Apaixonada Por Um Morto-Vivo
15 Capítulo 15
Notas iniciais
Ok, o que acabou de acontecer? Aquilo foi um ataque de ciúmes de Tina ou ela só estava expressando alguma raiva guardada? Ela não sabia. Não conseguia de nenhuma forma compreender o seu próprio comportamento.
Eu tô ficando doente.
Ela pensava enquanto tomava grandes goles do uísque do seu pai que ela colocara num cantil de prata pura. Era mais um dia nublado e frio, a respiração da garota estava pesada e a fumaça saía de suas narinas e boca por conta do clima gélido. Sentada em um dos bancos na frente da Floresta Proibida — era assim que a diretora do colégio apelidara a pequena, porém densa, floresta que se ligava aos fundos da escola, separadas somente por uma grade enferrujada e um cadeado fuleiro, justamente para que os alunos não ultrapassassem os limites.
Estava ali pois sabia que seria o último lugar que alguém a procuraria, caso qualquer pessoa fosse realmente procurá-la. Tentava organizar os pensamentos, mas estava muito irritada com o episódio anterior causado por ela mesma. Mas também, que ideia! Onde Stoll estava com a cabeça? Uma ora, era o senhor Certinho e careta, outra ora era o garanhão de patricinha? Isso deixou Tina bem confusa.
Nem sentiu quando um homem sentou do seu lado.
—- Sabe, eu gostei daqui – ele tinha a voz grossa.
Tina se assustou e virou o rosto para ele.
—- Você tá aqui há muito tempo? — Ela perguntou.
Ele sorriu. Tinha um sorriso tão gostoso.
—- Não. Dia ruim?
Tom tinha um espírito leve, mas alguma coisa nele cheirava a canalhice. Tina gostava.
Lembrou-se de uma frase que viu numa série antes de responder:
—- Século ruim.
Os dois riram.
—- Por que uma garota como você estaria aqui sozinha? Quem foi o babaca?
—- O que você quer dizer com ‘’uma garota como eu’’? — Tina imediatamente se interessou.
Já tinha achado o professor de matemática um gato e agora estava sob efeito de um bom uísque. Não ia prestar.
—- Uma garota tão bonita e interessante como você — ele foi bem direto, disse isso olhando fundo em seus olhos azuis.
— Acho que a babaca fui eu mesma — Tina sustentou o olhar junto com o professor.
Por um momento, Stoll, Alícya e toda a confusão desapareceram de sua vista. Só existia um fogo crescente dentro dela. E pelo que ela conseguia perceber, dentro do professor também. Eles ficaram um tempo se comendo com os olhos e Tom tomou a iniciativa.
—-O que será que tem além desse portão enferrujado? —Disse, abrindo facilmente o tal cadeado.
Olhava para Tina como se estivesse esperando que ela o seguisse.
—-Eu não iria aí se fosse você... —ela soltou, meio receosa.
—-Medo...?
Tom foi exatamente no ponto fraco de Tina. A garota gostava de pensar que era durona, corajosa e aventureira. Além de tudo, não seria uma delícia transar com seu professor no meio de uma floresta proibida, sem que ninguém pegasse os dois? Tudo era convidativo para que isso acontecesse.
O homem também era muito esperto nesse quesito. Claro que Tina não seria a primeira menina nova que caía em seu charme, entretanto ela estava indo por vontade própria. Ele não fez tanto esforço como normalmente.
Ela guardou o objeto de prata no bolso da jaqueta de couro e caminhou decidida até Tom. Passou por ele e adentrou a floresta, não deixando de encarar o homem notoriamente mais alto que ela, contendo uma expressão de satisfação.
—-Boa garota... — tinha um quê fortíssimo de malícia em sua voz.
Ele a seguiu mato adentro.
*********************************************************
Claro que a garota de cabelos azuis já havia estado ali naquela floresta. Inclusive, já fora pega fumando ou bebendo pela própria diretora Chloe. E como a mesma já havia dado aquele tenebroso recado para que Tina andasse na linha junto com Lanna, ela se sentia um tanto receosa. Porém, seu professor estava ali, acompanhando-a, incitando-a, e isso era totalmente perigoso e excitante. Adrenalina nas veias, esse poderia ser o lema dela.
Ela continuou desbravando a floresta na frente do professor. Andava como se soubesse para onde estava indo. De fato, sabia.
—-Acho que aqui já está bom, gatinha —Tom disse, já estranhando a distância.
—-Se você me fizer gritar, alguém pode nos ouvir —Tina foi mais sincera possível e continuou andando.
Ela sabia que Tom estava adorando aquilo. E ela mais ainda.
Finalmente chegou embaixo de uma grande árvore com sugestivo tronco deitado na frente dela. Havia uma caminha de folhas.
—-Isso é proposital? —Tom perguntou, safado.
Tina deu de ombros, mordendo os lábios. Não, não era proposital. Não para ele. A adolescente caminhava até ali quando queria matar alguma aula chata, deitava, acendia seu cigarro e ouvia uma música. Às vezes com Lanna, às vezes sozinha. A maioria dos momentos, sozinha.
Foi pra cima de Tom, beijando sua boca com força. Era uma briga de quem colocava a língua mais fundo. A boca dele era quente e sua barba malfeita arranhava o rosto de Tina. Ele puxou a jaqueta de Tina numa voracidade um tanto surreal. A mão da garota procurava uma fenda no cinto dele, com urgência. Quando foi mesmo a última vez que ela transou com alguém? Nem lembrava. Estava acontecendo tantas coisas em sua vida nos últimos tempos que até se esquecera disso.
Tom puxou para baixo a calça jeans apertada dela, virou-a de costas para ele segurando seus braços. A força nas mãos dele deixava marca de dedos na pele dela.
—-Acho que vou gostar muito disso —ele sussurrou no ouvindo dela, arrastando a barba em seu ombro já despido.
Segurou seu pescoço para que ela ajoelhasse no chão das folhas, até que deitasse. Tina foi obedecendo e deitou-se de bruços. Ele tirou as calças dela completamente. A garota estava despida, somente num conjunto azul de sutiã e calcinha de renda. Tom observou as tatuagens dela espalhadas pelo corpo, beijou sua nádega direita, afastando a calcinha para o lado oposto.
—-Você é bem gostosa.
Tina arfava, ansiosa para que o homem chegasse logo no ponto.
—-Me come...— ela pediu.
Ele abriu totalmente seu cinto e zíper e em poucos segundos seu pênis estava dentro dela. Ela sentiu o calor irradiando do membro e passando para ela. Gostoso! Percebeu que gostava muito daquilo. Os dois gemiam. Tom aumentou as investidas e empurrava seu corpo, pesando sobre as costas da garota. Procurou seus cabelos azuis e enrolou-os nas duas mãos. Ele puxava conforme empurrava. Um pouco forte demais todos os seus movimentos. Tina sentia uma leve dor. Forçava para gemer mais alto, talvez assim ele chegasse ao ápice e parasse de puxar com tanta força.
Realmente o volume que tudo estava, com certeza se estivessem mais perto da escola, alguém os ouviria.
Ele continuou metendo, empurrando e puxando por mais uns 5 minutos. Arfando em cima dela.
—-Eu vou gozar, gatinha — quase gritava.
Com isso, despertou mais um fogo inumano em Tina, fazendo com que os dois acabassem chegando ao ápice juntos. Eles gemeram ainda mais, a respiração pesada. Ele pousou um beijo no ombro dela, colocou de volta sua calcinha no lugar e finalmente saiu de cima dela.
A suspirada dela foi longa. Quando ela levantou, ele já estava de zíper fechado, ajeitando o cinto. Tina colocou sua camiseta, a jaqueta e subia a calça jeans, quando disse:
—-Me dá seu número.
Ele não respondeu. Deu uma olhada para ela com sorriso meio sem graça nos lábios. Tina sentiu a hesitação.
—-Fica tranquilo. Não te mando mensagem quando estiver em casa — ela apontou para aliança em seu dedo e piscou para ele.
Sacou do bolso da jaqueta o cantil com o uísque e deu uma boa golada. O líquido desceu rasgando, ainda assim ela não fez uma careta.
—-Eu adoraria beber isso aí, mas ainda vou dar aula... —ele arrumou uma caneta vermelha de correção de provas do bolso de sua calça e pegou a mão de Tina. —O hálito. — E riu.
Anotou uns números na mão da garota e guardou de volta a caneta.
—-Isso foi muito gostoso — Tina analisou o número do celular dele na própria mão.
—-Me liga quando quiser de novo —Tom pediu, passando a mão nos cabelos.
Ele estava impecável, como se tivesse acabado de dar uma aula curta. Deixou um beijo seco nos lábios de Tina e se virou para voltar ao colégio.
A garota esperou que ele sumisse da sua vista e começou a caminhar o mais lentamente possível de volta também.
Isso foi bem gostoso mesmo.
Ela insistia em pensar nisso. Havia sido só mais um sexo rápido e normal com o qual ela estava acostumada. Eram sempre todos iguais, meio brutos, às vezes violentos, quentes e rápidos. Sem sal, no fundo.
Tina atravessou o grande portão de ferro, passou o cadeado, continuou andando em direção a saída do colégio fechando sua jaqueta e deu de cara com um Stoll impassível.
Ele encarava ela, do lado do portão de entrada/saída, encostado. Os braços cruzados. Ele só vivia nessa posição ou o quê?
Tina passou por ele sem nem sequer dar uma confiança para sua presença pertinente ali. Stoll segurou seu braço com muita força. Muita mesmo.
—-Me solta. Tá maluco? — Ela quase gritou com o susto e a pressão.
—-O que deu em você? Tem ataque de ciúme e depois sai se oferecendo para qualquer homem?
—-Ataque de qu... Tá maluco, cala essa boca — Tina começou a sussurrar, tentando puxar o braço da mão incrivelmente resistente de um Stoll irado.
—-Quer me explicar o que aconteceu?
—-Você é meu pai, agora? Me solta.
—-O que está havendo aí?
A diretora Chloe vinha batendo seus saltos finos no chão que ecoava pela entrada da escola. Tina odiava aquela mulher.
Stoll soltou o braço dela e encarou a diretora.
—-Vocês estão bem? —Pela primeira vez, a morena preferiu esperar a resposta de Tina. Parecia realmente preocupada.
—-Sim, senhora —Stoll se adiantou.
Chloe ainda esperava que Tina se posicionasse.
A garota deu de ombros e encarou Stoll.
—-Não quero voltar a ver essa atitude, senhor Delanotte — a diretora colocou a cabeça para fora dos muros da escola, como que procurando por alguém, virou as costas e voltou para dentro com o barulho ensurdecedor e totalmente irritante dos sapatos.
—-Ainda estou aguardando sua explicação, senhorita.
Tina ficou cara a cara com Stoll. Um podia sentir a respiração forte do outro.
—-Eu não te devo nada. E já mandei não me chamar mais assim.
—-Isso se deve ao fato de eu ter me referido à outra garota assim?
Tina bufou.
—- Vai pro inferno!
Ela foi em direção à sua moto. Acendeu um cigarro, subiu e arrancou, perdendo de vista o garoto e seu estranho comportamento.
Fale com o autor