Aos olhos de alguém
21 Clarice
Ramon e Vic entram na mansão já a noite, com Genevive junto a eles.
– Não acredito que temos que ficar com a criatura de estimação do Tayler, foi ele quem a achou na rua, não nós – Victory sussurrava, pensando em não me acordar
– Aquilo não era uma rua Vic
Ela vira para ele com cara de quem diz “jura?”. Eles sobem os degraus em passos leves, Ramon abre a boca e sua irmã, com seus poderes de vampira, já está em seus aposentos.
– Pelo visto então é no meu dormitório – sussurra ele – Venha
Ela não demonstra nenhuma reação, Ramon por tanto gesticula indicando para ela o seguir. Ela o segue.
Em seu quarto, o vampiro sede a cama para a garota, enquanto ele deita no frio assoalho de madeira. Agora com todos seguros, finalmente posso ir dormir.
***
– Mas meu nome é Clarice, não Isabel – uma mulata, filha de escrava em um tempo em que ainda não existia estado Wolf na ilha, disse a mim... a Rafagh!
Estou vivendo a cena de reencontro de Alinpç com a primeira reencarnação de Isabel pelos olhos dele.
– Sei que és, tenho certeza, és Isabel. – As palavras saem de minha boca sem que as possa controlar, pelo visto apenas vejo por Rafagh, não o controlo
– Você deve ter tomado muito vinho, sente-se um pouco, está alucinando.
Rafagh se sentou em um dos bancos da taberna, nunca havia entrado em uma antes, mas algo lhe dizia, no interior de sua alma, que encontraria Isabel naquele local.
O kirian olhava fixamente nos olhos da liberta, havia ao fundo deles um dragão perseguindo a própria cauda, como se nunca fosse sair do repetido círculo vicioso.
– Posso prosear com ti a sós? – Alinpç fala quase normal, pela primeira vez que tenha ouvido.
A garota parece querer recusar, esperando outro tipo de “conversa” de alguém que vá a aquele lugar, mas um homem robusto de rosto quase desfigurado a encara, ela então aceita como um animal obedecendo quem lhe fornece comida.
– Não necessita-te medo – Eles caminham á fora da taberna, lado a lado
– É que hoje é meu primeiro dia aqui, fui expulsa da casa de meu senhor ontem, nunca tinha vendido meu corpo para viver antes.
– Por qual móbil expulsaram-te de a residência em que habitava
– Ah? Traduz por favor – ele olha-a direto nos olhos, fazendo com que sua mente entenda o que ele diz, como Isabel entendia – Eu cresci, fiz quatorze e o filho do senhor começou a me olhar de maneira diferente. Acabei... quase cedendo a ele, era um homem encantador, disse que antes se casaria comigo, porém o senhor seu pai a ouvir tal loucura me expulsou.
Rafagh entra na mente de Clarice, por entre suas memórias descobre quem era o seu senhor, procura-o mentalmente por entre os cérebros da cidade. Acha-o. Na mente do homem de descendência Maikle toda a história, uma escrava, um romance proibido, uma filha, mulata dos olhos azuis. Ele briga com sua verdadeira mulher, a criança é criada como um deles, mas com o título de: a filha de uma das escrava. Apenas seus pais e a mulher do senhor das terras sabem quem é o pai de Clarice, ninguém mais, nem mesmo ela. O garoto criado como se fosse seu irmão mais velho cresce, ela também, já não são mais crianças e para eles não a nada de errado no amor. Mas o senhor das terras sabe que são irmãos, então expulsa sua querida filha, para proteger seu amado filho, e a própria Clarice de cometer um incesto.
– Ele não ama-te – Rafagh encobre as maças do rosto da mulher com suas mãos, olhando-a nos olhos
– Ele nunca me amou... ele nunca existiu – Clarice tem sua cabeça invadida por Alinpç, que apaga suas lembranças e abre espaço em sua mente, para que se lembre de sua outra vida, para que se lembre dele.
– Isabel?
Ela olha confusa para seus braços e mãos, depois as passa pelos cabelos e tateia o rosto.
– Que brincadeira é essa Alinpç?
– Meu amor, és tua vida segunda.
Isabel olha ao seu redor, perdida.
– Onde estamos?
– Melhor és questionar-se por quando.
– Como assim amor?
– Morreras em mil e dois, pela idade que tens, ganhara vida novamente em mil cento e quatro
– Por onde passei os outros cento e dois anos?
– Iremos deslindar
– Deslindar, quanta frescura! – Natacha aparece e todo o resto faz o contrário
– Natacha, tenho que te perguntar uma coisa
– É sobre sua irmã, não é
– Sabe como?
– Não, desde que Ernesto amaldiçoou todos os Deverrons, nunca houve um sequer que quebrara a maldição. Sofi é única, por algum motivo ela consegue desfazer a maldição quando e pelo tempo que quiser. Rafagh ficaria louco se descobrisse isso, iria querer estuda-la, tome cuidado pequena, proteja-a.
Proteja-a
***
O sussurro foi a última coisa que ouvi antes de acordar com um grito, Sofi.
Tento entrar em sua mente, consigo.
– Eu te amo Sânia – digita o Maikle
– Não sei por que ainda tenta, sabe que não acredito no amor Daniel – responde a bruxa
– Então explique todo esse aperto que sinto em meu peito quando estou longe de você
– Melhor ir a um cardiologista, ele saberá melhor
– Aff, para Sânia, vc entendeu
– Presta atenção, não vou te explicar de novo, o amor é um fenômeno químico feito no CÉREBRO que transmite sensações a nós como qualquer outro sentimento.
– Isso não é o suficiente para explicar a vontade imensurável que tenho de estar junto a vc
– Esse é mais fácil de explicar ainda, hormônios, qualquer animal tem
– Oxi, ta me chamando de animal?
– E humano é o que? Planta?
– kkkkk, só vc mesmo. Então me diga bruxinha, já que é de uma espécie tão superior, explique as poções do amor e todas essas coisas de bruxa relacionadas a isso “q n existe”
– Aprenda uma coisa, toda magia é uma ilusão. Assim como um magico é um humano que mente muito bem, um bruxo é um ser místico que pode controlar tudo que vem da natureza, com a natureza, ou as trevas. As poções do amor, como muitas outras poções, são apenas líquidos que alteram sentidos no cérebro dos humanos.
– Desisto, vou ir a mansão dos vampiros ver Davina... você não vai acreditar no que se hospedou lá
– Quem?
– A irmã de Davina, uma kirian metida chamada Sofi.
Tendo entender o porquê de minha irmã ter gritado ao saber disso, até que vou mais fundo em sua mente e descubro que as mães dos Maikles e Mystic tem acesso a todas as conversas deles e Sofi é uma antiga inimiga de Carolyne, pois matou a grande amiga da bruxa.
— Ela virá ao meu encontro, era só o que me faltava, essa bruxa me importunando, esse Daniel vai ter o que merece. Um pequeno inoportuno por outro. O único cara que já conseguiu namorar Sânia é uma boa ideia. – sussurra Sôfi com as paredes de seu quarto
Na mente da bruxa ela encontra o número do ex, descobre ainda que o homem foi a paixão mal resolvida de Victory.
– Mais discórdia, esse lugar estava mesmo precisando de um pouco de ação, muito amor e paz para o meu gosto — pensa Sôfi, na penumbra de seus aposentos.
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