Apaixonados No Apocalipse
1 Capítulo 1 - Novo Começo
Me chamo Ricardo Freitas, sou um lutador de MMA muito conhecido, não só no Brasil, mas também nos Estados Unidos. Já lutei e ganhei diversos circuitos e campeonatos. É uma vida bacana, adoro uma boa briga! Conseguir bons adversários e ainda ser pago para socar a cara deles era a minha vidinha perfeita. Todo esse universo do MMA só não dava espaço para uma coisa: minha homossexualidade. Tive várias vezes que contratar mulheres para atuarem como minhas ficantes ou namoradas, ganhar uma fama de "pegador" é sempre bom para o marketing.
Mesmo estando feliz com o que eu fazia, sempre me senti incompleto, precisava de alguém para amar de verdade. Achei que isso seria impossível até que em janeiro de 2013 eu o conheci. Em um voo que eu pegava para ir a São Francisco para participar de um campeonato, ele sentou do meu lado no avião. Adrian Marshall, um homem de pele clara, loiro e com um sorriso hipnotizável, conversamos muito ao longo da viagem enquanto eu tentava não babar, ele me falou que morava em São Francisco, era Geólogo e estava voltando de uma conferência internacional. Eu acabei o convidando para ir ver minha luta. Nunca lutei tão sério em toda minha vida, queria dar um show naquele lugar, pois sabia que ele estava me vendo. Depois de dar uma porrada muito bem dada no meu adversário, levei Adrian para um hotel, não poderia sair para jantar com ele, alguém poderia reparar. Aquela noite foi incrivelmente maravilhosa, não teve transa, foi algo mental, de alma, depois dela eu soube que aquele cara era a pessoa com quem eu passaria o resto da minha vida.
Depois de semanas investindo nele, ele acabou cedendo aos meu encantos. Tivemos noites de amor incríveis, conversas incríveis, momentos espetaculares. Era difícil pois nem sempre dava para eu ir a São Francisco, principalmente mantendo minha discrição. Foram os melhores seis meses da minha vida até então. Mas em Agosto, algo que ninguém imaginava aconteceu. Tivemos uma noite incrível, pele teve a excelente ideia de adoçar nosso sexo com creme de chocolate que ele derramava pelo meu corpo, delirava com as lambidas dele, sempre foi muito bom com a língua. De manhã cedo ele me aplicou uma terapia com pedras quentes sempre aproveitando para tirar uma lasquinha do meu corpo. Por volta das 14h peguei meu voo, mas não imaginava o que aconteceria duas horas depois.
Um monstro de 92 metros atacou São Francisco, o nomearam "Trespasser", ele arrasou parte de São Francisco e outras duas cidades inteiras. Só soube o que estava acontecendo quando cheguei em São Paulo, fiquei desesperado, liguei para ele durante horas e não havia retorno. Levaram 6 dias para parar o monstro, o que só foi possível com mísseis nucleares.
Dois dias depois eu vi o nome Adrian Marshall na longa lista de mortes. Meu mundo desabou junto com o planeta terra. Seis meses depois ouve o segundo ataque, começaram a chamar os monstros de "Kaiju", nessa altura eu já tinha desistido da carreira do MMA, estava em alta depressão, todo meu público se perguntava o porquê. Morava sozinho em uma apartamento em São Paulo, quase não saía, meu pai, a única família que eu ainda tinha, me visitava uma vez por semana tentando descobrir algo de mim, mas eu permanecia calado. A vida não tinha mais sentido para mim.
Na metade de 2014 houve o terceiro ataque, e no fim do mesmo ano, o quarto. O quarto aconteceu em Sydney, Austrália, e foi o estopim para o início de uma reação da humanidade. Governos se juntaram deixando as rivalidades de lado e criaram o programa Jaeger (pronuncia-se: Iegar), robôs gigantes equipados até os dentes para combater os kaijus. Uma base de operações foi construída em Hong Kong para fabricá-los e treinar combatentes para pilotá-los.
Em 2015, para alegria dos meus antigos fans, superei a depressão e voltei aos ringues, pensei que não seria honroso para a memória de Adrian eu desperdiçar minha vida trancado em um quarto de apartamento. Mesmo com todo o clima apocalíptico, o mundo tentava continuar vivendo uma vida normal. Na metade do ano houve uma ataque a Vancouver, no Canadá, esse foi o primeiro ataque repelido por um Jaeger, o mundo vibrou com a queda daquele kaiju. Cientistas descobriram então que os kaijus vinham de uma fenda no oceano Pacífico, por essa razão, só eram atacadas cidades que se localizavam na costa desse oceano.
Na início de 2016 anunciaram a construção de mais quatro bases de operações Jaeger, que foram nomeadas "Shatterdomes", no Peru, no Alasca, na Rússia e no Japão. No fim desse ano, ganhei o campeonato de MMA Latino Americano e para minha surpresa, no dia depois de receber meu cinturão da vitória, recebi um convite para entrar para o programa Peruano de lutadores Jaeger. Haviam tidos mais três ataques naquele ano, em Hong Kong, Tokyo e no nordeste da Rússia. Eu tentava por esses dois anos viver uma vida como se não estivesse acontecendo nada desses ataques, como se não existisse os kaiju, pois a cada momento que eu via ou ouvia algo relacionado à Guerra Kaiju, eu me lembrava de Adrian, e isso apertava meu coração. Mas no momento em que li a carta do convite, percebi que não adiantava nada ignorar tudo aquilo, o mundo estava acabando, pessoas estavam morrendo. Para o delírio de meu fans, aceitei formalmente o pedido.
Em janeiro de 2017 peguei um voo para Lima, capital do Peru, e onde estava instalada a base Jaegar Sul Americana. Quando desci no aeroporto, centenas de pessoas já me esperavam, era sempre assim, mas agora os repórteres não perguntavam sobre minhas lutas ou sobre vida pessoal, perguntavam sobre o que me motivou a fazer aquilo e o que eu esperava realizar. Me perguntava se tomara realmente uma decisão correta.
Fui conduzido por soldados até uma limousine preta, nela estava a me esperar um homem de óculos de grau socialmente trajado de terno e gravata, ruivo e com a barba levemente grossa. Então ele se apresenta em um sotaque de português americanizado.
– Bom dia Sr. Freitas.
– Pode me chamar de Ricardo.
– Bem, Ricardo, me chamo Alexander Kenneth, sou vice diretor do Shatterdome de Lima e um dos supervisores de trinamento. Chamamos o sr. pois acreditamos que sua habilidade nos ringues pode ser deveras eficiente contra os kaijus no que se diz respeito a sua adaptação no controle dos movimentos de um Jaeger. Ficamos felizes com seu consentimento, o mundo não é o mesmo depois da guerra kaiju, as pessoas precisam de proteção, precisam de esperança. E nós somos essa esperança.
Não gostava muito de pessoas assim, formalizadas e cultas, sempre fui simples e pelas minhas experiências som engravatados, acabei pegando uma raiva de quem assim se portava, as pessoas não tem ideia de como empresários podem ser pior que políticos brasileiros. Mas essa era uma situação diferente, eu não iria mais viver para entretenimento, ou pelo menos não só para isso, iria viver para proteger a humanidade daqueles que tomaram uma parte de mim ha dois anos atrás.
– Fico feliz que eu possa ajudar.
Chagando no complexo industrial de Jaegers, Alexander me conduz até uma torre cilíndrica ao lado de um hangar, subimos por um elevador até o topo que dava acesso a superfície de uma elevada depressão, onde internamente funcionava a Shatterdome de Lima. Ele me levou por vários corredores até chegar aos dormitórios e me mostrou um quarto, número 9.
– Se instale e vista o uniforme que está em cima da cama, em uma hora haverá uma reunião na sala ao fim deste corredor, esteja lá.
Entrei e examinei o lugar, não era como meu apartamento de luxo em SP mas era razoável. O ambiente parecia realmente de um filme, com paredes de aço pintadas as pressas, portas movidas a sensores e vapor que se abriam para os lados internos da parede e entradas de ar da superfície. Coloquei minhas malas e um canto e tomei um banho. Quando saí do banheiro me assustei, Alexander estava me esperando perto da porta, ele se constrangeu um pouco pois eu estava totalmente pelado, peguei rapidamente uma cueca e a vesti.
– Eu... eu esqueci de lhe entregar seu cartão de identificação, me desculpe o incômodo.
– Não tem problema.
Peguei o cartão e ele rapidamente se retirou. Vesti meu uniforme, um colante militar preto com listras e detalhes em vermelho e azul, e fui ao lugar marcado. Ao chegar na sala, fui posicionado em uma fileira indiana juntamente com outras 9 pessoas em uma sala, fomos conduzidos por Francisco Gutiérrez, o coordenador militar do complexo, ele nos guiou através de um corredor que nos levou ao domo principal do Shatterdome, era uma sala gigantesca, com no mínimo 100 metros de altura, à nossa frente a uns 200 metros estava estacionado um dos Jaegers, era imenso, vermelho com um design que lembrava o vilão do clássico desenho Caverna do Dragão. Paramos e nos posicionamos lado a lado para a apresentação do diretor geral dos Shatterdomes, Marechal Stacker Pentecost, que atualmente era o maior piloto de Jaegers com seu Coyote Tango, o segundo Jaeger japonês. Junto com ele estavam o seu copiloto e o Alexander.
– Senhores, vocês foram escolhidos para carregar uma imensa responsabilidade, garantir a segurança de milhões de pessoas, deter esses monstros que já tiraram muitas vidas, pais, mães, filhos, amores. Hoje, é o dia do seus novos nascimentos! Há 2 Jaegers nesse complexo, o terceiro está sendo construído. Cada Jaeger é operado pela carga neural de dois pilotos, quando tentamos com apenas um o cérebro do candidato quase derreteu. Há 10 de vocês, portanto, 5 duplas se candidatarão à serem escolhidas para operar os 2 Jaegers presentes nesse complexo. Agora vou chamar as duplas.
Já era do meu conhecimento esse detalhe, os Jaeger eram operados por um piloto e um copiloto, estava apreensivo, não conhecia ninguém dos outros 9 candidatos, seria uma experiência muito estranha pois quando se faz uma ligação neural, toda sua vida é acessível pelo outro indivíduo. Então veio na minha mente algo estarrecedor, meu maior segredo, minha homossexualidade que eu tanto escondia. Enquanto passava pela minha cabeça o quão complicado seria me relacionar com alguém que eu nunca vira na vida, colocar ele dentro da minha cabeça e ainda esconder minha sexualidade, o marechal Pentecost chamava as duplas, então ouço meu nome...
– Ricardo Freitas e Juan Vega.
...
[CONTINUA]
Notas finais
Em breve o próximo capítulo!
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