Notas iniciais
Aaaai que saudades de vocês! Pensei que nunca mais voltaria a falar com minhas leitoras. Finalmente o Nyah! Voltou. Me abracem! *-* Bem, a fic está na reta final. Eu ainda não sei quantos capítulos faltam, mas logo logo eu vou finaliza-lá. :( Ainda estou planejando a segunda temporada, mas eu vou dar uma pausa por enquanto por falta de tempo mesmo. Quero logo os comentários! Estou morta de saudades! *-* Boa leitura! ♥

JHONY

– O Power Ranger vermelho é o principal da série sim, Jhony. — Annie argumentou pela terceira vez, bebendo sua terceira garrafa de cerveja.

– Eu sei, é por isso que sou ele! — Exclamei, também em minha terceira garrafa. — Quer brincar de Power Ranger comigo? Eu posso até te emprestar minha espada.

– Eu não quero sua espada, Jhony.

– E de papai e mamãe? Quer brincar? — Movimentei as sobrancelhas.

– Com você? Que nojo! — Ela riu.

Quatro fatos sobre Melannie quando está bêbada: 1) Ela tem uma voz de bebê estranhamente fofa; 2) Ela não diz Jhony, diz Dione; 3) Ela é bem mais divertida e amigável; e 4) Ela, por algum milagre, é capaz de te dar um elogio ou te chamar de bonito.

– ANNIE, ANNIE! — Hanna entrou na cozinha como um furacão. — Pitt me pediu em namoro! Ele me deu uma aliança! — Ela estendeu a mão para a moça bêbada, mostrando a aliança que Pitter lhe dera.

– Uh? Mas o que vocês eram antes disso? Primos? Cunhados? — Annie pareceu confusa. Precisei me segurar na bancada para não lhe agarrar ali mesmo.

Minha vida amorosa andava um pouco complicada ultimamente. Tinha beijado a garota que estou apaixonado, ela me bateu e me culpou com todos os nove tipos de lingua que ela sabia falar, admitira que estava apaixonada por outro garoto chamado Nick, eu fiquei puto e num momento de fraqueza acabei confessando à vovô que estava apaixonado por ela e mais tarde, no meio de abraços e choros com a moça, eu descobri que o tal Nick estava morto e que mesmo dentro de um caixão ela ainda amava ele.

É, sorte no jogo, azar no amor.

Bebi toda a garrafa em um gole.

– Não, sua bêbada ignorante. — Hanna bufou com seu tipico jeitinho delicado. — Isto agora é oficial! — A loira pulou e Annie finalmente se tocou e a abraçou.

– Parabéns, então. — Annie sorriu. — Se ele te magoar vai se ver comigo.

– Eu sei, ele sabe e todos sabem. Mas olhe, a aliança não é linda?!

– Muito.

E as duas garotas começaram a famosa "conversa de garotas" sobre alianças, anéis folheados e cintas-liga. Agora eu me pergunto, o que raios a cinta-liga tem haver com o resto?

Revirei os olhos, peguei outra cerveja e fui para a sala, encontrar um Pitter radiante de feliz jogado no sofá da tia Carla com um sorriso patético no rosto.

– Você fez. — Comentei, me sentando ao lado do meu melhor amigo.

– É, eu fiz. Ela quase teve orgasmos pelo anel. — Ele me puxou para um abraço que eu confesso que foi muito gay contando com o fato que ele acabara de pedir uma garota em namoro.

– É claro que ela teve, fui eu que escolhi.

– Eu sei, mas o namorado sou eu, então me deixe ficar com os créditos disso. — Ele bagunçou meu cabelo brutalmente. Desejei que Annie tivesse feito isso. — Por falar em namorado, e a Annie?

É só pensar na moça que já começa...

– O que é que tem a Annie? -

– Ela está bem?

– Oush, pergunta para ela, não para mim.

– Você está ficando ignorante igual a ela. — Pitter coçou o queixo.

– Okay, okay, — Suspirei. — sai da cozinha justamente para não agarra-lá ali mesmo. — Confessei. Pitter me lançou aquele olhar sacana que só ele sabia fazer. — O que foi?

– Jhony, eu não sei como você conseguiu todas aquelas medalhas na Aldenlir de melhor aluno porque meu amigo você é muito burro. — Pitter bateu em suas pernas mostrando decepção, animação e tudo o que é suspeito quando vem dele. — Vamos ficar aqui por mais dois dias só eu, você, Hanna e Annie. Sozinhos. Bem, Hanna e eu vamos querer ficar boa parte de nosso tempo sozinhos, então só vai restar Annie e você. É a sua chance de investir neste caralho, filhote!

– Pela milésima vez, Annie não quer nada comigo. Quantas vezes eu já pensei 'neste caralho' só hoje? Umas quinhentas?

– Viu? Esse é seu problema. Você só pensa e nunca coloca a coisa em prática.

– Ah, é? O que você acha que eu devo fazer então, Sr. Guru do Amor?

– Você é horrível com apelidos, hein? Nesse ponto eu consigo compreender Annie. — Pitter estava me enrolando.

– Haha. E eu não entendo o que Hanna viu em você. Você coleciona cards do Thundercats até hoje. — Retruquei.

– E você não? — Ele se defendeu. — Hanna viu meu lado romântico e verdadeiro, me libertou daquele lado canalha e mentiroso. Agora vejo o mundo de outra forma, posso ver a cor, posso ver o amor. — O loiro disse como se tivesse recitando algum poema de Shakespeare no meio da multidão. Bati palmas fingindo-me impressionado.

– Filosofou, meu amigo. Parabéns.

– Eu sei, agora vamos ao que interessa: MJ. Missão Jhonnie.

– MJ? Para mim MJ era sei lá, Michael Jackson. E Jhonnie? Você está bebado também? Porque Annie já está me chamando de Dione. — Arqueei uma sobrancelha.

– É uma mistura de Jhony com Annie. E MJ é a sigla. — Ele respondeu como se aquilo fosse obvio. — Foi Hanna que inventou. — Completou.

– Muito gay mesmo. — Disse a mim mesmo, confirmando que Pitter estava realmente bem afeminado hoje. — Você e Hanna também tem? Pinna?

– Não, imbecil! — Ele gargalhou. — É Hantter.

– Cristo é mais.– Murmurei, caindo na gargalhada também. — Você está chapado, né? Hantter? Que porra é essa?

Rimos por uns bons vinte minutos. Estava chorando, minha barriga doía e nem conseguia mais olhar para Pitter, senão iria cair na gargalhada de novo.

– O que nossos garotos estão aprontando? — Hanna perguntou já sentada no sofá. Annie estava no tapete olhando para mim e Pitter de forma suspeita. Nem tinha visto as duas entrarem. Quem estava chapadão era eu.

– Nada. — Nós dois falamos ao mesmo tempo, secando as lagrimas.

– Nada? Rindo desse jeito por nada? — Annie questionou.

– É. Não podemos rir por nada? — Pitter perguntou, já recuperado.

– Rir por nada é divertido. — Falei.

– Cachaceiros. — A morena sibilou, revirando os olhos.

– Cachaceiros não! Cerveijeiros. — Corrigi. Ela me encarou por um tempo, mas não aguentou e caiu na risada.

– Vamos para a praia, meninos? Por favor, por favor! — Hanna pediu.

– Demorou! — Me levantei animado. Mais para ver Annie de biquíni do que ir realmente para a praia. — Vou trocar de roupa.

– Nós também! — A loira se levantou puxando Annie e as duas dispararam para cima.

– Subam as malas! — Annie mandou aos gritos. E lá fomos eu e Pitter de novo. Acho que na minha testa estava escrito bagageiro, porquê só pode...

Subi as escadas com minha mala em uma mão e a de Annie em outra. Não tinha tudo o que queria no momento — é claro que esse 'tudo o que queria' é Annie -, mas estava realmente feliz por estar com meus três melhores amigos, que já fazem parte de minha pequena família, bêbados ou não.

É gay? Sim. E eu me importo? Não.

Apesar de tudo, sinto que minha vida está dando certo como nunca antes. Na verdade, depois que sai da casa de minha mãe e fui morar com vovô Patrick minha vida passou a melhorar. Vovô acredita em meu futuro, acredita que posso ser alguém como o meu pai sempre foi, um homem honesto, pé no chão e dedicado, tanto no trabalho como na familia. Pena que dona Tereza, minha mãe, nunca reconheceu isso. E agora já era tarde demais. Faz dez anos que ele faleceu e dai em diante prometi a mim mesmo que seria como ele. Iria cuidar de minha mãe e de meu irmão assim como ele cuidava. E eu cuidei por um bom tempo.

Respirei fundo e terminei de subir os exagerados degraus da casa. Olhei para o corredor onde Annie e Hanna abriam porta por porta escolhendo a melhor suíte e abri um sorriso. Garotas... Escolhi uma porta a dedo e joguei minha mala lá.

– Já escolheu seu quarto, Power Ranger rosa? — Perguntei a Annie, que por algum motivo estava parada em frente à minha porta com um sorriso diabolicamente adorável — e sedutor — nos lábios.

– Já. — Ela respondeu me empurrando. — Aqui!

– Eu já escolhi esse, nem vem. — Barrei a garota.

– Primeiro as damas. — Ela argumentou, tentando passar por mim a qualquer custo.

– Primeiro as damas é o cacete. Eu escolhi e está escolhido.

– Jhony... — Ela choramingou olhando em meus olhos. Respire e inspire, Jhony, vamos lá.

– Não adianta jogar charme para cima de mim, Annie. Eu não caio nessa. — Sibilei, olhando seus olhos, seu rosto, sua boca...

– Ah, você cai sim. — Ela sussurrou, sendo ousada o suficiente para se aproximar mais. Estava a beira de perder todo meu auto-controle, era o alcool, Annie muito perto, minha vontade louca de beija-lá...

– Annie...

– O que é?

– Da próxima vez que você fizer isso de novo eu não vou me segurar. — Agarrei sua cintura e a levantei, levando Annie até o quarto ao lado. Quando a coloquei no chão já estava me preparando para o pior, mas só me deparei com uma Annie fazendo uma carinha de cachorrinho abandonado. Ela queria me matar, só pode...

– Você ficou com o melhor quarto. — Ela fez biquinho. Cristo, essa garota não era Annie. — E ainda me expulsou de lá.

– Annie, não faça essa cara para mim. — Implorei, quase chorando de tanta vontade de agarra-la.

– Você vai fazer o que se eu continuar fazendo? — Ela perguntou, ainda com a maldita cara.

Estava exitado, quase morrendo de tanta agonia que era ficar perto dela, estava tão apaixonado por ela e por aquele olhar que doía. Eu já tinha perdido o controle de tudo. Tinha perdido o controle da situação desde que chegamos aqui. E estava pouco me fodendo se iria levar um tapa na cara, ou ser o culpado de novo. Eu aguentaria tudo mais uma vez só para beijar ela novamente.

– Vou fazer isso aqui. — Sem sanidade e consciência, perdido para o Álcool e com meu corpo implorando cada vez mais por Annie, abri a porta do quarto, segurei seu rosto e colei meus lábios ao dela desesperadamente. Eu juro por Deus que senti uma pontada de alivio. Annie não se afastou, não fez nada, só ficou ali com os lábios grudados no meu. Estava com medo e desespero, mas eu queria mais. Abri minha boca praticamente sugando a boca de Annie, mas ela surpreendentemente abriu a dela e começamos a nos beijar de verdade.

Eu estava beijando Annie de verdade.

Estava tão feliz e desesperado que não consegui nem mesmo processar a situação. Seu gosto era tão bom, não era gosto de cerveja, mas se fosse eu queria provar desse sabor todos os dias. Sentia também seu cheiro natural de bebê, Deus, eu amava este cheiro!

Sem folego, eu relutantemente me afastei de Annie, fechando meus olhos e me preparando para o que vinha a seguir.

– O que você tem a dizer sobre isso? — Ela me perguntou depois de um longo tempo, seus lábios ainda estavam inchados.

– Que eu não tive culpa, foi você quem me provocou e me desafiou. — Expliquei, recuperando meu folego e ainda segurando seu rosto.

– Certo. — Foi tudo o que ela disse, eu nem preciso dizer que me assustei, né?

– Certo? Só isso? — Arqueei um sobrancelha.

– O que mais você quer que eu diga? Que seu beijo foi maravilhoso e que eu queria outro? — Sua ironia pairava no ar, mas seu sorriso era impagável. Me aproximei para outro beijo, ela me bateu no começo, mas logo se rendeu. Eu me sentia o homem mais feliz do universo.

– Annie em que raio de quarto você está? - Ouvimos a voz de Hanna cantarolar. — Jhonatan Harzog, cadê você?

Annie e eu nos separamos como se tivéssemos levado um choque. Ela olhou para mim desesperada, mas logo se recuperou.

– O que é?! — Ela gritou, arrumando os cabelos e a roupa. Fiz o mesmo.

– Você viu o Jhony? - Hanna gritou de volta.

– Esse cretino está aqui comigo!

– Cretino nada! — Me defendi.

– Cretino sim.

– Okay, os dois são cretinos! — Hanna abriu a porta, com Pitter e seu sorriso sacana logo atrás. Trocamos um olhar e ele logo compreendeu tudo, safado.

– Tenho que me trocar ainda. — Annie explicou.

– Quer ajuda? Você ainda está meio bêbada...

– Some daqui, Jhony. — Ela respondeu, prendendo um sorriso. — Vocês dois também. — Apontou para as duas cabeças loiras na porta.

Fui me retirando devagar, acho que era agora que minha ficha estava realmente caindo. Estava surpreso e eufórico. Fiquei mais ainda quando Annie me roubou um beijo rápido antes de me jogar um travesseiro.

– Vai ter volta. — Gritei, saindo do quarto.

Se eu estava feliz? Haha, não chegava nem perto.

Notas finais
E ai? Já estava na hora, né?! hahaha aguardem o próximo! Beijocas ♥