Notas iniciais
Legenda Diálogos: - Creio que sim, Lucian; você não? Pensamento: "Itálico" Lembrança: Negrito Narração: O fato é que muito ainda estava para acontecer - outra vez... Mudança de Tempo e Espaço: ●๋..●๋

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Nenhum dos três ousava quebrar o silêncio que havia instalado-se; a presença de Sam constrangia Alice, que não sabia como agir, e enraivecia Lucian, que mal conseguia conter-se, segurando a mão da namorada num forte aperto. O Winchester sentia-se nervoso com a situação: irritado com o irmão, por submetê-lo a tal ridículo, e inquieto quanto Alice, que lhe deixava ansioso e apreensivo ao mesmo tempo. Claro que não poderiam conversar até que estivessem a sós, coisa que o outro rapaz deixava claro, através da expressão fria e aborrecida, que tardaria a acontecer. Estavam nesse clima hostil, até que a chegada contagiante do loiro, que sentou-se ao lado do irmão, de frente para o casal, quebrou a atmosfera pesada.

— E aí, pessoal? Demorei? Bom, acho que não... 'Cês já pediram alguma coisa? — Indagava, fingindo estar alheio ao que passava-se entre os três. Alice achou melhor fazer o mesmo.

— Não, estávamos esperando você. — Sorriu — Mas me conta, quando você se casou?

— Ah, bem, já faz algum tempo, há mais ou menos uns cinco anos. — Explicou.

— O que? Quer dizer que antes de... — Deteve-se, lembrando de que não poderia mencionar nada do passado enquanto estivessem com o namorado — Poxa, eu não sabia. — Desculpou-se, corando.

— Bem, é que da última vez que nos vimos nos estávamos dando umtempo,por isso não mencionei nada, entende? — Tentou disfarçar. A garota compreendeu ao que estava se referindo. Lucian e Sam se encaravam, indiferentes, sequer prestando atenção no diálogo dos outros dois. O que Dean logo notou — Ah, mas como você e o Lucian aqui se conheceram, hein?

— Já faz uns cinco anos. — Ele fala de repente — Estudamos no mesmo colégio até nos formarmos e agora estamos começando o terceiro ano na faculdade de Direito em Stanford, juntos. -Contou-lhes.

— Hum... Que interessante! Sabiam que o Sam aqui também estudou em Stanford? Equasese formou em Direito... — Dean comentou sorrindo. Sam sentiu as más lembranças voltando depressa; porém, logo tratou de afastá-las. Foi quando deu-se conta de que o garoto ainda tinha o olhar fixo em seu rosto."Como se pudesse ler meus pensamentos..."

— Minha mãe também se formou lá, está lembrado,primo?- Alice percebera a provocação e tentava cortá-la.

— Ah, claro, aTia Su!Por falar nisso, não sabia que estavam morando aqui também... — Referia-se não apenas à moça e o rapaz, como também a família Drummond.

— É, eu estou morando aqui no Campus, numa República. Minha mãe e meu pai continuam em Cleveland, do outro lado do país. Eu quis vir pra Califórnia...

-Comigo.- Lucífer interrompeu-a, com desdém, mirando de forma rude os outros dois — Mas se vocês sãoprimos,já não deviam saber dessas coisas? — Questionou-os."Quero ver você escapar dessa, Winchester!"

-Pois é, mas é que como meu irmão e eu estamos sempre na estrada, é difícil manter contato com os nossos parentes... Mas minha esposa Lisa, meu filho Ben e eu já moramos aqui faz um ano. — O loiro lhe respondeu, muito seguro. O que só aumentou a cólera que o outro sentia pelo mesmo."Maldito! Não pense que desistirei..."

— Hm. — Murmurou. Os quatro almoçaram. Vez ou outra, Dean e Alice tentavam estabelecer algum diálogo, que era friamente cortado por Lucian ou Sammy, que traziam frases ásperas. Ambos permaneceram nesse embate mudo, até que... — Mas você disse que estava na cidade àtrabalho?- Dedicara a pergunta exclusiva e unicamente a Samuel. Este franziu a testa e, ainda que hesitante, respondeu:

— É, eu vim aqui porque pensei que talvez tivesse algo pra mim, mas acho que não é nada demais. — Deu de ombros — Pelo visto me enganei.

— Ah... — Agora o Winchester mais velho e a jovem eram os expectadores daquela conversa — E que tipo de ofício exerce pra ficar tanto tempo na estrada? — Ele engoliu em seco."Droga!"Pensou.

— Hã... Digamos que eu sou uminvestigadorque está sempre a procura de novoscasospara solucionar. — Respondeu depois de refletir por um instante. Ainda que vago, soara convincente — Mas e você, tem alguma ocupação além dos estudos?

— Não, no momento estou concentrado em concluir a Universidade. Sei que é algo difícil e quenem todos os que tentam conseguem...- Aquela havia sido uma provação direta e explícita! O rapaz rangeu os dentes, irado com a audácia do mais novo.

— Me diz uma coisa: você parece estar tão interessado em mim e no meu irmão; e quanto avocê?Quem é? E sua família? — Despejou todas essas perguntas sobre Lucífer, que ficou pouco transtornado.

— Me chamo Lucian Thompson. Meus pais morreram num terrível acidente... Meu tio cuidou de mim até eu ter idade o suficiente para me mudar. Satisfeitos, senhores? — Tinha sido tão frio ao dizer tudo aquilo, que fez Sammy suspeitar que algo estava errado. Assim que ele levantou-se para se retirar, deixando o dinheiro da conta sobre a mesa e puxando Alice consigo...

-Espera!- Dean pediu, também colocando-se em pé — Nos desculpe, nós não sabiamos... Eu lamento. Nossos pais também morreram. — E, tirando um papel do bolso, anotou alguma coisa e estendeu a Alice — Esse é o meu telefone. Se precisar de alguma coisa,qualquer coisa,me liga.

— Hã, claro! Foi ótimo ver vocês de novo, rapazes! — Lançou um sorriso discreto na direção de Sammy, que lhe correspondeu com um meneio de cabeça — Quanto tempo vão ficar por aqui?

— Bom, essa semana eu estou de folga... Então não sei, quem sabe a gente não podia marcar de você ir jantar lá em casa no final de semana. O Sam vai ficar por aqui também; depois voltamos ao trabalho. — Alice aceitou o convite e agradeceu. Lucian permaneceu emburrado, segurando com ainda mais força a mão de sua namorada — Ah, e você também pode aparecer,se quiser...- O loiro lhe disse, ao notar seu semblante indiferente.

— Pode ser. — Falou de modo seco — Agora precisamos ir.

— Tudo bem, então até sábado à noite... — Despediu-se.

— Até! — A menina bradou da porta, enquanto era praticamente arrastada pelo namorado.

— O que deu em você? — Sam o empurrou, quando também já estavam fora do restaurante. O Winchester ria.

— Qual é, eu 'tô adorando isso! — Justificou-se — E, além disso, não gostei daquele cara. É muito estranho, mas acho que ele não está apenas com ciúmes; ele não pareceu ter acreditado no que a gente disse. Sei lá, é como se já nos odiássemos sem nos conhecer...

— Hmpft! Ódio a primeira vista? Nunca ouvi falar... — Debochou.

— Sammy, não tenta mudar de assunto, 'tá legal? Além do mais, eu sei que você também se amarrou em ver a Alice de novo. — Este revirou os olhos.

— Para com isso! — Bufou — Ela já tem namorado... Aquele tal de Lucian. — Foi como se, de súbito, uma luz se acendesse e iluminasse o breu em que sua mente encontrava-se — Espera:Lucian?Dean, esse cara... Não é estranho que ele estivesse o tempo todo tentando nos fazer falar do que fazemos, da nossa vida,e e etc? — Mostrava-se reflexivo.

— Hey, acho que você faria a mesma coisa se fosse com a sua namorada... — Riu."Lucian pode não estar com ciúmes, mas e quanto à você, Sammy?"

— Não, é sério! — A expressão pálida em seu rosto bastou para que o loiro cessasse — O que o nome dele te lembra? — Após pensar um pouco, o mesmo adquiriu um semblante igualmente atordoado e preocupado.

— Lucian...Lucífer?!Não, não é possível... — Repetia, balançando a cabeça numa constante negativa.

— Eu não sei. — Suspirou — Vou ver o que descubro sobre esse cara e depois nos encontramos, okay? — O outro concordou.

— 'Tá bem, nos vemos na minha casa então...Droga!- Resmungou, como se recordasse-se de algo desagradável.

— O que foi? — Seu irmão indagou confuso.

— Como assim "o que foi"? Cara, eu acabei de convidar o Diabo pra ir lá em casa!!! Fala sério, isso 'tá parecendo até "Adivinhe quem vem para o Jantar"...

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— Por que você foi tão chato, Lucian? — Alice não compreendera a atitude agressiva e indelicada do namorado durante o almoço.

— Bom, digamos apenas que não gostei nem um pouco de ver a MINHA namorada abraçada com um completo estranho! — Reclamou irritado — Eu vi o jeito como vocês se olharam, 'tá bem? Sei que não parentes!

— S-sabe? — Gaguejou nervosa, para depois, refletir — Espera, COMO você sabe? — O jovem parou de caminhar bruscamente, para mirá-la desgostoso.

— Ah, então quer dizer que eu estou certo, é? — A moça culpou-se por ter se entregado tão depressa — Eu sabia... — Bufou, apertando o passo.

— Olha, eles não são meus primos mesmo... — Tentava se desculpar, correndo para alcançá-lo — Nós não temos nada, se é o que quer saber!

— Então por que mentiu? — Aquela pergunta tão súbita a pegara desprevinida. Ele parou — Olha, acho melhor conversarmos depois... — Disse, mediante o silêncio da garota. Preparava-se para voltar a andar novamente, quando:

— Você não acreditaria na verdade... — Murmurou. Algumas lágrimas já escorriam por sua face. O que o fez sentir-se mal por fazê-la chorar; mas a cena com os outros dois havia sido pouco de mais pra ele. Não suportava nenhum dos irmãos. Estava certo de que Samuel ainda nutria algum sentimento por Alice e corria o risco da mesma correspondê-lo; mas não dissera amá-lo tantas vezes? Então por que essa insegurança? Pela primeira vez em sua existência, Lucífer temeu perder: não poder ou subordinados, mas sim a mulher que conquistou seu coração.

— Bom... — Falou, voltando a se aproximar da morena — Pensou em tentar? — Suspirou — Esquece, 'tá? Só peço que não minta outra vez pra mim... — Chegava a ser irônico que justo ele, que estava enganando-a à tanto tempo, fizesse tal pedido.

— Então não me faça perguntas e não lhe direi mentiras... — Sussurrou, deixando-se envolver num abraço.

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