Notas iniciais
E lá vamos nós...

Quando o sinal soou todos saíram em disparada e como o estourou da manada só quem sabia pra onde ir caminhava com calma. Não era atoa que era o último, os passos lentos carregavam a dubiedade de quem sabia o que devia ser feito, mas não teria a coragem de fazer.

Por um instante estava sozinho e mais uma vez ela surgiu ao seu lado. Caminhavam calados agarrados tão bem ao silêncio que apenas o eco dos passos atravessava tal geleira. Não era preciso falar ela podia lê-lo tão bem que nem precisava olhá-lo e ele sabia que de fato ela não estava ali. Mas mesmo assim acreditava.

Assim que encarou o portão teve certeza que o deixará por completo. Havia um pedido desculpa preparado e uma mão estendida em seus pensamentos. Porém assim que atravessou a viu encostada a porta carregando um sorriso triste que aos poucos escorria dos lábios.

As palavras sumiram assim como a coragem de seguir em frente mais uma hora ou outra teria que entrar em casa. Então o fez com cautela e ela com paciência aguardou.

— Bom Dia — Desejou Judith mais cansada que o normal mais não superava as olheiras do filho.

— Oi... - Disse ele evitando qualquer contado visual. — Desculpe. - Pediu com os olhos cravados no chão e estendendo o braço para um aperto de mão.

Ainda havia uma sombra da mulher que Judith fora. Ela ainda estava ali lutando pra se manter viva e um tanto humana. Ela puxou seu filho pra si em um abraço apertado afagando as costas do menino enquanto ele chorava.

Havia muitas coisas que queria dizer e jogar alguns fatos na cara, mas nada mudaria que restavam apenas ela e ele. Como ele não queria ficar sozinha e triste se precisa-se se apoiaria nele e seria o apoio dele.

Talvez fosse muito tempo atrás , Orion ainda tinha dez anos e um sorriso tão grande que combinava com o céu anil. As nuvens sem forma eram moldadas pelo vento e assim que o viu soube que choraria. Os olhos foram descendo até encontrar o que roubava o brilho de seu filho, um grande machucado que começava no tornozelo e subia até o joelho. Judith ficou feliz por ter vindo até ela e não ao seu pai como fazia normalmente aquele momento pertencia ela e seria só deles.

— O que houve filho? - Perguntou enquanto ele sentava ao seu lado.

— Nada... - Os olhos brilhantes denunciavam que cedo ou tarde rolariam e sem saber mentir confessou. — Estava andando de bicicleta na ladeira e pra parar derrapava na grama só que eu errei...

— Foi naquela que disse pra você não ir porque sua bicicleta não tem freio? - Como toda mãe ela sabia a resposta queria saber se ele mentiria.

— Foi...

A primeira cruzou o rosto deixando um rastro quente e úmido, elas caiam isoladas e igualmente silenciosas. Essa foi última vez que seu filho chorou até agora.

Parecia estranho vê-las pelo seu rosto fazendo acreditar que seu menininho estava ali perdido dentro de um adolescente e se questionou se sua mãe virá o mesmo quando a fitava. Sua menina brincando de gente grande.

Muitas perguntas ficaram em aberto, mas não eram mais os mesmo cada um encoberto em sua dor. A perda não ficou mais leve mais compartilhavam um com o outro. Assim ficou mais fácil compensar tudo com altas doses de amor.

Notas finais
Até a próxima!