Após o caso Kira
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Reconhecimento. Mas quem disse que isso ajuda em algo? Não era meu intuito quando cheguei aqui. Eu não queria nada disso. Eu queria ajudar as pessoas. Queria saber que o que eu fazia aqui evitaria milhares de mortes. Reconhecimento? Pelo o quê? Eu matei uma pessoa. Alguém que eu considerei um amigo. Eu só queria dar o melhor de mim.
Eu nunca fui bom em partes lógicas, chegar a conclusões, eu me perco em raciocínios rápidos. Eu queria participar, mas nunca quis isso. Descobrimos muitas coisas depois disso tudo. Notas escritas por todos nós. Descobrimos como umas das melhores as do L e do Raito. No final de tudo descobrimos que o Raito chegou a esquecer que era Kira. Muitas vezes ele brigou consigo mesmo, muitas vezes se arrependeu. Apesar de tudo meu amigo existiu... Isso me fazia me sentir um pouco melhor e muito pior. Um pouco melhor pois ao menos nem tudo foi mentira, nem tudo. Muito pior porque talvez ainda houvesse o que salvar. Talvez pudéssemos trazê-lo de volta a si.
L nos surpreendeu. Sua pose de sozinho sumiu completamente. Cada vez nas notas dele conseguíamos notar mais preocupação conosco. Cada vez ele se culpava mais por nos colocar em perigo. Cada vez ele deixava escapar um pouquinho mais de carinho que sentia por todos nós. Cada vez temia menos por ele e mais por nós. Toda vez que sentia que não tinha mais muito tempo naquele caso se preocupavacom o que seria de nós. Como um irmão mais velho responsável, mesmo ele não sendo o mais velho ali. Todos nós abrimos sorrisos. Nem sempre quem parece durão o é.
As minhas eram as mais complicadas de se entender. Partes soltas de conclusões do Raito e do L, coisas sem importância, fotos das pessoas com quem trabalhei. Eu enlouqueci eles com a câmera. O L disse que era perigoso, mas eu ia deixar no quartel, se alguém invadisse já teria nos visto mesmo. Sorri lembrando como eu e o Raito tivemos que empurrar o L para frente da câmera. O L soltou expressões beeem desagradáveis naquele dia. Sim, conseguimos fazê-lo chegar nos termos vulgares. Eu e o Raito poderíamos ter feito um dicionário só com o que ouvimos. Deveríamos tê-lo feito.
Eu sou sozinho, o que nunca me fez triste. Sempre tive consciência que ninguém acaba completamente sozinho, que mesmo que não saibamos acabamos conquistando o carinho de alguém. Aquele pessoal... eles tinham virado minha família. Todos eles. Cada um com seu jeito. Cada um com seu sorriso. Por mais que alguns tentassem disfarçar enchendo a boca de doce. Revirei os olhos me lembrando disso. Isso tudo foi triste e doloroso. No final das contas, a nossa missão que mais se comparava a do L, não divergia tanto da missão inicial do Raito. Todos queríamos ajudar a melhorar o mundo. E assim eu vou honrá-los. Assim eu vou honrar todos os meu amigos, tanto os que foram quanto os que aqui permaneceram.
Hoje vou voltar para um posto de iniciante na polícia.
Depois do caso Kira eu já tinha lugar reservado num posto importante mas não o aceitei. Eu quero fazer sozinho. Eu quero aprender com meus erros. Apesar de ter negado um posto superior na polícia ainda tinha um bom renome por lá. Hoje começamos um novo programa. Programa Lawliet e Raito.Os policiais uniram forças com psicólogos, analistas e estamos tentando mostrar aos adolescentes como uma vida honrada tem benefícios. Eu consegui formular essa idéia com o pessoal que sobreviveu. Estou tentando aguentar a carga de trabalho extra. Nós os ouvimos, explicamos, trocamos idéias. Todos nós somos geralmente no caso dos policiais, os mais novos, e dos psicólogos recem formados. Tentamos nos tornar amigos deles. Pra mim não foi muito difícil. Sorri, falei algumas besteiras. Conversei com eles. Grande maioria gostava do Kira. Pouco a pouco estamos mostrando que eles podem melhorar tudo sem violência. Que podemos melhorar as coisas, mesmo isso não sendo fácil. Que o importante é não dessistir, não ficar para baixo. Sorrio ao pensar em quantos Raitos poderemos salvar antes que se transformem em Kiras, e quantos Ls mais felizes e mais extrovertidos iremos ver surgir. Sorrio com minha missão e olho para os céus, sabendo que onde quer que eles estejam, eles estarão sorrindo. É isso que eu quero. Tirar algo bom de tudo isso. Afinal, a vida continua, o sol brilha e o futuro... o futuro somos nós que fazemos.
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