Notas iniciais
Oiiiiii. Depois das mini férias ( fim de semana ), estou de volta com mais um capítulo. Vejam como Tina ficou depois do episódio com Stoll. Boa leitura!

Passou o sábado inteiro na cama. Já que sua cabeça não descansou a madrugada toda com os pensamentos pertinentes, ela alternou o dia entre cochilos e séries.

Lanna havia ligado para Tina pelo menos umas quatro vezes. E Linden duas. A garota não queria atender. Queria ficar na depressão profunda em que Stoll a deixara.

Puro drama.

Na quinta chamada, ela pegou o telefone.

‘’—O que foi?’’

‘’—Como assim ‘’o que foi?’’ ? Tá ficando maluca? Tô te ligando desde cedo. Cadê você?’’ —Lanna estava irritadíssima. Odiava quando a amiga não atendia suas ligações e sumia daquele jeito.

Tina suspirou antes de responder.

‘’—Tô morta.’’

‘’—Tá, para de drama! Vamos sair hoje. Eu, você e Linden. Beber e dançar. Estamos aí às 23h.’’

Tina afastou o telefone do ouvido e viu a hora. 22h01

‘’—Mas eu nem quer...’’

Antes que pudesse terminar, Lanna correu.

‘’—Você já está atrasada!’’

E desligou. Tina bufou. Apertou um travesseiro no rosto e quis sufocar.

Que saco! Ninguém respeita meus momentos.

O fato era que as amigas andavam meio afastadas e Lanna sentia saudades verdadeiras da amiga. Tina sentia também, porém procurava não ligar para isso. Se achava autossuficiente. Realmente, não estava bem com tudo que havia acontecido. Ela e Stoll não trocaram mais mensagens depois da conversa da madrugada. E a garota de cabelos azuis esperou ansiosamente que ele desse sinal de vida. Algumas vezes, ela ia até a porta de vidro da sacada e espiava pela fresta de cortina se a luz do quarto do rapaz estava acesa, ou se havia alguma movimentação. Não viu nada durante o dia todo. Aquilo era agoniante. Ele sabia ser distante quando queria. Talvez estivesse só dando espaço para ela. Tina, entretanto, sabia que o tinha magoado, de alguma forma. Mas e os sentimentos dela?

Arrastou-se para baixo do chuveiro e demorou na ducha quente, tentando fazer com que aquele clima pesado que estava nela escorresse junto com água para dentro do ralo e sumisse.

Saiu nua, de toalha no cabelo, como gostava de fazer. Abriu seu guarda-roupa, sacou a langerie mais sexy que conseguiu, nas cores vermelha e preta. Após vestir, escolheu sua roupa. Calça jeans azul bem apertada que realçava sua bunda, até mais do que tinha, jaqueta jeans na mesma cor e por baixo um cropped branco. Lançou uma bota branca cano curto nos pés e perdeu o resto do tempo se maquiando. Passava babyliss no cabelo quando Lanna enviou uma mensagem de texto avisando que já estava entrando na rua dela, com o irmão.

Tina aproveitou para descer as escadas logo e esperar na porta. A casa estava escura, reparou, e seus pais não estavam em lugar algum. Nada fora do comum. Apesar de passar o dia trancada no quarto, sem nem sair para comer, seus pais não bateram à porta para saber, se quer, se ela estava viva. Normal.

Saiu porta afora. A noite estava bastante fria. Encolheu os ombros e abraçou os próprios braços. Guardou a chave no bolso da jaqueta com cuidado. Lembrou-se de que, da última vez que saíra assim, perdera suas chaves e acordara no quarto misteriosamente, depois de ver Stoll, é claro.

Stoll. De novo.

Olhou para os lados da rua. Nem sinal de Lanna ou Linden. Avaliou a casa em frente.

Apagada. Sem um vento. Tina sentiu crescer uma coragem repentina dentro dela e avançou, atravessando a rua com determinação. Deu dois socos na porta e esperou.

Mantinha uma expressão de firmeza e cabeça erguida até de mais. Cruzou os braços e aguardou.

Uma mulher atendeu à porta.

—-Oh, Tina!

A tal Vídia, tia do garoto, disse.

Merda! O que eu tô fazendo?

—-Hum... boa noite! —Ela ficou completamente sem jeito. Esperava que Stoll a recebesse. —O Stoll tá em casa?

A tia sorriu. Ela tinha um sorriso largo e olhos muito pretos. Chegava a ser esquisito.

—-Oh, não. Sinto muito, querida. Ele passou o dia fora. Talvez passe a noite também. A propósito, você está muito bonita.

Bom, pelo menos era simpática. Ou forçada? Tina não conseguiu entender como falsidade, mas como poderia saber?

Então, é assim que ele quer que eu o respeite? ‘’Talvez passe a noite fora.’’? Eu sou mesmo uma burra. Foda-se.

Com isso, Linden buzinou com um carro em frente à casa dela. Lanna botou a cara para fora da janela, no banco do carona, com as sobrancelhas franzidas em desentendimento.

—-Valeu, eu já vou indo... —Ela deu um sorriso amargo.

—-Uma boa noite, querida — Vídia sorriu e fechou a porta lentamente.

Tina ficou uns dois segundos parada, vendo a porta fechada.

—-Qual é, vai demorar? —Lanna gritou de dentro do carro.

A garota de cabelos azuis caiu em si e entrou no veículo.

—-Que carro é esse?

—-Gostou do meu bebê, gatinha? — Linden falou, entusiasmado. — Consegui descolar um pra mim, finalmente. Gastei todas as minhas economias, mas valeu a pena.

Tina havia gostado, certamente.

—-Você tá uma gata! Partiu? — Lanna elogiou.

—-Vamos! —Lindei gritou e saiu cantando pneu.

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Sentadas no bar de uma balada nova, as amigas conversavam enquanto Linden havia ido ao banheiro.

—-AAAAAAAAAAAAA! — A ruiva gritava, batendo palmas.

Somente as pessoas mais próximas olharam para ver o que estava acontecendo. O ambiente estava bem cheio. A noite estava apenas começando. A música alta fazia com que, efetivamente, todos precisassem falar além do volume normal. Porém, Lanna havia gritado, com seu jeito espalhafatoso de ser.

—-Eu. Não. Acredito. Que. Você. Quase transou com Stoll, bem no seu quarto — ela pausou a fala, ainda com dificuldades em manter um tom que as pessoas não prestassem atenção.

Já bastava que as duas garotas chamavam bastante. Uma por ser ruiva e muito bonita e a outra além de bonita, ter cabelos azuis.

—-Cala essa boca —Tina olhava ao redor. —Enfim, nada aconteceu e ele não quis transar comigo, de qualquer forma...

—-Como assim ‘’não quis transar com você’’? Quem, nesse mundo, não quer transar com Tina Black?

—-Te apresento: Stoll — a garota debochou. —Ele descobriu que transei com o professor de matemática. E eu não sei como, porque...

—-Para tudo!!! Você o quê?

Lanna não parava de gargalhar e comemorar. Mas Tina não conseguia entrar na mesma vibe que ela.

—-Você transou com aquele pedaço de mal caminho do Tom? Quanto tempo ficamos sem nos falar?

A ruiva aguardava a resposta dela.

Tina bufou.

—-Olha, aconteceu muita coisa comigo. Mas não quero ficar falando disso. Só disse o porquê de ter ficado trancada no quarto o dia todo e não ter atendido suas ligações —ela pôs um fim no assunto. Com certeza, Lanna não sossegaria até chegar ao final e saber tudo.

—-Ok. Por ora, me basta. Mas, vou amanhã na sua casa pra gente conversar. Melhor, eu vou dormir lá hoje com você.

—-Você quer buscar a Lassie?

Lanna lançou a mão no ar, com descaso.

—-Relaxa, minha mãe tá em casa esse fim de semana, e o Linden também vai pra casa. Nós duas temos muito o que conversar —disse isso em tom de segredo.

—-Eu só queria deixar tudo isso de lado um pouco...

—-Você tá com sorte hoje. Linden não para de falar de você em casa. Dá uma chance pra ele —Lanna deu um empurrãozinho leve no braço da amiga.

Linden quer sair comigo?

Lembrou-se de Stoll mais uma vez.

‘’Não tenho intenção de me entregar para alguém que não será minha.’’

‘’Stoll passou o dia fora. Talvez passe a noite também.’’

Palhaçada. Foda-se tudo.

Nesse momento, Linden voltou do banheiro. Aquele cheiro típico dele, de homem, era bem forte. Viciante. Tina virou seu copo de uísque com um só gole e disfarçou a careta. Lanna fez o mesmo.

—-Opa, vamos dançar minhas garotas —o moreno puxou as duas pelas mãos.

Começaram a dançar os três ao som de Bed, Jacquees. Os garçons não paravam de passar por entre a pista, oferecendo copos de uísque, vodca, cerveja e água. Os três amigos viravam tudo que vinha com álcool. Dançando uma, duas, três, dez músicas. Em menos de uma hora, estavam suados, roupas coladas no corpo, cabelos pingando. Lanna se distanciou, foi ao banheiro acompanhada por um homem barbudo qualquer.

Tina e Linden seguiram dançando. Os dois bem próximos por causa da aglomeração, as luzes piscavam coloridas, música explodia pelos ouvidos e a batida do coração era ritmada junto com a batida das caixas de som. Era difícil enxergar. Muita gente empurrando. Os corpos dos dois adolescentes não conseguiam manter uma distância de um centímetro. De repente, estrondou Lessons in Love, TGT, e Tina sentiu-se entrando em frenesi.

Tombou a cabeça para trás e sorriu largamente, de olhos fechados.

—-O que foi? —Linden gritou em seu ouvido.

—-Eu amo essa música. —Agora ela encarou bem os olhos dele. Parecia ter várias cores ao mesmo tempo, por conta do jogo de luz que brincava sobre todas as pessoas ali no recinto.

O casal se encarou por um tempo. Bêbados, suados, dançando, felizes. Tina reparou em como ele era forte e bonito. A boca dele, olhando por aquele ângulo, era rosa e mais apetitosa ainda. Linden fez o favor de passar a língua pelos lábios, aproveitando-se da situação. Sabia que Tina estava perdida e encantada ao mesmo tempo. E ele já estava louco por ela desde que a conhecera, à espera de uma oportunidade da parte da adolescente rebelde. Deu espaço o suficiente para que ela pensasse nele da forma que ele pensava nela. Mas não queria mais esperar. Era agora.

Tina colocou seus braços no pescoço molhado do rapaz, fazendo com que ele abaixasse o rosto para ela. Fechou os olhos antes da garota e se preparou.

Ela, por sua vez, se deliciou com a respiração quente dele em cima do seu rosto. Ele era todo quente. A camisa dele estava encharcada, pôde sentir. Aquela boca... Essa era a diferença. Ele era quente demais. Stoll era o contrário. Frio, muito frio. Como seria beijar Linden, depois de ter beijado Stoll?

—-Stoll...

—-O que disse?

Opa. Falou alto, sem perceber. Não tinha só pensado?

Repentinamente, Linden foi parar pelo menos meio metro longe dela, com grande brutalidade.

Notas finais
E então? Grande momento. Tina e Linden? O que será que aconteceu? COMENTEM!!! Sem lista de personagens.