Anti-social
21 O segredo de Sarah
Notas iniciais
De qualquer forma, aqui está. Hope you enjoy it xD
Enquanto eu estava ocupado em não prestar atenção na aula, Sarah parecia o fazer. Já estávamos na última aula, de geografia, e a maioria dos alunos já estavam quase ou realmente dormindo. Era uma proeza conseguir suportar aquela aula. O professor até que não tinha muita culpa, mas o conteúdo realmente era muito desinteressante.
Acho que estávamos falando sobre a Europa... Ou seria a África? Pode ser que também fosse a América do Norte... Bom, não importa, já que meus pensamentos estavam em outro mundo.
Olhei de súbito para a menina do meu lado. Ela fazia a lição de casa, que em pouco tempo seria recolhida, de última hora. "Ah, então ela não está realmente ouvindo as falas do professor. Imagino se alguém o ouve, alguma vez..."
Não demorou muito e eu dormi. Fui acordado, ao soar do sinal, pela Sarah.
Só mais 5 minutos... ─ Resmunguei, com a voz embargada ─ Não, 10...
─ A aula já acabou. Levanta logo. ─ Ela me chacoalhava e eu, relutante, obedeci.
Me espreguicei e, logo que a vi caminhando embora, me lembrei que precisávamos conversar. "Não aguento mais esperar."
Fui atrás dela, que já estava um pouco à frente. Consegui alcançá-la um pouco depois do portão.
─ Ah, Sarah! ─ A segurei pelo braço, e ela pareceu tomar um susto, o puxando rapidamente.
─ Ah, é só você... ─ Ela pareceu aliviada. ─ O que foi?
─ Ah, é. Antes que eu me esqueça e esse assunto acabe sendo adiado novamente, precisamos terminar aquela nossa conversa. ─ Cocei a nuca. ─ Eu não sou curioso nem nada disso, você sabe, mas... Arg, eu estou curioso, tá bom?! ─ Virei a cabeça para o lado, emburrado, e cruzei os braços.
─ Hahaha ─ Eu riu, uma risada gostosa e até mesmo contagiante. ─ Eu te entendo. Eu te deixei numa situação bem estranha, né? Parando a conversa naquela parte foi bem ruim da minha parte. Nossas casas são na mesma direção, até certo ponto... Podemos ir andando e conversando.
Pensei um pouco antes de responder. ─ Urg, tá bom. Mas só por causa disso. Não ache que vamos caminhar juntos até nossas casas todos os dias.
─ Hahaha, não. ─ Ela me olhou com um sorriso, voltou a caminhar, e eu a acompanhei. ─ Onde eu parei, mesmo?
Olhei para outra direção, tentando lembrar. ─ Você estava falando do seu pai.
─ Ah. ─ Sua expressão mudou totalmente. Ela ficou séria, e pensativa. ─ Isso...
─ Você estava falando que o seu pai não era o tipo de pessoa que você imaginava que era. Como assim? ─ Perguntei.
─ É só que ele não é muito... Digamos... Ele não é o que podemos chamar de bom. ─ Ela levantou as mangas e me mostrou aqueles hematomas que eu já vira antes. ─ Vê isso? ─ Assenti ─ Foi ele quem fez.
"Foi o mesmo que imaginei..." ─ Ah... Mas... Por quê?
Ela demorou um pouco antes de dizer qualquer coisa. ─ Quando eu não faço o que ele manda, ele me bate.
─ "O que ele manda"?
Ela suspirou ─ Seus "desejos".
Tomei um susto. ─ M-Mas... Como assim?! Por quê nunca falou nada pra ninguém?! Isso é... Por quê suporta tudo isso sozinha? Você deveria denunciar pra polícia, ou sei lá...
─ Se eu fizer isso, eu vou morar com a minha mãe. ─ Ela estava cabisbaixa.
─ E isso é ruim? ─ Eu não entendia mais nada.
─ Não é que eu não goste dela nem nada... Ela mora em outro estado, e logo depois que meus pais se divorciaram eu vim pra cá, com meu pai, e meu irmão ficou com a minha mãe lá. Por mais que eu odeie meu pai, eu não quero ir. Eu... gostei bastante dessa cidade. ─ Ela parecia a ponto de chorar, então achei melhor parar por ali.
─ Bem... Se você pedisse minha opinião, eu diria que isso é um absurdo, mas se você quer isso, a escolha é sua. Só acho que não deveria ficar assim, em silêncio. Só obedecer ordens nem sempre é bom. Eu também sou uma pessoa que raramente fará o que alguém mandar. Se eu o fizer, será porque eu quero. ─ "Acho que eu dei um conselho pela primeira vez"
─ Eu já disse que se desobedecer eu acabo espancada. Mas, enfim, mudando de assunto... ─ Ela já parecia mais alegre ─ Agora fale o seu segredo.
─ Hein? ─ Fiquei na defensiva.
─ Me fale esse porquê de você ser todo fechadão. Tem um motivo, isso eu sei.
─ Nem pensar! ─ Me afastei "Sabia que tinha uma armadilha!"
─ Ah, qual é! Eu abro meu coração pra você, e você não vai me contar nada? ─ Ela chacoalhava meu braço.
─ Ninguém pediu pra você falar nada. ─ Virei o rosto para o lado oposto.
─ Você pediu! ─ Ela protestou.
─ Tanto faz. ─ Cruzei os braços.
─ Ah não, agora você vai falar. ─ Ela veio em minha direção, e eu saí correndo. Logo estávamos em um "pega-pega" sem fim e, depois de um tempo correndo, parei para descançar.
─ Trégua! ─ Levantei a mão, pedindo paz.
─ Contaaaa ─ Ela me chacoalhava.
─ Não. ─ Neguei, mais uma vez. ─ E não adianta insistir. Agora é melhor cada um ir pra sua casa.
─ Ah, é verdade. ─ Ela olhou para a rua que deveria seguir, meio melancólica. ─ Falou então. ─ Sarah acenou, e foi embora.
Segui até o meu lar, e fui saudado por Fênix. Estava tão desligado que nem percebi meu pai na cozinha, preparando alguma coisa.
─ Oi. ─ Ele me cumprimentou, mas eu não respondi. ─ Alôo?
─ Ah, oi. ─ "Acordei", e chacoalhei a cabeça. ─ Você está tendo bastante folgas ultimamente, ein?
─ É. Eu estou trabalhando bastante, para depois ter esses dias sem trabalho. ─ Ele explicou.
─ Entendi. Eu vou pro quarto. Tenho que terminar um trabalho. ─ Avisei.
─ Não vai almoçar? ─ Ele estranhou.
─ Agora não. ─ Falei e fechei a porta do quarto.
Abri meu armário, e tirei do fundo um livro de advocacia que meu pai usara para estudar um pouco antes de entrar na faculdade.
─ Deve ter alguma coisa aqui que ajude a Sarah. Não estou usando pra nada mesmo, acho que ão tem problema de eu emprestar para ela. ─ Falei comigo mesmo, enquanto colocava o pesado objeto na minha mala.
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