Aos 16
47 Capítulo XLVI - Beijo Roubado
Notas iniciais
Sei que posso está sendo paranoica e até um pouco radical, mas lá no fundo eu sinto que está não é a verdadeira história e que algo está faltando, não que eu esteja duvidando das informações da policia, mas tem algo que não bate e ver essa foto, me faz perceber que eu estou certa.
— Ela era muito bonita. – digo encarando o Ian que até então não disse nada. Pela minha cara ele sabe que eu sei, não sei o que, mas sabe. Ele se levanta pega a foto de minhas mãos a colocando no lugar.
— Vamos para a aula. – pega minha mão e me guia, não ofereço resistência e acho melhor me calar por enquanto.
Monique que até então está escorada na porta não diz nada e nos segue para a aula, a qual estamos atrasados. Entramos sem dizer nada e o professor só estreita os olhos, nos sentamos e esperamos o tempo passar.
Dei um pulo da cadeira quando o sinal tocou na ultima aula do dia, minha cabeça estava cheia, cheia de perguntas sem respostas e sem alguém que pudesse sanar minhas duvidas, não adiantava perguntar e eu não iria gastar saliva com quem não fosse me responder, por isso resolvi deixar essa história para lá. A Eva, que Deus a tenha já morreu e não posso reverter essa situação, infelizmente. A policia já investigou a história e se eles dizem que é suicídio quem sou eu para discordar, essa história já fez muita gente sofrer, para que vou ficar revirando o passado e como o Ian disse ontem, o passado está morto e enterrado, sei que parece um pouco rude de sua parte, mas ele tem razão, o melhor que tenho a fazer é esquecer isso e continuar minha vida, e a primeira coisa que preciso fazer é acabar com o Ian, não tem sentido continuarmos com esse namoro.
Pronto, eu tomei uma decisão.
Encontrei o Ian escorado no meu armário, suspirei com aquela visão, ele estava descontraído e calmo. Me aproximei abrindo o armário e guardando meus materiais.
— Oi. – saudei.
— Oi. Estava te esperando, pensei que podia te levar para casa. – fechei o armário e me dirigi para a saída, ele segurou minha mão. Finge que era uma coisa normal, mas por dentro eu estava em estado de descontrole.
— Você sabe que se fizer o que fez ontem, minha mãe nunca mais vai deixar você me da uma carona.
— Sei, mas eu prometo que a levarei para casa hoje.
Saímos da escola e paramos perto do estacionamento, me virei para ele, nossas mãos ainda entrelaçadas.
— Mas não vai rolar, acredito que a minha mãe já esteja por aqui me esperando.
— Tudo bem, então... – mas ele não terminou a frase, porque uma louca que havia me ignorado a semana toda se jogou em meus braços.
— Ah Lise, estou tão feliz que você e o Nate voltaram a ser amigos. – seu sorriso maldoso não me passou despercebido, muito menos o revirar de olhos de Nate que estava atrás dela. Mas o olhar de Ian era o pior, ele parecia que ia me matar a qualquer momento.
— Clara. – disse mais em forma de advertência do que saudação, mas ela me ignorou.
— Pensei que agora que voltamos a ser amigas você podia ir a festinha que vai rolar na casa do Natanael.
Então era isso, ela só era minha amiga se eu fosse de Natanael? Isso é que era lealdade.
— Lise. – sua voz era grossa e perigosa, encarei os olhos profundos de Ian. – Pode me explicar o que está acontecendo?
Tentei responder, mas Nate veio ao meu auxilio.
— Não está acontecendo nada, eu e a Lise conversamos e nos resolvemos, só isso.
— Não se intrometa Bolton, a namorada é minha. – ele saiu me arrastando pelo braço de volta ao colégio, vi o carro da minha mãe estacionado.
— Lise. – chamou saindo do carro.
— Mãe só um minuto, esqueci algo lá dentro, já volto. – não sei se ela acreditou muito já que pela cara do Ian ficava difícil acredita nessa desculpa, qualquer mãe se preocuparia com sua filha indefesa.
Ian me arrastou pelo corredor quase vazio até uma sala de aula próxima e nos trancou lá.
— Agora pode me explicar sua repentina amizade com seu ex?
— Ele não é meu “ex”. — disse na defensiva.
— Que seja!
— Acho que devíamos terminar. – disse de uma vez.
— Como?
— Nós devemos terminar.
— Nós não vamos terminar. – ele se aproximou de mim. – O jogo só acaba quando eu disser que acabou.
— Você não pode me obrigar.
— Não preciso. – disse convencido e me beijou.
Sua mão agarrou minha cintura e com a livre segurou meus cabelos, não ofereci resistência, não tinha porque, eu queria esse beijo desde sábado a noite. Que vantagem teria em namorá-lo e não tirar uma casquinha?
— O que foi isso? – perguntei quando paramos ofegantes.
— Minha prova de que se você quisesse terminar não teria correspondido. – o empurrei.
— Idiota!
— Pode negar o quanto quiser, mas você quer isso mais que eu. – sorriu e mudou do assunto. — Tudo bem, você quer ser amiguinha do Natanael, você será, mas não se esqueça de quem você é namorada...
— ...de mentirinha. – completei, ele sorriu. Essa resposta era a minha concordância. Merda!
— De mentirinha.
O sorriso sarcástico de Ian me fez pensar que talvez não tenha sido uma boa ideia voltar a ser amiga do Nate. Na verdade nada do que tenho feito ultimamente tem sido bom. Mas agora o que posso fazer a não ser afundar com o barco?
Pelo menos minha mãe não fez muitas perguntas quando cheguei ao carro, Clara e Nate também estavam a minha espera quando voltei ao estacionamento, mas não me demorei com eles, só acenando quando passei, eu estava com vergonha e cara de culpada, e era isso que o Ian queria, que todos soubessem o que tínhamos feito. Meu rosto corado e lábios inchados era prova suficiente de que eu não esquecera nada no colégio e só tinha voltado para roubar uns beijos de meu suposto namorado.
Canalha!
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