que ela segurava.
– Não quero um convite escrito, quero que você diga as palavras! — exigiu, sorrindo.
– Você esta tornando isso difícil... — corou.
– Ah, Deus... — sorriu — Eu só tenho tido olhos pra você, Fabray, não tenha medo de mim. — desafiou-a.
– Não tenho medo de você. Tenho medo de estragar tudo. — admitiu.
– Estragar? Você só pode tornar as coisas mais perfeitas do que já estão! Eu estou totalmente encantada, Quinn, não vai conseguir estragar nada, nem que queira.
– Tudo bem! — entregou os pontos — Rachel Berry, você não deve saber... Mas têm dominado o meu pensamento nesses últimos dias, em todos os sentidos. Eu acordo e penso se você já tomou seu café, e quando vou fazer o meu, coloco mais açúcar do que costumo pensando na possibilidade de você também querer. Ao te deixar no campus de NYADA e ver você se afastar com sua pilha de livros, desejo em silêncio que ainda estivéssemos em Lima, para que eu pudesse ficar perto de você por mais tempo. Tudo o que eu vivo quando você esta longe se relaciona a você de alguma forma, e então, conto os segundos pra poder ir te buscar. E assim que volta... Fico tão feliz que tenho medo de demonstrar de forma que te assuste. Eu sei que nunca deu chance pra garota alguma antes e me sinto honrada por ser a sua primeira, mas você também é a minha primeira! Nunca senti algo assim antes e não posso jogar esse sentimento fora. Portanto, estou disposta a levar isso em frente... Aceita sair comigo? — olhou em seus olhos, temerosa.
Rachel tentava controlar o próprio coração, mas era impossível. Se pudesse, avançaria em cima dela ali mesmo e a levaria pra cama, porém, se fizesse isso perderia a oportunidade de viver aquele momento único.
– Eu aceito! Eu aceito! Eu aceito! — beijou-lhe novamente, esquecendo do mundo todo a sua volta — Você e maravilhosa! Me disse e me escreveu as melhores coisas que já recebi de alguém, não sei nem o que dizer de volta...
– Apenas aceite meu convite. É o suficiente!
– Se você estiver por perto, eu aceito qualquer coisa. — piscou, levando a loira a loucura.
– Esteja pronta amanhã, às 20:00hrs! — declarou, levando uma interrogação a cabeça de Rachel.
– Sim... O que visto?
– O que se sentir melhor vestindo. — tocou seu ombro.
– Certo... Pode me pegar no apartamento de Kurt e Blaine? Devo me arrumar longe de você... — sugeriu.
– Se arrumar longe de mim? — gargalhou, deixando ser levada pela ansiedade.
– Sim! Quero me arrumar para você e não com você.
– Tudo certo, seu pedido é uma ordem, Berry! — fez posição de sentido.
– Bem, então eu ordeno que você nunca pare de fazer esses cupcakes. — puxou ela pra mais perto com as duas mãos, passando a língua por seu nariz e queixo, retirando todo o glacê que ali havia.
Quinn estava calma, mais do que achava que deveria estar. No dia seguinte se encontraria com a garota de sua vida, porém já tinha tudo programado em sua mente. Com Rachel, não poderia se dar ao luxo de agir naturalmente, por isso montou um plano onde ela pareceria perfeita, para tornar a noite da morena memorável.
Ela, por sua vez, nunca esteve tão desesperada. Não fazia ideia alguma do que usar no encontro. Vestido? Calça Jeans? Decote? Quinn não tinha especificado o local onde seria feito o encontro e por mais que Rachel tivesse insistindo e irritado sua companheira, ela se manteve calada. O que, para a curiosa Rachel, era insuportável.
Nunca foi boa com moda e sempre teve seu estilo pessoal, onde vestia-s do modo que bem entendia e denominava-se ocupada demais para se importar com o que os outros achavam de seu figurino excêntrico. Mas com Quinn, seria diferente. Não podia envergonhá-la, tinha que fazer com que ela se sentisse atraída, na medida certa. Só tinha uma pessoa a quem recorrer e coincidentemente, era a melhor que poderia escolher.
– Barbra, da próxima vez, diga que vai se mudar antes de trazer sua mala pra cá! — disse Kurt, observando a maleta rosa que pairava sob um canto da sala.
– Não vou me mudar, e eu não viria pra cá se fosse... Eu preciso da sua ajuda! É um S.O.S de moda! Hoje, você é minha Fada Madrinha e eu sou sua Gata Borralheira. Por favor, me transforme em uma Cinderela. — pediu.
– Pois bem, aqui estou. Diga-me do que precisa. — pôs-se a dispor.
– Eu tenho um encontro com uma pessoa, hoje a noite. Ela não me disse para onde iríamos, e preciso de roupa, maquiagem e cabelo até as 20:00hrs! Você é capaz?
– Casos de urgência são a minha especialidade. Sabe disso, não é? Venha, deixe-me ver as roupas que você tem. — puxou o zíper que abria a maleta, então levantou sua tampa e deparou com um conjunto de vestidos, perfeitamente dobrados.
Retirou um por um, olhando-os minuciosamente e colocando ao lado.
– Estou muito mal de roupas? — perguntou, ocupando seu sofá.
– Bem... Está! Mas não é nada impossível. — pegava peça por peça novamente.
– O que acha que devo usar? — perguntou.
– Como tem a coragem de me perguntar? Você usará vestido, Rachel! Estamos em New York, é preciso ter glamour até mesmo nas barraquinhas de cachorro-quente do Brooklyn.
– Ei, não fale do Brooklyn! — o repreendeu.
– Pra quem morava no Brooklyn por obrigação, esta gostando demais. — lhe lançou um olhar desconfiado.
– Estou apenas conformada! — disse rapidamente, despistando qualquer coisa que ele pudesse pensar.
– Tudo bem, vamos focar no assunto... Têm ideia de algum vestido, Rach?
– Sim! Esse, vermelho. — tirou o vestido do sofá e o estendeu, para mostrá-lo por inteiro.
– O mesmo que você usa quase todo fim de semana? — caçoou dela.
– Não seja cruel, Kurt! É um vestido lindo...
– Realmente. Mas não vai pra um encontro com a mesma roupa que usa sempre, você tem que variar!
– Então, o que sugere? — cruzou os braços.
– Sugiro esse vestido aqui. — tirou do fundo da mala uma peça vermelha escuro, que Rachel usara em uma festa natalina. O vestido era curto, porém de mangas compridas, pedrarias e laços.
– Está louco? Esse vestido só esta aí porque eu nunca o tirei da mala, quer que eu seja dispensada?
– Vamos customizá-lo. — foi até a cozinha, carregando uma tesoura consigo.
– O que vai fazer? — perguntou, curiosa.
Antes mesmo que piscasse, o moreno estava cortando a barra do vestido, sem pensar muito.
– Meu vestido! — gritou, indo pra cima das mãos dele.
– Quer se cortar? — gritou de volta — Tome cuidado, garota. — continuou o trabalho.
– Kurt, eu sei que o vestido não é bonito... Mas me custou muito caro. — confessou.
– E depois que ficar pronto, poderá vender pelo dobro do preço se quiser! Apenas sente, espere e aprenda com o mestre. — pegava sua caixa de costura, que ficava em cima de uma das mesinhas de sua sala e fazia o trabalho, de forma concentrada, entregando-se totalmente.
Após meia hora de trabalho árduo para transformar o vestido-abóbora de Rachel em um vestido-carruagem, ele estava pronto! A morena preferiu ir fazer outra coisa ao invés de assistir a performance de seu melhor amigo. Ela costumava ser apegada ás coisas materiais, e aquele vestido era algo a qual ela tinha se apegado. Mas mesmo assim, reconhecia que não podia usá-lo no encontro com Quinn daquela forma, sem ajuste algum, por uma série de motivos. 1º motivo: seu corpo havia mudado muito desde que tinha cegado em NYADA. As aulas de dança mais intensas do que nunca, a prática de exercícios, a correria do dia-a-dia e sua nova dieta rigorosa moldaram seu corpo de forma que chamava muito mais atenção que suas meias 3/4. 2º motivo: aquele vestido lhe trazia a lembrança de uma Rachel apaixonada. O respectivo natal em que ela o vestiu foi comemorado ao lado de seu ex namorado, Finn Hudson, e ambos viviam o sonho do ensino médio, onde ela mantinha sua inocência a salvo e ele lhe fazia juras de amor que deveria durar para sempre. 3º motivo: ela não tinha mais idade para vestir algo como aquilo, ainda mais em um encontro na noite Novaiorquina.
– Voilá! — gritou Kurt, erguendo o vestido com as mãos.
– Está pronto? Está pronto? — Rachel correu até a sala, puxando violentamente o vestido de suas mãos.
– Garota, seja delicada! Isso me deu muito trabalho... — cruzou os braços, orgulhoso de si mesmo.
Por um momento, Rachel preferiu acreditar que ele havia comprado outro vestido e colocado no lugar do antigo. A aparência tinha mudado totalmente, de forma que parecia ter sido comprado na Prada, quando na verdade, foi em um bazar beneficiante de Lima. Ele tinha abandonado seu visual brega e se adaptou a um novo, totalmente sexy.
– Ah, Deus... Quem é você e o que você fez com meu vestido? — disse incrédula, enquanto o admirava.
– É apenas o Santo Hummel abençoando seu encontro! — sorriu.
– Obrigada! Obrigada! Obrigada! — o puxou para um abraço, dando pulinhos por sua volta.
– Esta bem, Berry! Agora vá tomar um banho. Temos maquiagem e cabelo para fazer.
Rachel correu para o banheiro de Blaine e Kurt, com medo de se atrasar. Sempre que ia ao banheiro do casal, se impressionava da mesma forma. Ambos tinham muito bom gosto, com uma decoração sem exageros e ao mesmo tempo assustadoramente luxuosa para um apartamento, e eles sequer haviam investido na decoração! Usavam todo o dinheiro que tinham no apartamento, que não fazia questão de ser grande. Tudo aquilo era responsabilidade da mente criativa de Kurt Hummel.
A morena se ensaboava cuidadosamente distraída, até lembrar-se de para que estava se preparando. Sim, ela estava prestes a ter um encontro com Quinn Fabray. Pensou no fato de que ela sempre fora a rainha perfeita do Mckinley, enquanto Rachel não passava de uma ratinha inconveniente. Pensou no quanto aquela ideia era maluca e impossível de se concretizar, mas mesmo assim estava louca por ela. Louca pelo seu corpo, seu cheiro, suas mechas loiras... Começou a tremer. Soltou a esponja que tinha nas mãos e a deixou cair no chão por um momento, então encostou-se na parede e tampou o rosto com as mãos desejando, do fundo de seu coração, que aquilo não fosse loucura.
"Coragem, Rachel Berry... Não seja covarde, sua idiota!"
Levantou a cabeça o suficiente para deixar com que a água caísse sobre seu rosto, sentindo-se aliviada pela primeira vez. Ao abaixar novamente, voltou ao que estava antes. Corajosa e determinada a deixar Quinn completamente apaixonada, e não importava quem elas foram ou deixaram de ser no passado. Naquela noite, elas pertenceriam uma a outra.
Assim que saiu do banho, encontrou seu melhor amigo com uma escova na mão. Ele deixou seu cabelo preso de lado e investiu em uma maquiagem pesada. Quando vestiu o vestido e pôde ver o conjunto todo em frente ao espelho, não podia acreditar que era ela própria. Aquilo lhe deixou confiante para fazer com que a noite fosse perfeita.
– Você foi maravilhoso comigo hoje, Kurt, não sei mesmo como te agradecer... — lhe abraçava mais uma vez, para garantir que mostrava sua gratidão.
– Eu sei! — disse — Se me contar com quem vai sair, a conta estará fechada. — piscou, curioso.
Rachel gargalhou.
– Vai saber quem é, em breve vai saber! — disse, misteriosa — Mas agora não posso contar, eu gostaria, mas não posso.
Foi interrompida pelo toque de mensagem do seu celular, correu até ele e desbloqueou o visor.
"Estou na esquina do edifício de nosso casal favorito, á esquerda. Te espero!"
– Pois bem... — continuou — Tenho que descer, estão me esperando lá embaixo! — pegou sua carteira e guardou o celular dentro. — Venho buscar minha mala amanhã.
– Tudo bem, Cinderela, vá dançar com seu príncipe. — lhe incentivou, abraçando-a.
– Obrigada por tudo K., não se acha uma fada madrinha tão boa jogada por aí. — brincou, correndo para a porta.
O moreno aguardou alguns segundos, até ouvir o barulho dos sapatos de sua melhor amiga cessarem. Assim que isso aconteceu, ele se apressou em ir atrás. Não podia admitir que ela escondesse com quem estava saindo, já que nunca lhe escondeu nada antes. Seguia a ela agilmente, como um gato, ela não percebeu sua presença em momento algum
Enquanto isso, Quinn Fabray aguardava ansiosamente por ela, tão nervosa que conseguia sentir as borboletas fazendo a festa em seu estômago. Ao avistá-las, elas pareciam convulsionar. Rachel estava sexy, estava gostosa e ela não tinha ideia de como faria para conviver com aquela paisagem sem pirar.
– Boa noite, Quinn! — disse sorridente, mantendo o corpo firme, como uma Novaiorquina nativa.
– Rachel Berry, quer acabar com a minha sanidade com esse vestido? — deixou escapar, olhando-a da cabeça aos pés.
Quinn também sabia o que estava fazendo. Vestido azul marinho, salto nude e maquiagem suave. Estava angelical, e totalmente sensual. Chegava a ser irônico.
– Essa não é a intenção a princípio... Mas se eu conseguir, será um bônus. — passou a mão em seu cabelo, beijando-lhe a boca. Naquele momento, Quinn esqueceu todo o nervosismo e a pressão para mostrar a Rachel que valia a pena modificar sua sexualidade por ela. Sua única vontade era de fazê-la conhecer mais de sua história, do que ela era.
– Ei! — afastou-se, cortando o beijo delicadamente — Estamos em público, Rach. — chamou sua atenção para isso. Não tinha problemas em exibir uma garota em frente a todos, mas sabia que Rachel teria, por mais que estivesse acostumada a mostrar Finn Hudson como um troféu.
– Meu Deus, você tem razão... — colocou a mão sobre a testa, culpando-se. — Vamos sair daqui, Quinn, quero te beijar sem pessoas em volta. — riu junto dela, puxando sua mão para dentro do carro que em alguns segundos, deu partida.
Muito perto dali, atrás de um muro do edifício, Kurt Hummel assistia a tudo, desejando que tudo aquilo fosse apenas um sonho. Ou pesadelo.
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