— Risa? — uma voz me chamou ao longe. — Marisa, acorde!

Ergui-me de supetão, sem fôlego como se tivesse ficado muito tempo embaixo d'água e estivesse me afogando. A sensação era muito parecida.

— O que foi, Risa? — Virei-me na direção da voz e tive um tremendo susto ao me deparar com Nick na cama. Não podia ser.

Encarei-o como se estivesse vendo um fantasma. Talvez porque eu estivesse mesmo. Que outra explicação haveria?

Afastei-me quando ele tentou tocar meu braço, ainda muito confusa o que estava acontecendo.

— O que você está fazendo aqui? — Consegui sussurrar, com muito esforço.

— Eu estava dormindo, Marisa. O que está acontecendo? — Ignorei sua pergunta e saí da cama, indo para o banheiro e jogando água no rosto para tentar clarear minhas ideias. Assim que a névoa de desorientação se dissipou, consegui me dar conta de que tudo não passara de um sonho. Sonho não, pesadelo. Uma espécie de mistura de minhas lembranças. Eu ainda não havia conseguido encontrar coragem para enfrentar nossa situação e dizer que deveríamos acabar tudo, porque estarmos envolvidos era errado. Estava roubando mais alguns dias, mais alguns momentos. No entanto, depois de tudo que vi e vivi durante este pesadelo, percebi que era uma estupidez o que pretendia fazer. Não valia à pena. Não quando eu o amava tanto, e era amada com a mesma intensidade. Quem ligava para a diferença de idade quando o amor estava em jogo? Eu não iria arriscar perder o Nick porque algumas pessoas me olhavam torto. Elas que fossem cuidar da própria vida e esquecessem da minha. Porque não havia nada que pudesse me separar do homem que amava, agora.

Voltei para o quarto e encontrei Nick sentado na cama com uma expressão apreensiva no rosto.

— Tudo bem com você? — Indagou, quando me deitei ao seu lado novamente.

Assenti com a cabeça enquanto me aninhava junto ao seu corpo. Eu estava, realmente estava, bem.

— Foi só um pesadelo. Não se preocupe.

— Você sabe que eu me preocupo. Não há como evitar.

— Eu sei — dei um pequeno sorriso. — Me preocupo dá mesma maneira com você.

Ele apagou a luz do seu abajur, e enquanto o quarto voltava à escuridão, tomei coragem para falar:

— Me desculpa.

Ligando a luz novamente, ele se virou para me encarar:

— Desculpas por quê?

— Por não dar o devido valor ao nosso relacionamento. Por vê-lo como um erro. Estarmos juntos não é errado, como você me disse várias e várias vezes quando eu tentava terminar tudo entre nós dois.

— Aleluia! — Ele exclamou, com um sorriso. — Finalmente você conseguiu colocar algum bom senso na cabeça. Posso saber o que a fez mudar de ideia?

Pensei por um momento se deveria contar, mas resolvi que não era preciso. Isto era algo que deveria ficar só para mim. Fora necessário ter o sonho mais vívido da minha vida, para que eu percebesse que não poderia ficar sem Nick.

— Apenas percebi que nosso amor é mais importante do que o que as pessoas vão pensar a meu respeito — ergui-me em um braço e o encarei. — Eu te amo, Nick.

— Também amo você, Risa — disse ele, antes que seus lábios encontrassem os meus em um beijo que reunia passado, presente e futuro, unindo-os sem barreiras, sem questionamentos.

Fim!

Notas finais
Olá! Fico muito feliz que tenha lido até aqui. Desculpe a demora para finalizar, depois de quase um ano.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.