Ao Acordar naquela Manhã

1 Ao acordar naquela manhã


Ao acordar naquela manhã, nada indicava a armadilha da qual ele não iria escapar.

Uma bela manhã de sol em Shin Makoku.

Os boatos de que o Maou fora encontrado espalhavam-se pelo castelo, deixando todos em polvorosa.

Mas ele sempre tinha um pé atrás.

Com tudo.

E com todos.

Afinal, não foi sendo crédulo que Wolfram Von Bielefelt alcançou o patamar de Comandante em Shin Makoku.

Não mesmo.

Mas era bom apreciar a atmosfera de antecipação e esperança. Muitos tinham sofrido e perdido algo precioso para chegar até aqui, e poder ver a ascensão de um novo Maou.

Quando o viu, não pôde acreditar. Tal pessoa? Que nem mazoku puro era?

Certo que ele possuía os cabelos e olhos escuros, o que fazia os sussurros de “soukoku” espalharem-se pelo castelo, já o comparando ao Grande Sábio de milhares de anos atrás. Mas...

Um mestiço?

Nunca soube o que o fez externar todo o ódio e ressentimento por tal escolha de Shinou. Talvez sua displicência, ou a ternura manifesta de Conrad para com ele, ou a total falta de noção da responsabilidade que assumiria...

Mas ele era Wolfram Von Bielefeld, não era? Nunca voltaria atrás na palavra dita.

O tapa que recebeu foi um choque inimaginável.

Misturado ao choque, a vergonha de ser alvo de tal pedido.

Casamento? Com um mestiço? Mesmo que esse mestiço seja o Maou? Nunca!

E o duelo que se seguiu, foi simplesmente a maior lição que recebeu. Quantas vezes a frase “não julgar um livro pela capa” passou pela sua cabeça desde então?

Um mestiço.

Um Maou, soukoku, com um nível de maryoku só comparável a Shinou e ao Grande Sábio.

A alma de Julia revivida, com a pureza desta, misturada à incansável energia dos Shibuya, e com uma força de vontade imensa de resolver todos os problemas do mundo.

Uma presença marcante, cuja gentileza só servia para torná-lo mais amado e desejado por todos.

E um coração capaz de amar a todos sem exceção.

E aí estava o problema!

Ele era seu noivo, não era? Um noivado reconhecido por todos em Shin Makoku, um noivado que até lhe trouxe uma filha!

Entretanto, esse traidor fracote insistia em não falar a respeito. Se não fosse por ele, nem a família Shibuya saberia. Um absurdo!

Se bem que absurdo era o fato de ter que dividir Yuri com todos que o cercavam.

Um noivado forçado, certo? Sim, mas...

Quando isso aconteceu? Quando a armadilha deixou de ser importante?

Não sabia. Na verdade, não importava saber.

E aqui estou.

Wolfram Von Bielfelt.

Comandante? Sim. Herdeiro de uma nobre família? Sim. Um poderoso mazoku? Sem dúvida.

Nada disso importa.

Ser o noivo de Sua Majestade, o Vigésimo Sétimo Maou, Shibuya Yuri, também não importa.

Mas ser o noivo deste “traidor fracote” — o imprudente, amável e gentil Yuri, é o que importa.

Tenho certeza disso.

Owari

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.