Aos olhos da guerra
6 Cap 5- Consequências
Notas iniciais
ok lindezas...preparem o calman para qm chora mtu...e o propanolol pra qm n aguenta emoçoes fortes...hahahah! n to zoando espero ter passado toda a dramaticidade do cap...eu msm chorei qnd reli...( mas isso é mtu de pessoa pra pessoa...posso ter chorado pq to de tpm...sei la..)
P.S 1: Trilha sonora recomendada:
parte1 da fic: Tears in heaven - boyce avenue cover & Small bump - Ed Sheeran.
parte do funeral: Lay me down - Sam Smith
ultima parte: Coming back for you- Maroon 5.
(n precisa ser necessariamente nessa ordem n...pq eu ja nem lembro como ouvi td junto...hahaha!)
Sem mais...Boa leitura!
Acordou em um sobresalto. Passou as mãos sobre a cama e não encontrou a esposa. Na certa ja haveria de estar na lida...e ele estava atrasado.
Recolheu rapidamente tudo o que precisava e se surpreendeu por encontrar a mansão vazia. Esqueceu a necessidade do desjejum, apenas queria encontra-la. Desejava esquecer o pesadelo que tivera e abraça-la. Queria confirmar que estava tudo bem e que seus medos eram infundados.Quase não reconheceu as terras do pai. O campo perfeito remetia um cuidado extremo. A bela plantação de trigo revelava-se frondosa e ele jurou que nunca tinha visto tamanho cuidado e perfeição em tais terras.Sentiu algo atingir-lhe a cabeça e verificou o que lhe havia acertado. Uma semente. Nada no campo de trigo evidenciava a estação para tal.Uma risada gostosa de criança chamou sua atenção para um dos galhos da árvore que lhe cobria. Olhou para cima e encontrou a linda menina de pele bem branca, cachos ruivos e olhos azuis. Estava pendurada como apenas a infância sabe se equilibrar entre o perigo e o entusiasmo.–Ocê demorou a me encontrar papai...–Papai?A pequena desceu rapidamente de onde estava , em uma habilidade que o lembrava do passado.E com a mesma agilidade que havia chegado ao chão, percorreu o grande trigal da fazenda o chamando sempre que o via ficar mais longe de sua vista.–Vem papai!! Vem!!O engenheiro apenas seguia aquele pequeno anjinho que o chamava tão docemente e invadia o cenário com risadas contagiantes. Identificava traços seus no sorriso dela e particularidades marcantes da esposa na expressão curiosa e alegre. A travessura característica do casal e a desenvoltura ao escalar e ultrapassar obstáculos. Era sim sua filha...tinha certeza disso.Deixou –se levar pela pequena, ria e tentava abraça-la...mas ela sempre escapava...tal mãe...tal filha.Não queria descobrir se estava em um sonho ou se estava no céu...apenas queria segui-la...pra onde quer que ela fosse.*–Epa! Epa!- a mulher gritava e tremia ainda com a carta fechada nas mãos.Logo ouviu os passos apressados do marido deixarem o escritório e percorrerem a pequena distancia até a sala onde estava.–Mas o que foi Catarina?–Chegou mais uma carta!–Uma carta do meu fio?!- os olhos do pai se encheram de lágrimas...a cada carta que ele mandava, sua esperança era renovada.O coronel abriu a carta rapidamente ainda com o brilho dos olhos encharcados.Começou a leitura em voz alta...como sempre fazia. Era uma tática para que a mulher não o interrompesse em meio a leitura silenciosa e concentrada.–Caro senhor Napoleão é com muito pesar que informamos – O senhor parou...não queria ler o que seus olhos tinham identificado. As palavras não saiam e ele apenas sentia o peito sangrar.–O que foi Epa?....fale homem!- a madame não queria admitir mais ja sabia do que se tratava. O coronel respirou fundo e falou tudo de uma vez...com a voz embargada e as lágrimas ja rolando soltas.– O falecimento de seu filho Ferdinando Napoleão em campo de batalha. O soldado resistiu bravamente e honrou nosso pais até seus últimos momentos. A cidade em que ele estava foi bombardeada e só recuperamos a foto em anexo no envelope. Por todos seus esforços será concedida a família uma medalha de honra entregue no domingo próximo.O comando geral de guerra lamenta profundamente sua perda. Epaminondas procurou rapidamente a evidencia presente no envelope e sentiu mais um golpe no peito. Encontrou ali abandonada e quase destruída pelo fogo...a pequena foto do filho e da nora. Ainda abraçados...felizes...como nunca seriam novamente.– Meu filho Catarina...ta morto...!Meu filho ta morto!!Morto!!!O senhor da casa deixou-se cair de joelhos no chão. Chorou como nunca havia chorado na vida. Nem mesmo na morte da ex mulher.Catarina o acompanhou no gesto e o abraçou fortemente. A família Napoleão estava derrotada pela morte.*As risadas de criança eram como uma trilha sonora perfeita para o seu fim próximo. Pensava ele que morreria feliz nesse lindo sonho com a filha.Viu a pequena se aproximar de um lugar totalmente iluminado...um portal de luz que quase o cegava. Ela parou e antes de entrar o convidou mais uma vez.–Vem papai?!- ela ofereceu a mão.Ele sorriu...iria segui-la. Era sua filha e nunca iria abandona-la.Foi então que a ouviu. Um grito de cortar a alma e lhe fazer estremecer de medo.–NANDOOO!!–Gina..-ele sussurrou e se desesperou...A procurou com os olhos e só conseguia ouvir o grito cada vez mais suplicante por ele.–NANDO!!–GINA!!Gritou na mesma proporção de agonia. Olhou novamente para a filha e ela apontou para o horizonte.Observou metade do trigal secar e transformar-se em um cenário de filme de terror. A esposa estava no centro de toda a confusão que a rodeava. Ventos intensos formavam pequenos redemoinhos, plantas secas e negras que voavam e a arrastavam para longe.Ela continuava a gritar por ele e o rapaz utilizava todas as forças do pulmão para que ela o ouvisse. Sem sucesso.
Tentou chegar cada vez mais próximo dela mais uma barreira invisível os separava. Esmurrava a parede que os afastava e clamava para que ela o ouvisse...mas nada funcionava. Ela não o via...ela não o ouvia. E para seu completo desespero a viu cair...e ser puxada por um redemoinho de areia aberto no chão.–GINA! GINA!GINAAAA!!A ouviu gritar mais algumas vezes até desaparecer da sua vista...sendo completamente sugada pelo redemoinho de areia.Caiu de joelhos completamente desolado. Não poderia perde-la...não aguentaria.Ficou absorto em pensamentos por alguns segundos até sentir pequenas mãozinhas enxugarem suas lágrimas.–Volte papai. Ocê tem que salvar a mamãe. –ela o olhou nos olhos. Uma compreensão intensa refletia no azul calmo advindo dela.–Eu não posso lhe deixar também.–Ocê nunca vai me deixar papai...porque eu vou viver bem aqui.- ela apontou para o coração do engenheiro e sorriu.Ele engoliu em seco e a abraçou. A menina acarinhou os cabelos do rapaz e logo depois voltou a falar.–Eu tenho que ir. Mas não se preocupe comigo papai. Eu sei que ocês me amam muito e não foi culpa d’ocês. Eu vou ficar bem e sempre vou estar c’ocês. Eu te amo papai e amo muito a mamãe também. Por favor não esqueça e diga isso a ela também.A garotinha depositou um delicado beijo na bochecha do pai e saiu correndo em direção ao portal de luz intensa.Fez um ultimo gesto de adeus...e gritou mais uma vez.–Eu te amo papai!Ferdinando viu um pedaço de si desaparecer em meio a luz branca e começou a sentir a cabeça girar. Algo estava errado. A terra começou a tremer e ao longe ele pode ouvir uma voz gritar seu nome.–Ferdinando!! Meu amigo! Volte! Volte Ferdinando!- Renato tentava reanimar o jovem. Havia perdido o pulso do rapaz a algum tempo e temia que isso significasse o pior.Tentou a massagem no coração mais uma vez e viu o amigo corresponder as suas tentativas de ressuscitação.O engenheiro tossiu um pouco e logo abriu os olhos lentamente.–Graças a deus! Graças a deus! – o medico respirava aliviado- Você nunca mais faça isso doutor engenheiro!Ferdinando puxava o ar com força para dentro dos pulmões doloridos.–Renato? — ele ainda tinha a fala fraca e a cabeça ainda estava confusa. Mas uma pergunta era essencial.- Cade a Gina?–Calma meu amigo...ela está...- o jovem medico procurou as palavras certas. Não arriscaria a vida do amigo com mais emoções fortes.- Ela está viva.Ferdinando relaxou um pouco mais. Ela estava viva. Mas afinal de conta onde estava?–Eu...eu preciso ve-la Renato...- o rapaz começou a tentar se levantar contrariando as orientações do amigo.–Não Ferdinando. Calma! Fica ai deitado. O seu coração parou meu amigo. Va com calma. Ela...ela...está viva...você pode ve-la depois.O engenheiro identificou uma falha na voz do medico. Sabia que havia alguma coisa errada ...alguma coisa que ele estava escondendo.–Renato...me fale...o que aconteceu?– O que?–Não se faça de besta meu amigo...eu sei quando está escondendo alguma coisa.–Ferdinando...me ouça...não é a melhor hora para falarmos sobre isso...descanse...você acabou de voltar da morte. E não há motivo para agonia.–Não mesmo?–Bom...não mais.–Renato...ocê me conhece....me fale logo o que aconteceu? Cade a Gina?O medico respirou fundo e rezou para que a informação não levasse o amigo a óbito novamente.–A Gina está bem Ferdinando...só que...–Só que...–Ela perdeu o bebê.O engenheiro sentiu o mundo girar novamente mais se recusou a cair. Ao invés disso...deixou que os soluços invadissem o local. Foi confortado pelo amigo e deixou que as lágrimas traçassem o caminho da dor.Permaneceram abraçados por alguns minutos até a voz de Viramundo chamar a atenção.–Doto! Corra aqui! É o Zelão!Com a retirada do médico, Ferdinando pode analisar o lugar em que estava. Era uma grande casa...com detalhes fortes de poucas riquezas e muita simplicidade. Ainda assim o quarto em que se encontrava era grande o suficiente para caber 3 dos seus quartos antigos de república.Tentou levantar-se mesmo contra as orientações médicas. Respirou fundo com a dor que sentiu ao forçar-se para cima. E apoiar os braços na cama. Sentiu o peito arder mais uma vez. Não sabia se havia danificado o pulmão ou se ainda eram reflexos da força utilizada por Renato para traze-lo de volta.Reparou nas faixas e curativos que lhe cobriam os braços e metade do tronco. Reparou que, pelo menos, as pernas haviam sido poupadas e tentou alguns passos cambaleantes. A marcha lenta em direção desconhecida era marcada por tremores e dores que se lançavam em todas as extensões nervosas de seu corpo. Uma agonia tremenda. Um corpo que implorava repouso....mas um coração que ansiava o outro de forma a anular todos os viés.Chegou ao final do quarto apenas para encontrar um corredor imenso e várias portas abertas. Os objetos caídos no chão revelavam a fuga apressada dos donos originais da casa. Uma leve camada de poeira ainda assentava e Ferdinando reparou no silencio que se fazia. O ataque havia acabado. Não sabia quantos dos seus haviam sobrevivido. Não sabia ao certo como havia escapado da morte.As reflexões o acompanhavam em seu tour pelo imóvel. Tentava se lembrar do acontecido mas a única coisa que lhe vinha a mente era uma lembrança vaga entre a mistura dos olhos da amada e o adeus da filha. Agora tinha certeza de que realmente havia se encontrado com ela. Em algum lugar entre a vida e a morte...havia conhecido e perdido a herdeira. Não demorou a descobrir que a esposa estava no quarto ao lado do seu. Parecia tranquila em seu sono. Tinha a garantia de Renato que ela estava bem. Mas a aflição que os olhos fechados dela, em conjunto com os curativos na cabeça e no abdômen, o traziam eram dolorosos demais.Sentou-se ao seu lado na cama em que repousava e se demorou fazendo pequenos carinhos no rosto cobertos por alguns arranhões. Estendeu-se até o colar de camafeu que ele havia lhe dado e sorriu tristemente.Percebeu que as mãos dela ainda abraçavam o ventre. Involuntário ou não o gesto foi o suficiente para lhe fazer tremer com a proximidade das lágrimas. Segurou-lhe uma das mãos e fez pequenos círculos com os dedos. Deixou que o pranto lhe lavasse a alma e jurou.– Eu te amo tanto. Nós vamos superar meu amor...eu lhe prometo. *–Ele está pálido demais !- Viramundo havia aprendido rapidamente a diferenciar um morto de um vivo e sabia que a coloração do amigo capataz estava longe de ser saudável.– Ele perdeu muito sangue...eu não sei se vou..–Renato! Eu lhe peço por favor....salve o meu marido!O médico nunca pensou que passaria por um momento como aquele. Seu grande amor implorando pela vida de um outro amor.A olhou de forma profunda. Ela havia se machucado bastante mas, ainda assim, tinha sido a mais poupada entre os quatro. Teve um dos braços perfurados por um pedaço de ferro durante a explosão e o tornozelo torcido. O grande problema havia sido o sangramento...que quase a deixou no estado de Zelão.–Eu temo que para casos assim precisarei de mais do que a medicina minha cara.–E de que você precisa?–Sorte....e uma boa dose de fé.–O doto vai precisar de que?- O violeiro passava a ser enfermeiro. Sem a ajuda do amigo...Renato, talvez tivesse perdido a todos.–Eu vou precisar verificar o tipo sanguíneo dele e fazer uma transfusão imediatamente. O problema é que esse tipo de aparelho eu so vou encontrar no hospital e...ele foi parcialmente destruído.–Eu vou la!–Você ta maluca Juliana.–Fique aqui professora. Eu vou lá. Me diga o que preciso trazer doto!Renato olhou para os dois ...era uma situação complicada mais que se obtivesse sucesso...salvaria mais do que uma alma naquele dia. Respirou fundo e descreveu detalhadamente o que precisava enquanto Juliana revirava os armários do local a procura de uma bolsa grande o suficiente para trazer os remédios.–Tome cuidado Vira e volte o mais rápido possível.–Pode deixar doto!Assim que o violeiro saiu Renato se pôs mais uma vez a examinar o capataz.–Obrigada Renato...mesmo.. eu nem sei....eu nem sei o que lhe dizer..- a voz falha da professora denunciava uma gratidão intensa misturada a uma culpa enorme.–Ainda não me agradeça...ainda temos muito o que fazer. Veja bem Juliana...a explosão foi muito grande e atingiu em cheio o lugar onde os militares estavam. Assim que ouvi a primeira bomba...tentei voltar para resgata-las mas tudo aconteceu muito rápido...Quando cheguei no local pude perceber que o estrago fora maior do que eu imaginara.
Eu e o Vira nos desesperamos quando não achamos vocês na ambulância...foi então que eu ouvi...um som...parecido com o de uma buzina...porem bem fraco. Era um jovem militar...ele tinha apenas o tronco. Tinha perdido as pernas com a força da explosão. Ele conseguiu me guiar até ele. Eu...eu não pude fazer nada...ele me olhou e apenas apontou na direção de vocês. Acho que ele sabia que estavam vivos...até por que vocês estavam bem distantes dele. Ele não me disse nada...não me disse o nome...apenas ficou fazendo o mesmo som de buzina.. até...- o medico deixou as lágrimas escorrerem descontroladamente- Até morrer nos meus braços. E eu prometi Juliana....que se eu os encontrasse...não olharia o passado. Tentaria salva-los....como não consegui fazer com aquele pobre jovem.–Renato...eu não...–Então Juliana...se me pergunta se estou fazendo isso por você ou pelo Zelão...apenas quero lhe garantir que não farei nada contra vocês. Eu sou um médico....e apesar do passado que compartilhamos...nunca estragarei o futuro de ninguém.A moça engoliu em seco e também deixou as lágrimas ditarem o caminho.Renato recomeçou a avaliação do estado do paciente e pode identificar algumas razões por detrás do ataque.–Pelo que posso perceber...Zelão era o que estava mais próximo da bomba. Como ja lhe disse a explosão aconteceu na área onde os militares estavam...o caso é que por algum motivo... Zelão e Ferdinando estavam bem afastados do grupo e puderam escapar de uma tragédia maior. –Foi a Gina!–O que?–A Gina saiu a procura do Ferdinando e ele a escutou....foi por isso que ele saiu do lugar em que ele estava....foi a Gina...que salvou o Ferdinando e o Zelão.–Admirável devo dizer...mas a um custo muito caro também.Juliana apenas abaixou a cabeça....sabia o que as palavras do médico significavam.–No entanto a força da bomba foi suficiente para lança-los a uma boa distância. Isso pode ter causado um choque na coluna do Zelão e com a explosão vários estilhaços de ferro foram espalhados. Um deles perfurou o seu braço e outro o ombro do seu marido. Eu tive muita dificuldade em estancar o seu sangramento que foi em uma área menor do que a dele....e por ser uma área de grande vascularização temo que ele tenha perdido mais sangue.O procedimento que pretendo fazer, isso se o Viramundo conseguir trazer o aparelho, é complicado. Preciso primeiro saber qual o tipo sanguíneo do Zelão e se temos algum doador compatível para então realizarmos a transfusão.–Mas se você conseguir...ele vive?–Eu creio que sim.*Pedro ainda tinha as olheiras de cansaço e o olhar de tristeza quando desmoronou na poltrona de casa.–Oce não me digue isso! Eu não posso crede que isso seja verdade- a voz baixa não lembrava em nada o homem expansivo que era.–Pois é sim senho Seu Pedro. A madama Catarina me pediu pra ieu vim aqui lhe contar. Ela pede descurpas por não vir pessoalmente – A própria Amancia não largava o lenço encharcado de lágrimas. Um casal tão apaixonado. Pessoas tão maravilhosas...separadas pela guerra e agora pela morte.–Nos intendemos fia...eu só não...posso...eu não quero acreditar.Os soluços que Dona tê dava eram de cortar o coração. Balbuciava palavras como “Deus dos exércitos” “por que” “Nandinho” “minha filha” e voltava para o começo de todas elas.Ainda não sabiam do paradeiro da filha...mas entendiam que se um dia ela voltasse...viveria de tristeza.– O coroner ta marcando o velório e funerar pra amanhã.–Mas ja? Não vão esperar o menino chegar?–Não encontraram o corpo não senho. So encontraram a foto de casamento.A informação fez dona tê aumentar algumas notas no choro dolorido e Pedro respirar fundo e apertar os olhos com as mãos para não deixar as próprias lágrimas saírem .–Obrigado minha fia...–Não ha de que Seu Pedro...e...meus pêsames.O fazendeiro apenas acenou com a cabeça. Esperou a cozinheira ir embora para se levantar e sentar na cadeira mais próxima da janela que dava para o trigal.Deixou que o choro viesse tímido e doido. Raso e sincero. Do jeito que só um sogro apegado ao genro sabia chorar.*–Ta aqui doto!–Graças a deus!–Ainda não comemore Juliana- o medico conferia o material enquanto arrumava tudo em cima de uma mesa.–Vira precisaremos de uma cama ou uma poltrona aqui. Você pode conseguir?–Claro.–O que eu faço Renato?–Repouse.–Eu não posso...–Pois tente.Viramundo logo voltou com uma pequena poltrona e a posicionou do lado da cama do capataz.–Certo. – o médico quebrou um copo de vidro que estava usando para umidecer algumas compressas e separou um dos pedaços- Agora vamos ver se somos compatíveis. Me de o seu dedo vira.Renato pegou um dos cacos e furou o próprio dedo, o dedo do violeiro e do capataz. Colocou algumas gotas de sangue na lasca de vidro do copo quebrado e procurou imediatamente os fatores de coagulação que pedira ao amigo para trazer.Viu o sangue reagir e descobriu que estavam perdidos.–Droga!–O que foi!–Não somos compatíveis.–E o que isso quer dizer?–Quer dizer que se eu ou o Viramundo doarmos sangue para o seu marido...ele vai morrer e se não o fizermos....ele não vai resistir.–Pois teste o meu!–Não Juliana! Isso ta fora de cogitação! Você ja perdeu muito sangue!–Eu não ligo!–Mas você vai morrer!–EU NÃO LIGO!O silencio dominou o local apos a declaração da professora.–Você não entende...–Não Renato...você que não entende....eu sou capaz de tudo para salva-lo...por que salvando ele eu estou salvando a mim mesma! Eu o amo...Renato...por favor....- a moça agora não refreava o choro- eu o amo! Eu não vou sobreviver sem ele! Por favor! Renato respirou fundo. Desejava que a declaração fosse sobre ele e não para ele. Lutou contra o próprio orgulho e repetiu o exame na moça.Juliana viu todos as misturas se transformarem em um belo agregado de células sanguíneas...tais quais as do marido.–É...pelo jeito...o seu amor é forte mesmo. Vocês são compatíveis. A moça respirou aliviada e se pois imediatamente na cadeira ao lado do amado. Renato preparou todo o equipamento e teimou em perguntar mais uma vez antes de começar o processo.–Você tem certeza Juliana...isso pode....isso pode te matar.–E eu morrerei feliz se for para salva-lo. O medico fechou os próprios lábios fortemente, fez um leve aceno de concordância e deixou que a agulha do equipamento direcionasse o sangue do corpo de um para o corpo do outro.*O dia seguinte chegou triste para a vila de Santa Fé. Alguns dos trabalhadores não mais voltariam e o céu nublado parecia ter entrado de luto assim como os moradores.Mãe Benta ainda tinha a carta amassada e segura nas mãos enrugadas. Não importava quantos benzimentos havia feito ou quantas horas tinha passado rezando. O filho estava morto, a nora desaparecida. De repente ela se via sozinha. Única sobrevivente de uma família devastada pela morte.Respirou fundo mais uma vez e tentou se perguntar qual, entre todos os pecados cometidos na vida, merecia tal provação.Não estava sozinha...como ela ...uma multidão de corações dilacerados seguiam os caixões rumo ao cemitério. Todos fechados. Alguns com corpos tão degradados que apenas trariam dor se abertos...e outros vazios...evidenciando que nem o físico fora deixado na terra.A vila estava em silencio. Apenas se ouviam lamentos baixos, choros e soluços dolorosos. Cada um dos heróis de guerra foi colocado lado a lado com seus companheiros. As fotos ao lado de cada sepultura expunha a alma que descansaria ali. As famílias se aglomeravam perto de seus mortos...alguns curiosos apenas procuravam entender como pessoas tão cheias de vida foram resumidas a retratos , caixas de madeira e flores.A família Napoleão era uma das primeiras na fila que se seguia de dor. Ao lado, a foto do tão inseparável amigo da família cumpria seu dever de nunca lhe faltar. Ambos os caixões vazios revelavam uma esperança doida que era chamada de ilusão. Epaminondas mantinha-se sério. Havia chorado tanto que perderá as expressões. Catarina mantinha os óculos escuros que escondiam a maquiagem borrada pelas lágrimas. Segurava a mão de Pituca e com a outra segurava o lenço ja úmido. Lepe pensou que nunca na vida viveria um dia tão cheio de sentimentos tão desconhecidamente tristes. Nunca perderá alguém na vida. Não alguém que realmente importasse. Procurava se mostrar útil para não sucumbir a realidade. Mantinha –se do lado da irmã, que não escondia o quanto a perda do irmão a estava afetando. Tremia a cada soluço mais forte...e recusava ser amparada ou confortada. Seria melhor colocar para fora toda aquela dor. Toda aquela mistura confusa de procurar entender que nunca mais veria o mano Nando. Serelepe ora afagava os cabelos da irmã....ora segurava a mão de Mãe Benta. Seu lugar era estratégico. Entre Pituca e a mãe de Zelão. As amava demais para as ver sofrendo tanto.Do outro lado, Seu Pedro e Dona tê se abraçavam e controlavam a vontade de cair no desespero. Estavam sem a filha e agora...sem o genro. Sabiam que naquele dia estariam enterrando os dois...ja que se um dia voltasse ela também não aguentaria a notícia.O padre começou a falar e cada linha bíblica dita servia de consolo para alguns e apenas palavras jogadas para outros.Cada um agarrava-se ao que podia para se manter são....para se manter vivo.Nem Padre Santo conseguiu sair ileso de tal cerimonia. Engasgou algumas vezes, deixou lágrimas escorrerem em outras. Ao fim pediu para que apenas um membro da família tivesse a honra de jogar a primeira pá de terra sobre o caixão de cada ente querido.Epaminondas caminhou na missão mais difícil de sua vida. Olhou mais uma vez para a foto do filho. Acariciou o porta retrato em que era mantida e desejou ve-lo uma vez mais.–Eu te amo meu fio...meu orgulho....meu fio...- Deixou uma lágrima grossa rolar em seu rosto. Retirou do bolso a foto de casamento destruída que recebera no envelope e a deixou cair em cima do caixão que ja estava fundo no chão.Se despedia dos dois. Da nora e do filho. Daquela realidade feliz. Enterraria uma parte de si. E o fez com a força que apenas um pai teria de esquecer e desejar que ao menos....descansassem em paz. Deixou a areia cair no caixão...soterrando a foto...sepultando a felicidade.*Renato passou a noite em claro...e não foi o único. O médico ainda estava atormentado com a morte do jovem soldado, o susto com os amigos e a forte declaração de Juliana. Já Ferdinando dava, apenas, breves cochilos a espera do acordar da esposa. Viramundo tinha arranjado um dos quartos perto de todos. Queria estar apostos caso precisassem.Juliana desmaiou logo após o fim da transfusão. Um desmaio mais de cansaço do que de falta de saúde propriamente dita. O procedimento foi um sucesso e Zelão ja havia recobrado a cor. Porém não a consciência. Ele e Gina continuavam fora da realidade e ninguém sabia ao certo como reagiriam ao voltar a ela.Alguns raios de sol denunciavam a manhã de céu claro. A professora ainda tinha a mão entrelaçada a do marido quando sentiu um leve aperto.–Zelão?O viu se movimentar levemente e gritou pelo médico que apareceu imediatamente do lado do paciente.–Calma Zelão...está tudo bem...pode acordar tranquilo.O capataz fez uma breve careta ao ouvir a voz do medico mas sentiu que a maciez da mão que segurava a sua não poderia pertencer ao dono da voz que o orientava.–Zelão...meu amor...você esta bem..? Zelão?O rapaz abriu os olhos lentamente e sorriu ao encontrar o olhar azul anil que o alimentava de amor.–Minha fro...–Ai Zelão!!- ela se atirou nos braços do marido e o sentiu tremer de dor.–Ai me desculpe meu amor...mas e que eu não pude resistir e...–Seu carinho nunca vai me machucar meu amor...- ele riu fracamente.Renato estava sendo testado e sabia disso. Calou no primeiro momento mas agora deveria assumir a posição de medico novamente.–Como esta se sentindo Zelão?–O que esse dotorzinho ta fazendo aqui?–Zelão....o Renato...nos salvou...ele e o Viramundo. Se não fosse por eles nós...ai...eu não quero nem pensar.–Entonces...obrigado dotorzinho.–Não me agradeça...não fiz nada além da minha obrigação como médico...agora me diga....como se sente?–Um pouco cansado. Parece inte que uma boiada passou por todo o meu corpo.–Mas fora isso você sente algo diferente?–Não...–Otimo então...–Não!!!- ele arregalou os olhos e sentiu um pavor enorme no coração.–O que foi meu amor?!- a agonia era evidente na voz da esposa.–Juliana...eu não sinto...–Do que você esta falando Zelão?–Eu não sinto as minhas pernas!*Ferdinando ia mergulhar em mais um cochilo quando sentiu a cama mexer.Olhou atentamente para a mulher e percebeu que a mão que outrora estava no ventre agora estava na cama.
–Você se mexeu....eu sei que sim...menininha?...meu amor...esta me ouvindo?...Gina?A viu reagir ao nome e tentou mais uma vez.–Gina...acorde por favor...Gina...Sentiu o coração acelerar quando a viu abrir os olhos. O castanho que sempre amou voltava a ter o brilho da vida que o deixava extasiado.Ela piscou algumas vezes e franziu a testa. Do modo que fazia quando não concordava com algo ou quando não entendia nada.–Você está bem Gina...está segura.A moça direcionou a atenção para a voz que ouvia e o olhou com olhos perdidos. Uma confusão imensa estava instalada em suas expressões. Ferdinando a olhava esperançoso, apaixonado. Com ela, ele estaria completo. Estava pronto para enfrentar o futuro, superar as perdas mas nada no mundo o preparou para o que veio a seguir.Ela piscou algumas vezes antes de dizer as palavras que o desestabilizariam.–Quem é você?
Notas finais
Nem preciso dizer q preciso mtuuu da opnião de vcs ne?! obg por td amores!!Espero q tenham gostado!!*.*
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