Aos 16
36 Capítulo XXXV - Convite Inesperado
Notas iniciais
Depois que Cassandra chegou que foi por volta de vinte minutos depois, a diretora começou o seu monologo.
— Bem, como os pais da Senhorita Reynolds não podem comparecer por motivos de força maior. – ela revirou os olhos nesse momento, eu quase ri, quase. — ...e como sou a responsável por ela, já que sou sua tia, podemos começar com as punições. Senhora Thomas, Annelise tem sido uma boa aluna, mas ultimamente tem se envolvido em algumas desavenças.
— Que desavenças? – minha mãe olhou-me preocupada.
— Ela não lhe contou como ganhou um olho roxo, ou como se molhou no jardim. – olhei para ela abismada, aquela mentira para o inspetor sobre a aula de biologia não colou. – Ou como chegou em casa sábado a noite cheirando e grudada de ponche?
Minha mãe me olhou novamente e eu me encolhi na cadeira, o que fez Cassandra rir.
— Silêncio Cassandra. — mandou a diretora e Cassandra se encolheu.
— Não, não contou.
— Pois bem, Cassandra e Lise não veem se entendendo ultimamente, e eu proponho que elas tenham um tempo para se conhecerem, quem sabe assim essa rixa entre elas se acabe.
— Como assim tia?
— Vocês limparam todo o ginásio nas próximas horas. – disse como se fosse algo normal.
O quê?
— O quê? – essa foi Cassandra. — Pensei que os empregados já o tinham feito.
— Eles não são empregados Cassandra, são funcionários e não, não fizeram porque pedi que vocês duas fizessem isso.
— Não, eu não vou fazer. – rugiu Cassandra se levantando.
— Vai sim e não vou mudar de ideia, está na hora de você ser mais humilde, querida sobrinha.
Olhei de uma para a outra e era nítido que elas não se davam bem. Por Cassandra ser sobrinha da diretora, imaginei que ela tinha regalias, mas pelo visto me enganei.
— Você me odeia. – gritou apontando o dedo enquanto eu e minha mãe permanecíamos caladas esperando o desenrolar da briga.
A diretora Reynolds se escorou em sua cadeira e falou calmamente.
— Cassandra pare com isso, você sabe que só quero o seu bem, se meu irmão não te mimasse tanto, provavelmente você não estaria aqui.
Cassandra reprimiu um grito, o que soou como um rugido e saiu da sala irritada, batendo a porta em seguida. Ficamos em silencio sem saber o que falar, até que a diretora saiu de seu transe pela atitude da sobrinha.
— Desculpem-me, ela é muito impulsiva. – disse sem graça. Não dissemos nada, só demos um sorriso amarelo para que a diretora Reynolds não ficasse mais envergonhada. — E você Annelise, tem alguma objeção?
Dei de ombros.
— Nenhuma diretora. — Pelo, menos eu não seria expulsa, se a minha punição é limpar o ginásio na companhia da "ilustre" Cassandra, não tenho objeção, só espero que eu e ela num lugar fechado não dê merda.
***
Saímos da sala minutos depois, Cassandra estava revoltada e andava de um lado para o outro na recepção, assim que me viu, me empurrou de propósito para passar por mim que estava quase na saída.
— Que garota mal-educada. – bradou minha mãe.
— A senhora ainda não viu nada. – murmurei, entrando no corredor.
— Lise. – alguém me chamou e eu me virei, seus lábios me atacaram. Perdi o fôlego e o empurrei, ele me olhou interrogativo, quando viu a mulher parada atrás de mim. O clima ficou tenso.
— Então, você deve ser o namorado da minha filha. – ela não perguntou.
Ian se recompôs e sorriu.
— Prazer senhora Thomas. – estendeu a mão. – Sim, eu sou. Me chamo Ian.
Minha mãe apertou a sua mão concordando.
— Certo, talvez devêssemos marcar um jantar para nos conhecemos, te esperamos quarta feira em nossa casa.
Ian engoliu em seco, pude sentir o seu nervosismo.
— S-sim, se...nhora.
Ele gaguejou?
— Ótimo e não se atrase. – minha mãe beijou minha testa e saiu em disparada para a saída.
Eu estava boquiaberta, assim como Ian que não entendera nada do que acontecera. Isso tinha sido muito constrangedor. Também, quem o tinha mandado me beijar.
— O que foi isso? – perguntei ainda olhando para o corredor em que minha mãe havia partido. Segundos depois Ian respondeu e para a minha surpresa ele estava sorrindo.
— Parece que vou jantar com meus sogros.
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