- NOSSA, 22 ? — dizia Ana com um espanto enquanto eu sorria que nem uma boba.

- Sim ué, não parece ? — Óbvio que não, parece ter bem menos. Ele é tão baixinho... Sabe o que é mais engraçado nisso tudo?

- Acho que... — Você disse que não gostava de caras baixos — ela me interrompe na maior cara de pau — que os altos e magrelos faziam seu tipo, e olha só, você aí, toda apaixonada por ele!

- Nada haver Ana! Ele é magro, só não é tão alto assim... Olha só que blusa lindaaa! — tento mudar de assunto eu sabia que se continuasse a dialogar e expor meus argumentos sobre o peso e a altura dele, ela venceria. Ah, desculpe. É típico das taurinas preferirem começar as coisas do meio ( essa frase ficou confusa ). Acontece que eu nunca sei como começar uma história, sempre preferi os finais, lá é onde tudo se resolve e tudo tem um ponto final.

Assim como os meus relacionamentos, eles nunca duraram muito tempo. Começo, meio e logo, logo vinha o fim. Depois de passar muito por relacionamentos fracassados iguais ao que tive, como quando namorei o Fabrício e ele me traiu, ou quando eu e Artur brigamos feio alarmando toda a vizinhança...

Resolvi não me apaixonar mais. Daqui pra frente vai ser tudo Good Vibes. Certo dia fui a uma universidade que ficava bem pertinho da minha casa, eu iria encontrar a Ana e a Bia na biblioteca.

Elas eram/são minhas melhores amigas, somos carne e unha, amigas inseparáveis, sabe?! Nós estávamos na biblioteca quando olho para a porta e o vejo o amor da minha vida! Nossa Bruna, que coisa mais cafona e exagerada, MUITO exagerada.

- Olha só que coisa mais linda! — afirmo com os olhos cheios d'agua de tanta emoção, nossa, era o meu homem, tá, tá, não era pra tanto.

- Esse de camisa preta? -pergunta Bia.

- Sim! -Ah, tu não lembra dele não menina? Ele já estagiou na nossa sala.

- O que ? ? ? Como assim? ? ?

- Ele deu uma aula sobre a lua e as estrelas lá, não me lembro muito bem! — como elas poderiam lembrar dele e eu não? Minha memória era tão fraca assim?

Fiquei por um bom tempo observando ele. Quando notei algumas características físicas (incríveis) nele, ele usava um anel igualzinho o meu, o cabelo encaracolado, parecia um anjo, era lindo, completamente lindo! — Ahhhh, lembrei, lembrei!

Deixe-me contar como foi. Era uma quarta a tarde quando fui para a escola e ele já estava lá, sentando em um banco no meio do patio enquanto conversava com um amigo, com o braço cheio de pulseiras e uma garrafinha na mão, ele demonstrava um pouco de nervosismo ou talvez ansiedade. Ele seria o responsável pela nossa primeira aula do dia, estava ansiosa para ver sua desenvoltura enquanto brilhava na frente de todos. (meu Deus como sou exagerada)