Ao Seu Segredo Meu Coração.
4 Um acontecimento inesperado
Notas iniciais
Como algo que se tornara normal em sua rotina e que sempre lhe ocorria de forma agradável e rápida, Luiz Augusto entrou sozinho no elevador de seu prédio e seguiu ao último andar daquela clínica. A sua presença fazia com que um silêncio mútuo tomasse o local em meio aos inúmeros funcionários e médicos da clínica – porém, quando Luiz saia, os cochichos a seu respeito se iniciavam de imediato. Assim que as portas se abriram e Luiz saiu do elevador, logo ele reparou a ausência de Paulo, seu secretario. Ele entrou em seu escritório e sentando em sua poltrona por trás da mesa, aguardou por alguns minutos. Ao olhar ao redor, Luiz percebeu que algumas gavetas estavam entre abertas e sobre a mesa ele avistou alguns documentos espalhados. Luiz não se conteve e logo telefonou para o telefone colocado na mesa de Paulo. Ninguém atendeu. Em seguida e impaciente, Luiz telefonou até a recepção do prédio, no térreo. Uma mulher atendeu.
— Pois não? Disse ela, demonstrando entediada. Seu tom mudou assim que a voz do outro lado da linha se identificou.
Em sua sala, Luiz falou áspero − Alguém poderia me informar onde esta o meu secretário, Paulo Camargo?
Aquela moça respondeu trêmula, falar diretamente com Luiz era algo raro e isso a deixava apavorada − Sinto muito senhor, mas não posso lhe dizer onde estaria o Paulo...
Um homem alto, de boa aparência e usando um jaleco branco com um crachá de identificação que anunciava que ele era médico passava na recepção quando ouviu a mulher falando. Ele sussurrou:
— Esta se referindo a Paulo Camargo?
A recepcionista balançou a cabeça.
— Foi demitido no último sábado pelo Cláudio André, mas ninguém soube o porquê! O médico se retirou rapidamente após ceder a informação.
— Parece que ele foi demitido sábado passado pelo Dr. Cláudio André senhor Del Sales. – Falou a mulher.
No mesmo instante, Luiz se recordou da noite em que chegou na mansão e Domingas lhe disse que Cláudio e Ana haviam acabado de deixar a casa para irem até a clínica, perante uma decisão repentina e sem razão. Luiz desligou-se da ligação com a mão e sem nem mesmo retirar o fone do ouvido discou outro número. Em seguida ele falou grosseiramente.
— Domingas, diga ao Cláudio que venha até a clínica agora... Aliás, eu não entendo como ele ainda não chegou aqui!
Luiz bateu o fone no gancho furioso.
O motivo para Cláudio ainda não ter ido à clínica naquela manhã era único e tinha um nome: Ana Karen Esmaz. Eles estavam dentro do quarto de Cláudio na mansão e se preparavam para deixar o local. Sobre a cama do casal havia duas malas com as roupas de Ana Karen, que decidira embarcar naquela manhã de volta para o México. A carta que ela havia recebido dias atrás servira como uma ideia para ela voltar para o México naquele dia. A desculpa foi a seguinte: ― Minha família esta precisando de mim, e não posso deixá-los! Declarou ela na noite anterior, quando anunciou para a família Del Sales que já havia comprado a sua passagem aérea para Acapulco e que embarcaria na manhã seguinte.
Cláudio demonstrava-se decepcionado com a decisão repentina de Ana, mas fazia de tudo para ser compreensivo com a noiva. Ela tinha seus motivos e precisava viajar. Ele aguardava Ana se aprontar no quarto para levá-la ao aeroporto na capital.
Ana saiu do closet e se encaminhou a Cláudio, no canto do quarto.
— Desculpe-me querido, mas é necessário! A voz de Ana era suave e atraente. Ela o abraçou. – Mas não se preocupe, eu voltarei assim que resolver esses problemas!
Nesse instante, Renata, a empregada caminhou pelo corredor ao de fora do quarto e ouviu a voz de Cláudio exasperado.
— E quanto aos nossos planos? Ele se afastou de Ana e lhe falou áspero. – Agora que começamos, temos que acabar com isso!
— E vamos continuar, só que não agora. – Completou Ana. – Mas antes eu preciso viajar e resolver o que esta nos atrapalhando!
Cláudio se aproximou dela e lhe falou olhando nos olhos.
— Eu preciso de você comigo, ou não terei forças para conseguir o que quero contra meu pai. Se eu não a tivesse conhecido, nunca teria tido coragem para concluir essa ideia, e sem você, eu não poderei mais continuar com este plano. – Ele a seguro no braço. – Mais que isso, eu passei a gostar de você de verdade e quero tê-la comigo quando tudo isso acabar!
— E você vai ter!
Como um filme que passa a sua frente, Ana se recordou nas noites em que dormiu com os dois melhores amigos de Cláudio. As palavras e tons suaves e atraentes de Renato e Adonias se misturaram com a de Cláudio e se tornou um só. Ana desvencilhou de seus pensamentos.
— Vamos. – Falou Cláudio. Ele se encaminhou até a cama e pegou as malas. – Temos que ir logo antes que o movimento na estrada fique pior que já esta!
No corredor, Renata se afastou da porta ao ouvir aquilo e abriu a porta de outro quarto, se escondendo de Ana e Cláudio, que deixaram a mansão e seguiram para Campo Grande. Ao certificar-se de que ninguém a havia visto, Renata deixou o quarto e seguiu até o andar de baixo da mansão.
Por mais que fosse uma cidade pequena, clássico município do interior, o centro de Santana e Mello já se tornara algo frenético para os moradores. E tudo piorava naquela época de natal, em que a cidade era tomada pelas festanças e o movimento de pessoas era maior que o normal. Renata seguiu pelas avenidas e atravessou aquelas pessoas num movimento rápido e ágil. Ela não usava mais seu uniforme de empregada e trazia nas mãos sua bolsa. Sair da mansão daquela forma era algo raro de acontecer, e isso causava certo espanto nas pessoas que estavam acostumados e ver Renata vestida com seu uniforme e os cabelos presos. Ela usava uma calça jeans e uma blusa, seus cabelos castanhos e lisos estavam soltos, o que atraia a atenção ao redor.
Renata caminhou até o hotel Donna América e se encontrou na recepção com Felipe Freitas. Ele trabalhava ali como carregador.
— Renata – Anunciou Felipe, trazendo nas mãos uma maleta e uma sacola. -, o que faz aqui?
— Há uma coisa que eu quero lhe falar! Renata estava ansiosa.
Felipe a levou até o salão onde ficavam os televisores e demais máquinas e objetos para entretenimento dos hóspedes e pediu que ela aguardasse ali. Cerca de vinte minutos depois, Felipe retornou e a levou até o estacionamento do hotel.
— E então... Iniciou Felipe ao ser interrompido. Renata não se conteve.
— Você sabe que eu não gosto de fazer intrigas e sair falando da vida dos meus patrões, mas eu soube de uma coisa a respeito do Cláudio que você não imagina!
— O que?
— Eu não sei o que é, o que ele e aquela noiva dele estão tramando, mas parece que eles estão armando alguma contra o Seu Luiz Augusto.
— Como assim estão armando? O que eles estão tramando?
— Eles não disseram exatamente o que é, mas eu ouvi o Cláudio dizer para a Ana que não conseguiria concretizar os planos dele sem ela... E que sem ela, ele não teria tido coragem para fazer o que queria contra o Sr. Luiz. – Renata deu uma pausa e depois completou. – Eu vim lhe contar isso porque pensei que você fosse querer saber, já que detesta tanto o Cláudio André!
Enquanto Renata lhe contava o que havia ocorrido, Felipe se perdeu em seus pensamentos. Ele se recordou da tarde em que Renata lhe disse que ela havia conseguido um emprego na casa da família Del Sales. Eles haviam saído mais cedo do curso tecnológico que faziam juntos e decidiram passar o resto da tarde na praça Áurea Nogueira. Eles se sentaram em um banco debaixo de uma árvore, jogaram suas mochilas e livros no canto e conversaram.
Naquele instante, Felipe deixou de lado suas lembranças e permitiu que um leve sorriso surgisse em seu rosto. Ele se considerou um sujeito com sorte por ter uma amiga que trabalhava na casa da família de seu maior inimigo.
Se Renata soubesse que um simples comentário que fizesse fosse desencadear toda uma rede de suspeitas mútuas, ela nunca o teria feito.
— Eu não sei qual é o problema deste carro! Anunciou Renato, remexendo no motor de um dos veículos na oficina. Adonias estava ao seu lado e se demonstrava ainda mais confuso que o amigo.
— Se você não sabe, imagina eu! Anunciou Adonias, em meio a risadas.
Eles estavam na oficina Freitas, havia cerca de seis pessoas que entravam e saiam constantemente daquele prédio. Adonias tomou aquele carro velho do pai Celso e decidiu ir fazer uma visita a Renato, o que lhe foi muito útil, já que há um quarteirão de distancia do local, o carro desligou e não quis mais funcionar. Adonias chamou o amigo e com a ajuda de mais dois sujeitos que passavam na rua, eles empurraram o carro até a oficina.
Renato mexeu mais uma vez no interior do veículo e em seguida pediu à Adonias que tentasse ligar o carro. Enquanto Adonias caminhava rumo ao carro, Renato lhe falou.
— Então, você já deveria ter ganho essas férias antes, já que você nem mesmo pediu e sim sua chefe resolveu lhe dar esses dias de folga!
— Basicamente sim, mas eu não curto muito esse negócio de ficar parado. – Falou Adonias, entrando no carro. Ele se sentou no banco do motorista e girou a chave. O carro ligou no mesmo instante.
— Isso! Exclamou Adonias.
Adonias avistou Felipe através do espelho retrovisor e saiu do veículo acompanhando o gesto brusco do rapaz. Felipe atravessou rapidamente aquele salão e se dirigiu até a escada que dava acesso ao andar de cima do prédio.
— O que há com seu irmão Renato? Perguntou Adonias.
Renato assistiu Felipe e depois o barrou.
— Espera ai rapaz! Anunciou Renato. – O que há com você, porque esta assim?
— Estou com pressa! Falou Felipe grosseiramente.
— Pressa para que? Renato lhe segurou no braço. – O que você esta aprontando?
— Eu estou aprontando? Felipe deu uma risada cínica e irônica. – Você quer dizer o que o seu amigo esta aprontando, não é?
Aquele comentário de Felipe atraiu Adonias, que se aproximou para ouvir o que o garoto tinha a dizer. Ele prosseguiu.
— O seu amiguinho eterno, Cláudio André Del Sales, aquele safado filho da mãe. Você deve saber o que ele esta aprontando com a tal da Ana Karen, já que são tão amigos assim e você não sai daquela mansão...
— Do que você esta falando garoto? Perguntou Adonias, confuso.
— Você é outro, deve estar mancomunado com eles.
— Por que esta falando deste jeito do Cláudio e da noiva dele? Perguntou Renato com o tom já alterado.
— Se não sabem, vão até lá e perguntem para eles! Felipe deu uma pausa e depois anunciou. – Mas não adianta vocês irem até a mansão, por que há esta hora eles já devem estar chegando ao aeroporto na capital, para a mexicana embarcar de volta pro México!
— O que? Perguntou Renato.
Felipe os olhou e percebeu que realmente – tanto seu irmão Renato quanto Adonias – não faziam ideia do que estava acontecendo.
— Oras, aquela garota que se diz noiva do Cláudio, esta partindo de volta para o México e é daqui a pouco. Só resta saber quando ela vai retornar, se é que vai voltar algum dia!
Felipe se soltou das mãos de Renato e subiu a escada. Renato o seguiu, deixando Adonias.
“Não é possível”, pensou Adonias. “Ela não pode fazer isso comigo”. Ele permaneceu parado e pensativo por alguns segundos, sem qualquer reação. Decidido, ele entrou em seu veículo e deixou a oficina em segundos. Renato retornou instantes depois.
— É, parece que é verdade mesmo essa história de que...
Renato calou-se ao se dar conta da ausência de Adonias.
Não que fosse algo fora do normal, mas o aeroporto de Campo Grande estava exageradamente cheio naquela manhã. Ana e Cláudio caminharam pelos indivíduos calmamente, tentando se desvencilhar dos gestos bruscos e rápidos das pessoas ao redor – eles também tinham mais com o que se preocupar. Cláudio trazia nas mãos as malas e Ana carregava em seus braços sua bolsa e uma maleta pequena. Eles pararam no salão com alguns bancos e permaneceram ali atentos ao som da voz que saia das caixas espalhadas pelo local.
Ana olhou Cláudio a sua frente e percebeu uma feição amedrontada e dispersa. Era como se ele estivesse sofrendo com a partida de alguém muito próximo e querido. Como se alguém que ele muito amasse acabara de morrer. Olhando-o fixamente nos olhos – sem Cláudio perceber – Ana o assistiu e recordou-se do dia em que Cláudio encontrara a avó morta num quarto de hotel. “Se ele soubesse a verdade”, pensou Ana “Acabaria com nossos planos no mesmo instante. Mas ele nunca ira saber, eu não permitirei que ele descubra!” Quase que igual ao namorado, Ana deixou estampar em seu rosto o medo.
A voz que dominava o saguão anunciou.
— Atenção passageiros para o vôo n° 114, Of the American, dirigem-se ao portão quatro...
Ana ouviu aquilo confusa. Ela e Cláudio se encararam mais uma vez.
— Tem certeza que quer fazer isso? Insistiu Cláudio, já imaginando uma resposta contraria a que desejava.
Ana pegou sua maleta e sua bolsa.
— É preciso! Ela deu uma pausa e depois prosseguiu. – Mas antes eu tenho que ir ao banheiro.
Decidido a fazer alguma coisa, porém sabendo que nada conseguiria fazer, Adonias seguiu os seus impulsos e num ato desesperador, seguiu com o carro de seu pai até o aeroporto na capital. Ele não permitiria que Ana partisse sem explicação, ele se envolvera demais para permitir que a garota com quem ele cometera a maior infame de sua vida o deixasse sem qualquer explicação. Enquanto dirigia na maior velocidade permitida naquela rodovia, Adonias se recordava de cada momento que tivera com Ana. Ele sabia que era errado, algo absurdo, mas o desejo o havia tomado por dentro e se tomara de uma proporção absurda e incontrolável. Adonias nunca se sentira tão atraído pelo perigo como naqueles últimos dias.
Menos de vinte minutos se passou e Adonias chegou ao aeroporto, encaminhou-se rapidamente ao estacionamento onde deixou seu veículo e depois seguiu ao prédio. Ele chegou à recepção e impaciente, passou a frente das pessoas que aguardavam na fila; o que causou certos comentários e xingamentos. Uma mulher no balcão cedeu a informação.
— Pois não senhor – Ela demonstrou-se cansada e arrogante. – O vôo que partira para o México saíra em alguns minutos. Portão quatro!
— Obrigado! Agradeceu Adonias, saindo às pressas.
Ele procurou em meio aquelas inúmeras pessoas, passando por cada portão sem saber ao certo aonde ir enquanto tentava se recordar do prédio desde a última e única vez que estivera ali. Ao passar por entre algumas pessoas ele parou ao ver de longe Cláudio parado diante de um dos funcionários do local, segurando alguns papeis nas mãos. No mesmo instante, Adonias se apavorou ao ver o amigo e aproveitando o fato de ainda não te sido visto por Cláudio, ele se escondeu. Ao virar-se de costas para Cláudio, Adonias avistou Ana caminhando em sua direção, totalmente dispersa. Ao passar do lado de Adonias, Ana o viu e parou diante ele, certificando-se de que Cláudio não via nada.
— Adonias? Anunciou Ana. – O que faz aqui?
— O que você esta fazendo? Perguntou Adonias, apreensivo. – Você não pode partir depois de tudo que aconteceu entre a gente! Eu não vou permitir!
— Mas eu não vou partir para sempre. Voltarei assim que puder! Insistiu Ana.
— Você não pode fazer isso. Eu te amo. – Ele deu uma pausa e depois completou. – Sei que parece loucura mais eu estou amando você, desde que tivemos aquela noite juntos e estou disposto a enfrentar o que for preciso para ficar com você.
Ana o olhou confusa. Não soube o que dizer. Primeiro fora Cláudio que tivera aquele surdo de tristeza pelo fato dela decidir fazer aquela viagem. Agora era a vez de Adonias. Só faltaria Renato ali.
— Última chamada para o embarque no vôo 114 da Of the American. Senhores passageiros, queiram se dirigir ao portão...
Cláudio se preocupou com a demora de Ana ao ouvir a última chamada. Ele olhou em seu relógio por diversas vezes, confuso e apreensivo. Ana surgiu por suas costas e o assustou. Ela sorriu.
— Desculpe a demora querido! Ela pegou de sua bolsa sua passagem e estendeu ao operador no portão. Segundos depois, Ana virou-se novamente ao namorado. − Não se preocupe – Ela queria tranquilizá-lo. – Eu voltarei assim que puder!
— Eu te amo! Anunciou Cláudio, a abraçando. Os dois se beijaram.
Adonias acompanhou tudo de longe. Cláudio deixou Ana entrar por aquele corredor que a guiava até o avião e em seguida se encaminhou à saída do prédio. Adonias se escondeu novamente enquanto Cláudio caminhava pelo local, pensativo demais para demonstrar qualquer reação. Ao certificar-se de que Cláudio já deixara o local ou que pelo menos não poderia mais o avistar, Adonias se aproximou da janela e acompanhou os movimentos do avião.
Cerca de dez minutos se passou e a aeronave ainda não havia partido. Adonias tentou imaginar o que havia ocorrido para causar aquele atraso. Segundos depois, o avião começou a andar pela pista e logo decolou. Uma expressão de decepção já surgia em seu rosto quando ele ouviu uma voz as suas costas. Ele virou, Ana estava parada a sua frente, trazendo nas mãos suas malas e suas bolsas. Ela sorria.
— Ana! Adonias procurou as palavras certas.
— Vai ficar parado ai ou vai me ajudar com essas malas? Ana demonstrou-se descontraída, querendo esconder o nervosismo.
— Oh, si – sim. Desculpe-me! Adonias caminhou em sua direção e pegou as malas. Eles se olharam fixamente. – Por que mudou de ideia na última hora?
— Uma vez me disseram que eu costumo agir por impulso. Tomar decisões de última hora! Ana deu uma pausa. – Graças a Deus eu sou assim, senão, nunca teria tido coragem para fazer isso!
Adonias sorriu entre dentes demonstrando-se amedrontado com o que poderia acontecer dali para frente.
— Nós só devemos estar ficando loucos!
Ana assentiu. – Com certeza estamos!
— Você não vai voltar para a casa do Cláudio, vai? Adonias parou de sorrir.
— Ele não pode saber que eu não viajei. Terei que arrumar um lugar para ficar. – ela pensou por alguns segundos e depois anunciou. – Há um hotel em Santana e Mello, no centro, ficarei lá até resolvermos este assunto!
Cerca de uma hora depois, eles estavam parados diante do prédio de dez andares com uma enorme placa anunciando: Hotel Donna América. A melhor hospedagem da região! Os dois seguiram até a recepção, trazendo as malas. O recepcionista disse:
— Muita sorte dos senhores, estamos com um único quarto vago, o vinte e seis! O rapaz cedeu uma chave após pedir a identificação do casal e lhes explicar como era o funcionamento do hotel. – Creio que irão querer no quarto uma cama de casal...
— Oh, não será... Iniciou Ana. Adonias a interrompeu.
— Claro que sim. – Adonias virou para Ana. – Eu não ficarei hospedado aqui o dia todo, mas voltarei à noite para ficar com você!
— Os senhores me desculpem estar perguntando, mas acontece que o último hospede que esteve no quarto 26°, ele estava sozinho e nos pediu que colocassem uma cama de solteiro. Ele nos deixou esta manhã e ainda não tivemos tempo de trocar a cama...
— Tudo bem! Disse Adonias. Ele agachou-se para pegar as malas no chão.
— Não se preocupe com isto senhor, deixe que eu pedirei a um dos nossos carregadores que leve as malas para o quarto. Esta na hora do almoço no nosso restaurante, por que não vão até lá enquanto o quarto é preparado para os dois?
— Tem razão, eu estou com muita fome! Anunciou Adonias. Ana assentiu. – Creio que você também, não é querida, ainda mais estando grávida!
— Oh, a senhora esta grávida, muito bom, parabéns senhorita! Anunciou o atendente.
— Obrigado! Ana respondeu friamente. − Vamos para o restaurante?
— Vamos!
O casal se dirigiu pelo local e rapidamente chegaram ao restaurante. O recepcionista chamou por alguns dos funcionários. Felipe surgiu rapidamente junto de mais dois colegas de trabalho.
— Pois não? Disse Felipe.
— Leve estas malas para o quarto n° 26. Chegou um casal ai e vocês também terão que montar no local uma cama. Deixe tudo bem alinhado e agradável para os dois, à moça esta grávida e quero que ela receba o nosso melhor tratamento!
— Quem são eles? Quis saber Felipe, curioso.
— Não sei bem, não os conheço, mas parecem serem ricos e de famílias influentes. Não devem ser casados, eles não tem o mesmo sobrenome! O dela é Esmaz, já ele se chama Vieira de Almeida.
“Esmaz” Felipe se recordara daquele nome de algum lugar. “Vieira de Almeida”. Ele também se recordou daquele sobrenome, só não sabia ao certo de onde. Junto dos outros dois funcionários do hotel e quando já estavam dentro do quarto, preparando-o para aquele casal, Felipe recordou-se daqueles sobrenomes. Ele deixou cair um vaso no chão, apavorado.
— Oh, meu Deus!
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