Aos 16
24 Capítulo XXIII - Convite para sair
Notas iniciais
Como estou sem a chave de casa, pego a chave reserva escondida atrás do extintor de incêndio do corredor e entro em casa. A casa está vazia, um verdadeiro breu, pelo menos o meu plano de chegar sem ninguém saber deu certo. Respiro fundo e me jogo no sofá, depois de um tempo meditando em tudo que aconteceu, percebo que estou com fome, então me levanto e vou até a cozinha preparar um lanche.
Assim que chego na cozinha encontro um bilhete da minha mãe pendurado na geladeira.
Lise,
Fomos para casa da sua tia resolver a mudança, quando chegarmos iremos ter uma conversinha.
Mamãe...
Eu já sabia como seria essa tal “conversinha” que ela queria ter comigo, mas não me abalei, eu não havia feito nada de errado, nada que uma adolescente na minha idade não faria, mas mesmo assim, a culpa me corroeu e uma duvida surgiu em meus pensamentos. Porque eu não lembrava de quase nada da festa depois que eu chutei o Ian?
O telefone de casa me tirou do meu transe, corri para atendê-lo.
– Alô?
– Acho que você esqueceu algo. – diz Ian com a voz risonha.
– Não acho. Acredito que foi você que esqueceu de me dar. – retruco irritada.
– Que tal vim me encontrar no shopping? – propõe.
Penso varias vezes numa resposta articulada, com por exemplo: vai se fuder. Mas no fim opto em ser educada.
– Melhor não.
– Pensei que você queria seu celular de volta.
– E quero. Você poderia trazê-lo aqui, na verdade você devia tê-lo me dado mais cedo.
– E perder a oportunidade de almoçar com você.
Então era isso, ele estava jogando, não preciso nem apostar que ele já tinha tudo esquematizado, mas o que eu podia fazer, eu precisava do meu celular.
– Ian por favor. – implorei.
– Não, se você quiser vai ter que ser do meu jeito.
– E se eu não for?
– Sua mãe não ficará feliz em ver uma certa foto, da filhinha dela na cama com um garoto.
Filho da mãe!
– Você não pode fazer isso. — disse assustada.
– Paga para ver.
– Você é um idiota, filho da mãe...
– Agradeço pelos xingamentos, mas gostaria que você se apressasse. Estou morrendo de fome, já que não consegui tomar meu café da manhã. Até daqui a pouco. – e desliga o telefone na minha cara.
Olho indignada para o aparelho e o bato com força na mesa. Ele iria me pagar. Ah se ia.
***
Depois de me arrumar e de xingar o Ian de tudo que não prestava enquanto tomava banho, cheguei ao shopping uma hora depois e fui em direção a praça de alimentação. Que era o lugar que havíamos marcado. Sem esquecer que eu estava morrendo de fome.
– Finalmente. – disse emburrado.
– Se você tivesse me dito o plano estúpido de roubar meu celular, só para me chamar para sair, eu havia demorado mais. – respondi sarcástica e ele me olhou curioso, depois sorriu. – O que foi?
– Nada. – desconversou.
– Ian e sua bipolaridade. – divaguei.
– Você adora me chamar de louco.
– E você de me irritar. Agora vamos ao que interessa, me dá meu celular. – pedi estendendo a mão, mas o que ganhei foi a mão de Ian sobre a minha e seus lábios em minha palma, um arrepio me subiu até a espinha. Puxei a mão. – O que você está fazendo?
– Nada. – disse sorrindo.
– Ian, é serio, eu quero o meu celular de volta.
– Eu devolvo seu celular assim que terminarmos de almoçar, tomar sorvete e passear por aí.
– O que você está tramando?
– Porque eu tenho que está tramando algo?
– Não sei. – dei de ombros. – Será porque você ultimamente está sendo um pouco “sociável” comigo?
– Eu já disse Lise, isso aqui é simples e pura conveniência. – sorriu malicioso.
– Eu sabia. – gritei como se tivesse descobrido a cura para o câncer. Percebi que havia chamado a atenção de algumas pessoas próximas e corei envergonhada. Ian riu.
– E se for? Qual o problema? Você devia estar feliz de ser convidada por mim. — deu ênfase na ultima palavra. — para sair.
Convencido.
– Você não me convidou, fui praticamente obrigada. – resmunguei cruzando os braços.
– Pare de reclamar Lise e aproveite-se da situação, entre no jogo.
– Não quero jogar, já disse que não quero fazer parte disso.
– Desculpe-me querida, mas você já está atolada até a cabeça. — disse olhando o cardápio e escolhendo o seu almoço.
– Eu te odeio. — soltei irritada.
– Não se preocupe, o sentimento é recíproco.
– Então porque não me deixa em paz? – perguntei frustrada.
– Por um único motivo: Natanael Bolton. – disse com um sorriso traiçoeiro.
E eu soube que estava perdida, graças a Ian Fraser.
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