Ao pé da Letra
7 Uma história de Mistério
Notas iniciais
Anna nascera no hospital, mas também passou a viver nele. Em toda a sua estadia, ela sempre se perguntou por que as pessoas que estavam na mesma situação que ela. Simplesmente iam embora, não, na verdade sumiam.
Num dia se encontravam lá, no outro desapareciam. A única coisa que se via é o choro juntamente das lamentações dos parentes. Os médicos desviavam o assunto sempre que a menina questionava-os, uma tensão com sentimento de tristeza dominava o ar, e também os rostos de todos a quem Anna indagava.
— Pai? — A menina chama o homem sentado na cama do quarto em que ela repousava. Ele, dá atenção a ela.
— O que foi, filha?
— Por que as pessoas que vivem aqui no hospital como eu, desaparecem? — O pai a olhou sem entender.
— Como assim Anna?
— É que... Eu vejo várias pessoas sumirem de repente. Ninguém mais vê elas e nem comentam o que aconteceu para fazerem isso. Quando pergunto aos adultos, eles não falam nada.
— Ah. — O pai diz compreendendo. — Filha... Essas pessoas não estão desaparecendo. — A criança faz uma careta confusa. — Estão morrendo. — Anna arregala os olhos surpresa, nunca imaginou isto.
— Mas, por quê? — Ela indaga. Neste momento, a expressão do pai se torna triste. A mãe, que também estava no local, deixou escapar algumas lágrimas de seus olhos marejados. A pequena, encarava aos dois confusa ao mesmo tempo que esperava a explicação.
— É porque... — O pai começa, mas logo faz outra grande pausa, parecia estar escolhendo as palavras corretas. Procurando um jeito melhor de responder àquilo. — Elas morrem por causa de um criminoso. — No fim, ele não consegue dizer a verdade.
— Criminoso? Um bem malvado? — Ele afirma. — Por que ele mata as pessoas?
— Não sei, minha filha.
— Ninguém consegue prender ele?
— Não, ele é muito forte. — Cada palavra que saía, se tornava melancólica.
— Mas, por que tenho que ficar no hospital?
— Porque você e também outras pessoas foram atingidas e só aqui no hospital, vocês podem se proteger dele. — Ele conclui e olha a esposa, que reprova suas ações com o olhar.
— Nossa. — Anna exclama chocada. — E qual o nome desse criminoso? — Ela questiona e o pai hesita antes de falar.
— O nome dele é câncer.
— Que nome esquisito.
A sala fica em um silêncio desconfortável por algum tempo. Cada um com seus próprios pensamentos, até a pequena Anna chamar atenção.
— Papai, mamãe, já sei o que quero ser quando crescer! Uma policial! — Ambos se confundem com o assunto inesperado e mais ainda com a escolha de Anna. Antes que perguntassem o porquê, ela continua. — Assim, vou poder prender esse tal de câncer e não deixar mais ninguém morrer.
O pai e a mãe ficam surpresos, mas logo desatam a chorar. Ambos abraçam a filha, que somente indaga por que estavam tristes.
— Eu disse uma coisa ruim? Vocês não querem que eu seja policial?
— Não é isso Aninha. É que... Estamos muito felizes de poder ser os seus pais. — A mãe conclui, voltando ao abraço em família.

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