Anyone Else But You
9 Explanations I - To The Principal
Notas iniciais
PDV Freddie.
Acordei no dia seguinte completamente desnorteado e me atrasei um pouco por ficar enrolando para levantar. Durante o banho, meu abdômen ardia na altura do local em que Sam rasgara minha camisa porque tinha as marcas da sua unha que também me arranharam um pouco. Não sabia se ria ou se sentia mais raiva daquela garota.
Ao ficar pronto, desci as escadas e tomei café com minha mãe que já estava saindo para trabalhar e mais cedo ou mais tarde me cobraria explicações pela roupa rasgada. Alguns minutos depois de sua saída, eu saí também e resolvi não chamar Carly para ir comigo por sua fúria do dia anterior, então segui meu caminho sozinho. Ao chegar à escola, não demorou muito até que ela aparecesse mexendo em seu celular parecendo apreensiva.
– Bom dia. — Falei quando ela chegou até mim mesmo sem ainda ter desgrudado os olhos do celular.
– Bom dia. — Ela respondeu calma ainda sem me olhar.
– Alguma coisa aconteceu? — Ela guardou o celular no bolso da calça jeans e deu um longo suspiro com os olhos fechados.
– Não. — Respondeu me olhando escorada nos armários. — Tá tudo bem.
– Que bom. — Respondi. Ela sorriu e eu sorri de volta. Meu dia estava ganho.
De repente pareceu que uma nuvem negra havia cobrido Seattle por conta da chegada de uma certa pessoa que acabou com todo o clima entre mim e a Carly que estava começando a surgir.
– Bom dia! — Ela disse parecendo alegre.
– Oi, Sam. — Carly respondeu. Eu apenas a encarei descontente.
– Que carinha é essa, Carls?
– Não é nada. Estou bem. Mas não significa que não esteja brava com vocês. — Ela respondeu enquanto apontava para nós dois com um bico.
– Calma. Mais tarde eu converso com o John e tudo vai ficar numa boa. — Disse Sam com tranquilidade.
– Eu espero. — Carly respondeu e um segundo depois o sinal tocou e fomos assistir à mesma aula com a Srta Briggs.
PDV Sam.
Infelizmente John não estava na minha classe na primeira aula e acho que não estaria em mais nenhuma pelo resto do dia inteiro, então eu teria que esperar até a tarde para podermos conversar.
Durante a manhã toda desde que acordei até meu caminho à escola e durante todas as aulas, ensaiei várias coisas que poderiam ser ditas, não só para esclarecer tudo que ele estava pensando de errado sobre mim e Freddie mas qualquer outra coisa relacionada a nós dois, inclusive se eu deveria ser honesta e dizer que gosto dele a tanto tempo quanto ele gosta de mim... mas isso implicaria explicações à Carly também. Não que eu "não devesse nada à ela" porque com certeza eu devo tudo, mas escondi meus sentimentos durante aquele tempo justamente para manter nossa amizade e eu não poderia estragar isso agora que tudo estava (quase) tão bem. Então, dizer a ela, seria como começar do zero.
No intervalo eu vi John mas senti que não era a hora ainda. Eu não estava nem um pouco preparada então me recusei diante do pressionamento de Carly. Apenas acenei de longe e ele respondeu mesmo que parecesse chateado, e com certeza estava, muito provavelmente porque os boatos ainda comiam soltos por todos os lados. Pra onde quer que eu olhasse, onde quer que eu fosse, os comentários eram sempre os mesmos.
– Freddie, me empresta um lápis? — Pedi enquanto assistíamos à primeira aula da Srta. Briggs.
– Será que vocês poderiam esperar até o intervalo para os namoricos? — A velha disse ao chegar até nós dois, parecendo furiosa mas tentando ser discreta.
– O quê? vocês estão namorando? — Julia perguntou alarmada quase num grito.
– Sim, você não os viu ontem? — Grace intrometeu-se também com um sorriso torto.
– Cachorrão! — Marcel falou depositando um soco no braço de Freddie.
– Não estamos namorando! — Falei de modo que todos pudessem ouvir.
– Chega! Namorando ou não, não se esqueçam de que mais tarde terão que dar explicações ao Diretor Franklin pelo episódio deplorável de ontem. — Srta. Briggs disse dando um fim ao assunto. Apenas pelos próximos cinco minutos.
Durante o resto das aulas, praticamente todos perguntaram se estávamos namorando e o que fizemos ontem o dia inteiro para depois aparecermos daquele jeito. Eu respondi a alguns das formas mais arrogantes que podia imaginar mas em um certo momento simplesmente os ignorei sentindo que não devia satisfações a ninguém. Freddie também estava meio irritado e tentou incessantemente esclarecer que não tínhamos nada, mas durou pouco até que desse de ombros aos comentários assim como eu.
– Esse pessoal já está enchendo o saco. Será que vocês vão ter que distribuir folhetos avisando? — Carly disse impaciente.
– É só o que falta. Mas eu já não dou a mínima pra esse povo.
– Vai ter que dar se quiser sair com o John.
– Calma, Carly. Quando a aula acabar e a gente conversar com o Ted, eu vou lá falar com ele.
As aulas acabaram e eu e Freddie fomos até a sala do nosso diretor. Não conseguimos combinar nada do que falar para ele mas com certeza não revelaríamos nossos assuntos reais. Mais boatos correndo por aí agora envolvendo Carly e John eram as últimas coisas que a gente ia querer naquela hora.
– Sam, Freddie. Sentem-se. — Ele disse simpático e assim fizemos.
– Pode falar. — Respondi. Freddie desmanchou a pose me encarou com repreensão.
– Vocês sabem que gosto muito de vocês mas acho que precisamos criar um vínculo de confiança, não acham?
– Claro. — Freddie respondeu e eu apenas assenti.
– Então preciso saber o que os levou até aquele lugar da onde vocês saíram completamente deselegantes.
– Nós precisávamos conversar algo muito sério e particular e lá seria o lugar ideal naquele momento. — Freddie começou com segurança. — Nós já íamos sair quando o sinal tocou mas alguém havia trancado a porta e como todos já estavam nas salas, ninguém ouviu quando chamamos.
– E a sua roupa rasgada, Benson?
– Bem, isso foi minha cul...
– Eu derrubei um dos produtos de limpeza nela que acabou corroendo. — Freddie disse me interrompendo. Não pude acreditar que ele estava me acobertando.
– Tudo bem, eu vou acreditar nisso algum dia. — Ted disse com um sorriso, porém descontente. O telefone dele tocou. — Depois nos falamos mais.
– Claro. — Freddie respondeu. Eu ainda estava descrente demais para dizer alguma coisa.
– Alô? — Ted disse colocando o telefone no ouvido. — Só um instante. — Ele pediu e o tapou com uma das mãos. — Eu realmente espero que vocês não estivessem...
– Não, claro que não. Nós sabemos o que e onde cada coisa deve ser feita. — Eu continuava calada e Freddie continuava a responder.
– Eu espero. Podem ir, crianças. — Ele acenou com um sorriso e nós fizemos o mesmo já saindo de sua sala.
Enquanto percorríamos os corredores vazios do colégio eu só conseguia encarar Freddie tentando encontrar algo que pudesse ser suficiente para agradece-lo. Mesmo tendo me acusado o dia inteiro e ter ficado furioso e chateado com o que eu fiz com que a gente passasse, mesmo depois deu ter feito ele passar fome e ter estragado sua linda camisa, ele me acobertou. Parece algo sem valor aparente, mas quando se trata de NÓS é uma grande coisa. Eu não sabia nem o que dizer porque agradecer algo que ele tenha feito por mim era algo muito raro. Até quando ele fazia mesmo eu não agradecia mas dessa vez, por algum motivo, eu estava tão contente com o gesto mas sem o que dizer... mesmo que eu só pensasse em coisas boas.
– Freddie? — Chamei num momento de coragem encarando-o enquanto ele fitava o chão.
– Sim? — Respondeu ainda sem me olhar.
– Obrigada. — Foi tudo que pude dizer. Que droga, por que não disse algo menos impessoal e comum?
– Pelo quê? — Ele sorriu mas ainda não me olhava.
– Por agora. — Ele parou e me encarou finalmente com um sorriso enorme.
– O que aconteceu agora? — Ele perguntou cruzando os braços diante do peito como se quisesse que eu os notasse.
– Nossa conversa com o Diretor. Você não me culpou, nem mesmo sobre sua camisa.
– Que estranho você me agradecer por alguma coisa.
– Eu sempre agradeço. — Respondi sem jeito.
– Na verdade, não. — Ele deu uma risada. — Mas por que especificamente isso foi importante? — Claro que ele não iria se saciar apenas com o meu "obrigada", mas exigiria uma ladainha inteira de agradecimentos.
– Tudo ontem foi minha culpa e você fez com que parecesse que não... se ele me pegasse aprontando outra eu estaria ferrada.
– Verdade. E isso também foi uma ajuda com o John.
– Em que sentido? — Perguntei confusa.
– Eu poderia ter dito que você estava louca por mim e me agarrou. Seria muito mais convincente. — Ele disse convencido.
– O quê?
– De certa forma, dizer a verdade também não ajudaria vocês dois. — Ele disse guardando o celular no bolso. — De nada.
– Você está se achando demais. — Respondi monotonamente sem condições de contestar.
– Olha lá o John. — Ele disse apontando com a cabeça para a roda de pessoas na qual ele estava do outro lado da rua. — Vai lá falar com ele.
– Daqui a pouco. Deixa aquele povo sair e eu vou.
– De nada vai adiantar se aquele povo sair e eu, seu suposto amante, continuar aqui. — Ele disse enfatizando a palavra ridícula que prefiro não repetir mas que vocês já devem deduzir qual é. — Tchau, Puckett.
– Tchau, Benson. — Respondi, ele sorriu e saiu.
Continuei parada observando John e os caras com quem conversava na outra calçada. Em um momento ele passou os olhos ao redor da rua e me viu. Acenei com a mão para chama-lo. Ele assentiu, avisou algo aos outros e atravessou a rua correndo vindo até mim.
– Oi. — Falou parando em minha frente.
– Oi. — Eu não sabia o que dizer. — Você viu a Carly?
– Ela já foi. — Respondeu parecendo frustrado com a pergunta.
– Tudo bem, talvez seja até melhor porque preciso falar só com você.
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