Notas iniciais
Obrigada às pessoas lindas que já comentaram a fic. Troquei a capa, gostaram? É da mesma cena de iBalls (um dos meus ep favoritos) mas agora dá pra ver melhor o Freddie lindíssimo.

PDV Freddie.

No dia seguinte, a caminho da escola não pude sentir nada além de repugnância ao ouvir Carly compartilhar o quão maravilhoso havia sido o seu quase-encontro com John na última tarde. As conversas que tiveram e o beijo que quase aconteceu. Graças a Deus, quase. Enquanto eu não escondia meu tédio, Sam forçava um sorriso de felicidade pela amiga, mas qualquer um — exceto Carly, anestesiada por sua felicidade — poderia ver que não era sincero.

– Mas vocês ainda não estão namorando, certo? — Perguntei já na defensiva.

– Calma, calma gente. Veremos isso mais para frente. Estamos nos conhecendo. — Respondeu Carly convencida.

– A língua, principalmente. — Disse Sam com seriedade. Eu ri.

– Houve só um acidente quando íamos nos despedir! A língua eu ainda não conheci. — Disse Carly rindo em seguida sozinha.

Chegamos à escola, Carly cumprimentou John e seguiu mais a frente com ele até a sala dez e eu mais atrás com Sam, onde iríamos assistir à aula de inglês.

Nos sentamos em nossos lugares de costume e logo em seguida a professora chegou. Pediu que formássemos duplas e como obviamente Carly escolheu John, a loira mal-humorada foi a opção que me restou.

– Você responde às questões enquanto eu tiro uma soneca. — Ela disse, já apalpando sua mochila-travesseiro.

– Nada disso, Puckett. Não vou te dar nota de graça.

– Qual é... o nerd aqui é você.

– Então você pode pelo menos copiar as questões? — Pedi sem esperanças.

– Tá bom, Benson. — Respondeu Sam, depois de um instante a me encarar, relutante. Pegou seu caderno e começou a folheá-lo em busca de uma folha em branco que não tivesse um desenho ofensivo sobre os professores ou alunos, incluindo a mim. Não sabia se me sentia ofendido ou lisonjeado por ter sido lembrado. — Droga! — Gritou ela ao deixar alguns papéis caírem no chão.

– Eu te ajudo. — Falei me debruçando para pega-los.

Ao agarrar seus rabiscos, vi que um deles era na verdade um desenho, acredite ou não, de John. Ela havia retratado o garoto perfeitamente. Não sabia que Sam tinha tamanho talento. Atrás da folha, escrevera algo que tentei ler enquanto me levantava, mas antes que pudesse fazê-lo, ela a tomou de minha mão.

– Ei! — Protestei.

– Por que você pegou minha folha? — Ela me questionou com raiva. Suas bochechas haviam corado de vergonha instantaneamente.

– Eu só me abaixei para pegar porque você a derrubou. Calma, nervosinha. — Suspirei com certa indignação. — Mas... por que você desenhou o John? — Perguntei amistoso.

– Não é o John! — Ela respondeu, novamente com aquele sorriso amarelo de quem está escondendo algo, o mesmo sorriso que dera mais cedo enquanto Carly se vangloriava de sua relação com o mesmo garoto em questão.

– Qual é! É claro que é ele. — Eu tentava sussurrar para que nem ele nem Carly nos ouvissem. — E você ainda escreveu algo atrás.

– Você leu? — Ela perguntou em pânico, arregalando os olhos.

– Não, calma. Que sigilo é esse?

– Ei, vocês dois, Puckett e Benson! Menos conversação, mais produção. — Disse a professora, nos repreendendo e dando um fim à conversa.

Deixei o assunto de lado para que pudéssemos fazer a atividade de vez mas não pude parar de me perguntar por que Sam desenharia John, retratando-o de forma tão carinhosa. O resto do dia evitei perguntar, mas quando as aulas terminaram e Carly e John saíram, só restávamos nós dois novamente e a duvida em minha cabeça.

Estávamos caminhando lado a lado, ainda nos corredores da Ridgeway em direção à saída. A expressão da garota ao meu lado não poderia ser mais aflita considerando que deveria realmente tentar esconder da maneira que conseguisse. De qualquer forma, eu a conhecia e poderia dizer com certeza que o motivo de tudo isso estava relacionado diretamente com o acontecimento durante a aula de inglês.

– Sam, por que você desenhou o John? — Perguntei sem rodeios assim que pisamos na rua. Não pareceu se surpreender com a questão, confirmando que já pensava nela antes mesmo de ter sido feita.

– Não era o John. — Ela insistiu, mas eu continuava a conhecê-la.

– Então me deixe ver quem era.

– Não.

– Então você admite que era o John?

– Não.

– Então quem era? — Insisti, e insistiria até ter uma resposta. Talvez a que eu quisesse ouvir, talvez a que fosse certa.

– Ninguém.

– Sam...

– Tá bom, Tá bom! Era o John. — Ela disse, sentando-se na calçada enquanto mirava o céu. — Seu nerd intrometido! — Berrou em seguida, me olhando com ódio.

– Você... gosta dele? — Perguntei descrente.

– Droga. Murmurou em direção ao próprio braço, apertando os olhos fortemente.

– GOSTA?! — Espantado, me agachei a seu lado para encará-la.

– E daí? Do que importa se ele gosta da Carly?

– Então você GOSTA?! — Perguntei, ainda perplexo.

– Qual parte você ainda não entendeu, idiota? — Ela disse com a voz trêmula e a cabeça enterrada entre as pernas.

– Oh meu Deus... Isso é...

– Patético.

– Não, não... Eu não sei, é... estranho.

– Por quê?

– Porque eu gosto da Carly. — Admiti derrotado.

– Claro. ISSO sim é patético. — Sam disse com deboche.

– Você gostar dele não é patético, mas eu gostar dela é? — Falei indignado enquanto a encarava.

– Os dois são. Mas o seu caso é pior por já ter namorado ela e tudo. É ridículo. — Ela disse com um sorriso.

– Estamos no mesmo barco, minha cara, mas pelo menos eu não a desenhei. — Falei, para atacá-la.

– Pelo menos não gosto dele há cem anos. — Ela respondeu, ríspida.

Ficamos em silêncio por mais alguns instantes encarando os carros que passavam. O fato de achar que ela estava tão envergonhada em ter que admitir que gostava do John me levou a achar justo admitir que também gostava de alguém. Sinto que no silêncio, nas ofensas e nas desavenças, nós nos entendemos.

– Não há nada que possamos fazer? — Quebrei o silêncio um tempo depois.

– Não.

– Mas eles ainda não namoram nem nada.

– E daí? Em breve irão e nós teremos que esquecê-los.

– Mas eu não quero.

– Aprenda a querer.

– Eles ainda não estão nem ficando, Sam. — Me virei para ela. — Podemos reverter a situação.

– Como? — Perguntou sem interesse.

– Sei lá, tentar... conquistá-los.

– Não vou atrapalhar a relação de ninguém, tá legal? Ainda mais da minha amiga.

– Não vamos atrapalhar nada, só vamos tentar conquistá-los antes que eles se conquistem de vez.

– Já se conquistaram.

– Se eles não começarem a namorar dentro de uma semana, eu vou começar a agir.

– Legal depois de quatro anos você se dar conta de que gosta da Carly depois dela já ter arranjado alguém, uau! — Ela disse sarcástica enquanto se levantava.

– Se você quiser, podemos nos ajudar. — Me levantei também. — Você que sabe.

– Não viaja, Freddeinstein. — Ela disse dando um sorriso de piedade e dois tapinhas de leve na minha bochecha direita. — Tchau. — Antes que eu pudesse responder qualquer coisa, ela saiu.

Segui meu caminho de casa sem parar de pensar em nossa conversa. Sam poderia me ajudar muito a conquistar Carly sendo a melhor amiga dela e principalmente por estar gostando de John, assim o favorecimento seria mútuo. Ela pôde ter desprezado a ideia a princípio, mas eu soube que plantei pelo menos alguns pensamentos em sua mente.

Notas finais
Reviews? Reviews.