Notas iniciais
Desculpem por demorar, a minha internet ta com defeito, então tive que mandar o capitulo por e-mail e vir na casa da minha tia usar o computador dela pra poder postar kkk. Mas ta ai o capitulo.

Abri os olhos para quatro ofuscantes luzes brancas. Prendendo a respiração e estreitando os olhos me concentrei, tentando descobri onde eu me encontrava. Uma mulher vestida de enfermeira empurrava a maca onde eu estava deitada para o que parecia ser uma espécie de banheiro grande, desses de hospital. Ela ligou um chuveirinho ligado a uma mangueira e ajustou a temperatura da água quando seu telefone celular tocou, e, mais que depressa, ela saiu do banheiro, pegando o aparelho, e então do quarto, fechando a porta atrás de si. Sentei–me, arrancando rapidamente de meu braço uma frágil agulha presa a uma bolsa de soro.

Idiotas, pensei, não preciso de uma porcaria de soro pra me recuperar. Então lembrei das marcas de bala, olhando para o meu colo nu. Não havia nada, senão uma marca semi cicatrizada entre meus seios, onde eu deveria ter recebido o tiro daquela arma enorme. Então me lembrei de quem havia me dado o tal tiro. Aquele rosto, que eu sabia que conhecia, mas não como. Se ele estava preso comigo, como agora estava ajudando quem nos prendeu? E como ele não se lembrava de mim. E mais importante, como eu não lembrava quem eu era?

Sacudi a cabeça, afastando tais pensamentos. O que eu precisava agora era sair dali.

Girei minhas pernas para a borda da maca e pulei pro chão. Minhas pernas não aguentaram o peso de meu próprio corpo e, se não fosse o suporte do soro, eu teria caído no chão. Fui à parede oposta a da porta e liguei um chuveiro normal. Suspirei, sentindo as grosas gotas de água, limpa e quente percorrerem meu corpo. Eu realmente estava precisando disso. Com a água quente pude reorganizar meus pensamentos e também obrigar meu corpo a funcionar direito, firmando os pés no chão e empurrando o suporte do soro para longe. Vi o último buraco de bala desaparecer, avisando que eu á estava pronta. Fechei o chuveiro e me enrolei numa toalha branca, com um logo qualquer que me obriguei a não reparar, temendo lembranças dolorosas. Eu já tinha um plano de fuga em mente, agora só precisava polo em prática.

Abri a janela basculante do banheiro mas era pequena demais, o que não seria um problema, só que faria barulho, então eu deveria ser mais rápida. Coloquei minhas mãos sobre a moldura da janela, puxando. A janela se soltou da parede levando consigo uma parte do concreto, com um barulho seco, que fez a enfermeira, que descia o corredor, desligar o telefone e dar meia volta, a fim de voltar ao quarto. Joguei o bloco de janela e concreto no chão, onde ouvi a enfermeira apressar o passo. Subi com facilidade no buraco desocupado da janela e olhei para baixo, eram sete metros que davam num matagal lamacento, eu estava no último andar.

Sentei-me no parapeito a tempo de ver a enfermeira entrar no quarto, seguida de um guarda, e dar um grito baixo, pondo a mão sobre a boca. Não esperei o guarda acionar o alarme para pular, me segurando na viga de sustentação do telhado, me balançando para cair sobre ele.

Respirei fundo sentindo o vento frio de mais um dia nublado no litoral. Então corri, os meus cabelos chicoteando meu rosto impiedosamente. Logo cheguei ao fim do telhado de Eternit. Parei. Agora vendo toda a paisagem flashes de lembranças me atingiram. Eu já sabia que já tinha estado naquele lugar, mas não por tanto tempo. Afastei aqueles pensamentos, eu queria lembrar meu passado, mas agora não era hora para isso. Pulei.

A queda foi curta e logo atingi o lodo quente e poluído daquele pequeno braço de mar. Não subi para respirar, me deixando afundar alguns metros. Logo abaixo da camada de lixo havia uma água, também suja, mas mais líquida. Essa água era gelada, como se o lodo acima a impedisse de ver o sol há dias, o que muito provavelmente era verdade. Meu corpo tremia em protesto ao frio, mas eu não podia deixar isso me abalar.

Logo pressenti o primeiro tiro, minha concentração sendo usada ao máximo. A bala deve ter passado a uns vinte metros de mim, e agradeci a água turva por isso. Comecei a me afastar, indo em direção de um cais, que eu não sabia como que sabia onde estava –talvez uma memória de quando eu fugira dali. Não podia ser muito rápida, ou poderiam me descobrir. Em meio a isso ouvi uma voz, uma que eu não ouvia há muito tempo. A voz dele.

–Ela não pode ter fugido–bradava com alguém– estava sedada, eu mesmo me certifiquei de darem uma dose maior a ela. E onde estavam os guardas? Não tem como ela se levantar e sair andando sem ninguém ver!

Cheguei ao precário cais de madeira e ergui a cabeça fora d’água, a fim de ouvir melhor.

–Não importa como ela fugiu Philip. A garota e mais resistente do que pensávamos. Estou pensando em tomar outra atitude em relação a ela, mas primeiro temos de acha-la, e nós dois sabemos que você é o mais indicado pra isso.

Ouvi ele suspirar fundo. Homens armados já ocupavam pequenas lanchas, esperando o sinal de seus superiores. Tirando o casaco e desabotoando a camisa ele começou a dar ordens.

–Caso um de vocês consiga captura-la deverão comunicar a base imediatamente –Eu sabia que deveria ir agora, mas se saísse da água todos me veriam. Comecei a arquitetar um plano– ela é extremamente perigosa, lembrem–se disso.

Submergi. Agora era fácil, tinha de passar pelas lanchas, que iriam para longe, e entrar no prédio de pesquisa disfarçado de galpão, afinal, ninguém acha algo eu está bem debaixo de seu nariz. Senti o zunido do radar dos barcos, não que pudessem me detectar, e comecei a nadar devagar, me concentrando em cada ruído.

Ele embarcou numa das lanchas que iam em direção a curva que separava a baía do oceano, mas, antes que chegasse lá um comando fez uma das lanchas parar. A lancha onde ele estava.

–Por que devemos parar, senhor? Ela é rápida, se não formos logo será impossível captura-la novamente!–Um dos homens que estavam a bordo se dirigiu a ele.

–Ela é rápida, mas não só isso. –Ele tirou os sapatos– Ela é esperta, sabe que iremos atrás dela, não importa onde ela esteja, nem quanto tempo leve. Provavelmente deve saber que os barcos partiram e deve estar esperando o momento certo para nos atacar, por dentro. Esperem o meu sinal, então atirem. –Dito isso pulou na água.

Me apavorei sem saber o porquê. Comecei a me afastar dele, desesperada, eu podia sentir sua presença na água, e algo dentro de mim sabia que logo ele também sentiria a minha.

Meu corpo se desenrolou da toalha e a deixou, contra minha vontade, onde eu estava, na parte lodosa, então tão rapidamente que nem eu pude prever meus movimentos me afastei. Me surpreendi quando, em segundos, havia chego a plataforma das embarcações, a quase vinte metros. Nesse instante senti uma onda de poder fortíssima percorrer o perímetro em volta do rapaz.

Ele só pode detectar minha toalha.

Num sinal os homens armados atiraram todos no local onde estava a toalha, provavelmente pensando que era ali onde eu me encontrava.

Enquanto todos os barcos se dirigiam aquele local, tão concentrados que eu sabia que ninguém me veria, eu saí da água e me escondi atrás de uns grandes caixotes de madeira, que eu sabia que só serviam pra realçar a aparência de galpão do lugar. Havia alguns arranhões em um deles. Passei a mão sobre eles, meu corpo estremeceu quando a marca deu exatamente o tamanho de meus dedos, mais lembranças, mais dor. Subi no caixote, ficando na altura de uma janela, e, me certificando que não havia ninguém do lado de dentro, saltei.

Era um laboratório simples, com bancadas e prateleiras trancadas cheias de frascos. Num canto, perto da porta, havia uma série de jalecos brancos, com o mesmo logo da toalha. E pensando na toalha me concentrei onde ela estava, tinha acabado de ser retirada no local onde eu a havia deixado, e agora aquele rapaz soltava um grunhido de frustação.

Sorri. Ele sempre dava esse grunhido quando... Afastei o pensamento.

Eu não podia sentir esse tipo de emoção. Não depois de tanto tempo reprimindo. Uma outra lembrança, de um outro período da minha vida, se fixou na minha cabeça, e me guiando por ela me obriguei a agir friamente. Como eu deveria ter agido desde o início.

“ Estava chovendo forte e o vento batia com força em meus braços nus. Não que isso pudesse abalar meus objetivos. Ergui a cabeça, usando o mínimo de poder possível, tentando encontrar...

–Seu próximo alvo– A garota que vinha atrás de mim a alguns minutos finalmente saiu das sombras, revelando o cabelo loiro, com mechas de todas as cores– Esta procurando seu próximo alvo, não é, Mirian?

–Apenas mais um alvo– respondi seca– Apenas mais um que morrerá em minhas mãos, independente seus fracos esforços. E se você acha que essa inútil perseguição vai levar a algo, deveria pelo menos fazer direito Rachel...

–Quando você percebeu que eu estava te seguindo? –ela pareceu surpresa.

–Desde a esquina daquele bêbado...

–Desde que saímos... Por que deixou que eu te seguisse então?

–Por que eu sabia que você não poderia me impedir Rachel–sorri.

–É Lori. Você só queria me ver me matando para parecer em anonimato e depois rir da minha cara, né?

–Como você adivinhou, Rachel? –eu respondi, sarcástica.

–Você é um saco, sabia?

–Nem tanto quanto você, Rachel.

–Eu já disse que é Lori! –Ela se estressou.

–Tanto faz –Eu ri e comecei a correr.

E, é claro, ela me seguiu, agora na mesma velocidade que eu, já que não precisava se esconder. Logo a chuva foi afinando, enquanto eu me aproximava do alvo. Rachel, Lori, ou simplesmente a garota de cabelo colorido ia em silêncio, até que parou subitamente.

–Mas o quê...

–Shh...– Ela fez um gesto, pedindo silêncio. Fiquei atenta a qualquer som ou movimento, mas é claro, não foi uma boa ideia.

Ela me deu um tapa na nuca. Dei meu melhor olhar assassino a ela, que simplesmente me ignorou. Era a única de nós que não tinha medo de mim, e por isso eu tanto a admirava quanto a odiava.

–Sua idiota, é um sensor, não percebe?– Ela apontou para a parede da casa de tijolos logo a nossa frente. Parei de tentar detectar.

–Eu estava no mínimo –Me expliquei.

–Devia ter continuado nele.

–Eu continuo–Ela ergueu as sobrancelhas– Não tenho culpa se meu mínimo é o seu máximo.

–Não exagere garota.

Nisso um homem barrigudo saiu da casa, nos apontando uma arma.

–Bom trabalho– Ela disse estressada, com sarcasmo.

–Você acha que isso vai me atrasar? –eu ri– Rachel, você deveria se lembrar que não sou covarde como você. –Então me dirigi ao homem armado– Pronto pra morrer meu bem? Não que importe, vai morrer do mesmo jeito.

Um brilho de reconhecimento passou pelos confiantes olhos dele, os tornando temerosos, pra não dizer apavorados.

–V...v...você?! –Ele deu dois passos pra trás, tropeçando e caindo no chão.

–O que foi –Continuei usando as frases que ele costumava me dizer, quando assumiu o meu tratamento– Não está tão ruim assim, não é meu bem? –Então, deixando de lado a voz falsa que ele sempre usava, mas ainda as mesmas palavras que ele sempre proferia, voltei a minha usual voz fria– Acredite, ainda pode ficar pior.

Então saltei por cima dele, tão rapidamente que ele olhou em volta, sem saber onde eu estava, atordoado.

–Estou aqui, –respondi de trás dele– bem aqui com você, meu bem. Pena que daqui a pouco só eu vou estar aqui...

–Não, por...por favor...

–Então, Lori, quantas vezes você já pediu por favor, anh? Seu pedido alguma vez foi atendido?

–Sabe, garota –Ela se aproximou do homem, desviando do tiro que ele tentara dar nela– desta vez você até que tem razão.

–Quer fazer as honras?

Ela arrancou a arma das mãos dele, chutando entre suas pernas, com raiva. Ele soltou um fraco gemido, entre os soluços implorando.

–Dessa vez é todo seu.

Torci o pescoço dele.”

–Como eu sempre agi –sussurrei.

Notas finais
Então, o que acharam? Qualquer duvida, elogio ou critica e` só comentar que eu respondo, ok?
Beijos meus lindinhos! :)
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.