Notas iniciais
Enfim. Espero que gostem, fiz no meio do apagão, baseado em alguns pensamentos idiotas que tive quando olhei para fora da janela. Qualquer semelhança é mera coincidência.

Tenha uma boa leitura!~

Num momento, estava escrevendo um e-mail para a amiga pela segunda vez, pois o site havia falhado em enviá-lo. No outro, quando ia finalmente clicar em enviar, a tela de LCD brilhou, ficou opaca, tentou voltar ao normal e desligou, sendo acompanhada pela luz do quarto. Levantou, pegou o celular para iluminar seu caminho e percebeu que o movimento das luzes havia acontecido em toda a rua, onde só os carros e seus faróis altos mostravam os detalhes da calçada. Usou o celular para iluminar seu caminho e notou suas unhas femininas pintadas de um leve rosa. Ela pegou o fone de ouvido e ligou o rádio, para descobrir porque a energia faltava.


Com poucos minutos de sintonização, não descobriu o porque da falha, mas contentou-se em saber que vários estados em quase todo o país estavam na mesma situação que ela. Desligou o aparelho, para economizar energia em caso de emergência e foi até a janela da sala, para ver a grande cidade desligada como nunca viu antes.


A janela da sala era enorme, majestosa, cobria uma parede inteira. A garota chegou perto, e pode ver seu cabelo cheio de cachos negros refletidos no vidro graças a uma vela que seus pais acenderam, na correriam de tirar da tomada todos os aparelhos e máquinas. Abriu a janela e encarou o céu, da mesma cor dos seus olhos, e depois encarou o chão.


Sua rua estava tomada de carros confusos, com seus pares de faróis iluminando os pedestres vez ou outra, que tentavam atravessar. Se não fossem aqueles holofotes móveis, a noite estaria perfeitamente escura, como desejava. A garota de cachinhos, que carregava em seu pescoço um pingente com a letra L, começou a planejar um modo de concretizar seu desejo de ver a rua em silêncio e no escuro, e o suicídio passou sorrateiramente pela sua mente, deixando um gosto proibido e radical. Ela segurou a idéia de se jogar para que os carros e a rua se tornassem escuridão, e achou o sacrifício plausível. Já sabia mais ou menos como era a sensação de se jogar no nada, já que uma vez a garota havia se aventurado em uma tirolesa com a corda meio frouxa e não achou a sensação ruim.


Depois, pensou em seus pais. ‘Não vão sentir minha falta por muito tempo,’ concluiu. ‘Sem mim por aqui, eles não vão ter que se preocupar com minha comida, escola, clube, ginástica, roupas, livros, jogos e desejos fúteis de adolescente. Vão finalmente poder se livrar daquele processo contra meu pai biológico, que deprime tanto a mamãe. E eles não vão ter que me aturar por causa de malditos hormônios’.


-Luiza! Você pode emprestar seu celular para sua irmã? Ela está com medo do escuro. – pediu o pai, surpreendendo a garota.


-Claro pai. Está desligado, mas pode ligar. – disse Luiza, entregando o aparelho para o maior, que resmungou em agradecimento.


Pensou então na irmã, arteira e medrosa. ‘Ela vai gostar de ser filha única. Via ter o computador todinho pra ela, a escrivaninha, o vídeo-game... Vai até pegar meus bichinhos de pelúcia que ela tanto cobiça’. Deu um passo a frente, ficando mais próxima da janela, e seus amigos lhe vieram à mente, em flashes iguais aos de câmeras fotográficas. ‘Se esquecerão mais rápido ainda. Eles nem riem tanto assim comigo, e eu não banco ou cuido da vida deles’. E deu outro passo, ficando perigosamente perto do peitoril. Somente um relez murinho a separava do infinito.


‘E tem mais’, pensou, argumentando contra o bom senso que começava a perder a liderança dos atos. ‘O prédio e a quantidade de andares sobre os quais estou – dezessete, para ser mais exata – provavelmente serão o suficiente para me matar por velocidade. Se estatelar no chão é coisa de 5º andar, e eu estou no 18º’. O bom senso perdeu, derrotado, mas antes que a garota pudesse dar o último passo, as luzes todas se acenderam. A energia havia voltado e ela nem se tocou do tanto de tempo que passou ali, admirando a vista.


‘Justamente agora que a brincadeira estava ficando real?’, pensou a menina, voltando para o quarto para terminar de escrever o e-mail.

Notas finais
Obrigada por lerem! É pequena, mas escrevi ela com o maior carinho! Não se esqueça de deixar o seu review, pois se não doeu pra chegar até aqui, não vai doer pra escrever algumas palavras de apoio! 8D
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!