Aos 16
28 Capítulo XXVII - Chantagem Emocional
Notas iniciais
Quatro dias. Faz quatro dias que Ian não fala comigo, que Cassandra me confronta, que Monique está estranha comigo e todo o colégio me olha torto, até o Natanael, fora que neste fim de semana terá o baile anual de Boas-Vindas do Santa Mônica e eu não poderei comparecer devido ao meu castigo. Perfeito!
A aula de educação física já havia começado. Porque mesmo que escolhi essa matéria? Dessa vez eu estava na equipe de corrida e para meu desprazer Cassandra estava nela também. Tirei esse ser dos meus pensamentos e comecei a dar voltas pelo campo, meus pensamentos logo se voltaram para a conversa que tive com Ian.
Flash back on
“ – Você não acha que eu vou fazer isso, não é? – perguntou céptico.
– Como você quer que acreditem que estamos realmente namorando.
Isso não era em partes verdades, se assumíssemos um relacionamento, depois daquelas fotos, ninguém iria questionar, mas eu queria ver ele se ferrando um pouquinho nessa história.
– Fora de cogitação. – disse irritado.
– É isso, ou nada feito. – fui firme em minhas palavras.
Ian chutou a cadeira que estava perto dele diversas vezes, me assustei com o seu surto, mas permaneci imóvel. Depois de um tempo ele se acalmou, passou as mãos pelo cabelo e me olhou.
– Eu sei o que você está querendo fazer, mas não vai rolar. – apontou seu dedo para o meu rosto e saiu revoltado com as mãos n...
Flash back off
Fui arrancada de minhas lembranças por uma loira azeda que se chocou comigo, cai no chão.
– Sua louca.
Ela apenas olhou para mim e sorriu. Mas isso não vai ficar assim. Fiz o mesmo que ela fez comigo e me choquei com ela a derrubando enquanto corria, ela não deixou barato e ficamos nessa até a professora nos mandar para a detenção. Ótimo, era só o que eu precisava.
***
Estava seguindo meu caminho para a detenção, quando vi Monique perto de seu armário, guardando seu material. Agora ele não me escapa.
– Qual o seu problema? – perguntei sem arrudeios me escorando no armário ao lado.
Monique suspirou.
– Nada Lise. – disse sem me olhar.
– Nada? Você me ignorou a semana toda, o que eu fiz?
– Não é o que você fez e sim, o que você aceitou fazer.
A olhei sem entender.
– Só espero que você saiba o que está fazendo. – continuou.
– Não me trata assim Monique, você é a única amiga que tenho, essa última semana tem sido muito difícil, todos me olhando como se tivesse crescido chifre na minha cabeça. — brinquei e Monique riu.
– Desculpa Lise, é que eu não quero ver a história se repetir. — falou tristemente.
– Você está falando de quê?
– Nada. – desconversou. – Você vem para o baile anual?
– Infelizmente não, estou de castigo.
Contei a ela o que ocorreu, já que não tivemos oportunidade depois do que aconteceu com Ian e segui para a minha detenção, a qual já estava atrasada.
O inspetor já me esperava com cara de poucos amigos, entrei na sala e me sentei o mais longe possível de Cassandra que estava retocando a maquiagem, revirei os olhos e me concentrei em esperar as horas passarem.
***
Cheguei em casa triste, hoje era sexta-feira e eu não ia poder sair, muito menos ir para o baile no dia seguinte. Ficar de castigo é o tédio! Minha mãe viu minha cara e se aproximou preocupada.
– O que foi querida? Por que você demorou.
– Tive que fazer um trabalho na biblioteca, já que estou sem computador. – mentira, estava na detenção.
– Se você tivesse me dito que tinha trabalho para fazer tinha deixado você utilizar o computador.
– Hum... – disse desanimada.
– Por que essa carinha?
– Amanhã é o baile anual de boas-vindas do Santa Mônica, é o assunto mais comentado no colégio essa semana. – mentira novamente, o assunto mais comentado era eu, mas ela não precisa saber. – E eu não poderei ir. – fiz biquinho.
Minha mãe suspirou do meu lado e por esse suspiro, eu já sabia que eu tinha vencido.
– Está bem Lise, você pode ir para esse baile. – a abracei apertado agradecendo. — Mas ás 23:00h quero você em casa, se você não estiver, estará de castigo pela eternidade.
– Ok. – disse receosa.
– Agora muda essa carinha e venha me ajudar a empacotar as coisas da cozinha.
A segui e comecei a guardar a louça nas caixas vazias, dali a uma semana, nós estaríamos nos mudando para a casa da minha avó, como a casa estava desocupada e nenhum dos outros filhos quis ocupa-la, minha mãe achou por bem morar lá, só espero que isso não a prejudique emocionalmente.
Depois de ajudar a minha mãe, tentei ligar escondido para Monique e contar a novidade, e principalmente saber com que roupa eu devia ir, ela me tranquilizou e disse que tinha a roupa perfeita para mim e que iríamos juntas, concordei e agradeci.
Agora só era esperar amanhã chegar.
Meu Deus, meu primeiro baile...
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