Essa tão adornada primavera

Contém aspecto zombateiro

Os botões riem sem respeito

Das rosas que eu trouxera

Tão triste é a minha espera

Tão difícil foi tê-la aceito

Sabia que a morte lhe viera

Dor que prevalece no peito

Tenho também esperado o fim

Para poder reencontrar — te

Amando-te eternamente, enfim

Mas a morte tarda a chegar

E em mim carrego aquela parte

Parte morte, fardo a se carregar

Ao vir pedir-me em casamento

Trouxe-me um buque de flores

Esse com as mais vivas cores

Memórias, atuais sofrimentos

Por isso vim aqui devolver

O presente que me fez sofrer

Guardei — o por tanto tempo

Q'estão como tu. Apodrecendo.

Por isso riem delas os botões

Das minhas rosas sem vaidade

Perdeu a beleza para a idade

Como eu que vim dar saudações

Já sem nenhuma outra vontade

Além de rever-te na eternidade

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!