As cinzas caíam devagar no cinzeiro, a névoa infestava a sala, fazendo com que a família, incomodada, se abrigasse em outro cômodo.

O resto do gosto do álcool na boca o incomodava e os constantes flashbacks, ao simples piscar de olhos, pioravam ainda mais a noite, se possível.

Lembrava-se dos olhos dela, oh! Seus olhos desesperados gritavam em sincronia com a sua boca :

— Desacelera, desacelera !

Não veria mais seus olhos ao acordar, não sentiria p farfalhar de seus cabelos no rosto, ao lhe dar um beijo de bom dia. Não, agora, seu corpo jazia longe dele, frio, sem vida, sem a alegria que o animava em seus piores dias.

Piscou novamente, vendo o caminhão avançar em direção à janela do acompanhante, os olhos dela dizendo seu último "Eu te amo".

Se acomodou na cadeira dura, seus ferimentos do recente acidente causando dor, mas nunca nada o faria lacrimejar tanto quanto a perda dela.

Voltaria para casa e a encontraria em suas coisa. O velório, melancólico, seria um dia cinza, tanto no céu quanto em seu humor

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