Apaixonada Por Um Deus
2 Capítulo 2 - Isabelle Duncan
Notas iniciais
- Ai! – Camila gemeu esfregando atrás do pescoço – O que foi isso?
Gwen, Sam e eu ríamos da expressão de surpresa dela. A ideia da bola de neve havia sido de Gwen e eu havia concordado com a brincadeira apenas pelo simples fato de que eu também não resistia à tentação de jogar uma bola de neve em uma pessoa totalmente desavisada.
Camila nos lançou um olhar fulminante, abaixou-se, pegou um punhado de neve, moldou em uma bola e jogou diretamente na minha direção. Mas antes que a bola de neve pudesse me acertar, eu abaixei. Ela passou no lugar exato em que segundos antes a minha cabeça estava e acertou em cheio o rosto da Gwen. Sam, Camila e eu começamos a rir instantaneamente e Gwen nos encarou com um olhar chocado.
— Ah, vocês acham engraçado, né? – ela perguntou pegando um punhado de neve no chão e antes que Sam se tocasse, uma bola de neve já havia acertado a sua cara.
Nós todas começamos a rir e a próxima a levar uma bolada de neve na cara fui eu, pois estava ocupada demais rindo para ver o que Sam fazia.
Fazia mais ou menos uns 12 anos que eu não brincava assim, pois de acordo com os murmúrios que eu ouvia desde os cinco anos, das crianças da escola em San Francisco, “eu era uma garota muito esquisita”. Não era culpa minha se a minha mãe tinha sido morta na minha frente e eu achava que a culpa era minha! Ninguém queria brincar comigo ou conversar, exceto uma garotinha loira na alfabetização. Mas ela era uma meio-sangue e todo mundo achava ela esquisita, então nós meio que sofríamos a mesma coisa. Annabeth Chase... E pensar que ela cresceria e se tornaria a arquiteta do Olimpo! Enfim...
A brincadeira estava tão boa, que acabamos nos dividindo em dois times. “As ruivas” (Gwen e Sam) contras “as que não eram ruivas” (eu e Camila). Fizemos um muro improvisado com nossas malas de cada lado do “campo” e cada time armou sua estratégia para vencer do outro. Nós ríamos, fazíamos algazarra e atirávamos bolas de neve umas nas outras, até...
— Que algazarra é essa aqui na frente da minha... – meu pai começou aparecendo de repente na porta e eu sorri para ele. – Lana!
Assim que ele me viu, correu na minha direção, sem se importar com o fato de estar usando apenas uma calça de moletom cinza, uma camisa branca sem mangas e chinelos. O abraço que ele me deu foi tão forte e entusiasmado que eu quase caí para trás.
— Está tudo bem com você? Está machucada? Alguém a feriu? – ele perguntou se afastando, mas segurando os meus braços e examinando-me por completo.
— Calma pai! – eu disse rindo – Estou ótima! Por que tanta preocupação? Eu sei me cuidar!
— Você é minha única filha, Lana! Nunca pergunte por que me preocupo! – ele retrucou puxando-me para mais um abraço
Por cima do ombro do meu pai, vi Gwen, Sam e Cam sorrindo para mim. Agora o casaco de pele de Sam, que antes era marrom, agora estava quase todo branco, assim como o cabelo negro de Camila que ela havia prendido em um rabo de cavalo de lado. Gwen era a que parecia ter levado a melhor. O único vestígio de neve que havia nela estava localizado nas costas de seu casaco azul.
Quando meu pai finalmente me soltou, foi que pude ver que meu pai havia deixado à porta de casa aberta e que agora a neve estava tomando conta do pequeno hall de entrada.
— Pai... Duas coisas. – eu disse fazendo sinal para que Sam e Camila se aproximassem – Primeira: Essas são Samantha Nichols e Camila Caster. São minhas amigas de Hélade e as garotas de quem eu lhe falei naquela Mensagem de Íris. Segunda: O senhor deixou a porta de casa aberta e tenho certeza de que a Sra. Duncan não ficará nada feliz em ter de tirar toda aquela neve de lá.
— Como você sabe sobre a... – ele começou, mas eu o interrompi.
— Que tal nós tomarmos um chocolate quente enquanto falamos sobre isso, hein? Venham meninas!
— Eu bem que queria, mas tenho de voltar para casa. – Gwen disse se aproximando de nós – Mais tarde eu venho aqui para ver como vocês estão. Tchau, tchau!
Demos tchau para ela também, pegamos nossas malas que agora estavam cheias de neve e entramos na minha quentinha e adorada casa.
~//~
— Não entenda mal, querida. Eu não quero tomar o lugar da sua mãe. Eu nunca... – Isabelle Duncan dizia enquanto eu a ajudava a secar o hall de entrada.
Ela insistira para eu chamá-la apenas pelo primeiro nome ou apenas de Belle ou Isa e não de Sra. Duncan ou de Dona Isabelle. Era difícil para mim se acostumar com isso. Desde pequena eu fui ensinada e educada para chamar as pessoas que fossem pelo menos 20 anos mais velhas que eu de Senhor ou Senhora, então era um tanto estranho chamar uma mulher de 30 e poucos anos apenas de Belle ou Isa. Mas no fundo eu a entendia. No palácio do meu tio em Hélade, eu só era chamada de Srta Shane ou de Lady Lana e isso me irritava muito. Até eu enfiar na cabeça dos empregados que eles podiam apenas me chamar de Lana, demorou muito. E ainda havia aqueles, que vira e mexe me chamavam de Rose, pois esqueciam de que mesmo sendo muito parecidas eu não era a minha mãe.
— Eu confio na se... Em você, Belle. – eu disse interrompendo-a e forçando-me a não chamá-la de senhora. – Além do mais, meu pai merece se apaixonar de novo.
— Como pode confiar em mim se nem me conhece? – ela perguntou encarando-me com seus olhos acinzentados parcialmente cobertos pela mecha de cabelo cor de mel que caía no seu rosto.
— Por que uma vez, uma pessoa me disse que filhos ou servos de Atena e Ares, apesar de durões, sabem amar. Então se você escolheu o meu pai, é porque realmente gosta dele. “Nós fazemos de tudo para manter nossas paixões e amores a salvo, não importando a circunstância.”, foi o que essa pessoa me disse.
— Foi alguém por quem você se apaixonou?
— Não. Foi meu primo Oliver. Na verdade ele disse isso mais para a namorada dele do que para mim, mas ele estava conversando comigo, então...
— Sábias palavras.
— De um servo de Atena.
— Ele servia a minha mãe?
Fiz que sim com a cabeça e sorri para ela.
— Vocês chegaram cedo. – ela disse finalmente levantando-se do chão e estendendo a mão para mim para me ajudar a levantar também – Eu e o Ryan achamos que vocês só iam chegar lá pela tarde. Ele pensou em fazer um bolo para dar as boas vindas a vocês, mas nem sei se ele vai fazer mais.
— Se ele não fizer, eu faço. – respondi – Os helenos não conhecem muito bem o prazer de comer chocolate.
— Então eles estão perdendo a oitava maravilha desse mundo!
— Concordo com as duas! – Cam disse surgindo do nada – Eu também amo chocolate, apesar de ser helena.
— Está viajando nas sombras, querida? – Belle perguntou
— É. – ela respondeu – Aqui na Terra é bem menos desgastante fazer isso. Enfim... O Sr. Johnson pediu para eu avisar a vocês que o almoço está na mesa. Se eu fosse vocês eu ia logo comer, porque senão a Sam vai comer tudo.
— Ah! Ela não vai comer não! – eu disse correndo para a sala de jantar.
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