Apaixonados por maçãs
3 Acordo

A rua estava calma com os seus vinte candeeiros a iluminarem passivamente as pedras da calçada. Um deles estava já de lâmpada gasta pelo que produzia um pisca-pisca assemelhando-se a um pirilampo em época de acasalamento.
Qualquer um que passasse naquela rua, acharia que esta era uma rua como outra qualquer, mas não desconfiavam sequer que uma das casas que a constituíam abrigava Kira, o assassino em série mais perigoso do mundo.
Yagami Light era seu nome verdadeiro e estava nesse preciso momento sentado na sua secretária a escrever nomes atrás de nomes como quem escrevia as notas do que fazer no dia seguinte... sem qualquer emoção.
E atrás dele, deitado na cama, estava Ryuuku, um shinigami, invisível para todos menos para o seu companheiro de quarto.
– Raito... disseste que L arranjou uma grande equipe de investigação, certo? Os melhores detetives criminais do mundo.
– Era o que estava num dos arquivos do computador do meu pai. Creio que podemos fiar-nos nisso.
– Estás preocupado?
– Não! – Respondeu o rapaz, sem desviar os olhos do caderno. – Ouvi dizer que eles nunca falharam um caso, mas eu sou especial... a maioria dos criminosos mata diretamente com facas, veneno, ou mesmo contratados para o serviço. Eu tenho o Death note e ele é a única evidência... estou quase ao nível de um Deus. No entanto, L desconfia de mim, pelo que convinha que eu me livrasse desses detetives.
Ryuuku riu.
– Eles usam nomes falsos, Raito! Como pretendes conseguir os nomes? Até a família é mantida sob custódia e em grande segredo. A menos que queiras fazer um acordo...
Raito virou a sua cadeira de escritório, ficando de frente para o shinigami.
– Já disse que o acordo dos olhos do Shinigami está fora de questão!
– Mas não era a esse que eu me referia! Sabes que o shinigami pode trocar de corpo com o humano que encontra o caderno durante 24 horas a cada ano?
Raito mostrou-se zangado.
– Arigato, Ryuuku... meses de convivência e só me falas desse acordo agora. Perguntei-te, no dia em que me falaste do acordo dos olhos de Shinigami se havia algo mais que me querias contar e disseste que não.
Ryuuku coçou a cabeça, constrangido.
– Dá um desconto, Raito. Sabes de quantos milénios a milénios cai um Death note no mundo humano? Não podes esperar que eu me lembre de todas as regras, acordos e limitações tudo em apenas um instante.
Raito analisou o shinigami.
– O que pretendes, Ryuk? Falares desse acordo, assim tão de repente... deves ter algum objetivo.
– Sabes, Raito, sempre quis experimentar como seria a vida de um ser humano! Eu iria ficar satisfeito mesmo que fossem apenas 24 horas... se bem que devo admitir que ser tu, mesmo durante um curto período de tempo... é arriscado.
– Concordo... no entanto não deixa de ser interessante. Ser um shinigami, poder ir para onde quiser, saber os nomes das pessoas só de olhar para a cara delas, voar pela cidade... como um Deus, certo Ryuuku?
– É, nós somos deuses da morte, no final das contas!
Raito ponderou de olhos fechados durante um longo momento, pesando os prós e os contras.
«Com isso poderia acabar com os detetives de L e deixar o mesmo frustrado. Iria adorar ver a cara dele, vendo os melhores detetives do mundo caírem um a um na frente dele. Iria ser aterrorizante para L pensar o quão perto eu estaria de o matar. Mas...»
– Qual é o preço, Ryuuku?
– Hã, o preço?
– Sim, os olhos de Shinigami custavam metade da minha expectativa de vida!
– Ah, eu acho que não há nenhum preço...
– Achas ou tens a certeza?
– Tenho a certeza! E é como um contrato, na hora... então aceitas, desta vez? Aceitas? – Perguntou o shinigami empolgado.
Raito deu um meio sorriso.
– Se acabas com a minha reputação, podes ter a certeza que arranjo forma de te matar, Ryuk!
– Reza para que não me façam perguntas de geometria no colégio...
Deram as mãos e selaram o acordo.
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