Ao som dos Violinos
9 Um “amor” do passado
Notas iniciais
Linos ficou rindo de mim, era muito vergonhoso! Parecia que ele estava me tratado feito uma criança de cinco anos! Aaah, no momento que me irritei soltei sua mão e fui caminhando até uma fonte que tinha lá perto, próximo ao parque. Zangada e segurando firmemente o violino, pisando fortemente no chão.
–Haha, Lay! Volta vai, haha.
–Não!
Ele veio atrás de mim ainda rindo, isso me deixava furiosa! Eu não era mais uma criancinha. Uma hora olhei para trás e Linos ainda me seguia com um sorriso encantador nos lábios... Antes mesmo de eu ficar totalmente virada para frente, trombei em alguém que estava na minha frente.
–Ah, d-desculpe-me! Não l-lhe vi senhor... – disse me afastando dele, olhando para baixo.
– Não há nada garota, foi sem querer não é?
–S-sim... Estava distraída...
–Haha, sem problemas.
Olhei para cima, para poder ver melhor em quem eu tinha batido... Era um garoto alto de cabelos negros que mal chegavam á nuca e na lateral de sua orelha direita, reparei alguns percingis em formato de argola. Ele usava óculos e tinha um sorriso meigo... Suas roupas era como de qualquer adolescente, uma camiseta e um jeans, mas ele possuía um bracelete colorido parecendo que fora feito por uma criança de seis anos.
–Lay! Finalmente você parou haha. – disse Linos que chegou rindo feito bobo, mas parou ao ver com quem eu estava.
–Lay? – disse o garoto no qual eu havia esbarrado.
–A-ah, er... Meu n-nome é Layla, ele me apelidou assim...
–Layla? Se me permite...
Ao dizer isso, ele levou suas mãos até meu rosto e levantando levemente, olhando-me fixamente. Linos ficou meio intrigado e meio sem graça, eu por mim, fiquei sem reação. O garoto de cabelos negros como a noite, começou a sorrir mais que antes e repentinamente me abraçou fortemente.
–Layla! Finalmente te encontrei!
Eu não estava entendendo nada do que estava acontecendo, eu o afastei de perto de mim e dei alguns passos para trás, Linos aproximou-se de mim colocando sua mão em meu ombro direito.
–Layla, você o conhece? – perguntou Linos.
–E-eu não sei.
–Ah boneca! Você não se lembra de mim?! – disse o garoto com um ar triste
=Boneca?! — dissemos eu e Linos, num dueto.
Eu e Linos nos olhamos estranhados, mas logo ele fechou o rosto parecendo que iria ter um surto!
–Quem te deu autorização de chama-la de boneca?! – Linos estava irritado.
–Eu a chamo assim desde sempre! Não se intrometa o cabelo de fogo!
–Ora seu...!
Linos iria para cima do outro garoto, mas segurei seu braço a tempo para impedi-lo de cometer uma burrice.
–Layla! Me solta! Vou quebrar a cara desse viado!
–L-Linos! Para!
O garoto só observava o que estava acontecendo, se nada falar. Certa hora perdi a paciência com Linos, empurrando-o para traz e colocando-me em sua frente disse:
–Para Linos! Que coisa! Pare de ser tão criança!!
Linos me olhou bravo e olhou para o outro garoto, simplesmente saiu todo irritado como se alguém tivesse o chamado de bobo... Vir-me-ei para o outro rapaz para desculpar-me, porém ele surpreendeu-me com outro abraço.
–Estava com saudades de você, boneca...
–Desculpe – disse me afastando novamente- mas não sei quem você é...
Ele bufou e tirou o óculos, pegando minhas mãos ele disse:
–Sou Erick Heller, seu melhor amigo! Não se lembra de mim?!
–E-Erick Heller... Erick He-
Foi ai que pude me lembrar... Erick Heller, meu amigo de infância... Meu único amigo.
“ Eu estava sentada na calçada, com uma boneca em mãos, eu chorava até Erick chegar correndo em minha direção.
–Boneca! Vamos nadar hoje?
–Não sei...
–Por quê? Você esta bem?
–Shinf, n-não...
–O que foi?! Quem foi que te machucou?
–N-não... Eu tava andando de b-bicicleta, aí acabei caindo dela...
–E o que mais? Você só caiu?
–É m-mas... Eu cai nas pedras... E machuquei o j-joelho e meu papa n-num ta e-em casa... Shinf.
–Anh!? Ah! Layla, esta sangrando!
–E-e tá doendo... Shinf.
Ele me deu sua mão, para me ajudar a levantar.
–Suba nas minhas costas! Vou cuidar de você!
–E-Erick...
–Vem logo! Eu disse que iria cuidar de você não é?
–S-sim, mas...
–Nada de mais, vem... Precisamos cuidar do seu dodói...
–Shinf, t-ta...”
Era tudo que podia recordar... Já tinham se passados 9 anos desde sua partida
Erick tinha se mudado para New York com sua mãe e irmão, já que ela tinha ganhado uma proposta de emprego por lá se não me engano...
–E-Erick... V-você voltou...!
–Hahaha, voltei não é!? Eu disse que voltava!
Meus olhos se encheram de lágrimas, antes da morte de meu pai essa tinha sido a perda mais dolorosa que eu tive. Eu o abracei o mais forte que pude e ele fez o mesmo, como se um peso do meu coração tivesse sumido logo após tantos anos...
–Estava com tantas saudades de você... Tantas saudades... – disse eu chorando.
–Eu também estava! Muito... Ele chorava em meu abraço, mesmo que eu não visse podia sentir... Estava feliz, quase havia me esquecido do mundo afora, então ele se afastou de mim enxugando as lagrimas e sorrindo.
–Haha, chega de chorar não é? Haha, que coisa... Um garoto da minha idade chorando...
–Haha, nada a ver Erick... Lembro que uma vez você chorou quando seu sorvete caiu no chão, hahaha você ficou realmente triste.
–Nha, nha, haha sua boba, haha e você me deu o seu.
–Dividimos na verdade, haha.
– Verdade... Seria uma boa ideia! Vamos tomar um sorvete?
–Anh? E-eu ia....
–Se você ia fazer algo com aquele garoto antes, sinto muito! Mas ele ficou nervoso e foi embora, agora você é minha.
–E-Erick!
–É verdade! Fiquei nove anos sem te ver! Ele pode muito bem te ver outra hora...
Antes de eu falar algo, ele pegou minha mão começamos a andar em direção ao ponto de ônibus, nos sentamos no banco e Erick parecia realmente feliz...
–Bastante coisa mudou... Não é? – disse ele olhando para mim.
–Hum? Sim... Bastante.
–Agora você toca violino? Antes você só ficava ouvindo o Tio Dante.
–Haha, “Tio Dante”? Hahaha, sério isso?
–Hunf, não vejo o problema! E você insistia! “Pode chamar meu pai de Tio Dante!”, você vivia falando isso!
–Hahaha, tá, tá... Você venceu. Ele me ensinava algumas músicas, mas nunca mostrei pra você, tinha muita vergonha...
–Aaaah! Boneca! Sua sem graça!
–Hahaha, fazer o que né?
–Por falar no Tio Dante, como ele está?
–Ah... Ele... Ele faleceu.
–Oi? Como é? Quando foi isso?!
–Foi logo depois de você ir embora, uma semana depois acho.
–Ah...
Ele voltou-se para frente, sem mais nada para falar e o clima ficou pesado.
–Lamento...
–Não lamente, papa sempre disse que pessoas boas vão para o céu! Ele deve estar lá agora, nos olhando.
–Haha... Só você mesmo!
O ônibus logo chegou, então subimos e escolhemos um lugar pra gente. Foi ai que eu lembrei, na hora de sair não tinha pegado nenhum dinheiro! Fiquei tão envergonhada e tão confusa, mas quando nos sentamos Erick reparou.
–O que foi? Ta doente? Você está vermelha.
–N-não... E-eu...
Abaixei a cabeça com vergonha e ele colocou meu cabelo do lado oposto do dele, para poder me ver melhor.
–Eu o que?
–Eu não sei como dize, mas...
–Ah! Você ta naqueles dias? – disse cochichando para mim.
Eu o encarei sem reação! Como ele pode dizer aquilo normalmente, mas ao mesmo tempo intrigado? Nenhum garoto no mundo iria falar isso! Nenhum!
–Aaaah! O que v-você ta pensando garoto!? N-não é isso!!
–Atá! Ufa, iria ser bem desconfortável comprar a-
–Quieto! Estamos em um ônibus publico! Eu só iria dizer que não tenho dinheiro comigo!
–Aah, agora entendi, não se preocupe! Eu pago pra você.
–Então... Então vou ficar te devendo.
–De jeito nenhum! Você vai me pagar agora.
–Hum? Como?!
–Com um beijo.
Fiquei novamente sem reação, completamente envergonhada! Beijar um garoto em um dia já é o suficiente, mas dois?!
–Hahahahahahahahaha.
“-Hum?! Uma crise... De riso...? Cretino... Ele tava tirando sarro de mim!” – pensei enquanto ele ria e todos nos olhavam.
–Shiu! Estão olhando pra nós!
–Hahaha, desculpa, desculpa... Precisava ver sua cara!
–Idiota. -Hahaha, como você falava? Ah é! Perdona-me!
Depois dessa “crise”, ele começou a contar como foi morar em outro país, quem conheceu o que viu e assim foi até chegarmos em nosso destino...
Fale com o autor