Anônima
16 Capitulo 16 - You
Notas iniciais
Anônima
By: Archangel
Chapter 16: You
– Acha que ela vai ficar bem? — Depois de inúmeros minutos sem falar uma só palavra, ele finalmente se pronunciou. Da mesma forma como chegou a residência dos Harunos, quieto e com a preocupação evidente em seus olhos perolados, escancarou a porta do quarto onde a filha estava dormindo, permanecendo assim até que sua voz foi ouvida no mórbido silêncio do quarto.
– Eu não sei, Sr. Hiashi.- Sakura respondeu aflita. Imaginou que quando aquele homem frio atravessou a porta de seu quarto sem ao menos pedir licença, era só mais um empresário rico sem sentimentos que arrancaria filha a força de sua casa e a mandaria para algum hospital onde pudesse controlar tudo com seu dinheiro. No entanto, como ela mesma começou a levar em conta velhos ditados, esse essencialmente está começando a fazer sentido e as aparências realmente enganam.
O que entrou pela sua porta foi um pai preocupado, um homem que moveria céus e terras por seus filhos, sendo capaz de dar a vida por eles. Isso só foi mais comprovado quando em um gesto de carinho, Hiashi tocou delicadamente o rosto da filha, não se importando nem um segundo se tinha alguém presenciando a cena. Sakura poderia pensar que era tudo fingimento, mas o tom embargado que usou quando se dirigiu a ela, foi o suficiente para se esquecer de suas dúvidas contra índole do patriarca Hyuuga.
– Ela é só uma menina.- Ele suspirou, as costas largas denunciavam o cansaço e suas mãos antes firmes, começavam a tremer enquanto acariciava a filha adormecida.- Como pude ser tão irresponsável e deixar que minha filha se matasse aos poucos? Como pude ser tão imprudente?
Sakura sabia que ele fazia essas perguntas para si mesmo e mesmo assim, ela se sentiu na obrigação de responde –las , afinal de contas, querendo ou não ela fazia parte disso e já estava na hora de saber como tudo funcionaria daqui para frente.
– Não se culpe Sr. Hiashi. Sua filha não sabia o que estava fazendo. Ela precisa de ajuda. – Sabia que não estava no direito de ser abusiva, mas em conta da oportunidade decidiu por as cartas na mesa. — Sua filha é uma boa pessoa, mas se envolveu com as pessoas erradas. Ela não foi única a se machucar, outras pessoas também sofreram algo parecido. Inclusive eu.
Ela abaixou a cabeça e refletiu em silêncio. Sabia que ele precisava saber como era a vida de sua filha fora dos portões de sua casa. Ele podia ser um pai preocupado, no entanto, assim como o seu próprio pai, era ausente.
– E acha que eu confio em uma pessoa que acabei de conhecer? Se você em diz que minha filha se envolveu com pessoas erradas, quem me garante que você não é uma delas? Quem me garante que não foi você que fez isso?
Sakura ponderou em responder, sentindo a força da raiva do Hyuuga nas perguntas ofensivas, contudo, foi obrigada a se manter calada quando a irmã de Hinata entrou no quarto sem aviso e sentou ao lado pai encarando –o como uma pessoa que sabia o que estava acontecendo e estando muito mais culpada do que qualquer outra pessoa naquele quarto.
– Hinata fez isso por ela, Papai. Ela estava se matando. Perdi as contas de quantos calmantes ela tomava para dormir e quando eu a via sair do quarto de madrugada para vomitar tudo que tomou na privada. – Hanabi, mesmo sendo a mais nova aparentava ser mais madura que a irmã mais velha. Tinha um bom senso, que Sakura teve que admitir, se ela estivesse no lugar da irmã, jamais isso teria acontecido. – Como ela disse, Hinata precisa de ajuda. Hinata precisa de nós.
Sakura poderia ter ficado ali e assistido aquela cena, onde o pai e uma irmã se culpavam por deixar uma adolescente chegar aquele ponto, mas ela preferiu tomar uma atitude. Passou os olhos pelo seu quarto rapidamente, pensando no que iria fazer e decidiu que os deixaria sozinhos enquanto ela tomava rédeas da situação.
– Eu vou deixa-los sozinhos. Se precisarem de algo, por favor, me procure. Os empregados saberão onde me encontrar.
– Obrigada.- Hanabi disse antes que fechasse a porta. – Por salvar minha irmã.
...
Caminhava entre os corredores desertos da mansão sem emitir nenhum ruído, era até estranho a forma como conseguia ser tão silenciosa e ainda usar saltos altos. Talvez todos aqueles anos de sofrimento pelo menos serviram de alguma coisa. Fechou os olhos e tentou afastar a lembrança pesarosa de seus pensamentos. Ainda doía. E era incentivo o bastante para querer largar tudo e voltar para as profundezas de sua própria solidão.
Mas qual era a diferença? Se esconder por trás de paredes não a ajudou a evitar que sua avó a açoitasse quando tremeu o pulso ao levar a xicara a boca. Do contrário, só a levou a cada vez temer as pessoas e esperar que o dia acabasse para enfim dormir. Contudo, o fato de todas as coisas ruins acontecerem, ensinou a valorizar as pequenas e a se tornar uma pessoa justa ou mais próxima disso.
Talvez o fato do garoto mais popular perder tudo nos jardins de sua casa, fora algo premeditado. Algo que a mostrasse que ela precisava ser ouvida e, que assim como ela, todas as pessoas têm problemas e não é fugindo deles que a sua realidade vai mudar.
– Sakura? – Ela desertou de seus pensamentos com a voz do Uchiha suave nas escadas. – Está tudo bem?
– Sasuke? — Encontrou — o quando estava chegando ao andar de cima. — Onde você estava?
– Na varanda. – Murmurou observando a parede a sua esquerda.
–Hm. – Suspirou. Percebeu o quanto ele estava desarrumado, a gola da camiseta estava esfolada, algo que ela notou ser resultado de uma de suas manias mais feias.Todas vezes que a situação escapava de seu tão poderoso controle, o Uchiha se sentia completamente descontrolado e suas camisas apertavam demais sua garganta. Ela percebeu que era como se ele se sentisse sufocado. – Você está nervoso.
– Não. Só estou impaciente. – E mais uma vez as mãos inquietas que denunciavam sua mentira, massagearam o pescoço.
Cansada, ela andou até estar à frente dele e pousou sua mão acima da dele. Estavam muito próximos e ela podia enxergar pequenas olheiras de baixo dos olhos negros que a encaravam como carvão em brasa. Os olhos verdes pareciam perdidos, no entanto, o contato visual inevitável tornou-se forte demais para simplesmente devia. A rosada sentiu quando ele estava se aproximando. De repente, a mão que estava abaixo da sua contornou seu pulso e deslizou suavemente até seu cotovelo.
Um suor estranho surgiu na palma de sua mão e por um instante cogitou a ideia de fechar os olhos, mas não era tão fácil quando seu lado curioso duelava com seu lado sentimental tentando encontrar a melhor maneira de agir. Ele estava cada vez mais perto e subitamente, ela sentiu vontade de se aproximar também.
O que estava acontecendo com o seu corpo? Por um acaso o cérebro tinha parado de funcionar? Não. Ele ainda estava lá trabalhando a mil por hora e usando seu olhos como câmera para gravar aquele momento que depois a faria imaginar que loucura estava fazendo.
Ainda de olhos abertos, os lábios de Sasuke tocaram os seus levemente. Nos primeiros momentos sentiu um calor aquecendo seu interior. Era calmo e aos poucos a consumia. Não conseguia resistir a sua própria vontade, se perdendo inteiramente naquela situação insana onde as mãos de Sasuke a puxavam pra mais perto e o restante do ar em seus pulmões aos poucos deixavam de existir. A língua do Uchiha invadia sua boca sedenta, procurando algo que saciasse a fome que aparentava há tempos sentir.
Ela poderia ter ficado, aproveitado mais e se entregado totalmente a aquelas sensações novas, no entanto, algo dentro de si estava recobrando a razão e insistia em dizer que era errado o que faziam. Aos poucos ela se afastava, lutava para não ser brusca e sair correndo. Ele deixou sua boca e a encarou. Sakura podia enxergar a confusão nos olhos dele e temeu o que ele diria.
– O que foi? –Ele sussurrou acariciando seu rosto.
– Isso foi...- Tentou dizer, mas as palavras embaralhavam em sua mente e ela só conseguia pensar no perfume masculino e na sensação de sentir seu lábios ainda pressionados pelo de Sasuke, mesmo que ele tenha se afastado.
– Eu sei. Está se culpando. – Era audível as vozes no andar de baixo e mesmo assim o Uchiha parecia alheio ao que acontecia e se concentrava na sua tarefa de moldar o rosto que tocava com os dedos. – Não precisa. Se você quiser que isso fique aqui, eu posso garantir que não vou me importar. – Sakura sorriu levemente e Sasuke se aproximou mais uma vez. – Mas, se preferir continuar, certamente, não irei me opor.
– Não é isso. Só não é certo. – Ainda embriagada pela forma como ela a tocava, conseguiu por fim dizer algo que fizesse sentindo. –, E não tenho certeza que posso deixar que algo desse jeito continue.
– Sakura e dai que não é certo. Quando eu estava com a Karin não era certo também. – Ele disse suave, mas ela sentiu uma pontada em seu estômago e segurou as mãos dele levando o rosto para olhar seu rosto.
– É exatamente isso, Sasuke. Eu não quero ser a Karin ou qualquer outra garota que você tenha ficado ou namorado. Não posso simplesmente ficar com você por atração, pois isso eu consigo com qualquer outra pessoa e com você é a mesma coisa. – Respirou fundo e tocou –lhe o rosto incerta. – Se vamos ter alguma coisa, pelo menos quero me permitir sentir algo mais que só atração e acho que você não está disposto a isso.
Soltou –lhe as mãos e virou-se para descer as escadas, mas antes que desse o primeiro passo, foi puxada pela mão e teve o corpo presado na parede oposta por um mais forte mais pesado, sua boca foi invadida sem permissão. Ainda surpresa não teve tempo de entender o que acontecia e suas mãos moviam-se involuntariamente sem direção e não sabia o que tocava até sentir o ar entrar com força em seus pulmões e o peso aliviar a pressão em sua cintura.
– Então não estou disposto? – Ergueu o queixo dela e a fez encara-lo nos olhos e sua fúria e determinação por ser totalmente exposto e não ser necessariamente a forma correta de como se sentia, o fez esquecer de manter a neutralidade e pela primeira vez agir no calor de sua emoções. – Estou disposto a tudo se for para ter você!
E sem medo, ela se entregou de vez.
...
Não se podia imaginar coisa pior. Então era sim que o seu tão amado se portava? Por isso ele não a amava. Como foi tola! Esteve o tempo todo diante de seus olhos. E ela boba e inocente não reparou no ocorria em sua volta. Obcecada no amor cego que julgava sentir por ele, simplesmente não escutou a voz da razão.
Pelo menos agora ela podia rir dele também. E não importava quem tivesse feito aquilo, definitivamente estava querendo acabar com a boa reputação dele. E estava perto de conseguir. Isso mesmo, perto. Pois ela, Hinata Hyuuga, iria descobrir quem foi que espalhou aquela fofoca e ajudar a não só destruir, mas aniquilar a existência de Kiba Inuzuka.
“O mais novo par romântico do College Shinobi Konoha : Kiba e seu namorado, Sai passeando ao ar livre e fazendo compras no shopping! O que será que sua namorada Hinata acha disso? Ou melhor, será que ela sabe com quem Kiba a trai?”
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