Apaixonada? Até parece

9 Assumindo a culpa (que não é toda minha... só um pouco)


Notas iniciais
Natty falando/ escrevendo, Ohaiõ! O/ Boa leitura, minna-san!

::Daniela::

Estava admirando as estrelas — falta do que fazer! (ironia on) -, estou sendo sincera agora! Eu observava aquelas luzes e pela primeira vez, serena. Eu respirava fundo e coisas sem importância passavam pela minha mente.

Eu sei que todos que param para assstir meu comportamento, me veem como alguém hiperativa, idiota e estressada, mas vejam bem, também pertenço a uma natureza calma ou como preferir: meus colapsos de consciência à noite.

Adoro o céu noturno, raramente o contemplo, mas nas poucas vezes, anoto cada detalhe. Principalmente, a lua. Tão formosa, tão bela, enfeitando o nobre céu escuro.

E essa é uma das razões que eu admiro o sol e a lua. O sol também, intenso, único.

Meus pensamentos estão bem mais calmos comparando-os com meu comportamento dessa manhã.

Tão alheia a tudo que quase pulei de susto ao ver Justin se levantar bruscamente. Estranho.

– Daniela, vamos — diz sério.

Não entendi.

Oi?

Aqui está tão calmo, nem roubaram o celular dele ainda.

Fitei aqueles olhos que me lembram caramelo e um grande ponto de interrogação pairava sobre mim.

– Embora. — responde como se fosse a coisa mais simples e óbvia, e eu, uma estúpida.

– Não estamos perdidos? — "será que você não percebeu que eu não estou a fim de ir?".

Outra coisa estranha: Justin, por uma fração de segundos, fechou os olhos com a testa franzida (nervoso?), os braços cruzados e um longo suspiro se seguiu.

– Antes da bateria se esgotar eu pesquisei onde estávamos. Agora se levante e vamos, Daniela. — Dani? Ruivinha? O que eu fiz para ele? Tá, sei, muita coisa. Mas ele nunca demonstrou estresse.

A contra-gosto, me levanto e bato as mãos na roupa para tirar o excesso de areia e poeira e, sem me esperar (indelicado, mas espera, ele não é nada meu, muito menos um príncipe) começou a andar a passos largos a minha frente (não disse? Pelo menos um pouco de educação, pessoas normais aguardam seus supostos acompanhantes).

Deixa pra lá.

Tentando segui-lo, levando em consideração que minhas pernas são curtas, Justin permanecia a frente. Se eu me inclinasse um pouco (do outro lado da calçada), poderia ver sua carranca. Sim, carranca.

Normal me incomodar? Nunca me importei com ele, ué.

Pergunta? Não! Sim! Melhor não... Ou será que sim... É uma boa ideia? Ele vai me xingar?

Ah, quer saber? Dane-se.

– Justin... — o chamo meio apreensiva. Aliás, é só uma pergunta, não?

Outro suspiro.

– O que foi, Daniela? — O que ele tem contra meu nome?

Coragem.

– Está... — como é que se fala mesmo? — tudo bem? — ufa!

Dessa vez quem suspira sou eu e sigo atrás dele. De repente meu corpo bate com uma barreira, no que, segundos depois, percebi ser as costas de Justin.

– Bem? — ele tá usando sarcasmo comigo, ele é louco? — Bem mesmo eu estava quando... Vejamos... Antes de te conhecer...

– Como se tivesse sido eu que fui atrás de você no primeiro dia... — o corto.

Ele me ignora e continua:

– Eu não me metia em confusão... Essa semana na qual por SUA culpa fiquei de castigo, eu sairia com MEUS amigos, um encontro com uma garota INCRÍVEL, e, não andando no meio da rua com uma louca que só busca atenção. E para piorar, deixa-me adivinhar: quando encontrar nossos pais, você vai começar seu teatrinho e irá colocar toda a culpa em mim. — Juro que dessa vez não pensei nisso. — Agora, só vamos chegar em casa antes que você se torne um problema maior ainda. E olha que era apenas para ir no mercado comprar trigo. Muito obrigado. Mesmo.

Nossa! Mr. Drama, O coitado, o fudido da vida, o sem moral, o que nasceu para se ferrar, a mocinha da novela mexicana, a vítima, o que só apanha da vida...

Como sou má! Por que não sou a bruxa da branca de neve?

Mas... Argh! Deixa pra lá!

Só irei segui-lo de volta para casa.

(...)

Me aproximo de casa, ainda sendo escoltada por esse humano sofredor e congelo ao encontrar nossos pais reunidos na frente de casa.

Vou precisar de mais coragem ainda para falar o que tenho em mente.

Logo quando chegamos encarei os pais presentes e respiro fundo. De novo. Eles desenrolaram a falar todo tipo de sermão. Acho que os pais treinam para fazer um bom discurso, decoram falas, etc.

Quando os pais de Justin iriam se pronunciar, eu começo a falar sabendo que iria me arrepender amargamente.

– É... Pais do Justin... — eles me fitam demonstrando atenção e mando tudo pra pu*a que pariu. — Eu queria dizer que a culpa é minha! Se... Justin não tivesse sido um cavalheiro e me acompanhasse por aí sem nem conhecer as ruas direito... Mesmo depois de mim rir dele no mercado por causa de preservativos... Ele estaria em casa com as compras... E eu agradeço e reconheço onde errei. Desculpe senhores pela preocupação e desgosto, também aos meus pais. Espero que vocês tenham a bondade de livrá-lo do castigo, sendo eu a culpada de tanta confusão. Me perdoe. — Faço uma leve reverência inclinando levemente a cabeça.

MEU DEUS DO CÉU O QUÊ QUE EU TÔ FALANDO??????

Tô ferrada. Nem tenho coragem nem de encarar meus pais.

– Daniela, tudo bem, mesmo assim conheço meu filho e sei que ele foi na onda. Bem, obrigada e boa noite. — A mãe de Justin sai junto do marido sendo que Justin ficou no carro de seu pai.

::Na sala de estar::

A.porta é fechada com força, depois é a Daniela que bate as portas e as leva na mão.

Tô. Ferrada.

Mamãe querida:

– Daniela! Em menos de duas semanas, como você arrumou tanta confusão! Primeiro: eu e seu pai estávamos preocupados; segundo: você estava de castigo e me desobedeceu quando eu disse que não poderia sair; terceiro: estou morrendo de vergonha; quarto: você não tem mais solução! Já que gosta tanto de sair, acho que já está na hora de arrumar um emprego.

– E mais, sua mãe e eu conversamos e decidimos marcar consultas com o psicólogo. — Meu pai diz e eu engasgo com minha própria saliva.

– Mãe... Pai... Não acho que isso seja necessário. Prometo que vou me comportar! Eu juro! — Nossa! Agora eu tô me humilhando! Mas eu não posso ir para um psicólogo.

– Isso é o melhor a se fazer, você precisa entender que não tem mais idade para brincadeiras, você nem segue nossas ordens, entra no ouvido e sai no outro... Chega. Quer sair? Arrume um emprego e veja como é difícil conseguir seu próprio dinheiro. Para ver como eu e seu pai trabalhamos muito para te sustentar. Para você aprender a ter disciplina. A consulta já está marcada, terca-feira, às 15:00. Boa noite. — Minha mãe continua com seu discurso.

– Seu celular. — Papai me devolve meu filho, mas sei lá... Não quero mais falar com ninguém.

(...)

Que dia... Mas o que eu poderia fazer?

Melhor organizar uma lista para que eu entenda:

1- Estava só em casa.
2- só queria visitar a Liz no emprego.
3- Toda aquela confusão com Justin.
4- Perdidos.
5- Ele se irrita comigo (eu não devo ser tão chata assim...) E, por cima, disse estar com a agenda lotada com uma garota super legal! Uauuuuuu (ironia on)
6- Assumo toda a culpa.
7- Arrumar emprego (não é tão ruim...)
8- Consulta com o psicólogo (isso sim é péssimo!)

O que eu vou fazer? Droga.

::Segunda-feira::

Acordo, não dormi muito bem, mas tem aula, então, o dever me chama.

Depois de fazer minha higiene matinal e tomar um banho, vou em direção ao guarda-roupa e procuro algo para vestir. O dia parece ser quente, então decidi colocar um vestido branco até os joelhos com uma fita rosa na cintura, sapatilhas brancas, e um laço rosa no cabelo que deixei solto.

Arrumei minha bolsa, colocando meu livro de inglês e gramática; caderno e canetas, pego meu filho e desço as escadas para tomar café.

Encontro meus pais na cozinha e lhes desejo bom dia.

No meio do café, lá vou eu insistir no assunto:

– Mamis, papis... Sobre o assunto de ontem...

– Não Daniela! — meus pais respondem em uníssono.

– Mas...

– Sem mas! — eles combinam o que vão falar?

Depois de tomar café saio emburrada de casa.

Na escola encontro Liz antes da aula começar e lhe conto tudo.

– Então esse é o motivo desse bico enorme?

– Eu não tô fazendo bico! — me defendo de braços cruzados.

– E esse beiço aí?

– Chata! Mas é sério, eu não quero ir ao psicólogo, quando eu arrumar também um emprego te aviso. Droga! Como eu sou burra! Defender aquele imbecil!

– Olha quem chegou na escola, então!

– Não vou, quem sabe ele prefira falar com a garota super legal que teria um encontro e eu estraguei tudo...

– Oi? Que garota? Você tá com ciúme?

– QUÊ? CREDO!! DAQUELE RIDÍCULO? A PROPAGANDA DA ADIDAS!!!! Mas melhor ignorar ele, não sou eu que estrago a vida de príncipe dele? Ok.

Bate o sinal, e durante todo o dia, finjo que não o vejo. Mesmo tendo uma garota estranha (pu*a) de seu lado.

::Telefonema — 19:57::

– Alô?

– Lizzzzzzzzzz! Tenho um emprego!!!!

– Qual?

– Adivinha!

– Palhaça!

– Professora de dança, gênio! — não deve ser um trabalho ruim...

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.