Apaixonada por um Brasileiro Idiota
17 Alcohol is Wonder
Notas iniciais
ANNIE
– Eu preciso parar para fazer pipi. — Jhony anunciou para ninguém em particular enquanto subíamos a serra¹ para a praia cantando e fazendo nossas piadinhas.
– É claro que você precisa parar para fazer pipi, Jhony. Você meio que acabou com todas as bebidas. — Hanna respondeu.
Jhony, de alguma forma, tinha conseguido se deitar em meu colo e como ele era muito pesado eu só conseguia mexer meus braços. Pelo menos eu poderia lhe dar um tapas.
– Annie, pegue ai uma cerveja para mim, vai. — Ele olhou para cima procurando meu rosto.
– Levante e pegue você mesmo, garoto. Você está achando o que? Que eu sou sua empregada? Como você foi parar em meu colo para começo de conversa?
– Jesus, era só você responder não, precisa fazer um discurso? — Ele se levantou e pegou uma cerveja na sacola térmica.
Eu não sei se era o álcool, mas eu estava super a vontade com Jhony. Depois da nossa conversa esclarecedora eu comecei a enxergar ele de outro modo. Eu não sei, eu agora o enxergo como um homem. Vejo sua beleza, seus músculos, seus bíceps...
Jesus, eu só posso estar bêbada.
A conversa de alguma forma me vez enxergar Jhony, o mundo, a vida de modos completamente diferentes. Nick ainda era alguém muito especial para mim, mas como Hanna dissera ele gostaria de me ver feliz e não presa na vida que não podia voltar. Observando agora, eu de alguma forma também libertei Nick.
Aproveitei e peguei uma cerveja também. Um brinde a Nick! Tomei um gole.
– E respondendo sua pergunta: Eu fui parar em seu colo porque você me puxou. — Jhony disse.
Eu apenas revirei os olhos não querendo responder que ele estava certo. Entretanto eu não queria puxar ele, eu apenas queria lhe dar um soco.
– Você dois já podem parar de beber, crianças. — Hanna se virou e também pegou uma cerveja na sacola. Que belo exemplo...
Eu nunca fui de beber antes, apenas bebia um pouco quando ia — dificilmente — em festas ou em ocasiões especiais, mas eu nunca chegara a ficar bêbada.
Mas tem uma primeira vez para tudo, certo? E bem, essa era uma ocasião especial...
– Próxima parada: Posto de gasolina fazer pipi! — Pitter anunciou animado, tomando a cerveja de Hanna para si.
– Pitt, você está dirigindo!
– É só uma, bebê.
– Pitter eu te amo, cara! Vamos fazer pipi! — Jhony falou. Acho que eu não era a unica que estava um pouco bêbada...
HANNA
Aproveitei a parada para ir buscar Cookies com Annie. Eu já estava quase sem noção. Eu não podia ficar sem Cookies também.
– Hanna, Hanna... Vai casar com o Pitt e gosta de Cookies de banana. Será que Ptter a ama? - Annie cantarolou enquanto eu pegava minhas caixinhas de Cookies.
Annie estava bastante estranha. Há muito tempo eu não a via beber e muito menos cantarolar. Depois da morte de Nick ela não ousava fazer isso. Provavelmente era a cerveja... Caralho, Melannie Berlitz estava bêbada, isso sim era motivo de comemoração!
– Amiga, você está cantarolando? É isso mesmo? — Perguntei enquando ela escolhia um chiclete.
– Estou Han, cantarolando bananas. Hanna, Hanna, cantarolando de verdade. É hoje Han, prepare-se, você vai perder sua virgindade.
Tanto eu como a moça do caixa olhamos para Annie chocadas.
– Ok, você extrapolou. Chega de cervejas.
Jhony apareceu na lojinha, ainda fechando sua calça. Outro bêbado.
– Tudo pronto ai? — Ele perguntou.
– Sim. — Assenti. — Eu estava aqui falando com Annie para maneirar na bebida. Isso vale para você também.
– Tudo bem, mamãe. Vou apenas pegar algumas coisas ali. — Ele respondeu divertido, caminhando até as geladeiras e pegando garrafas de vinho, vodca e energéticos.
Eu apenas bufei revoltada e Annie, como sempre, revirou os olhos. Pelo menos ela tinha parado de cantar.
– Foda-se vocês. Eu avisei. — Disse para os dois e deixei a lojinha com minhas sacolas abarrotadas de Cookies. Vi um mar de cabelos loiros ali na frente e corri naquela direção, sabendo que era Pitter.
– Abasteceu seu estoque infinito de Cookies? — Ele abriu aquele sorriso de cair calcinhas, pegou minhas sacolas e colocou no porta-malas.
– Estou preocupada com as crianças. — Sempre chamávamos Jhony e Annie como "crianças" pelo fato de serem tão teimosos. — Annie já está delirando e Jhony está quase chegando lá. — Comentei, colocando meus braços ao redor de sua cintura e apoiando minha cabeça em suas costas.
– Relaxe, você sabe que eles estavam todos tensos semana passada. Eles precisam se divertir um pouco. — Ele se virou. — Não é por isso que estamos aqui?
– Ok. Vou parar com neuras. É só que Annie é meio fraca com bebidas...
– Se ela ultrapassar nós tomamos uma atitude. — Ele me abraçou, bagunçando meu cabelo propositalmente.
– Falando em crianças... — Pitt me virou para eu poder ver Jhony carregando Annie nas costas.
– Será que eu posso abrir meu chiclete?
– Abre, eu não estou com suas mãos.
– Mas está com minhas pernas!
– Viu, eles estão se divertindo, certo? — Pitter agarrou minha cintura.
– Sim, mas só bêbados para fazerem isso... — Apontei para a sacola de bebidas que Jhony estava carregando e Pitter riu.
– Jhony não tem jeito... — Ele balançou a cabeça. — Vamos agora falar de nós. — Pitter me beijou carinhosamente.
– O que é que tem nós?
– Você ainda não disse que tinha me perdoado, lembra? — Ele mexeu as sobrancelhas brincalhão, mas um pouco cuidadoso com as palavras.
Passara semanas e eu ainda não tinha conversado com Pitter definitivamente sobre seu passado digamos que avassalador. Tinha dedicado todo meu tempo com Annie e com a faculdade que quando nos víamos apenas nos beijávamos como se não houvesse o amanhã.
– Eu ainda não esqueci. — Disse séria. Era verdade, mas não estava tão preocupada com isso. Estava aqui, no agora e eu confiava nele.
– Ainda vamos conversar sobre isso, ok? Mas não agora. Não neste fim de semana. Quero aproveitar nosso tempo o máximo possível. — Ele beijou meu pescoço me fazendo cocegas.
– Eu também.
– Sério? — Ele perguntou um pouco surpreso. É claro que eu queria aproveitar nosso tempo juntos, o que ele estava pensando?
– Por que? Você não acredita em mim? — Perguntei confusa. Ele me olhou com as sobrancelhas arqueadas e um sorrisinho malicioso no rosto. Só então fui me dar conta do que ele estava falando. Senti meu rosto esquentar.
– Não se preocupe, Han. Eu não estou te pressionando, eu só estava brincando. Quer dizer, eu quero você mais do que tudo, mas eu espero o tempo que for preciso. — Ele me abraçou novamente. — Você fica extremamente adorável quando fica vermelha.
– O problema não é você. Eu quero. — Falei me afastando um pouco para poder encara-lo. — É que... bem... eu nunca... nunca... nunca fiz aquilo.
Pitter me encarou adoravelmente fascinado. Fascinado pelo que?
– Você é virgem? Sua primeira vez vai ser comigo? Você não sabe o quanto estou feliz em ouvir isso! — Ele me agarrou e me beijou. — Eu vou fazer essa noite ser a noite mais especial da sua vida. Eu prometo.
– Eu te amo. — Falei enquanto ele beijava minha garganta.
– Eu te amo. — Ele disse. — Amo também meus amigos que sempre atrapalham nossos melhores momentos. — Ele se afastou e pegou minha mão, me guiando até a porta do carro. Jhony e Annie já estavam lá dentro, dividindo uma garrafa de vodca.
– Jhony, Jhony você é bem forte e não um fracote...– Annie cantarolava entre seus enormes goles. Jhony apenas a encarava com um sorriso divertido no rosto, como se fosse uma criança assistindo um desenho incrivelmente legal.
– Elogiando o Jhony, Annie? A bebida certamente faz milagres. — Pitt brincou e eu entrei no carro, me sentando novamente ao lado dele.
– Elogiando o Jhony? Não. Tenho que elogiar o Pitt, meu cunhado bonitão. — Disse ela. Pitt abriu um sorriso e me roubou um selinho antes de dar marcha no carro.
– Hey, eu estou aqui. Eu sei que meu amigo é bonitão, mas eu também mereço um elogio, né? — Jhony disse a Annie. Eu apenas assistia tudo pelo espelhinho.
– Oh, coitadinho dele. Vem aqui, você é bonito também, tá? Você é lindo, Jhony! — Ela exclamou numa voz de bebê, bagunçando o cabelo dele.
– Sou é? — Ele perguntou inocente. Até sem noção ele aproveitava a situação...
– Uhum. — Ela assentiu, tomando mais um gole da garrafa de vodca.
– Preciso dar meu testemunho em alguma igreja dizendo que milagres acontecem. — Pitter olhou para Jhony e sorriu.
É, esse final de semana iria ser longo... Longo e bom... Jesus, eu iria perder minha virgindade!
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¹(Serra, pelo menos aqui em São Paulo, é o caminho para a praia. Sempre quando ouvirem alguém falar que vão descer a serra eles estão se referindo à praia. N. do E.)
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