Apaixonada pela minha melhor amiga
1 Capítulo 1
— Brenda tá tudo bem?
— Tô um pouco enjoada, não estou me sentindo bem — disse forçando para abrir os olhos, mas o clarão das janelas me forçou a fechá-los imediatamente.Enxerguei rapidamente a silhueta da minha mãe na porta do meu quarto.Ela se aproximou e sentou na beirada da cama, levando uma das mãos a minha testa. — Me parece que está com febre, vou mandar Liam te levar para o hospital. Liam é o nosso motorista, trabalha para nós há 15 anos.— Não precisa mãe, vou ficar bem. Era cerca de 8:00 horas e o sol brilhava forte lá fora, não via um movimento das folhas das árvores que apareciam na minha janela.— Não vou trabalhar em paz com você assim — Disse procurando seu celular dentro da bolsa.— Não se preocupe comigo, a senhora está atrasada. Não é hoje o dia daquela audiência importante? Ela me olhou em silêncio por alguns minutos e finalmente respondeu:— Sim, é hoje. Promete que vai ficar bem? Seu pai volta hoje a noite de viagem, quero fazer algo especial pra ele.— Eu vou mãe, aliás tenho quase 20 anos — respondi desabando novamente na cama.Ela me deu um beijo na testa, forçou um sorriso tentando não demonstrar a preocupação que sentia e saiu com seu salto super barulhento. Cada passo era uma fisgada na minha cabeça.Minha mãe, Angelina e meu pai Derek, se casaram aos 18 anos. Ela é advogada e bastante reconhecida na profissão. Meu pai é empresário de alguns cantores famosos, por conta disso costuma viajar bastante.Tenho uma irmã que já é casada e mora em outro estado, não nos vemos muito, mas sinto muito sua falta, ela se mudou quando eu tinha 15 anos, nunca se deu muito bem com a minha mãe.Moramos em um condomínio de luxo na Califórnia, mal conheço meus vizinhos e também não faço questão, são um bando de risquinhos com nariz em pé.Daqui uns dias irei começar minha tão sonhada faculdade de moda. Becky minha melhor amiga, vai para mesma faculdade que eu, mas vai cursar veterinária, nos conhecemos no colégio e ela sempre esteve do meu lado, inclusive na fase mais difícil da minha vida quando minha irmã saiu de casa, ela passou várias noites me consolando e chorando comigo.Levantei cerca de 1:00 PM, coloquei um roupão e fui até a cozinha preparar um chá. — Boa tarde flor do dia — disse Sandra, nossa empregada, sempre carismática.— Oi — respondi tão baixo que fiquei na dúvida se ela tinha escutado.— O que houve? Me parece abatida! — perguntou me examinado.Sentei à mesa e peguei o celular.— Não estou me sentido muito bem hoje.— Vou preparar um xarope que aprendi com a minha mãe, vai ficar boa logo — disse confiante, pegando os ingredientes no armário.Sorri e concordei com a cabeça.— Becky esteve aqui mais cedo, disse que estava dormindo, ela não quis te incomodar disse que não era tão importante.— Esteve? — Perguntei surpresa enquanto assoprava o chá.— Esteve, tá tudo bem entre vocês? — Sim... Tá tudo bem sim — Hesitei.Logo em seguida procurei seu nome na lista de contato e efetuei a chamada mas ela não me atendeu, fui até o jardim, longe de qualquer pessoa e deixei uma mensagem de voz."Oi Becky. Sei que deixei várias mensagens pedindo para que viesse aqui e você não respondeu nenhuma, mas sei que atendeu meu pedido e veio até aqui. Preciso muito falar com você, me retorna quando puder" Feito isso, segurei o celular sobre meu peito e encarei a água do chafariz onde havia o brasão da minha família bem no centro, porém meus pensamentos estavam muito longe.— Senhorita Brenda? Senhorita Brenda? Estava tão distraída que só pude notar a presença de alguém quando senti um leve toque em meu ombro.— Me desculpe Liam, estava distraída. — Não se desculpe — disse segurando seu chapéu — sua mãe pediu para que eu a levasse ao hospital.Pensei por alguns minutos e propus outra coisa.— Já estou me sentindo bem melhor, mas não dispenso seus serviços. Gostaria que me levasse até a casa da Becky.— A senhorita quem manda, vou ajeitar o carro — Disse procurando as chaves no bolso.— Vou me trocar e volto em um minuto.Becky e eu não costumamos brigar, em todos os anos de amizade acho que isso aconteceu cerca de duas vezes. Mas dessa vez eu errei e entendo ela estar tão brava.Tudo aconteceu há dois dias, quando organizamos uma festa para reunir nossos colegas do colégio, pois muitos vão para outros estados devido a faculdade, então decidimos fazer uma espécie de despedida. Já tive problemas com álcool quando era mais nova, por conta de alguns problemas familiares, as brigas constantes da minha irmã com a minha mãe, a ausência do meu pai por estar sempre trabalhando, eu sempre fui deixada de lado por esses motivos, foi quando minha fase rebelde tomou conta, não parava em casa, e descontava tudo nas bebidas era o que me fazia sentir melhor momentaneamente, bebia como se quisesse morrer, como se não houvesse amanhã. Certa vez fui levada ao hospital quase entrando em coma alcoólico, foi quando minha mãe me forçou a fazer terapias com psicólogos, cortou todos os meus cartões e me deixava com uma quantia mínima de dinheiro só para sobrevivência.
Desde então não bebi mais e saia com menos frequência, até o dia dessa festa. Eu namorava com o Erick, um garoto do colégio. Ficamos juntos por 3 anos, até que descobri uma traição alguns meses antes da festa. Terminei com ele porém ainda estou sofrendo muito, mas foi na festa que fiz tudo o que não poderia ter feito, e sim ele estava presente.Tive uma recaída e bebi além do que aguentava, Becky sempre ao meu lado tirando o copo da minha mão, foi quando me irritei e joguei bebida nela e falei coisas cruéis na frente de um número considerável de pessoas. Não lembro de muita coisa, são apenas flashes na minha cabeça, lembro apenas de ter dito que ela era chata e estava parecendo a minha mãe e que ela não tinha o direito de tirar o copo da minha mão.Foi quando ela saiu bufando da festa, sem olhar para trás.Lembro de ter sido colocada na cama pelo Erick, mas eu me debatia em seu colo e dizia que o odiava. Depois disso só lembro da dor de cabeça infernal e a vergonha no dia seguinte.Coloquei um shorts jeans, um tênis e uma camisa jeans. Passei a mãos nos meus cabelos enfrente ao espelho afim de deixá-los alinhados e fui ao encontro de Liam.— Menina, vai passar mal com essa camisa — Comentou.— Tem ar condicionado — Respondi entrando no carro. Ele fechou a porta e deu um leve sorriso, em seguida entrou do lado do motorista.Coloquei meus fones de ouvido e ensaiei alguns pedidos de desculpas na minha cabeça, mas nenhum parecia prestar.— Pare aqui, por favor — Gritei.Ele freiou bruscamente. — Você me assustou.— Não foi a intenção ou talvez tenha sido — Falei olhando pela janela já do lado de fora do carro.Entrei em uma cafeteria e peguei algumas rosquinhas preferidas de Becky e o café que ela costumava tomar todos os dias comigo.— Agora estou pronta.Liam me encarou pensativo e deu de ombros.Ao chegar em sua casa disse:— Se eu demorar mais de 15 minutos para sair, você pode ir que depois eu te ligo pra vir me buscar, ok?— Como eu sempre digo, a senhorita é quem manda.Andei até a porta e tomei fôlego antes de apertar a campainha.Sua mãe quem atendeu com um largo sorriso, seus cabelos loiros um pouco menor do que da última vez que a vi.— Oi Brenda, como você está querida? Linda como sempre! — disse receptiva.— Estou bem, obrigada — Falei enquanto entrava.— Becky está no quarto, pode subir, se precisar de alguma coisa estarei no escritório.A mãe da Becky é escritora e estava lutando pelo reconhecimento. Sinto que seu sucesso está por vir, aliás ela tem um enorme talento.Seu pai as deixaram por outra mulher no qual teve dois filhos, não tinha mais nenhum contato com elas, Becky evita esse assunto, isso ainda a magoa muito.Subi lentamente, o arrependimento estava estampado na minha cara.Bati duas vezes na porta.Levou um tempo até que abrisse, ela estava com fones no ouvido, sua cara estava tão séria que me deu medo. Vi essa expressão pouquíssimas vezes, ela é sempre a pessoa que levanta as outras, está sempre de bem com a vida.— Oi — Disse esticando os braços para lhe entregar o café e o saquinho com as rosquinhas.— Oi — Respondeu sem mover um braço.— Posso entrar ou a gente conversa aqui mesmo? — Perguntei com ironia.Ela deu um passo para o lado para que a passagem ficasse livre.Coloquei as rosquinhas e o café em sua escrivaninha e sentei em sua cama, puxei uma almofada rosa e fofinha para o meu colo.— Eu trouxe... pra você... — Gaguejei.— Obrigada — Disse tirando os fones do ouvido.Se sentou no chão, enconstando-se na cama, assim ficando de costas para mim. O silêncio tomou conta por algum tempo até que comecei a falar.— Olha eu sei que eu errei, sei que isso não justifica mas eu estava bêbada e você sabe disso, não lembro de muita coisa. Mas lembro do suficiente para te pedir perdão.— Eu não gostei do que fez comigo, mas o que me deixou mais brava foi por você ter bebido, você tem problemas com isso Brenda. As vezes parece que vive como uma garotinha minada de dez anos de idade. Sabe que me preocupo com você e só quero seu bem...Levantei e comecei a analisar seus livros na estante presa à parede.— Você sabe do meu término recente com o Erick e isso tá sendo difi....Ela me interrompeu instantaneamente.— Erick, Erick e Erick. Parece que seu mundo gira em torno desse garoto ele é um escroto que não te merece, ele te traiu e ainda te fez ter uma recaída, você tem noção disso Brenda? — Desabafou indignada.Foi quando olhei em seus olhos.— Me perdoa? — Você sabe que eu te perdôo. Tinha uma tristeza em seu olhar que eu não sabia o motivo.Me aproximei e abracei forte.— Eu amo você! Ela olhou nos meus olhos e disse: — Eu amo você Brenda. Em seguida escorreram algumas lágrimas de seus olhos.— Qual o problema? — Perguntei me sentando no chão de frente pra ela.— O problema é que eu te amo Brenda, esse é o problema. Eu amo você — Desabafou desviando o olhar para janela.Tentei dizer algo, mas minha voz não saia. Começou a passar muitas cenas nossas na minha cabeça que me fez assimilar suas atitudes com suas palavras.— Você sempre esteve ocupada demais com o Erick para perceber que quem mais te ama sempre esteve ao seu lado e eu fui forte esse tempo todo para esconder meus sentimentos, porque o que importa é sua felicidade mesmo que não seja comigo. Mas eu não estou aguentando mais, não consigo mais esconder isso, não sei como vai ser daqui pra frente, só sei que tinha que falar.Por um impulso eu a puxei para perto de mim e a beijei, foi tão intenso como se nossas almas tivessem se completando naquele momento, mas foi rápido ao mesmo tempo, senti um enjôo súbito e me afastei. — Tá tudo bem? — Perguntou preocupada.Não tive tempo de responder, só corri para o banheiro para vomitar.Ela veio logo atrás de mim e segurou meus cabelos diante do vaso sanitário.Depois de vomitar duas vezes, encostei na parede e fechei os olhos. — Levanta, lava o rosto que cai se sentir melhor — Disse puxando levemente minha mão.— Eu preciso ir embora.— Não pode ir assim, você não está bem. — Liam vem me buscar, eu vou ficar bem. Não se preocupe comigo — Disse enquanto abria a porta do quarto.Enquanto descia as escadas olhei para trás, e ela estaca ali na porta do quarto sem entender o que exatamente tinha acontecido.Abri a porta rapidamente e me deparei com Liam me esperando. — Por que ainda está aqui? — Notei que não está muito bem hoje, então decidi esperar. Eu sorri e entrei no carro.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.
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