Apartamento 312.

14 Capítulo 14 - Nós temos essa noite (Parte 2)


Notas iniciais
Recomendo que leiam esse capítulo ouvindo "We've got tonight - Kenny Rogers feat. Sheena Easton"

Quinn comprou mais bebidas em uma conveniência, e logo deram partida novamente. Ela era cuidadosa, e mesmo com a bebida, dirigia perfeitamente. Já Rachel, não ligava para o quanto estava bebendo, queria apenas livrar-se daquele mundo.

- Rachel, tem algo que eu sempre sonhei em fazer! — cutucou o braço dela, para chamar-lhe atenção.

- O que é? — perguntou.

- Você vai achar bobo...

- Hoje a noite não tem nada que eu ache bobo. — riu singelamente.

- Pois bem... Eu adoraria ter a oportunidade de tocar campainhas e sair correndo, como uma criança...

- Quinn, esta falando sério? Você nunca fez isso? — explodiu em uma gargalhada que inundou o carro.

- Digamos que não tive infância... Passei ela inteira na igreja, obedecendo as ordens do meu pai e minha mãe... Submissão era tudo! Não frequentei festas da escola, não dancei nas apresentações... Eles não me deixavam nem mesmo brincar com crianças de outras religiões! — explicou, inconformada.

- Uau, isso parece horrível. Minha infância foi perfeita, a melhor época de minha vida! Meus pais me inscreviam em aulas de teatro, canto e dança e eu me lembro de brincar o dia todo com Kurt. Foram meus dias de glória... — sorriu ao lembrar-se.

- Acho que até nisso somos diferentes... Como água e óleo, Rach.

- Penso que isso não é ruim. Juntas somos a mistura perfeita! — encostou a cabeça sobre seu ombro.

- Como um vestido preto e branco da Dior! — brincou.

- Fabray, essa é nossa primeira noite juntas e eu quero que ela seja especial! Quero que seja a melhor noite de nossas vidas!- ajoelhou-se sobre o banco.

- Legal... O que quer dizer com isso? — perguntou, curiosa.

- Quero dizer que vou lhe dar toda a infância que nunca teve em uma noite. Vamos, dê partida no carro! Vá até a sétima avenida de Manhattan.

O caminho de onde estavam até lá era curto, e a cidade estava cheia de pessoas com a gente cheia e os copos também. Chegando lá, estacionaram em um beco e foram até a rua.

- Tudo bem, o que quer que eu faça? — perguntou Quinn.

- Corra até o final da rua, tocando todas as campainhas. — sugeriu, ansiosa para vê-la fazendo aquilo.

- Está louca? Aqui só há mansões, eles devem ter algum tipo de sistema de segurança e...

- E você esta inventando desculpas, eu deveria saber, Fabray... — virou as costas, fingindo estar decepcionada.

Quinn não podia dizer não para Rachel, não naquela noite. Ela faria o que fosse preciso para agradá-la e mostrar a ela que era a melhor.

- Eu faço! — gritou, fazendo com que a morena voltasse alguns passos.

- Então vá! Recupere todo o tempo perdido da sua vida! — a incentivou.

E ali foi ela. Tirou os sapatos de salto que vestia e ajeitou o vestido, segurando-os para que eles não se levantassem. Corria apressada pela rua, até chegar no conjunto de mansões. Preparou-se por alguns segundos, tentando controlar sua respiração, e então deu partida. A medida que parava em frente as mansões, apertava suas campainhas com força e continuava seu trajeto. Ouviu latidos de cães ferozes e o eco de todas as campainhas tocando juntas. Assim que chegou ao final da rua, os proprietários das casas apareceram ao portal, foi tempo suficiente para que ela se escondesse. Rachel filmava tudo com seu celular, enquanto gargalhava.

- Cheguei... Meu Deus... Estou tão... — Quinn ofegava, sentou-se no chão para descansar, calçou os sapatos e levantou, secando o suor de sua testa.

- Você foi maravilhosa! — a morena lhe deu um abraço apertado — Parece até que ainda é uma criança e agora libertou-se.

- Bem... Se isso ajuda, eu me sinto livre. — suspirou, aliviada. — Venha, temos que sair daqui, se eles chamarem a polícia sobrará pra nós.

Elas correram dali, pois sabia que pelo o que haviam acabado de aprontar, o ambiente se tornaria perigoso. Apenas pelo fato delas serem de Brooklyn as coisas poderiam ficar ruins. Foram até o Central Park e deitaram-se sobre o gramado para ver as estrelas. Aquela era a coisa mais romântica que já haviam fizeram na vida.

- Quinn... Suba nessa árvore, a nossa frente! — Rachel lhe desafiou.

- Mas... Rach, eu estou de vestido! Tem muita gente aqui. — justificou, contra a vontade dela.

- Não ligue para elas e suba lá, esqueceu do que combinamos? Essa será a melhor noite de nossas vidas, e você não pode recusar nada do que eu te proponha. — ordenou.

- Céus, como você é mandona! — gargalhou, na verdade gostava de ser mandada por ela. O que era estranho, pois obedecer ordens era seu fraco.

Com cuidado para não estragar a roupa que vestia, escalou os galhos, rezando para não cair. Ao chegar no mais alto que podia, sentou-se em um tronco e fechou os olhos, sentindo-se livre, longe de toda a rotina cansativa que a devorava, de todo o medo por morar sozinha, de toda a suadade que sentia de sua família. Apenas ela, e o vento que tomava conta de seus cabelos.

- Ei, garota, desça daí! Você é louca? Não recebeu educação de seus pais? — foi interrompida pela voz de uma mulher que passava por ali, com seu marido e duas criança.

- Qual é, eu não estou incomodando você. — Quinn disse, paciente.

- Esta prejudicando a visão da árvore, e isso não é lugar de uma moça com um vestido desse comprimento estar. — lhe avisou.

- Têm medo dela chamar a atenção do seu marido? — Berry apareceu atrás, de braços cruzados em defesa.

- Quem é você e quem pensa que é pra falar assim comigo? — a moça lhe confrontou.

- Sou uma moradora do Brooklyn e se continuar perturbando a paz da minha amiga vou mostrar a você quem eu sou. — chegou mais perto dela, encarando-lhe.

- Rob, vamos sair desse parque, o subúrbio esta invadindo nosso espaço. — pegou na mão de seus filhos, e saiu dali.

- E aí macaquinha, não pretende descer? — brincou a judia.

- É pra já... — soltou-se dos galhos, descendo devagar, tomando cuidado para não cair.

Elas deitaram novamente na grama, dessa vez, em um lugar mais afastado das pessoas que ali estavam, assim ninguém prejudicaria a paz das duas.

- Quero fazer um jogo de perguntas! — Rachel sugeriu, olhando para o lado, onde a loira estava.

- Ótimo! Me pergunte algo... — apenas ouvia a amiga, pois não queria sair do lugar.

- Você usa mesmo drogas? — perguntou, com os olhos cheios de curiosidade.

- Não. — riu — Fumei cigarro nos meus dias escuros no Mckinley, mas foi só isso. Meus amigos de Julliard são acostumados com isso, mas eu prefiro me manter limpa.

Ela se surpreendeu, em sua cabeça, Quinn já havia usado drogas da pior espécie.

- Surpreendente! Agora, pergunte-me o que quiser.

- Porque queria se casar com Finn? — tornou o rosto para ela, pois a resposta para essa pergunta lhe interessava.

- Pra me sentir segura, estável... — confessou.

Quinn ficou pensativa sobre aquilo. "Quer dizer que ela não se casou por amor?" Perguntou a si mesma. Alguns segundos de silêncio tomou a conversa delas, até que Rachel quebrou-os.

- Porque você não queria que eu me casasse com Finn? — perguntou ligeiramente.

- Porque... — pensou na resposta que daria, pois não sabia ao certo a causa dessa sua concepção — Você estava disperdiçando sua vida.

- Está mentindo... — aproximou-se dela, decidida de que aquela não seria apenas mais uma noite. A bebida lhe auxiliava a ter mais coragem. — Tenho outra pergunta!

- Mas isso não é justo, agora é minha vez! — sentou no gramado para se afastar, quando ela também sentou.

- Isso não importa... Você se interessa por garotas, não é? — sorriu maliciosamente.

- Espera... Como sabe disso?

- Um passarinho me contou! — mentiu — Tenho mais uma pergunta.

- Berry, não esta obedecendo as regras do jogo...

- Você se sente atraída por mim? — ousou, ignorando totalmente as súplicas de Quinn.

- Eu... Eu... Rachel, você esta me confundindo, pare! — pediu.

A morena pegou nas mãos dela, que agarravam o chão com força e as segurou delicadamente, pondo uma de suas perdas sobre a dela e chegando mais perto. Elas podiam sentir a respiração uma da outra.

- Ótimo! Quem sabe a confusão não te ajude a chegar mais perto da decisão certa? Não pense, Fabray, faça! — sua voz era a mesma de anos atrás, mas a loira parecia muito mais atraída por ela.

- Só esta dizendo isso porque está bêbada... — declarou.

- Ouvi dizer as pessoas mostram sua verdade justamente quando não estão sóbrias... Qual é a sua verdade, Quinn? — encarou-lhe, desafiando-a.

Ela não pode resistir. Tentou, mas Rachel não permitiu, foi falha em sua missão. Sem pensar muito, avançou sob os lábios, dando-lhe um beijo casto. Logo, a morena abriu a boca, dando passagem para que a língua sedenta de Fabray lhe invadisse. Sem nenhuma falha, suas línguas dançavam ao redor das bocas coladas, enquanto as mãos de Quinn desfilavam pelo corpo da morena. Ela queria cada vez mais, e juntava seu corpo ao dela, até que não havia mais espaço algum a ser preenchido. Em alguns segundos, o beijo passou para um nível mais acelerado, ardente e talvez apaixonado. Era algo que elas deveriam ter feito a muito tempo e finalmente tinham conseguido a oportunidade de fazer.

O mundo deixou de existir. O Central Park, NYADA, Julliard, Kurt, Blaine, Brody e Finn eram apenas borrões diante do que estavam vivendo ali. Não existia mais chão, pois elas estavam no céu. Com Finn, Rachel sentia que podia tocar as estrelas, mas ali, com a loira de olhos coloridos, ela saía de órbita. Definitivamente, era a melhor noite de suas vidas.