Antriostatem
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Notas iniciais
POV-Harley
Bom, para uma manhã de quarta-feira de um menino de 14 anos, ela começou bem agitada. Vou contar resumidamente como foi.
Acordei com uma dor de cabeça insuportável, me vesti rapidamente para ir para escola, calças jeans, camiseta com estampa de anime e uma camisa xadrez azul, calcei meus tênis, peguei minha mochila e desci para o andar debaixo em direção a cozinha. Minha mãe estava fazendo panquecas, enquanto minha irmã mais nova Nicole estava jogando no seu Nintendo 3DS:
–Bom dia mãe, bom dia Nicole.
–Bom dia filho.
–Bom dia maninho, dormiu bem? -Disse Nicole sem desgrudar os olhos do video game
–Para falar a verdade, não muito, mas consigo aguentar o primeiro dia de aula, por que começar as aulas numa quarta-feira? Não podia ser numa segunda?
–Quer mel na sua panqueca filho?
–Quero sim mãe. Então Nicole, e você? Dormiu bem?
–Dormi sim, e acordei com uma fome! Acho que vou até comer duas panquecas!
–Nossa em! Que fome, quando e to com fome como dez!
–Obeso!
–Crianças…
–Desculpa -falamos em uníssono
–Harley, seu pai já saiu para o trabalho, você vai ter que ir andando para a escola. -disse minha mãe
–Tudo bem, vou passar na casa da Ana, assim não vou sozinho. -Ana era minha amiga desde o sexto ano, nos conhecemos no primeiro dia de aula, e no dia seguinte já éramos melhores amigos.
Estava na porta, quase saindo, quando Nicole veio correndo com seus cabelos loiros balançando e gritando:
–Harley, espera!
–O que foi?
–Você esqueceu seu sanduíche.
–Obrigado. -forcei um sorriso- Até depois da aula Nicole.
–Até. -ela se virou e voltou saltitando para a cozinha. Abri a porta e levei um susto. Uma mulher estava parada que nem uma estátua, cabelos presos sem um fio para fora, olhos castanhos imóveis, começou a falar:
–Você é Harley Lewis?
–Sim…
–Onde está sua mãe?
–Na cozinha.
–Preciso falar com ela, é URGENTE! -isso soou como um berro.
–Ela está lá na cozinha… -me interrompeu passando entre mim e o porta e indo em direção a cozinha. Desci as escadas da entrada e fui em direção a casa de Ana.
–Mulher doida. -disse para ninguém em especifico.
No caminho da casa de Ana -que ficava no final da rua- eu tive umas sensações estranhas. Primeiro, calafrios. Segundo, vozes falando na minha cabeça em uma língua que eu não fazia a mínima ideia de qual era. E por último, a sensação constante de estar sendo observado.
Já tinha subido os degraus da entrada da casa da Ana, quando fui tocar a campainha ela abriu a porta, levei um susto e com um sobressalto disse:
–Jesus!
–An… não. Sou só eu, Ana Pureblue.
–Haha -disse em um tom sarcástico
Depois de uns quinze minutos caminhando, chegamos a rua da escola:
–Então Harley, como foram suas férias?
–Bem, tirando o fato de eu quase ter sido morto por uma onça, foram ótimas!
–ONÇA?! Não tem onças na California.
–Eu sei sua anta, eu fui para o Brasil visitar a família da minha mãe.
–Como foi exatamente essa aventura?
–Bem, eu estava andando a cavalo, quando a onça apareceu do nada, o que me salvou foi o meu cavalo.
–Você é realmente surpreendente. Ah, aliás… -Parei de ouvir o que Ana falava nesse momento. Estávamos chegando na escola e na porta havia uma figura encapuzada, com um manto negro e uma foice bem grande apoiada sobre as costas suja de um liquido em tom escarlate, sangue. Seus olhos eram um vácuo sombrio, onde no instante em que olhei dentro de onde deviam estar seus olhos, meus piores medos e pesadelos se formaram em minha mente.
Despertei do transe com Ana me sacudindo forte o suficiente para que todos em volta parassem para olhar:
–HARLEY!
–An? Oi oi.
–Você me ouviu?
–Na verdade não. Você viu aquele cara com uma foice enorme ali na entrada da escola?
–Que cara? Na entrada só está Harold, o segurança, Patrick e Raphael, os gêmeos do oitavo ano.
–Acho que eu não dormi direito então.
–Pois eu, tenho certeza que você não dormiu direito, e você está começando a me assustar com esse seu olhar de peixe morto.
–Ah, esqueça. Vamos entrar se não vamos nos atrasar e ainda temos de pegar nossos horários e blá blá blá.
–Vamos.
Ao entrar na escola continuei sentindo a estranha sensação de estar sendo observado... Ana continuava a me arrastar pelos corredores até nos chegarmos em nossa sala. Logo ao entrar percebi um vulto vindo em minha direção, me choco contra o chão e ao olhar para cima vejo que o vulto era minha amiga Adi que também era a melhor amiga de Ana , eu não à via desde o começo das ferias.
–HARLEY!!!
–Oi Adi.
–Nossa que frieza....
Não queria soar rude mas a sensação já estava começando a me encomodar.
–Algo errado Harley? Disse Ana
–Não...
Neste momento o professor estava entrando na sala:
–Todos em seus lugares para eu poder distribuir os horários.
Me sentei no fundo na sala ao lado da janela, Adi na minha frente e Ana do meu outro lado.
Ao olhar de relance para a janela vi aquele mesmo ser encapuzado de antes e ele estava olhando diretamente em meus olhos. Nesse instante começo a sentir uma tremenda dor de cabeça.
–Algo errado senhor Lewis? Disse o professor
–Nada pra se preocupar.
–Então tá...aqui esta seu horário -Estudei meu horário, as mesma aulas chatas de sempre.
–Psiu!!! -Ana estava me chamando
–Pare de ficar boiando aí e me passa seu horário pra eu ver.
–Me passa depois pra eu ver também. -Disse Adi
O tempo estava passando bem rápido, tinha até me esquecido da sensação estranha. Já era o intervalo. Eu, Ana e Adi estávamos sentados encostados na parede quando três caras do terceiro ano chegaram e falaram:
–Vocês estão no nosso lugar. -Disse um dos garotos
–Oi? Disse Ana
–Podem vazar pirralhos. -Disse o outro
–É, nós sentamos aqui desde o ano passado. -Disse o último garoto
–E....? -Eu disse
Nesse ponto eles já começaram a ficar nervosos
–Olha aqui garotos é melhor vocês vazarem antes que algo aconteça com vocês.
Nenhum de nós se moveu e aquela estranha sensação já estava voltando, era como se uma aura negra estivesse se formando ao redor deles.
–Essa é a sua ultima chance saia daqui, AGORA!
Continuamos no mesmo lugar
–Já perdi a paciência, sei que não era para nos nos revelarmos mas eles já me tiraram do sério.
Encarei os olhos do garoto e minha cabeça instantaneamente começou a latejar, percebi qua Ana estava com dor, ao olhar em para Adi percebi que o olhar dela transmitia medo. Medo...? Porque ela estaria com medo?
Ao olhar para frente me deparei com a resposta. No lugar dos três garotos agora estavam três seres híbridos (como eu sei disso? Sim eu presto atenção nas aulas). Monstros aterrorizantes com pelagem mesclada de preto, azul e… sangue, garras longas e afiadas e um brilho de inteligência demoníaca em seus olhos tenebrosos e de um vermelho incandescente. De onde essas criaturas surgiram? Onde estavam os três garotos? Isso era a realidade? Tantas perguntas faziam minha cabeça doer ainda mais.
Não entendi muito bem o que aconteceu nos próximos segundos mas dois garotos agora estavam lutando contra os monstros. De primeira não reconheci quem eles eram, mas ao olhar bem os reconheci, eram os gêmeos do oitavo ano: Patrick e Raphael.
– SAIAM DAQUI!!!! -gritou Raphael
–NÓS IREMOS TOMAR CONTA DESSES AQUI, AGORA FUJAM!! -Disse Patrick
Não pensei duas vezes, sai em disparada puxando Adi e Ana pelos pulsos. Pelo visto elas ainda estavam em estado de choque e correr com minha cabeça latejando não ajudava em nada.
Ao olhar para trás percebi o erro que tinha cometido, um dos monstros estava na nossa cola e sem perceber tropecei em meus próprios pés.
–HAHAHA, não deveriam ter me irritado, vão pagar por isso.
O monstro partiu para cima de nós com uma velocidade incrível, mal pude perceber o que estava acontecendo, a única coisa que me lembro, era de ver Adi colocando-se na nossa frente absorvendo o golpe e em seguida um líquido vermelho atinge meu rosto.
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