Notas iniciais
Oi oi gente! Tudo bem com vocês? Eu não lembro se respondi os comentários... Vou dar uma olhada... O.o Enjoy

John Adam só me ligou na manhã do dia seguinte e é claro que eu estava furiosa e falei muito no ouvido dele. John me deu a desculpa que mais cedo à linha estava congestionada e que depois ele dormiu, se esquecendo de me ligar. Eu disse “tudo bem”.

Eu o entendia, até eu mesmo poderia ter feito o mesmo que ele, mesmo assim estava com raiva... É irracional.

Estava na loja comprando uma arma e discutindo aos sussurros com ele pelo celular.

–Vai matar o seu namorado? – Perguntou a atendente sorrindo.

–Não – Respondi rindo.

Preenchi a ficha que precisava para comprar a arma e fui aprovada. Optei por uma pistola semiautomática, Glock, preta. Cabia na minha bolsa.

Saí da loja com a arma carregada dentro da bolsa, com um misto de segurança por tê-la e apreensão em saber que talvez eu a usasse.

Deixei a arma dentro do carro e entrei no hospital para outro turno. Trabalhar dois dias seguintes é terrivelmente cansativo, mas o hospital é um dos poucos lugares que mais me sinto segura.

Desde a explosão não se falava outra coisa. Indignação e medo são o que se ouvia das pessoas. Nova York parou novamente.

***

Quando cheguei a casa estava exausta e já era tarde. Coloquei a comida de Adalto, tomei um banho e caí nos braços do Morfeu.

Acabei sendo acordada pelo celular tocando descontroladamente, olhei o relógio na parede e já era meio-dia, dormi por catorze horas seguidas!

–Alô? – Resmunguei atendendo ao telefone.

–Srta. Olivia Bennet?

–Sou eu – Murmurei esfregando os olhos.

–Aqui quem fala é o delegado 39°DP de Nova York – Diz – A senhorita poderia comparecer na delegacia ainda hoje? – Diz firmemente.

–Pra quê? – Perguntei sonolenta.

–Apareceram novas evidências sobre o assalto ao banco.

–Ah! Vocês os pegaram! – Eu disse animada, despertando.

–Precisamos que compareça a delegacia hoje para esclarecer alguns detalhes.

–Bem, eu já disse que tudo que sabia, mas se vocês acham que posso ajudar em algo, eu vou – Digo gentil e desligo.

Tomei um banho rápido e coloquei uma roupa prática.

Assim que entrei na delegacia me encaminharam para a sala de interrogatório e para minha surpresa estavam do delegado, Derik e meu psicólogo Dante. Sentei-me surpresa.

–Vocês os acharam? – Disse agitada.

–Não sei, diga você – Disse o delegado friamente e jogou seis pastas na mesa a minha frente – Algum deles é lhe familiar?

Franzi o cenho e comecei a abrir as pastas.

–Não conheço – Disse friamente. Era a foto de um cara preso, provavelmente as outras pastas também deveriam ser.

Abri a segunda pasta, irritando-me mais ainda com seus olhares.

–Não conheço – Repeti seca.

Abri a terceira e fiquei boquiaberta.

–Mas esse é o amigo do John... – Sussurrei e comecei a passar as folhas. Era o cara loiro do dia do restaurante! Deus! Ele havia cometido tantos crimes!

Peguei a outra pasta rapidamente e a abri. Desta vez era o careca. Outra ficha imensa de crimes. Na outra pasta era o cara robusto, vi escrita tentativa de homicídio, de estupro... Aquilo me enjoou e eu peguei a outra pasta.

–Ah! – Arfei e fiquei paralisada.

Com as mãos na boca fiquei encarando a foto de John.

–Esse rosto é familiar para você? – Perguntou Derik irritado e eu fiquei ainda mais atônica.

Aquilo não podia ser verdade.

–Você está me dizendo que estes cinco caras são os mesmos que assaltaram o banco? Quem é esse sexto cara? – Perguntei sufocada.

–Entre eles o seu namorado – Acrescentou Derik com a voz mais falsa do mundo.

–Vai dizer que não sabia Olivia! – Disse o delegado sarcasticamente e eu continuei boquiaberta.

–Mas ela não sabia... – Murmura Dante me avaliando profundamente, meus olhos se encheram d’água.

–Eu não entendo! – Murmuro chorosa – Eu conheci esses três! – Disse pegando suas pastas – Eu conheço o John... – Sussurrei olhando para sua foto.

–Nos diga a verdade, Olivia! – Disse o delegado furioso – Você tem noção que pode ser presa? Você mentiu em seus depoimentos, mentiu dizendo que não os conhecia, provavelmente alterou todos os seus relatos! – Grunhiu.

–Eu não fiz nada disso! Eu não menti! Eu não os conhecia antes do assalto, seu estúpido! Se você está me acusando tem que saber isso! Vocês tem controle da minha linha telefônica, me vigiaram! – Gritei de volta, furiosa.

O delegado me deu um olhar mortal, se aproximando da mesa.

–Mais uma ofensa e te prenderei por desacato!

–E você espera que eu diga o quê?! Vocês me chamam aqui para me atacar! Chamam-me de mentirosa e ainda ameaçam a me prender! – Digo furiosa – Se vocês conseguiram chegar até os bandidos e até mim é por que nos vigiaram, ouviram nossas ligações então sabem muito bem que eu não estou envolvida com eles! – Digo em um fôlego só.

–Você sabia que seu telefone estava grampeado para a “sua segurança” e por isso tomou o cuidado para não falar sobre o assalto pelo telefone! – Sugeriu o delegado nervoso.

Rir sem vontade e passei a mão pelo rosto.

–E você acha mesmo que se estivesse envolvida nisso teria os deixado colocarem uma bomba em mim?! Que me machucassem? – Disse resignada e olhei para Derik – Você realmente acredita que eu fiz tudo isso? Você me viu naquele dia! Você achou que eu fingi tudo aquilo?! – Perguntei diretamente para Derik e ele ficou em silêncio.

–Você pode ter fingindo tudo! – Disse o delegado – E mesmo que você não soubesse de nada, você realmente acha que nós acreditamos que você ao menos não desconfiasse quem era o seu namorado? Um homem que do nada apareceu para ficar com você logo depois do assalto? – Disse com escárnio – Você com certeza desconfiava dele e mesmo assim dormiu com ele e agora o está acobertando!

Eu me levantei irada, derrubando a cadeira.

–Você acha que eu teria dormido com alguém que quase me matou?! Você acha que não tenho consciência? Amor próprio? Se um dia eu desconfiasse que ele era um dos bandidos eu teria o denunciado na mesma hora, não só por mim, mas pelas pessoas que morreram! – Disse firmemente, apesar das lágrimas que teimavam em cair – Tudo que você está dizendo são deduções! Vocês tem alguma prova contra mim? – Perguntei e eles ficaram em silêncio – Foi o que eu esperava – Disse.

Olhei para todos duramente, somente o psicólogo se mantinha com a expressão passiva. Peguei minha bolsa do chão e a coloquei no ombro.

–Sou obrigada a ficar aqui? – Perguntei.

–Não – Respondeu Derik tenso, pude notar o arrependimento em sua voz.

–Ainda não terminamos! – Disse o delegado com raiva.

–Vocês já me humilharam de todas as formas possíveis e eu não sou obrigada a ficar aqui – Digo friamente e saí.

Metade da delegacia olhava para mim. Havia acusação em seus olhares. Isso só fez com que eu lutasse ainda mais contra as lágrimas. Não iria mais chorar na frente deles.

Quando entrei no carro me dei permissão para chorar, eu desabei. Chorei como nunca havia feito, incessantemente. Meu peito doía de verdade...

A decepção era como se eu tivesse sido traída. Tudo era sério demais para ser ignorado. O pior era que tudo era verdade! Eu estava passando por isso! Eu não podia acreditar, não queria acreditar. É doloroso demais, humilhante demais!

Agora cada conversa que tive com John se repassavam na minha mente. Todas as vezes que ele perguntou sobre o caso, o interesse em saber o que eu havia anotado no assalto... Ele queria apenas saber do que eu me lembrava, reconhecia... Tudo que pudesse o incriminar.

Ele devia ter me seguido em algum momento, por isso sabia qual lanchonete eu frequentava após o trabalho... Tudo fazia sentido agora, tudo se encaixava.

Aqueles dois homens que eu não reconheci nas pastas eram os mesmo caras daquele dia no bar, eles deviam estar de olho em mim desde então... Deve ser por isso que John se aproximou de mim... Como pude não me lembrar deles? Mas ele precisava transar comigo? Não bastava ser meu amigo?! Eu teria lhe contado tudo! Dados todas as informações que ele queria! Tinha que fazer me apaixonar por ele?!

Sim, eu estava apaixonada por ele. Dizer isso para mim mesma agora só me fazia me sentir mais estúpida, mas depois de quatro meses com uma pessoa, transando com ela, viajando, saindo, compartilhando minha casa, meus segredos... É inevitável que isso aconteça.

Agora nada disso faz diferença. Estava tudo acabado. Tudo não passou de uma mentira. Nada que tivemos foi verdade, tudo que ele me disse era mentira, até mesmo seu nome ele poderia ter inventado!

A briga que ele disse ser por causa do seu pai devia ser por causa dele. Aquela arma não era para protegê-lo, era para matar quem o ameaçasse e agora ele pode me matar quando descobrir que eu sei sobre ele, que ajudei a polícia...

O pior é saber o quanto ele me conhecia, meus pensamentos, meu corpo... Ele sabe quem são meus amigos, meus pais e poderia usar isso contra mim. Isso me fez chorar mais ainda.

Não sei por quanto tempo fiquei chorando dentro do carro, tudo parecia irreal agora. Era ruim demais para ser verdade. É a pior decepção da minha vida.

Desliguei o celular e liguei o carro, dirigi até a ponte que levava ao Bronx. Deixei o carro dentro de um estacionamento perto da ponte e fiquei observando para ver se algum carro estava me seguindo.

Com certeza a polícia estava de olho em mim agora, começariam a me seguir e rastrear. Eles não confiavam em mim, deviam achar que estava acobertando o John, mas eu tinha outros planos.

Coloquei minha arma dentro da calça e a escondi com a blusa. Amarrei meu cabelo e pus um óculos de sol que estava jogado dentro do carro. Peguei todo dinheiro que tinha e a chave do carro e coloquei no bolso da calça. Virei o casaco do lado contrário e o vesti, saindo do carro sem nada nas mãos.

Saí do estacionamento pela porta dos fundos dos funcionários. Estava fisicamente diferente de como eles me viram na delegacia. Como deixei meu carro e meu celular no estacionamento eles demorariam a me encontrar e daria tempo para o que eu queria fazer. Teria meu último encontro com John.

Praticamente parei um táxi me jogando na frente dele.

–Está doida garota? – Gritou o taxista.

Ignorei-o e entrei no carro

–Para o West Side, depressa! – Disse seca.

O taxista reclamou, mas acelerou.

Como estava perto do Bronx os policiais talvez achassem que eu estava indo no trabalho de John. Eu sabia que ele estaria em casa agora.

Pedi ai taxista que me deixa-se na esquina da casa de John, o paguei e saí do carro. Caminhei depressa até a casa dele, tensa... Com medo. Assim que cheguei à porta dele utilizei a chave reserva para entrar.

–Liv! – Disse John aparecendo na sala – Finalmente você decidiu falar comigo! – Murmurou.

Não respondi me virei e tranquei a porta.

–Por que... – Sussurrou John e eu lancei um jarro nele.

Peguei tudo que estava na minha frente e lancei nele, queria destruir tudo, assim como ele fez comigo.

–POR QUE EU? POR QUE EU? – Gritei enlouquecida.

–PORRA! O QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO? – Gritou John.

–COMO VOCÊ MENTIU PRA MIM ASSIM? POR QUÊ? – Gritei e lancei a cadeira do computador nele.

John se jogou no chão e correu na minha direção para me segurar, foi então que eu peguei a arma e atirei aos seus pés. John deu um grito, caindo para trás.

Eu errei. Havia um buraco no piso de madeira agora. John correu para o quarto e eu corri atrás dele.

Quando entrei ele estava segurando aquela arma, apontando para mim, ofegante.

–VAMOS! ATIRE EM MIM! VOCÊ SEMPRE QUIS FAZER ISSO, NÃO É? – Gritei.

–Abaixe essa arma, Liv – Disse nervoso – Eu não quero atirar em você. Abaixe sua arma que eu abaixo a minha.

–Eu não acredito em você! – Disse pela primeira vez sem gritar, as lágrimas caindo sem parar – Você mentiu para mim esse tempo todo! Como você pode? Como?! Você é um animal! Desgraçou a minha vida! E eu não te fiz nada!

–Então você descobriu – Sussurrou chocado.

–A policia descobriu! Acusaram-me de ser sua cúmplice! De ter mentindo no depoimento! Eles podem me prender, John! Você tem noção disso?! – Disse furiosa – Se eu vou me ferrar nessa história, você também vai! – Ameacei.

–Não precisa ser assim! Vamos dar um jeito nisso, Liv!

–Cala a boca! Não diga meu nome com essa boca maldita! Você não tem esse direito! – Berrei com raiva.

–Por favor... Abaixe essa arma – Pediu John tentando ficar calmo.

–Não! Não! Eu vou matar você! Por tudo que você me fez, seu desgraçado!

–Não, você não vai fazer isso, Olivia... Você é uma pessoa boa, tem o coração mais gentil que conheço... Você não pode fazer isso com a sua vida – Disse John sereno, me dando aquele olhar que sempre me dava depois que fazíamos amor.

Aquilo me deixou mais furiosa.

–Você acha mesmo que não sou capaz? – Disse andando até ele – Por que você se aproximou de mim? – Sussurrei.

Essa é a pergunta mais difícil, não sei se quero ouvir a verdade.

–Você é linda, Olivia – Murmurou John – No dia do assalto Jamie mandou todos ficarem no chão e eu fiquei vigiando vocês, então eu te vi... Você estava toda de branco, parecia um anjo – Disse suspirando – Tive pena de você também, você não deveria estar ali, mas quando a olhei melhor vi que você estava nos observando! – Disse surpreso e sorriu ao se lembrar – Você era um demoniozinho, isso sim! Depois iria contar tudo para a polícia, então eu tirei a sua bolsa...

–Era você... – Sussurrei e ele concordou.

–Sim. Quando eu peguei a sua bolsa você não me encarou com medo imediatamente, e sim com raiva! Seus olhos azuis...

–PARE! – Gritei – Você só está mentindo! Enganando-me para que eu pensei que você gosta de mim!

–E você sabe que eu gosto Olivia – Disse secamente, me interrompendo – E eu sei que você também gosta de mim, senão não estaria aqui querendo uma explicação.

–Não! – Neguei fortemente. Não iria admitir isso – Eu só quero saber por que você me escolheu para fazer isso! Havia outras mulheres naquele banco! Eu vou mata-lo pelo que você fez comigo, John Adam! Você não se contentou em saber o quanto aquele assalto me traumatizou, ainda teve que foder comigo!

–Não foi assim! – Negou John e vi que ele ficou com bravo – Eu não a usei muito menos rir de você! Você me atraiu Olivia!

–Eu não acredito em você – Sussurrei.

As malditas lágrimas não paravam de cair. John ficou me olhando triste.

–Desculpe por ter te magoado. Eu não queria que fosse assim– Sussurrou – Eu sei que seria difícil isso não acontecer, mas eu iria te contar no futuro, aos poucos...

–Você iria continuar com essa mentira?! – Disse mortificada.

–Não queria me separar de você, Olivia. Então sim! Eu continuaria a não te contar para tê-la comigo!

–Você é um doente! Um depravado! Um monstro! – Disse cada palavra lentamente, com ódio, e fui me aproximando cada vez mais dele.

John jogou a arma dele na cama a fazendo disparar contra a porta. Dei um pulo por causa do susto e quando olhei para frente John estava com a mão na minha arma, direcionando-a contra seu peito.

Eu estava paralisada, meus dedos congelaram no gatilho, eu poderia atirar...

–Vamos! Atire Olivia! Atire! – Gritou John contra meu rosto.

Comecei a chorar mais ainda, minhas mãos começaram a tremer. Eu queria! De verdade, eu queria! Queria que ele morresse pelo que ele me fez. Quero que ele sinta a dor que eu estou sentindo agora. Mas eu não conseguiria...

–Você não é uma assassina, Liv. Você traz pessoas para este mundo, não as tira dele – Sussurra John – Essa é a diferença entre nós, querida. Você é boa! Boa demais para mim e mesmo assim eu não me afastei, não consegui, não queria. Eu sabia que você não iria me perdoar pelo que fiz, por isso escondi a verdade. Deus sabe que se pudesse voltar no tempo teria te impedido de entrar naquele banco. Você me fascinou desde que olhei para você, Olivia.

Comecei a engolir a seco, nervosa demais para conseguir parar de tremer. John tirou meus dedos do gatilho e tirou a arma da minha mão, pondo-a sobre a cama.

–Eu não consigo acreditar em você... – Sussurrei olhando em seus olhos – Você diz que eu o fascinei, mas deixou colocarem aquela bomba em mim...

–Eu sei – Concordou John tristemente – Não podia fazer nada naquele momento, eu... Eu deixei que o fizessem, eu sinto muito.

Eu continuei a encara-lo. Ele estava arrependido, podia ver nitidamente isso, seus olhos estavam vermelhos, como se controlassem o choro.

John tentou me abraçar, mas eu não permiti.

–Não me toque – Disse com a voz sem vida – Nunca mais quero que você o faça – Sussurrei – Nenhuma de suas desculpas eu posso aceitar, tudo é sério demais, você teve sim escolhas. Mesmo que você goste de mim e que na época não me conhecesse, você escolheu essa vida de crime, de matar, de roubar, machucar as pessoas... E eu fui uma dessas vítimas – Murmurei – Não há desculpas que apague isso, não tem como perdoa-lo.

–Liv, eu...

–Não... Não diga mais nada. Chega disso, de tudo. Esqueça esses quatro meses, esqueça-se de mim. Vou voltar a minha antiga vida e nunca mais quero encontra-lo, John. Posso não ser forte o suficiente para mata-lo, mas outros são – Disse seca e saí da casa.

Ele não me seguiu e eu agradeci por isso. Só precisava voltar para casa agora...

Notas finais
Isaah Marques acertou... Terça eu apareço ;) Aiaia... o que vocês vão achar? O.O Bree