Antigo novo amor

18 Capítulo 18 - CAMPOS


Cap. 18



O fim da tarde pousa sobre a chácara e eles se despedem das mães e das crianças, seguindo caminho para o hangar onde o jato já os aguarda.


— Boa tarde! — cumprimenta o piloto.

— Olá! — sorri.

— Faz tempo que chegou aqui? — entram na aeronave.

— Não! Chegamos tem dez minutos.

— Obrigado por vir de última hora!

— Imagina! Vocês precisam de algo?

— Não, a viagem vai ser rápida, né?

— Sim! — ri. Vou organizar a decolagem, fiquem a vontade. — se retira.

— Você quer algo? Água, vinho? Peço para ele.

— Não! — senta-se, colocando o cinto. Falei brincando sobre não ajudar com o jato, também estou usufruindo… Me manda quanto ficou.

— Vou te mandar… — pega o celular.


Vitor começa digitar e ela aguarda para poder encaminhar para seu setor financeiro. Mas, ao ler a mensagem não segura o riso.


— Você é muito safado! — riem. Se eu pedir algo aumenta o valor da despesa?

— Para você com certeza aumenta! — coloca o cinto.

— Vou evitar sentir sede então! — olha pela janela.



Fazem uma viagem tranquila e em poucas horas aterrissam em Campos dos Jordão. Já na pousada, ao entrarem no quarto Vitor recebe um telefonema e sai para atender enquanto Paula explora o ambiente.


— Vitor! — o chama. Vem aqui ver uma coisa! — ri.

— O que foi? — guarda o celular e vai até ela.

— Olha essa banheira… — mostra. Vou pedir demais se eu querer uma assim para minha casa?

— Desde que você me prometa que só eu entrarei nela com você, pode pedir uma para cada cômodo! — riem.

— Quem era no telefone?

— Advinha? — retira os sapatos.

— Poliana?

— Pelo amor de Deus, Paula! — a encara. Claro que não!

— É que você falou com uma cara… — retira a jaqueta. Só imaginei coisa ruim!

— Era Leo me avisando que também já está aqui com Carol, se queríamos ir jantar com eles.

— Ah… — pensa. Isso é ruim?

— Eu vim para ficarmos sozinhos! — se aproxima dela, trazendo-a para seu peito. Mas, se você quiser ir, podemos ir…

— Eu não acho que me sentirei confortável.

— Se for pela situação com…

— Sim, é! — o interrompe.

— Não vamos pensar nisso… Nem iremos a jantar algum! — sorri. Vamos aproveitar essa banheira calmamente… testar se ela é boa mesmo para podermos comprarmos uma para sua casa nova. — ao beijar Paula seu telefone toca novamente — Não é possível! — pega o celular.

— Leo de novo? — vê a tela.

— Oi Leo… — atende. Você reservou restaurante? Mas, nem te confirmei se iríamos… — revira os olhos e Paula ri, sinalizando para desistirem e irem logo. Ok, nos vemos às 20h! — desliga.

— Não adianta, ele não vai dar sossego! — vai até sua mala e abre. Ainda bem que trouxe uma roupa a mais — pega. Vou tomar um banho e vamos! Você vai se trocar?

— Eu vou tomar um banho… — abre a camisa.

— Não! — ri. Não vamos tomar banho juntos!

— Não temos tempo, em meia hora precisamos estar lá embaixo para irmos juntos com Leo, então vamos economizar nosso tempo! — retira a calça.


Ela desiste de responder, já sabendo que ele entraria no banho ela querendo ou não, já sabendo que não seria só um banho e que chegariam atrasados e tudo se confirma.


— Estou finalizando e vamos! — se olha no espelho, arrumando o cabelo.

— Ele já está mandando mensagem… — vê uma caixa preta na mala dela. O que é essa caixa? — pega na mão.

— Ah… — vê. Então… — vai até a cama, onde a mala está aberta. Eu trouxe umas coisas que comprei e queria te mostrar… — pega a caixa dele. Não sei se você vai topar e se não topar tudo bem… — diz com certo receio.

— Estou começando a ficar com um pouco de medo do que tem aí!

— Não Precisa! — ri enquanto abre a caixa. Está tudo bem se você não gostar disso…

— Paula… — pega a caixa da mão dela e se senta na cama.

— Você acha demais? Estou começando a ficar um pouco envergonhada…

— Você gostou mesmo de ter os braços amarrados? — segura a algema e olha para ela.

— Gostei! — sorri. Por isso comprei algemas que não machucam — se senta ao lado dele — para você não ficar se preocupando se estou me machucando ou não. Não sou adepta ao sadomasoquismo — riem — mas eu gostei das algemas… — olha para ele.

— Ótimo! — coloca ao lado. Você pode usar em mim se quiser… — vasculha a caixa — é… eu amaria ver isso aqui em você… — segura uma lingerie comestível — e tem sabor de morango ainda? — lê na embalagem. Nunca gostei tanto de uma fruta como essa! — riem. E isso aqui? — pega uma caixinha menor, lendo.

— Um pouco demais, né? — o observa. Nunca testei isso, acho melhor a gente deixar isso para lá! — pega da mão dele e coloca na caixa maior.

— De jeito nenhum! — pega novamente. Se está aqui é porque você tem interesse nisso e se você tem interesse, nós vamos ver como funciona! — abre a embalagem e retira o produto. Pega meu celular ali… — aponta.

— Vitor, não temos tempo para isso!

— Temos tempo!

— Nunca usei isso… Não sei nem para onde vai! — entrega o celular para ele. Não tem a menor condição deu usar isso enquanto estamos jantando com Leo!

— Não tinha pensado para o jantar… — olha para ela. Mas agora que você falou… — sorri.

— Não, por favor! — o encara.

— Você realmente não quer? — procura pelo aplicativo descrito na embalagem. Vou instalar o aplicativo, mas não precisamos usar se você não quiser… Mas, se estiver passando pela sua cabecinha a possibilidade de querer, podemos tentar… — olha para ela que fica imóvel. Pulinha… — ri. Eu prefiro que estejamos a sós enquanto eu vejo você ter um orgasmo, eu tenho esse tipo de egoísmo em querer esse momento só para mim, mas eu acho que se isso veio parar nessa caixa é porque você quer e podemos fazer isso se você quiser.

— O momento continua só para você… só você vai saber, só você vai controlar…

— É… — a observa. Mas eu quero que fique confortável para você…

— Isso é para ser tudo, menos confortável! — ri, pegando o vibrador. Você vai ficar incomodado se tentarmos?

— Vou ficar tudo, menos incomodado! — sorri.

— Promete que vai devagar até que a gente aprenda a mexer nisso… ?

— Prometo! — pisca. Vamos já testar?

— Isso é uma loucura sem fim… — vai até o banheiro, retornando poucos minutos depois. Se eu apertar a sua perna, você desliga.

— E se estiver longe de mim?

— Não podemos ficar longe! — pega a bolsa. Vamos?

— Você já colocou?

— Vitor, vamos… — começa rir.


Adentram o elevador e ele passa alguns minutos olhando para ela, imaginando o que pode fazer e pensando no quanto tudo aquilo era uma novidade, as sensações, os objetos, a liberdade que tinham em compartilhar momentos tão íntimos. Pega o celular e resolve testar, acionando o aplicativo. Instantaneamente Paula o encara, incrédula.


— Isso não vai dar certo! — a observa se controlar, respirando fundo. Esse é realmente o tipo de coisa que eu só quero ver sozinho… — se aproxima dela.

— Então para… — encara ele.

— Também não consigo porque é viciante te ver assim…! — acaricia o rosto dela.

— O elevador vai parar… — se segura nele.

— Vamos voltar pro quarto? Não tem como irmos nesse jantar!


Enquanto reluta em manter a postura, se agarrando a ele como ponto de equilíbrio, é surpreendida por um beijo, se entregando ao momento e se permitindo viver as sensações que a atravessavam. Antes mesmo de apertaram novamente o botão do elevador para retornarem ao quarto, as portas se abrem e Leo e Carol os encara do outro lado.


— Boa noite! — chama atenção.

— O-oi… — se recompõe, encarando o irmão. Boa noite!

— Boa noite! — Paula aperta os braços sobre a cintura de Vitor e ele se recorda do aplicativo.

— Vamos então? — entram no elevador.

— Claro! — desliga a vibração pelo aplicativo e Paula respira aliviada.

— Cansada? — Leo se vira pra ela.

— S-sim… — ri. Bem cansada! — sorri.

— Aqui é uma delícia… Dá para descansar!

— Aham… — olha para Carol sorrindo. Eu adorei o hotel!

— Trouxeram Francisco?

— Não! — sorri.

— Ah que pena… Vitor me mostrou uma foto dele, fofinho demais! — sorri.

— Sou suspeita, mas sim… fofura! — ri.

— Eu acabei esquecendo de te falar, Pulinha… Mas, Carol está grávida novamente!

— Sério? — olha para ela incrédula. Que alegria, parabéns!

— Obrigada! — sorri.

— A você também, Leo! — olha para o cunhado. Fico muito feliz! — sorri.

— Obrigado, Paula! Estamos felizes e surpresos.

— Imagino!

— Se vocês continuarem no ritmo que vi aqui, logo teremos mais uma gravidez! — Leo pontua, deixando Paula sem graça.

— Desde quando beijo engravida? — Vitor intervém.

— Mas é o início…


Paula olha para Vitor e pede que ele não responda, escorando sua cabeça sobre o ombro dele e suportando toda a tensão em um ambiente tão pequeno.

Leo havia reservado o restaurante do próprio hotel e em pouco tempo já estão acomodados em seus lugares. Para a noite tensa Paula havia escolhido um vestido fluido, amarelo, com um decote discreto nos seios e um decote profundo nas costas, levemente escondido pelos cabelos soltos e os cachos definidos. A maquiagem optou por algo suave e coordenou o look com algumas joias. Buscou ao máximo ser o mais simples possível para evitar olhares e mesmo sendo em vão, só haviam dois olhos que para ela realmente importasse.


— Você está muito bonita! — sorri, sussurrando no ouvido dela enquanto se acomodam. Não deu tempo de falar mais cedo!

— Obrigada! — ri, beijando-o.

— Posso dizer que concordo! — se senta. Aliás, você é bonita…

— Obrigada, Carol!

— Uma beleza que chega ser sufocante… por onde passa chama atenção!

— Impressão sua! Talvez eu só chame atenção por ser cantora e conhecida, não pela beleza sufocante que você supõe que eu tenha. — sorri.

— Ah… não é suposição! Tenho certeza que os homens podem concordar comigo… você tem tudo na medida certa, como uma sereia que hipnotiza e consegue convencer qualquer homem com seu canto!

— Não entendi… — ri, mantendo o clima passivo agressivo. Você considera que minha beleza é quase que manipuladora como de uma sereia? Como se homens precisassem ser convencidos de algo que querem…

— Realmente não precisam, isso vou concordar! Quando querem algo ou alguma mulher, eles não pensam duas vezes em fazer qualquer coisa ou destruir qualquer pessoa para chegarem lá. — sorri, encarando Vitor.

— Você vai querer mesmo criar essa situação? Porque se for, direcione sua agressão para mim e não para Paula.

— Vitor…

— O que foi Leo? — encara o irmão. Foi para isso que nos convidaram?

— Acredito que você está levando para outro lado…

— Mas, eu estou me sentindo desconfortável… — Paula pondera — E acredito que não precisamos disso. Eu não roubei ninguém de ninguém, é um absurdo insinuar que manipulei alguém, ainda mais um homem feito! Entendo que talvez você esteja chateada porque é sua irmã… Mas, não tenho nada ver com isso! — olha para Carol. Então vamos parar com essa guerra fria. Podemos começar do zero ou então, se acharem melhor, eu retorno ao quarto e encerramos isso. Sou uma mulher adulta e estou te tratando com respeito, peço e espero o mesmo! Não é porque estou com Vitor que vou engolir qualquer sapo, principalmente porque ele teve um relacionamento com sua irmã, uma pessoa também adulta, e terminaram. Estamos entendidas? — sorri.


O silêncio paira sobre a mesa até que Carol resolve corta-lo, com lucidez.


— Você tem razão, eu exagerei! Você realmente não tem nada ver com isso, só acho que eu preciso de um pouco mais de tempo para digerir tudo. — se levanta. Vou pro quarto, mas jante com eles, por favor! — olha pra Leo. Me desculpa, Paula! — se retira.

— Você deveria ir ficar com ela! — Paula sinaliza ao Leo.

— Não sabia que isso ia acontecer… — respira fundo. Os convidei porque acreditei que estava tudo resolvido.

— Está tudo resolvido há muito tempo, Leo! Aliás, nunca teve motivo para não estar. Vamos, Pulinha…

— Vamos jantar, já estamos aqui! — começa olhar o cardápio. Leo, fique a vontade para comer conosco se quiser…

— Obrigado, Paula! Mas, acho melhor ver como Carol está mesmo.

— Provavelmente ligando para a irmã dela e contando desse momento. Ao menos é o que eu faria caso fosse minha irmã…

— Paula… — Vitor se direciona a ela, mas ela o interrompe antes de concluir.

— Isso não é um problema para mim! Vocês eram adultos. Mas, claramente é um problema para a família e eu não vou interferir.

— Para nossa família, não. Talvez seja um problema para Carol… Mas, isso vai passar! — Leo explica.

— Natural que ela se sinta assim, talvez tenha pensado que a irmã viveria o que ela vive com você ou a irmã dela confidenciou que nutriu sentimentos profundos por Vitor e ficou desapontada!

— Paula, por favor! — revira os olhos.

— Nós dois já conversamos sobre isso! — repreende Vitor. Voltando — olha para Leo — eu compreendo ela se sentir assim, Leo… Mas não vou admitir que eu seja colocada como vilã em uma história que eu não tenho absolutamente nada ver.

— Compreendo e você não está errada! Bom… Já vou indo. Aproveitem o jantar, eu faço questão de pagar. Até amanhã! — se retira.

— Que situação… — observa o irmão sair. Me desculpa, eu não…

— Vitor, por favor! — o interrompe. Vamos só jantar e voltar pro quarto. — folheia o cardápio.



Um silêncio se instaura na mesa, sendo interrompido apenas por comentários sobre os pratos que escolheram. Ao terminarem, dispensam a sobremesa e seguem de volta ao quarto.

Paula observa Vitor atentamente, sabendo que ele estava incomodado com tudo que houve e não seria para menos. Ela foi abordada de uma forma grotesca e conseguiu compreender como a cunhada tem a enxergado no meio de uma história que ela nem fez parte. A fim de quebrar o clima, enlaça seu braço ao dele, que se surpreende e sorri para ela.


— Tudo bem?

— Não!

— Ás vezes me espanto o quanto você é tão direto.

— Só tento ser adulto!

— Ah… — faz cara de surpresa — sério? — debocha.

— Boba! — riem. Essa situação é constrangedora, Paula. O alvo deveria ter sido eu e não você e eu nem sei como me desculpar.

— Acho que eu consegui deixar bem claro para ela minha posição! Você não acha?

— Tenho certeza! — acaricia a mão dela. Você é uma mulher transcendental e não queria que passasse por isso, foi totalmente desnecessário.

— Sim, foi… Mas é a irmã dela. Não devemos esquecer disso também.

— Tudo bem, mas você não tem nada ver!

— Realmente, não tenho! Mas… voltando ao papo de que você não sabe nem como se desculpar… Eu tenho uma ideia! — sorri, virando-se para ele.

— O que você quiser eu farei! — pisca para ela.

— Ótimo!



POV: VITOR


O jantar foi tudo que eu não queria. De prato principal o caos e de sobremesa a tensão. Talvez o meu grande erro é sempre pensar que para o outro está tão resolvido quanto para mim.

Por outro lado, nessa noite eu pude ver e sentir o quanto Paula só demonstra evoluir, segurando qualquer situação com respeito e maturidade, mesmo quando injustamente é abordada por algo que não deveria, como Carol fez.


Entramos no quarto e ela segue para o banheiro, retornando antes mesmo que eu retire meu relógio.


— Vou encher a banheira! — anuncia, retirando o vestido. E eu gostaria muito que você viesse comigo… — olha para mim.

— Um convite complicado! — começo desabotoar minha camisa.

— Eu imagino… — se aproxima, já com aos mãos sobre mim. Não é todo dia que uma mulher bonita, sexy, talentosa, dentre tantas coisas, te convida para tomar um banho de banheira..

— Esqueceu de um adjetivo: ela é humilde! — ela ri e eu a acompanho. Mas, claro… essa mulher tem toda razão sobre cada coisa que falou sobre si mesma, eu ainda acrescentaria que ela é muito gostosa!

— Ela agradece! — sorri e meu coração falha.


Pode passar o tempo que for, eu ainda vou me perder em cada curva desse sorriso. Meu coração vai falhar a cada vez que ela sorrir para mim, independente do tempo que estivermos longe ou perto. Não resisto e a beijo, a surpreendo e recebendo o seu riso entre meus lábios.


— Preciso te pagar a vinda de avião… — pula em meu colo.

— Não esqueça que temos a volta! — apalpo sua bunda e sigo para o banheiro.


Em pouco tempo já estamos acomodados na imensa banheira, provando de um vinho que escolhemos e já recebemos no serviço de quarto, momento que ela propõe uma brincadeira um tanto quanto perigosa.


— Como é isso?

— Você escolhe me responder uma pergunta com a verdade ou escolhe um desafio… E não pode mentir!

— Vamos fazer um teste. Pergunte aí!

— Verdade ou desafio?

— Verdade!

— Eu sou a mulher mais bonita que você já conheceu na vida?

— Isso não tem graça… — rio — Você já sabe a verdade! Não é só a mais bonita, mas é a mais magnética, porque mesmo que você esteja do outro lado do mundo, eu vou me sentir atraído e envolvido por você. Sempre. Satisfeita?

— Um pouco… — ri. Agora é você!

— Escolhe verdade.

— Ah não… — ri. Não é assim! — joga água em mim.

— Verdade ou desafio?

— Verdade! — sorri.

— Já escreveu alguma música para mim?

— Que piada, Vitor!

— Digo nos últimos tempos…

— Hum… — bebe um pouco de vinho. Já…

— Eu quero ouvir!

— Ainda não… — ri. Vai estar no álbum novo, você vai ouvir com todo mundo!

— Escolhe desafio agora.

— Não é assim! — riem. E é minha vez. Verdade ou desafio?

— Desafio! — não consigo tirar os olhos do corpo dela, exposto para mim.

— Te desafio a me deixar ir até você e deixar uma marca roxa no seu pescoço!

— Como é? — caio na risada.

— É… — ela ri e meu coração dança — Quero deixar uma marca bem roxa no canto do seu pescoço! — ela sinaliza com a mão a direção.

— Vem! — digo firme, ansioso pelo que irá acontecer.


Ela desce da borda da hidromassagem e eu fico tenso. Seu corpo leve e perfeitamente definido se coloca sobre o meu e já sinto algo reagindo em mim. Ela se senta no meu colo como se fosse a coisa mais natural do mundo e o encaixe é extraordinário. Mas, quando ela leva a mão no local que quer literalmente chupar e me deixar uma bela de uma marca, eu estremeço.


— Está com medo? — ri.

— Não! Estou ansioso… — olho nos olhos dela e vejo que ela está tão ansiosa quanto eu. Só para constar… Você vai devagar, né?

— Não! — ri e então faz um caminho com a língua sobre a minha pele e é impossível controlar minha excitação.

— Paula… — seguro na cintura dela, arrumando-a no meu colo para conseguir ao menos ter um pouco de consciência, porque ela estava me roubando todo juízo, e enquanto eu me concentro em manter ela longe da minha intimidade para controlar meu instinto, ela faz o serviço. Filha. Da. Mãe. Ela avança na minha pele, sugando meu pescoço com tanta força que eu não tenho outra reação a não ser gemer com os olhos fechados tentando buscar um ponto de equilíbrio, porque dói.

Dói muito.

Queima.

E é maravilhoso.

— Pronto… Acho que vai ser suficiente. Você é tão branco… — passa a mão tentando aliviar a dor que claramente pulsa de mim.

E é a dor mais gostosa que eu já pude sentir. Ela ainda vai me deixar viciado nisso.

— Deixa eu ver! — pego o celular e abro a câmera frontal e quando levo pro meu pescoço não me contenho. Cacete, Paula! — rio, com força. O que você fez aqui? — passo a mão. Eu tenho show mais tarde!

— Ótimo! — volta pro lugar dela e eu tenho vontade de puxar ela de volta pra cá, mas faz parte do jogo cada um no seu canto. — Pode fazer em mim se quiser… — sorri.

— Isso é um pedido?

— Pensando bem… Eu quero que você me chupe e me deixe roxa também. É uma ordem! — ri.

— Te garanto que isso vai acontecer e te garanto que não será no pescoço! — coloco o celular de volta no chão. Minha vez, né? — ela concorda. Verdade ou desafio?

— Verdade!

— Covarde! — ela ri.

— Depois de você me dizer que me deixaria roxa e não é no pescoço, acho melhor eu pegar leve… — sorri.

— Fica tranquila… Não vai doer e se doer, vai ser como doeu em mim… com muito prazer!

— Agora me arrependi de ter escolhido verdade!

— Sem problemas, farei isso independente do jogo. — pisco para ela. Vamos lá… — pego minha taça de vinho e bebo um pouco. Ele já te agrediu?

— O que? — é pega de supresa e eu sinto sua cabeça fervendo.

— O Rony… Ele já te…

— Entendi a pergunta. — ela me interrompe. Isso deixou a brincadeira sombria. — junta a espuma da banheira nas mãos.

— Quero saber! Faz parte do jogo. Você escolheu verdade e deixou bem claro no início que não podíamos mentir.

— Eu não sei. Só aconteceu de algumas vezes ele acabar me empurrando no armário, dentro do closet ou na cozinha… A gente discutia, eu tentava conversar e ele fazia isso, para sair da situação.

— Pulinha… — engulo seco e quando me movimento para ir até ela, preciso beija-la, fazer com que ela esqueça essa situação, mesmo sabendo que isso é impossível.

— A brincadeira vai acabar… — ela me vê chegando perto.

— Somos adultos. — acaricio seu rosto. Sabemos nos controlar! — a beijo, calmamente até sentir ela morder meu lábio inferior, quando então eu avanço. Ou não… — esparramo a mão sobre sua nuca, a pressionando ainda mais sobre minha boca e então a puxo para meu colo e dali em diante não vemos mais nada. Nem água transbordando, nem taças quebrando, nem celulares encharcados no chão.



POV OFF


Acaricia as costas dela, deitada sobre si. No silêncio das respirações, são interrompidos por batidas na porta.


— Você pediu algo?

— Não! — responde sonolenta.

— Vou ver o que é! — a acomoda na cama e se retira, colocando o roupão.


Ao abrir a porta se depara com Leo.


— O que foi?

— Tem algum remédio de dor de cabeça? Mandei mensagem e você não viu.

— Leo, você está bem? Meu celular está com um problema…

— Estou.

— Não parece… — o observa.

— Estou atrapalhado algo? — olha pro roupão.

— O meu sono!

— Desculpa! — ri. Você tem o remédio?

— Vou buscar… — entra novamente no quarto e pega o medicamento, retornando á porta. Só tenho esse! — entrega.

— Obrigado!

— Você quer conversar? Posso colocar uma roupa e nós descemos para algum local.

— Não, não vou atrapalhar mais você e Paula!

— Paula já está dormindo.

— Aproveite pra dormir também! Vou ficar bem. Boa noite! — se retira.


Retorna ao interior e encontra Paula sentada na cama.


— O que foi? Quem era?

— Era Leo, queria um remédio…

— Ele está bem?

— Fiz a mesma pergunta! — ri, enquanto retira o roupão. Ele não quis conversar… mas não está bem. — se deita. Vem aqui…

— Estou cansada… — se aconchega nele, rindo.

— Eu também! — enlaça os braços sobre o corpo dela. Mas, queria aproveitar cada segundo dessa mini férias… — a beija.

— Qual nossa programação amanhã?

— Eu pensei em te trazer café na cama, para que você não precise nem levantar… — ela ri — e pensei em comer algumas frutas pela manhã, tipo morango…

— Você não vai esquecer mesmo daquilo! — ri.

— Não consigo, estou ansioso para te ver nela! — sorri.

— Amanhã eu penso nisso… — se aconchega nele. — Eu vou cobrar! — a abraça.



O dia amanhece chuvoso, o que contribui para a programação deles que passam o tempo todo no quarto até o momento da saída do show.