Aos 16
35 Capítulo XXXIV - Preparando o Terreno
Notas iniciais
Não sei qual foi a pior notícia que dei, mas pela cara do meu pai, quando disse que estava namorando acredito tenha sido essa. Pelo menos essa noticia minimizou o impacto da minha briga. Eu nunca namorei. Claro que já fiquei com alguns garotos, mas nada sério e dizer ao meu pai que sua princesinha vai ficar por aí beijando um garoto, não é nada legal, mesmo que esse cara seja seu namorado.
— Que história é essa Lise? Quem é esse garoto? Aonde ele mora? Ele estuda com você?
As perguntas vieram como um tornado e eu suspirei cansada.
— É aquele garoto de ontem? – Helô perguntou, lhe dei um olhar mortal e ela me olhou sapeca voltando a comer, ela fez de propósito.
Obrigada querida irmã, você acabou de ferrar com a minha vida.
— Que garoto? – esse ainda era o meu pai. — Foi por isso que você insistiu tanto para deixarmos vocês a sós. O que eles fizeram Helô? – sua voz era autoritária e eu e Heloisa trememos. Ela não respondeu, mas vi as ideias brilharem em seus olhos.
— Pai. – chamei, mas ele nem me deu atenção.
— Como isso aconteceu?
— Pai. – insisti, mas não adiantou.
— Pensei que você prezasse os seus estudos.
— Querido! – minha mãe interviu. Ele parou. – Vamos ouvir o que Lise tem a dizer.
Ele acenou a cabeça concordando.
— Tudo bem, mas eu ainda quero todas as respostas para as minhas perguntas.
Olhei para o meu pai e ponderei o que eu devia ou não contar.
— Nós estudamos na SM, acabamos por nos tornar amigos e nos apaixonamos, é isso.
Eu havia usado desse mesmo artifício com Nate. Apaixonada. Pelo Ian? Acho que não. Mas ninguém precisa saber não é?
— Como assim se apaixonaram? Você não tem idade para isso mocinha.
Minha mãe começou a rir e todos na mesa a olharam sem entender.
— Oh querido, pare com isso, Lise já tem dezesseis anos é normal nessa idade se encontrar o primeiro amor. Lembra-se de quando nos conhecemos? – mamãe deu uma risadinha e meu pai corou, abrindo um sorriso logo em seguida, o que o faz beijá-la depois.
Ok, amo meus pais e acho a história de amor deles linda, mas definitivamente não sou obrigada a ver essa intimidade entre eles, muito menos obter informações sobre como meus pais se apaixonaram. E para me livrar de mais perguntas, saio de fininho junto com Helô que me segue até o elevador.
— Então... – ela me olha curiosa. – É o menino de ontem?
— Não vou dizer. – digo irritada com ela.
— Por favor Lisse. – pede com aquele olhar pidão.
— Não. Você me ferrou com o papai.
— Foi sem querer.
— Nada do que você faz é sem querer Helô.
Entro no elevador sem esperá-la e aperto o botão para o térreo. É, pelo menos não foi tão ruim. Eu não queria que meus pais se envolvesse nesse namoro fajuto, mas como eu explicaria a briga no baile? Com certeza a diretora diria o porque de ter acontecido e a melhor ideia que eu tive foi preparar o terreno.
***
Mamãe e eu chegamos ao colégio e fomos direto para a diretoria, a secretária nos informou que a senhorita Reynolds chegaria logo e nos sentamos para esperá-la. Meu celular começou a apitar freneticamente, mas eu não estava a fim de ver as noticias do site nesta manhã. Eu já sabia quem eram os principais envolvidos.
— Por que não me contou o que estava acontecendo Lise? – mamãe perguntou tirando-me de meus pensamentos.
— Por que não tinha o que contar. – disse fitando a parede branca a minha frente.
— Tem certeza? Estamos na diretoria porque a minha filha se meteu em uma briga, eu acho que pelo menos você tem que me dizer o motivo.
— Eu vou ficar de castigo? – minha voz era suave. Eu não quero continuar de castigo.
— Não sei, seu pai quer prolongar mais uma semana, mas como é a primeira vez que você faz algo assim, acredito que não.
— Mãe... – comecei, mas a diretora Reynolds entrou interrompendo minha fala.
Ela olhava para mim e minha mãe incrédula, sem acreditar realmente que estávamos ali. Mas depois se recompôs e veio cumprimentar minha mãe.
— Senhora Thomas, é um prazer conhecê-la. Não é sempre que vemos pais dedicados com a educação do seu filho.
Olhei para o rosto de diretora, ela parecia bem abismada. Provavelmente não vê muitos pais quando os mesmos são chamados na diretoria.
— E porque eu não viria? – minha mãe franziu o cenho sem entender apertando sua mão.
— Não tenho costumes de receber os pais, geralmente o máximo que consigo é uma ligação. Mas venha, vamos entrar. – disse abrindo a porta de sua sala, não antes de se virar para sua secretária. – Mary, encontre Cassandra e peça para ela vim a minha sala urgentemente.
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