Anônima

14 Capítulo 14 : Sonhos


Notas iniciais
Bem, eu acho que mereço qualquer tipo de apedrejamento ou forma de punição! Quero que saibam que eu sinto muito. Eu me envolvi demais no meu trabalho, na minha escola. O motivo não foi querer notas boas e passar de ano, pelo menos não só, mas, eu tive um problema e para enfrentar foi mais difícil do que eu pensei. Eu enfrentei a morte da minha melhor amiga, a minha irmã de coração, que cresceu comigo e meu deixou coisas boas para levar em mente. Me decepcionei com uma pessoa que me prometeu conforto, segurança e no final ganhei mais dor. Espero que me perdoe. Vitória, você não fazia ideia que eu escrevia estórias, mas, esse capítulo eu dedico a você. Obrigada por compartilhar seus sonhos comigo, por não desistir de mim, por me amar mesmo a distância, por ser meu pilar. Sinto muito por não ser perfeita e não conseguir impedir a sua dor. Eu amo você. Espero que esteja feliz. Boa Leitura.

Anônima

By : Archangel

Chapter 14 : Sonhos

– Só preciso de sua ajuda. — Os dedos enrolavam uma mecha dos cabelos róseos. Sua expressão suave, só deixava a ruiva mais inquieta.

– Para o quê, exatamente? — Suspirou nervosa. A Uzumaki não se sentia a vontade com pessoas inteligentes. E sem sobra de dúvidas,Karin sabia que Sakura era muito inteligente. Inteligente até demais.

– Você, simplesmente vai fazer o que sabe melhor : Ser popular. O que eu quero é ir a festas com você, almoçar, ir ao shopping e se possível,tornar os seus amigos os meus. Eu quero me tornar sua melhor amiga. — A ponta do Salto,furava a grama verde enquanto ela balançava os pés. Na sua cabeça, Karin era a chave. Se ela tiver o que ela tem, tudo se tornará mais fácil.

– Quer ser com eu? — Ela afirmou com a cabeça. — Por isso se vestiu assim?

– Bingo. — A Rosada riu.

– Por que? — A desconfiança era uma característica que definia a personalidade de Karin. Desde que entrou para esse mundo, onde tudo que fazia era questionado e observado, ela passou a sempre desconfiar.

– Cansei de ser o tapete dessa escola. Por muito tempo eu fui humilhada, ridicularizada e nunca movi um dedo. E isso soa até um pouco idiota, sendo da família que eu sou, eu podia ter feito um estrago. — Ela esboçou sorriso torto e uma risada seca, fezendo a ruiva se lembrar do ex namorado. — Enfim. É tudo. Vai me ajudar?

Ela pensou o que ela tinha perder. A resposta, era tudo. A Haruno tinha a faca e o queijo na mão, se ela não topasse se fazer de "amiguinha", sua família ia saber da coisas erradas que fazia e que acabaria envergonhando seus pais. Não tinha escolha. Era pegar oum largar.

– Tudo bem. — Respondeu por fim.Os cabelos esvoaçavam com o vento e suas unhas raspanham a pele de seu pulso nervosa. Sakura notou que apesar de ela estar quase arrancando os cabelos mentalmente, a pose de bem nascida não era esquecida. Só pessoas criadas dessa maneira, sabem diferenciar. Babaquice.

Sua Avó costumava dizer " Uma dama pode estar passando pela pior das catástrofes, porém, indepedente da situação, jamais perde a compostura." Bem, isso adequa as duas.

– Maravilha, Ka. Posso te chamar assim? — Ela assentiu com a cabeça. — Legal. Vamos, precisamos mostrar para esse bando de imbecis quem manda aqui.

...

Antigamente, se alguém me dissessem que eu estaria vestida em uma mine saia e andando pelo corredor ao lado de Karin Uzumaki, indicaria meu nome para ser auxiliar do professor Orochimaru no seu mais novo projeto e deixar ele me usar como cobaia, assim como ele faz com os sapos no laboratório de Biologia ll. No entanto, a vida é um jogo de ciladas, quanto mais você tenta se livrar delas, mais elas acham um jeito de você cair. Agora eu estou aqui. Em cima de enormes salto altos e com a metade da bunda de fora.

Explêndido. De quebra ainda ganhei admiradores. Todos babacas e sem cérebro. Avistei Sasuke no final do corredor do lado de Naruto,os dois conversavam em frente ao armário, dei uma piscadela para Sasuke quando passei em frente a sua cara de surpresa, as vezes os garotos são tão idiotas. É melhor eu me preparar antes de contar tudo a eles.

Karin e eu passamos o dia juntas. Na hora do almoço as passoas nos olhavam e cochivam, pois ela estava em uma mesa onde os ocupantes era somente eu e ela. Notei que ela ainda desconfiava de mim, mas eu fiz o possível para ela se sentir bem. Karin já estava pagando pelo que fez comigo sozinha, eu não preciso tornar a vida dela um inferno. Na saída, eu passei meu telefone e dei um beijo estalado em sua bochecha.

Ao longe eu observei ela entrar no seu carro e ir embora. Quando cheguei ao estacionamento, Sasuke e Naruto me esperavam. Eu achei que eles iam estar emburrados ou discutindo como sempre, mas para a minha surpresa, eles estavam calados e Naruto comia um saco de batatinhas.

Eu tentei passar por eles e ir direto ao banco de trás, mas a mão de Sasuke me interrompeu. Seus olhos já demostravam o que eles queriam, o arqueado da sua sobrancelha direita e a mandíbula meia cerrada só quer dizer uma coisa, " Explique -se".

– É segredo, Amor.

– Como é,Sakura — Chan? — Naruto perguntou e eu tive a impressão de seus olhos voarem para meus seios.

– Ela não quer explicar porque passou o dia com a piranha da Karin, Dobe. — Ele estava furioso. Eu sabia que ele não ia gostar de saber que eu era nova melhor amiga da ex namorada dele.Arrisquei, pois achei que seria necessário. Sasuke tinha que entender.

– O que? Por que não? Sakura — Chan? Você sabe que pode confiar em mim, não liga para esse projeto de galinha da ângola vestido em calças de cabeleireiro de modelos de propaganda de super mercado, é só contar para mim e tudo vai ficar bem! — Eu devia entrar em choque? De repente desandei a rir.

– Do que estar rindo, imbecil? Calças de cabeleireiro de modelos de super mercado? Que eu saiba você tentou roubar ela umas mil vezes. — O estalo do tapa só me fez rir mais, meu maxilar já estava dolorido, mas eu não conseguia parar.

– Tentei porque sei que no meu traseiro brasileiro, ficaria muito melhor em mim. — E mostrou a língua. Pff! Idiotas. — Mas, Moraguinho, explique — se.

A seriedade de Naruto me surpreendeu. Eu parei de rir na hora e arrumei a barra da minha saia. Eles cruzaram os braços e eu tive a impressão que não sairiamos dali até eu dizer tudo que eles precisavam ouvir. Optei pela meia verdade. Ora, eles não me disseram nada sobre o plano deles.

– Conseguir informações. — Falei simplesmente.

– Pronto, Teme. Resolvido. — Naruto suspirou aliviado. Sasuke não tinha engolido essa e continuava na mesma posição. Ao contrário de Naruto que falava sozinho o quanto eu era sincera e gentil, enquanto abria a porta do carro e comia outro pacote de batatas.

– O que mais? — Perguntou Sasuke. Ele estava tentando me intimidar, mas eu estava disposta a mostrar confiança. Então andei até aonde ele estava, mesmo de salto, minha cabeça só chegava perto da boca dele eu inclinei um pouco para trás.

– Vai me contar o que está tramando?

– Não.

– Então, eu não lhe devo explicações, Sasuke. — Observei ele franzir testa e a raiva estampar seus olhos, me irritei. — Olha, eu não estou querendo ser um deles, O.k.?

– Então qual o significado dessas roupas e o que estava fazendo hoje com aquela cadela? — Suas mão apertavam meus ombros e eu já sentia meu sangue ferver.

– Não fale assim dela, idiota!- Gritei.-Ninguém aqui é melhor do que ninguém e todo mundo faz merda. Ela me pediu desculpas e como eu fiz com você, eu perdoei. Estou fazendo isso por você,por nós. Droga, não estrague tudo. — Susperei sem ter o que dizer.Mantive meu olhar no seu e tentei mostrar que não era nada demais. — Me desculpe por ter gritado.

Ele tentou suspender o olhar irritado e eu sabia que aquilo estava fritando seus miolos e consequentemente, estava odiado tudo isso. Porém, há coisas que você só percebe quando está realmente concentrada em fazer, Sasuke suavizou o semblante e suspirou. Ele só estava preocupado.

– Faça o que quiser, "Amor". Só não seja uma delas. — Ele disse, esquecendo a raiva e até sorrindo um pouco.

– Mesmo, Amor? Acha que eu não sou bonita o suficiente? Magoou! — Cerrei os olhos e tentei imitar a voz de Akemi, a garota do LSD, como chama Karin. Ela me contou que Akemi vivia com a bolsa cheia dessas drogas e cigarros, nas festas ela se drogava e no outro dia acordava na cama de um cara que nem sabia o nome. Pelo menos ela é uma boa atriz e sabe seduzir melhor que eu. Ainda bem que nunca tive vontade de fazer teatro.

– Tá de brincadeira? Você está um bombom! — Ele disse me olhando da cabeça aos pés.

– BomBom?

– É. — Respondeu abrindo a porta traseira do carro.

– Tudo bem. — Eu disse e me enfiei no banco de trás e nas músicas do Pearl Jam.

...

– E ai? Como foi. — Yumi me perguntou assim que entrei no meu quarto. Já não era surpresa,depois que nos reaproximamos ela vive me visitando. Cheguei até pega — lá dormindo na minha cama.

– Foi legal. — Ela fez um bico,insatisfeita. — Ok! Basicamente, eu virei o centro das atenções. Todos me olhavam, falavam de mim, até fotos tiraram.

– Que demais! Eu queria estar lá sentada na primeira fila e assistindo tudo de camarote e comendo pipoca!

– Nada a ver, Yumi. É uma merda. Essa vida não é a minha. Eu não sei por quanto tempo vou aguentar... — Estava sendo sincera. A sensação de estar sempre sendo vigiada, ver as pessoas ficarem a espera para ver um erro seu e depois rir da sua cara como você não passe de um mero obstáculo insignificante,me enoja. Eu sou filha de rico, mas odeio a diferença social. Por mim todos seriamos iguais.

– Segura essa,Tigreza.- Eu olhei com dúvida. — O que? Ah! Tudo bem. Você venceu. — Eu a vi levantar elegantemente e parar em frente a minha janela. Seus dedos estavam fechados em volta do seu colar em forma de coração e eu me perguntava se eu ainda estivesse com a minha câmera, ela me deixaria fotografá -lá. De repente ela suspira. Olha para mim e tenta sorrir. — Nunca conseguirar ser livre, mesmo que tente. Entenda,Sakura, nós nascemos assim, expostas. Nossa vida é um espetáculo onde os espectadores estão sempre a espreita.Você tentou fugir, mas ela te achou e vai ser assim pelo resto de sua vida.

– Eu consegui fugir por todo esse tempo.

– Sim. — Ela suavemente. — Mas não apagou as manchas do seu passado. Apagou?

– Não. — Ela tinha razão. Posso ter me escondido, porém, nada do que fosse feito, ou as roupas que eu use, até mesmo a minha nova vida vai apagar o que aconteceu. Eu queria não ter conhecidos meus avós.

– Então, sabe o que vai acontecer de agora em diante. Eu não sei o que realmente aconteceu, mas vai ter que esconder. Pelo seu bem. Pelo bem da família. — Eu fiquei sem reação. Parecia que os dias de tortura, a dor e o medo estavam de volta. De repente, eu me certifiquei se meus pulsos ainda estavam livres e sem manchas.

Eu não vou chorar. Isso faz parte do passado e não faz parte da minha vida. Eu tenho amigos, agora. Posso suportar.

Yumi se aproxima cautelosa e me abraça. Eu sinto meus olhos arderem e mesmo tentando não me entregar a dor, eu acabo desistindo. É mais forte que eu. Não posso negar.

– Shi...Está tudo bem. Me desculpe. Eu estou aqui.

Essas palavras soam tão completas e ao mesmo tempo tão vazias. A dor, é efêmera. Nos destrói aos poucos, ás vezes de uma vez. Uma só pancada e abre- se um fenda. Um buraco negro sem fundo e vazio.

Você tenta evitar sofrer por conta dor. Mas sempre há algo pequeno ou grande que faz voltar tudo aquilo que tentou evitar. Seja uma paixão mal resolvida, brigas familiares...traição. Temos tanto aprender, tanta coisa para viver e mesmo assim, não deixamos de sofrer. Já faz parte.

Eu senti que o cheiro de Jasmine dos cabelos de Yumi se afastava. Ela me olhou sentida e ao mesmo tempo tentando encorajar.Os calor dos seus braços me abandonaram e o cheiro foi embora, junto a dona que se ia pela porta.

Fiquei sozinha com a minha própria solidão. Eu não poderia acusar minha irmã de abandono, Yumi nunca soube lidar com a dor. Nem mesmo a sua própria.

Então, eu preferi deitar — me e deixar que ela se acalmar e voltar para um lugar distante. Assim eu não teria que me preocupar e rapidamente a cicatriz se fecharia. Não existia mais nada, só escuridão.

...

Acordei com o toque do meu celular soando alto estridente em meus ouvidos. Que ótimo,era o Sasuke. O que será que ele quer? Nem dormir um sono a tarde eu posso mais?

– Sasuke?

–Está fim de dar uma volta? — Ele me perguntou sem rodeios.

– Oi,Sasuke. Tudo bem? Eu vou bem, obrigada por perguntar. — Escutei o som de sua risada e invuntariamente sorri também.

– Tsc. Rosinha. — Ele quis dizer " Você é um saco." Aprendi a decifrar os códigos dele. Estou passando tempo demais com esse cara... — Então?

– Se me pagar um café... Eu posso considerar. — Levantei da cama e abri o closed e retirei um vestido azul marinho simples.

– Você e esse seu vício. — Ele disse suave. Escutei o barulho de uma buzina, provavelmente ele estava vindo para minha casa. Corri para o banheiro e me despi, colocando o celular no viva voz na bancada da pia.

– Eu e ele somos como um casal. — Liguei o chuveiro e deixei a agua correr pelo meu corpo. — E eu nem sei porque tanto drama. Você bem que é um amante de expresso que eu sei. É até mais viciado em cafeína do que eu. Ou você achou que sua mãe não ia me contar isso?

– Quando foi que conheceu minha mãe? Espere! Isso é água? Sakura, você está tomando banho? — Escutei uma buzina e a voz de Sasuke praguejar entre dentes.

– Na casa do Naruto. Ela chegou a dizer que está imensamente feliz de conhecer a "amiga do seu bebê". Disse que você e Naruto comentam muito sobre mim nos almoços de domingo.Ela me convidou para o próximo, tudo bem para você?- Disse um pouco mais alto por causa do som da água contra o piso e o vidro do box. — E sim, estou tomando banho.

– Oh merda! Sakura não faça isso comigo! É pecado, sabia? — Ele disse meio... Malicioso? Não gostei nada. Ele vai ver quando chegar aqui.

– Que tonzinho estranho foi esse? — Fechei a torneira e me enrolei na toalha e sai no banheiro. Vesti o vestido e calcei uma sandalha branca. — Espero não está imaginando coisas com o meu corpo, seu pervertido. Vou te capar!

– Hn. — Ele respondeu sem nenhuma sombra de dúvidas segurando a risada. Filho duma mãe linda. Olhei pela janela e vi seu carro parado em frente a minha casa. — Já está pronta?

– Quase. Preciso de mais cinco minutos.

– Tudo bem. — Deligou.Me vesti e pdó campoeguei uma pequena bolsa e coloquei o celular e algum dinheiro. Penteei meus cabelos e prendi a parte da frente atrás com um laço da mesma cor do vestido. Passei um pouco de maquiagem e borrifei um pouco de perfume. É, estava apresentável.

Quando eu fechei a porta de casa, dei uma conferida se estava bem trancada, abri o portão negro e cheguei aonde o carro de Sasuke estava parado.

– Demorou. — Ele disse quando sentei no banco do carona e dei um beijo estalado em sua bochecha.

– Dois minutos a mais do que tinha dito. Deixa de ser controlador. — Falei colocando o cinto e olhando sua expressão seria enquanto dirigia. Ele era bonito até fazendo coisas normais. Mesmo sem perceber, ele exalava um charme próprio e natural. Acho que por isso 90% da escola do sexo feminino, praticamente se jogavam no chão sujo para ele passar em cima.Lamberiam seus pés sujo de cocô se fosse necessário. UFF! Estou sendo agredida mentalmente por idéias loucas. Chega de escutar histórias estranhas contadas por Naruto.Estou começando a falar como ele.

– Está muito mais bonita assim. — Sasuke falou sem tirar os olhos da rua, ele virou a esquina e parou em frente a minha cafeteria predileta — Melhor que aquelas roupas de vadia que usou hoje de manhã.

– Obrigada pelo elogio. — Eu disse meia envergonhada e lutando para não ficar vermelha. — Aquela não sou eu. É só um disfarce. Não precisa ficar com ciúmes.

– Eu não tenho ciúmes. — Saímos e andamos pelo estacionamento. Um bando de rapazes sentados na praça da lanchonete do lado, assoviaram e gritaram um " gostosa" quando passei e o vento levantou um pouco a saia do vestido. Vi o rosto de Sasuke ficar vermelho e ele me puxar com brutalidade para perto dele. — UFF! Idiotas.

– " Eu não tenho ciúmes". — Tentei imitar sua voz grossa e ganhei uma carranca azeda. Sorri amarelo e senti seu braço rodear minha cintura.

– Calada.

Escolhemos uma mesa perto da janela. Notei que Sasuke carregava uma sacola negra e sem nenhum detalhe . Sentamos e Sasuke fez os pedidos. Quando eu notei o cheiro de café, uma sensação de calmaria tomou conta do ambiente. Só esse aroma trazia essa sensação.

Notei que Sasuke estava tomando seu expresso calmente. Algumas clientes atiradas, secavam ele sem descrição.

– Adoro o modo como faz sucesso. — Falei bebiricando um pouco do meu frapuccino com menta. Ele levantou os olhos que estava fixo no cardápio e me encarou com uma das sobracelhas erguidas.

– Eu nunca liguei.

– Não parecia. — Disse me referindo as garotas que ele saiu.

– Se está falando daquela garota,naquele dia, então pode esquecer. — Riu. — Aquela lá eu peguei porquê não aguentava mais ela me enchendo. Depois daquele dia as coisas só pioraram.

– Você sempre foi idiota. — Emburrei — me lembrando da cena. — Ninguém era obrigado a ver você transar no pátio.

– Você fala isso porque quem estava lá, era somente eu. Mas eu tenho que te dizer,Rosinha, tem caras que já fizeram coisas piores. Inclusive na sala de aula. — Ele fez uma careta eaquesita. Eu estava chocada com a falta de respeito desses garotos. Fechei a cara e voltei a atenção para meu copo.

– Nojentos. — Rosnei.

– Calma. Eu juro que não deixarei que ninguém faça nada com você. — Ele está meio esquesito,hoje. Sua mão largou a xícara de café e apertou a minha mão. Fiquei sem jeito. Nenhum garoto tinha me tocado daquele jeito. Sasuke está esquesito, ele não é carinhoso. Tinha alguma coisa errada.

– Tá, OK! O que você quer? — Desvencilhei minha mão da dele e abaixou o rosto tentando disfarçar a vergonha. Meu tom de voz denunciava o meu desconforto, mas ele nem pareceu notar.

– E o que te faz pensar que quero alguma coisa? — Seus lábios entortaram em um meio sorriso. Aquele simples ato me fazia alguma coisa dentro de mim queimar. Ignorei e fiz meu melhor olhar indiferente.

– Deixa eu ver... Me convida para sair, paga meu café, parece ser um completo cavalheiro...

– Tenho um presente para você.

– ...Tem um presente para mim, me faz parecer um gar- Olhei surpresa. O que ele tinha acabado de dizer? Em cima da mesa a sacola negra estava ao meu alcance. — O que significa isso?

– Vamos fazer um acordo? — Arqueei a sobrancelhas. — Abra e sem perguntas.

– Mas -

– Abra. — Ele disse passando a sacola para os meu colo.

Meia sem jeito, coloquei um das minhas mãos dentro da sacola e retirei uma grande caixa marrom. O papel era era engraçado,me fazia imaginar que era uma caixa de madeira. Devagar, retirei o papel sem rasgar e quase chorei com o que estava escrito.

" Sinto muito. Estou devolvendo seu sorriso."

Era uma câmera fotográfica profissional. Igual a minha que foi quebrada. Busquei o rosto de Sasuke para a agradecer e ele estava sorrindo. Não um meio sorriso, mas um sorriso completo.

Aquele momento eu não tinha noção do que eu estava sentindo. Eu estava com vergonha e ao mesmo tempo eu queria gritar,a única coisa que tinha certeza era que eu me sentia a garota mais feliz do mundo.

– Eu, bem...Não sei o que te dizer. — Fiz uma pequena tentiva de agradecimento. Obviamente falhei. Minha vergonha e nervosismo se misturaram e eu virei uma poça de emoções indefinidas e sem controle.

– Não há o que agradecer. Eu estou te devolvendo sua essência. — Ele se enclinou na mesa e tocou meu rosto. Enquanto eu fechava os olhos eu senti seus dedos desenhando meu maxilar delicadamente. — Quero que enquanto estiver com ela, lembre — se quem é a verdadeira Sakura.

– Eu vou lembrar. — Disse ainda de olhos fechados.

...

Já era terceira vez que sentia o mundo rodar. Quantos comprimidos já tinha engolido? Quantas vezes tinha delirado? E um breve vislumbre da realidade torturante, ela lembrou do sorriso dele. Quem era aquele garoto?

Seu estômago estava totalmente danificado. Cambaleando ela chegou ao banheiro e despejou todas as porcarias no seu estômago. A boca sentia o gosto amargo do vômito, da desgraça por se apaixonar pelo cara errado, por fazer coisas erradas por ele e por ainda se sentir perdida nele.

Odiava a lembrança dos beijos dele e odiava ainda mais a possibilidade de ser uma garota normal, conseguir amigos de verdade e se divertir. Iria encontrar um cara legal, como aquele menino. Ele a faria rir e ela se sentiria importante.

Mas o que se pode fazer quando só podia ter olhos para aquele idiota? Quando não teve alternativa quando ele invandiu seu quarto e roubou sua virgindade com tanta delicadeza e fervor? Talvez essa seja a causa para sua obcessão, da sua infeliz realidade.

De repente a lembrança do garoto invade seus pensamentos. Ele era bonito, seus olhos transmintiam calor e aconchego e seu sorriso era tão apaziguador que ela se permitiu sonhar deitada na grama verde, o pôr do sol e os mesmos olhos a observando. O sorriso se abre involuntáriamente e ele toca seus cabelos.

Quando ela abre oos olhos, ainda está de joelhos na privada. Muitas tabelas de calmantes e anti depressivos espalhados pelo banheiro e ela se da conta que nada será mais que um sonho.

Rapidamente ela tenta organizar a bagunça. As lágrimas caem de seus olhos e mais uma vez ela sente inferior. Pois, podia ser tudo diferente, não precisaria passar por nada disso. Ela estaria feliz e nesse momento se prepara para passear com seus amigos.

A porta do cômodo se abre e sua irmã se aproxima. Ela abaixa até altura de seu rosto, abraça seus ombros e alisa seus cabelos.

– Hina, por favor pare de se matar.

E por mais que tenha tentado,nesse momento, ela desejou que fosse possível.

Notas finais
Obrigada, leitor! Por me apoiar até aqui! Um abraço, Archangel