Aos 16
14 Capítulo XIII - Palace Italian
Notas iniciais
– Quem te contou isso? – ele parecia desnorteada.
– A própria.
– Não pode ser, Clara seria a ultima pessoa que te contaria isso.
– Tudo bem, mas contou.
– Lise, deixa isso para lá. – ela estava nervosa.
– O que aconteceu entre vocês? – insisti.
– Eu... eu não posso falar. – gaguejou.
– Por quê não?
– Simplesmente não posso. – sua voz era baixa.
– Qual é o problema Monique, você me diz que ela não é de confiança e depois que descubro algumas coisas, você não quer contribuir.
– Eu não estou autorizada a falar nada, eu não posso te contar, porque fizemos um pacto e esse pacto não pode ser quebrado, sinto muito Lise. – disse e se afastou.
Um pacto?
Mas não tive muita oportunidade para pensar sobre isso, porque uma mão agarrou em meu braço, me virando. Ian.
– Por que você não para de se intrometer onde não é chamada, hem?
– Me solta. – pedi o encarando. Ele estava muito próximo, muito próximo mesmo, eu conseguia sentir a sua respiração em meu rosto.
– Para de querer descobrir as coisas, isso não interessa a você. – disse me soltando. – Monique é uma garota sensível e suas perguntas estão acabando com ela.
Ele passou por mim, mas logo voltou e me encarou.
– A propósito, você está linda.
O desgraçado ainda sorriu de lado e piscou para mim. Ódio!
Voltei para a mesa bufando de raiva.
– A propósito, você está linda. – murmurei para mim mesma. Idiota.
– Por que demorou tanto Lise? – perguntou minha mãe me analisando.
– Encontrei uma amiga do colégio. – olhei para a lasanha a minha frente, meu estomago embrulhou, tinha perdido a vontade de comer.
– E onde está sua amiga? Gostaríamos de conhecê-la. – pediu meu pai.
Num momento não será possível papai, já que depois do que aconteceu ela não vai querer mais falar comigo, pensei sarcástica.
– Deve estar com os pais dela. Quem sabe outra hora. – dei um meio sorriso.
– Então Lise como vai na escola? – começou meu pai.
Por que ele tinha que tocar neste assunto? Valeria se eu dissesse uma merda.
– Ótimo. – disse tomando meu refrigerante.
– Que bom, espero que você reconheça seus esforços e não faça nada que possa se prejudicar, só você sabe o quanto foi difícil.
Olhei para seus olhos iguais aos meus, eu tinha muito do meu pai, e minha irmã Heloisa era mais parecida com a mamãe que tinha cabelo castanhos claros e olhos marrons. Ele tinha que falar disso agora? Minha vida naquela escola está uma droga e olhe que só fazem três dias e ele vem me falar de princípios?
– Sim pai, eu sei.
– Querido, se lembra daquela minha amiga Judite? – perguntou minha mãe chamando sua atenção, eles engataram um conversa sobre a amiga dela. enquanto Heloísa me cutucava chamando minha atenção.
– Aquele garoto é o seu namorado? – perguntou minha irmãzinha, bem baixinho para que nossos pais não ouvissem.
Encarei Heloísa com a boca aberta.
– Que garoto? – franzi o cenho.
– Aquele que te agarrou na porta do banheiro.
– E como você nos viu?
– Mamãe pediu para que eu fosse atrás de você, já que estava demorando.
Me recompus e respondi:
– Não, ele não é meu namorado, e se depender de mim nunca vai ser.
– Ele é bonito. – exclamou com um sorriso.
Infelizmente eu tinha que concordar, Ian podia ser um grosso, idiota, chato, irritante, mas uma coisa era certa. O garoto era um colírio para os olhos, principalmente com aquela roupa social e fiquei tentada a dar uma olhada nele, virei o meu rosto para sua mesa, e lá estava ele com seu avô. Como se percebesse que estava sendo observado Ian me encarou, virei rapidamente os olhos para o meu prato, senti minha bochecha esquentar até que ouvi meu celular apitar. O site.
Abri o site e lá estava uma foto minha bem juntinha de Ian, qualquer expectador diria que estávamos quase nos beijando e a legenda não deixava a enganar.
Amor de gato e rato – mesmo brigando em todas as oportunidades possíveis, Lise e Ian estão bem próximos está noite, acho que agora eles não enganam a mais ninguém. Será que tudo não era amor reprimido?
Não, não era, e eu e Ian sabíamos disso, automaticamente olhei para ele e o vi olhando para seu celular, depois que terminou me encarou e eu percebi, ele estava conectado ao site.
– Não acredito que você também olha esse site idiota.
Me assustei com a aparição repentina de Monique atrás de mim, pensei que ela estaria chateada comigo, mas pelo contrário, um sorriso estampava seu rosto.
– Você não? — levantei a sobrancelha.
– Talvez. – sorrio.
– Boa noite! – saudou um senhor baixinho e barrigudo. – Sejam bem vindos ao Palace Italian, eu sou o Sr. Rinaldi, espero que estejam apreciando a comida.
Os pai de Monique se apresentaram, Marco e Marisa Rinaldi eram um casal muito simpático e logo engataram uma conversa animada com meus pais, que ficaram felizes em saber que eu estava me adaptando a nova escola, já que tinha feito uma amiga, imaginem quado descobrirem que tenho uma inimiga também.
Os Rinaldi gostaram de me conhecer, já que ao que parece Monique não tem amigas ou pelo menos tinha, só Ian que de vez em quando vai visitá-la, e me convidaram para visitá-los quando quisesse. Depois de alguns minutos, eles se despediram dizendo que tinham entrevistas para dar, ao que parece eles eram um casal muito importante, principalmente a mãe de Monique que havia sido uma modelo muito famosa.
Me levantei rapidamente, parando Monique antes dela se afastar.
– Monique me desculpe por mais cedo.
– Tudo bem, não se preocupe, não sou rancorosa. – disse piscando o olho e se afastou.
Voltei para a mesa e percebi que Ian já havia ido embora. Meu pai pediu a conta e saímos do restaurante, apesar de tudo o jantar não foi tão ruim assim, tirando os altos e baixos da noite, conhecer os pais de Monique e saber que ela ainda é minha amiga compensou todo o resto, pelo menos Nate não me ligou mais.
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