Aos 16
5 Capítulo IV - Enfermaria
Notas iniciais
Fui levada para a enfermaria, eu estava me sentindo muito mal por estar enganando as pessoas que pareciam estar preocupadas comigo, mas que escolha eu tinha? A enfermeira passou um pano com álcool perto do meu nariz e eu abri os olhos, ela mediu minha pressão, temperatura e como não encontrou nada, disse que eu estava bem e que poderia ter sido ansiedade do primeiro dia de aula. Eu tinha outro nome para isso, mas preferi deixar quieto.
Pediram para que eu ficasse em observação até a minha mãe chegar, já que faltavam poucos minutos para que as aulas acabassem, não viram sentido em me deixar voltar para a sala, o pior era que eu iria perder o ponto da atividade por causa daquele fúfio¹.
Ao meu lado na outra maca havia uma garota loira com um galo na testa, ela parecia pensativa e ao mesmo tempo irritada.
– Deve estar doendo. – puxei conversa.
– Muito, mas Andreia já me deu um analgésico.
Andreia era a enfermeira que atendia os alunos por aqui, ela era uma senhora de meia idade bem legal.
– O que aconteceu? – perguntei curiosa.
– Cassandra aconteceu. – disse amargurada.
Como? Cassandra? Será que ela está falando daquela loira de nariz empinado da sala de aula. Aquele garoto também a chamou pelo mesmo nome.
– Desculpe? – perguntei sem entender.
– Deixa para lá, você não vai entender mesmo.
– Se alguém fez isso com você, não seria melhor dizer a diretora ou alguém responsável?
Ela olhou para o teto e suspirou.
– Deixa eu te dar um conselho, se você quiser sobreviver aqui no Santa Mônica o melhor que tem a se fazer é ficar de bico calado. – disse tranquilamente. – Até porque o que é dela estar guardado. – disse numa voz assombrosa.
Eu estava assustada e acho que deixei transparecer algo, porque a garota me olhou e riu.
– Desculpe, não queria assustá-la. Prazer. – disse estendendo a mão ainda deitada. – Me chamo Monique.
Me recuperei do choque e apertei a sua mão ainda deitada.
– Annelise, mas pode me chamar de Lise.
– Então Lise, o que te trouxe para a enfermaria? – perguntou interessada.
– Inventei um desmaio para que um idiota matasse aula. – disse irritada.
Monique riu.
– Bom. Pelo menos você não está com um galo na cabeça. – disse apontando para sua testa.
– Verdade. – ri.
Monique parecia ser uma pessoa legal, mas meu julgamento com as pessoas ultimamente estava falho já que a Lili parecia uma garota legal também. Mas sendo amiga daquela loira eu tinha minhas dúvidas.
– Monique? – chamou a enfermeira. – Seu pai chegou.
– Já estou indo.
Ela se levantou da maca e pegou suas coisas.
– Até amanhã Lise e seja bem-vinda ao Santa Mônica. – disse com um piscar de olho e saiu.
– Obrigada. Eu acho.
Fiquei pensando em tudo o que ela havia falado, essa tal de Cassandra deve ser uma pessoa muito má para ter machucado a Monique, o melhor que faço é ficar fora do seu caminho.
– Annelise? — olhei para a enfermeira. — Sua mãe chegou.
Me levantei da maca, me despedi de Andreia e fui em direção a saída, o sinal ainda não havia tocado e eu agradeci por poder ir para casa sem mais incidentes. Entrei no carro e fui recebida com um olhar de preocupação.
– Iremos para o hospital, não confio no diagnostico da enfermeira.
Hãm? Hospital?
– Não precisa, mãe. – era só o que me faltava.
– Como não? Você desmaiou Lise.
– Não mãe, não precisa eu estou bem, foi só ansiedade, a senhora mais que ninguém sabe o quanto eu estava ansiosa por esse dia.
Meus argumentos fizeram efeito já que ela abriu um pequeno sorriso para mim. Suspirei mentalmente.
– Você tem razão, você estava muito nervosa.
– Está vendo, isso deve ter desencadeado o desmaio.
– Tá bom, sem hospital, mas quando chegarmos em casa você irá descansar.
Assenti e ela relaxou no banco.
– E como foi seu dia? – perguntou mudando de assunto e curiosa.
Um inferno!
– Uma maravilha. – disse com um sorriso amarelo, e ela sorriu de volta.
***
No dia seguinte, cheguei um pouco desanimada ao colégio, estava me sentindo mal por continuar mentindo para a minha mãe. Por causa da mentira do desmaio ela passou a noite no meu encalço, oferecendo água, chá, suco, medindo minha temperatura e pressão. Eu amava ser mimada por ela, mas sabendo que todo esse cuidado era fruto de uma mentira, era desumano.
Estava pegando meus materiais no armário quando uma garota com o cabelo em estilo californiano jogou os braços pelos meus ombros, me assustei.
– Garota, você sabe como animar o primeiro dia de aula, você é o assunto mais comentado do colégio. – falou empolgada.
Maravilha! Pensei amarga.
Seus olhos cinza sorriam para mim, ao seu lado estava um moreno musculoso, que me avaliava de cima a baixo e eu pensei por um momento que ele iria me comer.
– Não fiz nada. – disse me defendendo, eu não queria ser o centro das atenções.
– Como não? Você enfrentou a Cassandra e ainda por cima o Ian, acho que ninguém nesse colégio tem coragem para isso. – pronunciou o moreno.
Ian? Ela está falando daquele mal-educado?
– Não teve nada de corajoso no que fiz. – disse já desconcertada com essa história.
– Pode ser que não. – ela estendeu a mão. – Reynolds, Clara Reynolds.
Apertei sua mão.
– Annelise.
O moreno se aproximou e estendeu a mão também.
– Wilson, Mark Wilson.
Também o cumprimentei. Eu só queria saber o porquê dos sobrenomes, isso estava me irritando. Apesar que Monique não me havia dito o dela.
O sinal tocou.
– Nos vemos no almoço. – disse Clara se agarrando ao braço de Mark.
– Nate está ansioso pela sua companhia. – o moreno completou com um sorriso cafajeste.
Eles saíram em direção a primeira aula do dia, e olhe que o dia só estava começando.
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